Em "saber vender livros" arrisquei meia dúzia de ideias sobre como vender livros de forma mais directa, prática e eficaz. Confesso que continuo a ter razões para espanto. Nem sequer estou numa de conservadorismo impondo uma teoria da suspeita à estupidez do capitalismo. Agora mesmo fui ver a secção de filosofia da novissima e gigante livraria Byblos e devo dizer que não passei da 1ª página (apesar do site ter muitas páginas só para filosofia). Se os psicólogos se queixam dos livros pimba de auto ajuda a ocupar a maior parte do espaço do escaparate de psicologia, é hora dos filósofos se queixarem dos livros da banha da cobra e religião ocuparem os seus escaparates. Senão vejamos a lista de obras de filosofia pura e dura da 1ª página da Byblos:
Miguel Real, As máscaras da vaidade
Jorge Angel Livraga, O sentido oculto da vida
Pierre Klossowsky, a moeda viva
Estes aparecem entre os livros de Peter Sloterdijk, Peter Singer e uma edição brasileira de um ilustre desconhecido sobre Kant. Por momentos fiquei a pensar se é a esta filosofia que alguns leitores dizem escapar-me em favor da tradição anglo saxonica. Se eu fosse livreiro criava um escaparate com a designação "Banha da Cobra". Mas de uma coisa podemos estar certos: As máscaras da vaidade, o sentido oculto da vida e a moeda viva são realmente problemas centrais da filosofia. Os meus leitores já sabem bem que aprecio muito a oportunidade que alguns livros dão ao público em geral para conhecer bem a filosofia. Mas bolas, isto da Byblos é mesmo querer enganar o povo!
De jacinto a 14 de Maio de 2008 às 09:11
A moeda Viva de Klossowski no escaparate da banha da cobra? Por vezes a vontade de emitir opinião faz com que nos precipitemos, precisamente o contrário do que deve ser a reflexão filosófica. Enfim, uma breve investigação pela net deve elucidá-lo sobre quem foi Pierre Klossowski, a Moeda Viva e a sua importância para muita da Filosofia que se vai fazendo por esse mundo fora.
Para além de ter privado com Breton, Rilke, Foucault, Bataille, Blanchot, Deleuze e Gide, entre outros, A Moeda Viva constitui uma apologia libertária dos corpos que são escravos das sociedades ocidentais e capitalistas, fazendo um paralelismo recorrente entre o corpo e a linguagem. Está certo que não lhe cabe o mediatismo de Singer, mas faça isso, dê uma volta pela net... olhe, pergunte ao Desidério ou ao Aires...
De
rolandoa a 14 de Maio de 2008 às 09:36
Caro Jacinto,
Também eu conheço Guy Debord ou Raoul Vaneigam. Daí a considerá-los centrais vai uma grande distância!Lá por eu ter um blog de divulgação de filosofia, tal não implica que desconheça o mundo. Tem razão: "por vezes a vontade de emitir uma opinião faz com que nos precipetemos". Pergunte o Jacinto ao Aires ou ao Desidério, Catano!
Eu louvo a sua paciência em responder a pessoas anónimas que comentam com este «estilo»...
De Jacinto a 14 de Maio de 2008 às 12:38
E Singer ou Sloterdijk são centrais na Filosofia ou moda? O tempo o dirá. Catano???
E não vejo como Jacinto é mais anónimo que Manuel Galrinho. Faltou o apelido? É Raheeem... acrescentou alguma coisa?
Sim há uma grande diferença. Manuel Galrinho há só um, jacintos há muitos. Se se clicar no meu nome saberá muito mais se clicar em «jacinto» não se sabe nada.
De
rolandoa a 14 de Maio de 2008 às 16:31
Caro Jacinto,
Antes de tudo devo dizer-lhe que já leccionei na zona de onde me fala, de Alcains, Guarda. Como vê, anda mais destapado do que o que pensa!!!
Em relação aos filósofos, falou bem, Singer é central na ética aplicada, Aliás, antes de Singer a expressão "ética aplicada" nem sequer tinha o sentido que tem agora, muito menos era considerada uma área central da filosofia. Por essa razão é Singer quem organiza os Companios da ética que, como deve saber, são grandes volumes de compilação de artigos de discussão de problemas, publicados nas maiores universidades do mundo.
Quanto a Sloterdijk é realmente um autor da moda, principalmente, em universidades como a alemã, pelo menos na filosofia, É igualemente um autor muito conhecidos nos EUA, por exemplo, mas é estudado noutras áreas que não a filosofia.
O Manuel Galrinho tem razão e muitas vezes ponderei não responder a anónimos. Só o faço por uma razão: é que já observei que muita gente vem visitar o blog só para as polémicas nas caixas de comentários.
Finalmente: como o meu blog é de uso assumidamente livre, qualquer leitor pode escrever sobre um filósofo ou problema que ache central e envair o texto que eu publico. É até desejável que tal aconteça. Se o Jacinto acha que é de destacar o autor em causa que considera importante, porque não escreve um texto pequeno onde mostra essa importâncias às pessoas que, talvez como eu, não a conhecem?
Fica o convite
Obrigado e abraço
De
sonia a 5 de Junho de 2008 às 10:11
Realmente... a desconsideração de Klossowski é imerecida. Foucault que leu «diversas vezes» o livro que refere, «A Moeda Viva», descreveu-a nos seguintes termos: «o mais elevado livro da nossa época». São conhecidos os seus elogios a outras obras de Klossowski, como o texto fundamental sobre Nietzsche.
O nosso Pessoa escreveu que mesmo o vendedor de banha de cobra acerta inconscientemente em algumas verdades. Portanto, é preciso estar alerta!
De
rolandoa a 5 de Junho de 2008 às 10:53
Minha Cara,
Posso considerar desde Foucault a Herbrtto a Helder, Cossery a Kafka, O meu pai, o meu primo ou quem quiser.Daí não se segue que sejam autores centrais para constarem numa prateleira de filosofia.
Está a descontextualizar no que Pessoa disse: é claro que se eu me puser aqui a mandar bitaites sobre o mundo, devo acertar algumas vezes. Acontece que a verdade não é uma lotaria, mas uma busca séria e rigorosa, levada a efeito por filósofos. Para além de tudo não existe qualquer necessidade de me por aos tiros no escuro quando tenho disponíveis autores centrais que não devo passar por cima se quero realmente aprender e saber filosofia. Tá a ver a reacção? Aliás, eu já esperava: coloco um autor filosoficamente obscuro e uma data de gente reage como se eu tivesse cometido uma heresia. Mas se eu falar de Kripke (um dos filósofos mais centrais do sec. xx), as pessoas acham estranho. E isto acontece por pura ignorância do que é o universo da filosofia nos dias que correm.
abraço
De
sonia a 6 de Junho de 2008 às 14:55
Caro senhor,
Respondo-lhe aqui porque o espaço dos comentários do seu blog me impõe um número limitado de caracteres, aproveitando também para estender este debate a quem se interessar por ele:
http://flutuante.wordpress.com/2008/06/06/resposta-a-um-professor-de-filosofia-para-quem-klossowski-e-%c2%abobscuro%c2%bb/
Cordialmente,
Sónia
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