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A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

A Filosofia no Ensino Secundário

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O que é a Filosofia?

Esta é uma questão menos inquietante quanto possamos pensar. Ou, pelo menos, é tão inquietante quanto a pergunta, o que é a Física, a Matemática ou a Biologia. Poderíamos responder que a Física trata dos fenómenos físicos ou que a Biologia é a ciência da vida. Mas estas são respostas circulares, a resposta não adianta nada à pergunta. Do mesmo modo podemos responder que a Filosofia é o conhecimento dos argumentos dos filósofos. Se pretendêssemos aprender pintura a primeira tarefa a esperar no nosso estudo seria começar a pintar. Do mesmo modo, a melhor forma de aprender filosofia é começar a filosofar. Mas como começar a filosofar? Afinal, para que serve a filosofia? Bem, já reformulamos a nossa questão. Poderíamos voltar a responder elaborando novas questões como, para que serve a matemática?, para que serve a pintura?, a música?, a Física?, etc… E poderíamos responder que a música serve para tocar música, bem como a filosofia serve para pensar com rigor. Nova questão: pensar o quê?
Aqui exige-se uma nova resposta: pensar os problemas filosóficos. E quais são os problemas filosóficos? Assim, parece, podemos esboçar algumas respostas. Se quisermos saber se existe vida em Marte, enviamos uma sonda a Marte e examinamos todos os pormenores do planeta alcançáveis pela sonda até saber se há ou não vida em Marte. Até hoje a experiência diz-nos que não há vida em Marte e esta é a nossa resposta para a pergunta se há ou não vida em Marte. Com a filosofia acontece algo bem diferente. Os problemas filosóficos são aqueles que existem na vida humana mas não podemos fazer experiências práticas para os resolver. Por exemplo, o problema do aborto é, antes de tudo, um problema moral. Os problemas morais jogam entre o que é o certo e o errado na acção humana. Não temos forma de saber pela experiência se o aborto é certo ou errado. Ainda que pedíssemos a 20 mulheres grávidas que abortassem para ver o resultado, nada concluiríamos sobre se o aborto é certo ou errado. Como sabemos então o que é o certo e o errado? Filosofando. E filosofar é pensar argumentos que nos possam indicar o que é o certo e o errado. Claro que este exercício não é fácil de fazer. Primeiro temos de saber o que achamos sobre o assunto, se achamos certo ou errado o aborto e, então, depois, temos de procurar as melhores premissas que justifiquem a nossa teoria, que é sempre a conclusão do argumento.
Por exemplo, posso pensar que o aborto é moralmente errado porque o feto é um ser humano e é errado matar um ser humano. Se seguir uma ética deontológica como a do filósofo Kant, penso sempre em agir conforme a minha máxima racional e, por essa razão, matar é sempre errado. Mas se, pelo contrário, seguir os preceitos éticos de Stuart Mill, penso a moral com conceitos diferentes, os de prazer e da dor (antes dos princípios racionais) e, nesse sentido, devo agir de modo a maximizar a maior felicidade para o maior número de pessoas. Neste caso, se um feto correr o risco de nascer deformado, não é moralmente errado abortá-lo.
Em conclusão, os problemas filosóficos, como os do gosto, na Estética, os morais, na Ética, os da existência de Deus, na filosofia da religião e os do conhecimento, na filosofia da ciência, são aqueles que não possuem resolução empírica (pela experiência) e, assim, tenho de os argumentar, conhecendo os argumentos clássicos dos filósofos e colocando a toda a prova racional os nossos argumentos que muitas das vezes mais não são que a expressão de um certo preconceito. Agora já somos capazes de dizer o que é a filosofia e para que serve.
 
Rolando Almeida
Publicado originalmente na revista de Filosofia da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, ZarcoSofia, Nº1. Artigo escrito a pensar nos alunos do Ensino Básico

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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