De Paulo Rolim a 27 de Março de 2008 às 19:07
Caro colega Rolando,
Não posso estar mais de acordo com o seu texto. Acrescento ainda mais: dizer que não há valores é uma contradição em si mesma, pois isso significaria que a pessoa que afirma tal não estivesse ela própria a fazer uma valoração, o que não me parece claro.
Mas, além disso, quem poderia imaginar o que fariam algumas pseudo ciências - hoje tão na moda - se lhes tirássemos esses lugares vazios com que se dedicam ao matricídio da própria Filosofia? Elas têm uma necessidade enorme de se justificarem, pois, como todos já viram, sem elas estaríamos um pouco melhores! A começar pelo ensino, claro!!!
De
rolandoa a 27 de Março de 2008 às 23:37
Olá Paulo,
A melhor prova que lhe dou que tem razão no seu comentário é que se me tivesse lembrado que afirmar que existe uma crise de valores é uma contradição lógica, tê-lo-ia escrito no meu texto. Acertou em cheio e é exactamente isso que está em causa.
Abraço e obrigado
Rolando Almeida
De Luís Vilela a 28 de Março de 2008 às 16:13
Rolando,
Já tive a oportunidade de o felicitar pela acutilância dos seus textos e este não é excepção. Tenho feito inclusive - espero que compreenda e aceite - uma selecção de textos que vou lendo e enviando para a minha lista de contactos. Textos muito variados (vários autores que são identificados e mesmo com perspectivas com as quais posso não concordar), mas que têm esse brilho e inteligência argumentativa. De procura de uma discussão e análise mais funda das coisas.
Embora aquilo que hoje muita gente apelida de "crise de valores" seja reforçada (para que exista, talvez!!) pelos próprios. Um exemplo: o tema do aquecimento global; no momento em que abordamos a Racionalidade Científica com os alunos do 11º ano, propus que avaliassem criticamente a informação que nos chega pelos meios de comunicação. E recomendei um documentário que desmonta a falácia da argumentação dos defensores do aquecimento global. Quando a minha colega de Geografia soube desta minha "leviandade" disse aos meus alunos: sabem como é os profs. de filosofia são malucos.
Aprofundar conhecimentos, reconhecer modos de inferência válidas, desenvolver o celebrado espírito crítico, ter, no fundo, a humildade de aprender... isso são valores em crise. Pudera!!! Com reforços como aquele!
Continue, a bem da agilidade do pensar!
Saudações,
Luís Vilela.
De
rolandoa a 28 de Março de 2008 às 19:03
Olá Luís,
Somos colegas. Acho que nos podemos tratar por tu. Antes de tudo, agradeço as tuas as palavras e sim, podes usar e distribuir os textos como quiseres e eu é que agradeço. O blog serve mesmo para esse fim: divulgar a filosofia e partilhá-la com os colegas.
O relato que me fazes da colega de geografia é muito útil e deu-me a ideia de escrever um texteco para breve sobre a mania que existe quanto ao cientismo, que passo a explicar: imensas pessoas, quando aplicamos regras minímas de lógica aos argumentos acusam-nos logo de cientismo. Mas o exemplo que dás é que é cientismo, que consiste em pensar que as ~grandes questões da ciência são a preto e branco e ponto final. Esta falta de formação vem ao de cima imensas vezes. Pensa-se que os problemas da ciência não possuem qualquer discussão, que é tudo muito mecânico e certinho. Nada mais tolo. A ciência, antes de apresentar os seus resultados, faz-se em discussão e a filosofia está aí implicada. A colega de geografia disse o que disse porque para ela o saber é algo já acabado, mas ela pensa assim porque sempre conheceu o resultado final sem nunca ter sido envolvida nos debates em torno dos problemas. Grande parte do nosso trabalho com a filosofia consiste precisamente em mostrar aos alunos que o saber e o conhecimento resulta do esforço humano em querer saber cada vez mais. Isso seria o mesmo que um professor de física chamasse tolo a um colega de filosofia somente porque esse propôs uma discussão em torno do problema da estrutura última da realidade. Sem especulação filosófica, caramba, o saber do físico jamais progrederia. Temos de mostrar às pessoas que elas estão erradas e começamos a fazê-lo com os nossos alunos. Depois, porque a maioria das pessoas aceita acriticamente aquilo que lhe aparece pela frente nos meios de comunicação. Assim, não é de estranhar que a colega pense que o aquecimento do planeta é uma tragédia e ponto final. tem a mente formatada pelo que a TV lhe mostra. O que fizeste com os teus alunos parece-me mesmo muito bem, que é mostrar-lhes outros pontos de vista. Afinal, essa é uma questão em aberto. Repara: será que se mostrasses alguns argumentos sobre a não existência de deus, a colega de geografia iria logo dizer aos alunos: "mas que tolice dos filósofos! é claro que deus existe". Enfim...
Obrigado pelo teu útil comentário e um forte abraço
Bom trabalho
Rolando
De Márcia Adriana a 14 de Abril de 2008 às 13:21
Bom dia Luís Vilela
Por gentileza , poderia me enviar esse documentário q vc sugeriu ou o endereço eletrônico onde posso encontra-lo? Achei muito interessante.
Se puder agradeço muito
Márcia
marcia_pdlg@ig.com.br
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