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A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

A Filosofia no Ensino Secundário

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Serrotes ao ar - estratégias para perder o emprego

Um dos aspectos curiosos no ensino universitário português, nos cursos de engenharia, consiste em pensar que o pensamento crítico é actividade dos professores de matemática. Ora, isso seria o mesmo que pensar que a carpintaria é actividade para os fabricantes de serrotes. Esta realidade é da responsabilidade dos Directores de Curso, mas também da dos Directores dos cursos de filosofia que não sabem reclamar para si aquilo que é de direito seu, enquanto domínio de um conhecimento.

Não se está aqui a reclamar a exclusividade, mas acharíamos estranho encontrar um licenciado em matemática leccionar filosofia. Para além do mais, uma das soluções que vejo sempre ser apontadas para que um curso não termine actividade é a interdisciplinaridade, pelo que, vejo esta como mais uma oportunidade perdida para a filosofia. Mas também é uma oportunidade perdida para o próprio pensamento crítico, uma vez que é um erro elementar desejar que sejam os professores de matemática a ensinar o pensamento crítico. Cabe ao professor de matemática pensar criticamente sobre o cálculo. Acontece que o pensamento não se reduz sempre a um cálculo. Isto seria o mesmo que em vez de filosofia se ensinar somente a lógica. Este reducionismo deixaria de fora todo o pensamento filosófico, como ensinar matematicamente o pensamento crítico deixa de fora a maior parte das suas nuances. Claro que também na matemática o que está em causa são ideias que se disputam, mas a matemática não é a discussão em si. É a discussão do método para ser aplicado à discussão e aos argumentos. Para se ensinar correctamente o pensamento crítico é necessário dominar conhecimentos de lógica formal e informal e aplicá-los aos argumentos. Ora, o professor de matemática até está habituado a lidar com a lógica formal, mas não com a validade dos argumentos na linguagem natural. Quem melhor que o filósofo para avaliar criticamente argumentos? Pelo menos esse deve ser sempre orientado nesse sentido. Do ponto de vista académico é um erro pedir a um professor de matemática que leccione pensamento crítico e, infelizmente, mais uma vez assistimos ao escorregar da nossa disciplina para áreas que não são especificamente filosóficas. Enquanto isso, pedimos aos deuses para não perder o trabalho.

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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