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A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

Sobre a Avaliação dos Professores

Um dado curioso relativamente à avaliação dos professores é o seguinte: O ministério parte do princípio que se pode avaliar o produto do trabalho de um professor, da mesma forma que se avalia um qualquer produto final industrial, como um par de sapatos. Os defeitos e virtudes do “produto” da educação, não se avalia dessa forma. O que passará a acontecer é que os professores terão de passar a preencher uma série de requisitos profissionais que nada tem a ver com a sua formação científica de base, afinal, aquela que pode diferenciar o trabalho de um professor da tarefa normal de educar para a qual não se exige grande ou nenhuma preparação científica de base. Assim, um professor simpático, de boas relações com alunos, colegas, escola e pais terá muitas maiores possibilidades de êxito do que um professor que possa não reunir este conjunto de qualidades, mas que seja cientificamente competente. O que está em causa é que não existem mecanismos eficazes para se avaliar a qualidade das aulas de cerca de 180 mil docentes a leccionar no país. De modo que teremos uma avaliação fútil e formal, mas com enorme peso nas vidas dos professores. Em conclusão, é muito mais importante ser-se um professor simpático, do que um professor bem preparado. Aqueles que reúnem estas duas capacidades, só terão de enfrentar o bicho papão que é a cultura mental das pessoas nestas coisas do mérito e da capacidade real e objectiva de trabalho de cada um.

Lamento continuar a assistir a opiniões infundadas de gente como Miguel Sousa Tavares e outros preguiçosos que tais, que revelam um desconhecimento profundo do sistema educativo e que se limitam a reivindicar de forma carregada de sentimentalismos uma igualdade de circunstâncias entre sector público e privado*. Para quem, como eu, já trabalhou para o privado em Portugal, bem sabe das enormidades que por lá se passam que em nada beneficiam a educação. De todo o modo, já agora, quando falamos de privado, de que privado estamos a falar? Mesmo aí a realidade é claramente disforme. Conheço imensos exemplos infelizes do ensino privado em Portugal, à excepção, é claro, das escolas consideradas de elite que muito bem formam os seus estudantes, mas em nada contribuem para o bem comum, sendo que, quando falamos de ensino público, pelo menos aí, temos sempre como matriz, o bem comum.

Vamos vivendo os dias assistindo às decisões ad-hoc de um Ministério que não sabe, sequer, justificar os seus princípios. Quando a noção da política se resume a pensar que o bom político não passa de um bom administrador financeiro, estamos, na verdade, a revelar um desconhecimento grave do que é a política enquanto espaço público, tal como Platão muito bem o pretendeu demonstrar na República.

 

 

Rolando Almeida

 

* A este propósito vale a pena ler o pequeno mas magnifico ensaio de Harry Frankfurt, Da treta, Livros de Areia, 2006, no qual o autor expõe muito bem as razões que fazem com que possamos dizer as tretas que nos apetece sem qualquer sentido de responsabilidade pelas afirmações que fazemos.

 

Este Texto pode também ser lido no fórum do Centro Para O Ensino da Filosofia em:  http://www.cef-spf.org/    

 

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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