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A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

A indignação Klossowski

Digitalizar0001 (2) Digitalizar0002 (2) Digitalizar0003 O meu apontamento sobre as opções de escaparate da recente livraria Byblos (ver aqui), resultou numa onda de contestação em relação ao escritor e ensaísta Pierre Klossowski. Não percebo por que razão os leitores dos outros dois livros referidos não reclamaram o estatuto das obras nas sua áreas de intervenção. O facto é que Pierre Klossowski terá, obviamente o seu estatuto literário e ensaísticoo, mas o autor nem por sombras é um autor central na filosofia. E vendê-lo como filosofia é muito discutível. O meu comentário às opções da Byblos refere-se ao modo como se exibe livros de filosofia nas nossas livrarias. Do mesmo modo acho disparatado que se faça montra de obras demasiado técnicas e específicas. O público geral não compra essas obras e quem compra não precisa de as ver na montra para as encontrar. Fazer montra de filosofia com os autores que referi é uma opção comercial errada e foi esse o erro que apontei. De resto, muito iludido pelo espanto de alguns leitores pela minha heresia, consultei duas obras de referência para a filosofia, de consulta geral, das mais referenciadas editoras internacionais. Poderia ter consultado outras, é verdade. Até poderia ter consultado os meus apontamentos. Consultei estas pois são obras de referência. Em nenhuma delas é referenciado o nome de Klossowski. Bem, o melhor que os meus entusiasmados leitores tem a fazer, é enviar uma nota de espanto a Ted Honderich e Edward Craig. Ou então, a melhor das hipóteses, escrever nos seus blogs um texto simples e claro onde mostrem aos leitores desinformados porque é que o autor é central na filosofia e deve ser estudado. Essa atitude é mais pedagógica do que escrever sobre mim e alegar que sou pessoa a evitar porque disse que vender Klossowsky por filosofia é banha da cobra, tal como o podia ter dito em relação ao Dalai Lama. Finalmente consultei também um dicionário de filosofia, o de Thomas Mautner, the penguin dictionary of philosophy e nenhuma referência ao autor é feita. Há, com efeito, um nome muito parecido que é o de Leszek Kolakowsky, um filósofo polaco de tradição marxista. É claro que Klossowsky será relevante noutras áreas, mas, como se vê, não na filosofia, pelo que toda esta conversa não passa de disparate e a acusação de que pretendo vender a filosofia X ou Y, falsa. Refiro que o espanto inicial resultou numa acusação de que pretendo ditatorialmente impor autores aos meus alunos e o texto que me acusa aparece em tom de advertência aos professores de filosofia. Resta saber se Honderich ou Craig querem impor ditatorialmente algum filósofo!!! E são autores de meios académicos sérios. Vamos imaginar agora que lhes perguntam porque não incluíram Klossowski nas suas obras. Será que vão ficar entalados? Quanto a este assunto, considero-o arrumado.

Referências:

Ted Honderich, The Oxford Companion to Philosophy (1056 páginas assinadas pelos nomes de referência da filosofia contemporânea)

Edward Craig (edited By), The shorter Routledge encyclopedia of philosophy (1077 páginas)

Thomas Mautner, the penguin dictionary of philosophy (663 páginas)

Alguns pontos do programa

DeathOfSocrates3b Ocasionalmente tenho-me referido ao programa de filosofia, mas creio que nunca o fiz de modo exclusivo num texto. Como não aprecio a postura do “treinador de bancada” vou perspectivar alguns pontos que me fazem pensar que o programa merece umas mexidas. Antes disso gostaria de deixar claro que não defendo uma alteração radical do programa, por duas razões principais: 1) porque o programa tem pontos positivos que podem e merecem ser mantidos, 2) porque tal nunca é benéfico para um trabalho que está já iniciado e realizado no terreno. Com efeito, estas razões não devem ser impedimento de mexidas no programa. Em equipa que ganha não se mexe, mas o programa de filosofia já nos fez perder alguns desafios. Refiro-me somente ao programa do 10º e 11º anos, pois o do 12º necessita de outras acções e de uma reformulação completa.

Rolando Almeida

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FpC na Sábado

A revista Sábado, Nº214, de 05 a 10 de Junho, inclui um pequeno mas correcto artigo sobre Filosofia para Crianças. Vale a pena espreitar.

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Resposta a quem toma Klossowski por obscuro

Sem títuloEncontrei esta resposta de uma leitora - no seu blog - (clicar na imagem para aceder), uma vez que o espaço dos comentários do meu blog não permitem uma resposta mais longa (podia ter feito em duas partes). Bom, eu não me importo mesmo nada de ceder o espaço do meu blog para mostrar o desânimo da leitora por eu não ter referido Klossowski como um autor de extrema importância no panorâma da filosofia actual. Mas eu não o referi porque o autor não tem essa importância, tal como não a tem milhares de outros autores. A minha heresia despoletou uma pequena guerra. Por regra não entro em guerras, mas resolvi ver até onde uma guerra de palavras pode chegar. Não vi, pois não tem fim. Provavelmente, a minha leitora depois faz um post de resposta a este para me liquidar como pessoa, só porque eu referi aquilo que é verdade, que Kolossowski não é um autor central na filosofia. Bem, a estratégia da guerra consiste mais ou menos em acusar o outro do que nós próprios fazemos. Um pequeno exemplo: imagine o leitor que eu lhe dou respostas com citações de livros, mas depois acuso-o que você segue uma filosofia que não é mais do que citação atrás de citação. Mais um outro exemplo: imagine que eu o acuso de separatismo na filosofia, mas o meu discurso resvala sempre para um anti qualquer coisa. Não me impressionou a resposta da leitora. As pessoas são livres de estudarem o autor X ou Y. O que mais me chamou a atenção é que a leitora predispôs-se muito rapidamente a colocar em causa uma série de aspectos, incluindo a minha vida profissional no seguimento de não considerar um autor como central (e que não é mesmo). Mais à frente sou acusado de possuir pouco rigor nas minhas afirmações. Dá que pensar. Não sei quem é esta minha leitora muito menos se tem alguma actividade na filosofia, uma vez que, apesar da minha identidade estar completamente revelada, o contrário nem sempre acontece, o que me parece injusto. Bom, claro que já há algum tempo aprendi que as disputas filosóficas valem a pena, sempre, mas as demonstrações de força por regra não conduzem a qualquer resultado. Mas fica a história, pronta a digerir entre um jogo do europeu e um prato de tremoços.

