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A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

Criticamente bom

Este ano lectivo marca a escolha, nas escolas, do manual de filosofia para o 10º ano adoptando-o para os anos lectivos seguintes. Desta forma as editoras fazem chegar aos professores os seus novos projectos. Procuramos, neste blog, dar-nos conta dos projectos que consideramos mais convincentes, divulgando-os e expondo alguns dos motivos que fazem com que encontremos mais razões para adopção de um manual em detrimento de outro. Claro está que a opção resulta de um modo de ver a filosofia e o seu ensino e que vai de encontro às ideias que têm sido sistematicamente aqui defendidas. As opções, por essa razão, não encerram qualquer debate sobre o assunto. Entre os cerca de 15 a 20 projectos que normalmente nos chega às mãos, infelizmente, a nossa opção recai sobre uns 3 ou 4 manuais. Pelas razões já mais que apontadas, o manual da Didáctica Editora, Arte de Pensar, continua a merecer a nossa atenção. Curiosamente parece que as editoras despertaram, com o Arte de Pensar (pelo menos consideramo-lo pioneiro na forma didáctica como aborda os problemas filosóficos), para a ideia de que a filosofia pode ser exposta de modo diferente do habitual. É interessante observar que alguns autores que concebem manuais há alguns anos, começam a citar autores que o Arte de Pensar citou pela primeira vez para o ensino secundário. Há algo de negativo nesta postura? Não parece. É natural que um manual tenha divulgado uma forma diferente e didacticamente mais acertada autores nunca antes citados nos manuais portugueses de filosofia para o ensino secundário e, existindo vantagem nessa opção, é salutar que outros venham a traçar o mesmo percurso. Pode até iniciar-se aqui um diálogo curioso. Esperemos que tal venha a suceder.
Para além dos autores de manuais, existem muitos professores de filosofia que conhecem a bibliografia actual, compram os livros e compreendem outros modos de expor os problemas da filosofia. Parece ser o caso dos autores do Criticamente, o novo projecto da Porto Editora. E em que é que o Criticamente se destaca? Não se trata de um manual com as animações do «eduquês» (análise de letras de canções, fotografias dos heróis efémeros das novelas televisivas, etc…), mas antes um manual no qual os problemas filosóficos são a animação central. Resulta a questão: para quê derivar os problemas filosóficos para uma animação que não lhes pertencem, se eles são animados em si e dizem respeito às questões mais elementares que todas as pessoas podem e devem fazer? Bem, poderíamos defender que se assim é, o modo como os mesmos são apresentados pode variar e muito. Sem dúvida que podem! Não podem é ser desvirtuados do seu terreno próprio, o da argumentação racional. Os conteúdos da filosofia podem até ser apresentados de modo histórico. Muitos manuais acabam por fazer isso em algumas unidades. A questão que se coloca é a do interesse didáctico dessa opção para os alunos do secundário e se tal constitui um convite directo ao filosofar? Estamos crentes que não! E por essa razão o Criticamente aparece como um bom manual de filosofia, ainda que, obviamente, possua as suas limitações. Claro está que outros manuais são melhores numa unidade e mais fracos noutras. A selecção de textos pode resultar melhor numas unidades que noutras. A questão está também no fio condutor e na ideia que passa ao jovem aluno do que possa ser a filosofia. Esta coerência interna de um manual observa-se facilmente na forma como os conteúdos vão sendo operacionalizáveis ao longo de todas as unidades seguintes. De que vale, por exemplo, expor aos alunos que os problemas filosóficos são apresentados em texto sob a forma de argumentos com uma tese que se pretende defender e expondo razões em favor dessa mesma tese se, nas unidades seguintes, esquecemos este aspecto? O Criticamente, a bem da filosofia, não comete esses erros didácticos. É um manual que conduz o aluno numa ideia muito clara e intuitiva do que é a filosofia e a actividade crítica que lhe corresponde.
Por estas razões o Criticamente resulta numa boa opção para aprender filosofia, não esquecendo os autores e argumentos clássicos que marcaram a filosofia ocidental, mas remetendo o aluno para uma atitude crítica e racional perante os problemas, estimulando com a animada filosofia e debate filosófico.
Artur Polónio, Faustino Vaz, Pedro Madeira, Criticamente, Porto Editora, 2007 (Revisão científica de João Cardoso Rosas)
 
Rolando Almeida
NOTA: até à data ainda desconheço todos os novos projectos das diferentes editoras.

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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