Rolando Almeida


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Grelhas de avaliação de manuais

istock_000002664920small Não tenho a certeza se todas as escolas cumprem com o requisito que a seguir vou comentar. Na escola onde trabalho é-me entregue, como representante de disciplina, um documento que tenho para apresentar de avaliação do manual adoptado e que também tem de ser preenchido para os outros manuais que estiveram em análise. Ora se o meu trabalho fosse o ponto de ordem, passaria uma semana a preencher os ditos papelinhos para o Ministério da Educação, uma vez que produzi algum trabalho de análise de manuais, como de resto é sabido e conhecido. Bem, simplifico ao máximo este trabalho por uma razão: porque não acredito nele nem que ele produza mais efeitos do que a rica burocracia que o Ministério promove a toda a hora com pilhas de papéis para a escola, mesmo em pleno choque tecnológico (por acaso o copy past tem-me dado muito jeito para me poupar a imensa burocracia que por aí grassa). A ideia é claramente kafkiana, fascista vá lá – eu é que queria ser suave (mesmo que o ambiente Kafkiano de suave tenha muito pouco, mas como é literatura, tal coisa não ofende muito (só nos ofendemos quando a selecção nacional de futebol perder com a Turquia).

Rolando Almeida

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Que fazer nas últimas aulas?

beer_can_chicken Galinhas com problemas psicológicos

Confesso que passei um bom bocado desta tarde em busca de uma referência que me ocorreu ainda pela manhã. Infelizmente não consegui encontrar, mas como não estou a escrever para a mundial, creio que estarei desculpado no modo como a vou invocar. A referência é de Peter Singer, em Como havemos de viver? A ética numa época de individualismo, Ed. Dinalivro, 2005. Gostaria de ter relido a passagem, mas vou arriscar a tentar reproduzir fielmente a ideia do autor o que me vai operacionalizar aqui outra ideia. Trata-se de uma passagem em que Singer fala de um problema que os criadores de galinhas tiveram com as suas aves. Estes repararam que as galinhas começaram a picar no pescoço umas das outras com muita violência e não conseguiam explicar o fenómeno, até que um etólogo sugeriu aos criadores que retirassem todo o milho dos recipientes e o espalhassem entre a palha do galinheiro. O resultado é que galinhas deixaram de se picar umas às outras. A finalidade com que a galinha está equipada é procurar alimento com o bico que tem preparado para tal. Ora, ao oferecer-lhe o alimento estamos a bloquear a possibilidade da galinha cumprir com a sua finalidade última, para a qual está instintivamente preparada. Podemos estabelecer uma analogia com os humanos. O sentimento de infelicidade aparece quando deixamos de ter objectivos, quando nos é bloqueada a nossa possibilidade de cumprirmos com a finalidade última.

Rolando Almeida

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Manuais e comércio

Philosophy2005_F1 Os manuais escolares são responsáveis por mais de metade do volume de vendas de livros no nosso país, segundo algumas fontes públicas. Quer isto dizer que o negócio é apetecível e concentra o interesse dos maiores grupos editoriais. Em certo sentido devemos ficar felizes quando sabemos que os livros vendem bem. No caso dos manuais vendem porque são obrigatórios. Por regra, com algumas excepções, os autores de manuais ganham consoante o número de escolas que adoptam o seu livro. Assim, um autor adoptado em 5 escolas ganha muito menos dinheiro do que se for adoptado em 20 escolas. Este é o funcionamento do sistema e, à partida, nada de relevante a assinalar. Claro que os autores entram na corrida para que os seus manuais sejam o mais adoptados possível. E também não vejo problema algum decorrente daí, mas é justo assumir que aparecem efeitos marginais a este sistema, sendo que um dos mais evidentes é que alguns autores façam manuais sem qualquer qualidade para ganhar algum dinheiro. E, claro, da parte dos editores montam uma verdadeira operação de marketing com apresentações dos manuais em hotéis de luxo, para além de oferecerem os manuais aos professores, que encarece os dos alunos, pois alguém vai pagar essa distribuição gratuita.

Rolando Almeida

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Filosofia Dominical

Magician O saber e a ciência são muitas vezes mal usados pela banha da cobra. Recebi este e-mail do Brasil e não resisto a mostrá-lo. Vale mesmo a pena ler para compreender até que ponto se usa o nome da ciência e da filosofia para vender banha da cobra. É para isto que as desconstruções servem, para fazer homenagens destas à estupidez humana. Fantástico! O que mais irrita é que esta treta vem com o nome da filosofia. Haja paciência!

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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