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A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

Ensino sem exames

 exames Caminhamos a bons passos para o ideal romantico de sistema de ensino sem exames. Isso significa que somos mesmo muito bons e nem precisamos de avaliações como exames, já que nos stressam um pouco e não estamos para stresses. Ao mesmo tempo a armadilha é ultra eficaz: sem exames conseguimos sucesso com facilidade. Já que o ME deu cabo do exame de filosofia, vamos vendo o que acontece com os outros. Vale a pena ler o que diz Nuno Crato para o caso da matemática. Ler aqui o que roubei a Educação do Meu Umbigo de Paulo Guinote. esta conversa dos exames e da possibilidade de um ensino sem exames começa a enervar de tão idiota que é. Ainda está por justificar como é que um sistema de ensino pode funcionar sem exames sem, ao mesmo tempo, desvalorizar os conteúdos. A menos que fossemos realmente muito bons, o que não é verdade. Sem exames aprofundamos o nosso isolacionismo e mais vale mesmo evitar comparações com outros países. Por mais que se critique os sistemas educativos de outros países, a realidade que não devemos ocultar é que somos dos últimos em desempenhos elementares como leitura, interpretação e raciocínio.

Ministério milagroso

fatima Mais uma tirada extra filosófica. Ocasionalmente não resisto a esta vontade de me armar em sociólogo pós modernaço e mandar a minha posta de pescada sobre notícias recentes, ainda que desvie o assunto principal do blog. Dá-me um ar de crítico clínico que toda a gente tem por estas bandas, com a  diferença que para o caso até sabemos bem quais as melhores soluções. O Ministério da Educação está feliz com os resultados a matemática e português nas provas de aferição, um verdadeiro sucesso que prova que não possuímos qualquer problema com o ensino e aprendizagem das matemáticas e até somos muito melhores que muitos outros países. O que é que isto tem a ver com a filosofia? Tem a ver porque resolve um dos maiores e mais abrasivos problemas filosóficos de sempre, da filosofia da religião, o problema da existência de deus. Os recentes resultados provam a existência de deus pois este Ministério conseguiu o que, em regra, se consegue resultado de muitas reformas consistentes, esforço e trabalho. Mas o nosso milagroso ministério da educação consegue resultados em um ano apenas porque deus existe e é grande e faz milagres. E eu já estou ansioso pelo próximo milagre, que consiste em fazer com que os alunos não vão fazer provas externas a par com outros países. Trabalho sério para quê se temos milagres na 5 de Outubro? Avé.

Médicos em Portugal

medicina_394f23a O post que escrevi sobre as médias de entrada nos cursos de medicina referia-se a um aspecto: que a medicina, enquanto ciência não tem nem mais nem menos valor que a física, química ou matemática e no conjunto dos saberes não existe qualquer razão para sobrevalorizar a medicina em relação à filosofia ou à história. Expliquei que a sobrevalorização prende-se com o lobby instalado da Ordem dos Médicos em Portugal, que superprotege a classe e o seu comércio e inflaciona de forma estúpida as médias de entrada nos cursos de medicina. Mas no meu post não me interessou tanto a questão comercial da coisa, mas somente esclarecer o leitor de que não existe qualquer respeito em relação à medicina que todo e qualquer outro saber organizado não mereça em igual ou maior proporção.

Rolando Almeida

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Space and Time

Sklar 361858 Existem dois conceitos que são daqueles que me incomodam, mas que também fujo deles a 7 pés, dada a complexidade dos mesmos. São eles o Espaço e Tempo. Confesso que sei muito pouco sobre esta matéria. Considero que a principal dificuldade consiste em balizar terrenos de investigação, ou seja, saber exactamente o que é que pertence ao domínio da física e ao domínio da metafísica. Recentemente andei às voltas com o livro de Lawrence Sklar, Philosophy of Physics para tentar compreender um pouco melhor estas questões. Só li ainda um capítulo, mas fui desde logo avisado pelo autor que não há milagres para compreender quando acaba a física e começa a metafísica. E isto porque espaço e tempo são conceitos que envolvem tanto de física, como de metafísica. Ora se envolve em parcelas muito próximas, a física, estou desde já tramado para compreender de forma mais eficiente os conceitos, dado que não sou propriamente um esperto em matemática. De todo o modo este blog não é um confessionário de lamúrias e já me sinto feliz por, pelo menos, me reservar um pouco mais quanto tiver de mandar uns bitaites sobre os conceitos de espaço e tempo. Como se não bastasse já pude compreender que nem sempre posso falar dos conceitos associados. Por exemplo, será que um pensamento existe no espaço? Se não existe, não faz sentido falar em espaço e tempo quando falo dos pensamentos. Mas também não tenho a certeza se existem no tempo. Para além de tudo, o tempo sugere movimento e este sugere causalidade, mas também não tenho a certeza da possibilidade de pontos fixos sem qualquer movimento, por conseguinte, sem serem causados. Se a física se debruça sobre os dados observacionais, a metafísica explora a questão para além do observável e a compreensão de espaço e tempo não se pode reduzir ao meramente observável, a modos que, talvez como sugeria Aristóteles, física e metafísica sejam áreas muito próximas, muito mais do que possamos pensar. Podemos pensar na física experimental, mas a física vai muito mais longe, é especulativa e debruça-se também sobre inobservável, pelo menos a física mais teórica. Bem, como já devo ter dito uma data de disparates, já tenho a tarde mais preenchida, mas gostaria que:

1) Os leitores pudessem denunciar os meus disparates com sugestões de reflexão e leitura.

2) Que se traduzisse algo introdutório sobre filosofia da física.

Referências:

Lawrence Sklar, Philosophy of Physics, Westview Press

Rui Fausto e Rita Marmoto (coord.), Tempo e Ciência, Gradiva (inclui um esclarecedor texto de Desidério Murcho)

Casamento a três

Digitalizar0001 A passagem desta semana pela livraria trouxe-me um livro que é o resultado de um casamento a 3, mas feliz. Por um lado, o principal, trata-se de uma obra de um autor pelo qual mantenho a melhor admiração, George Orwell. Em segundo lugar, porque é publicado pela Antígona, uma das minhas editoras de sempre uma vez que publicou dos livros que mais me marcaram. E, finalmente, porque é traduzido por Desidério Murcho, uma pessoa que admiro muito, talvez não tanto pelo seu trabalho filosófico, mas muito pelo que tem feito na divulgação da filosofia no nosso país, sabendo fazê-lo como poucos. E gosto de George Orwell porque é um escritor terrivelmente honesto e directo, socialmente activo. Aliás, costumava fazer uma trilogia muito contestada com o 1984 de Orwell, o Admirável Mundo Novo de Huxley e o Mendigos e Altivos do egípcio Albert Cossery. O que é que estes livros tem em comum? Uma denúncia demolidora do amestramento a que conduz os excessos de poder. Se os primeiros dois livros são directos, o segundo talvez mais literário, o terceiro é arrasador, sarcástico, delicioso.

Rolando Almeida

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Estudar medicina, monopólio ou Fiat para todos?

medico Vamos imaginar que eu quero abrir um snackbar no bairro onde vivo. Continuemos a imaginar que sou parente dos donos maioritários das lojas para alugar para comércio no meu bairro. A melhor forma de não ter concorrência é convencer os meus parentes a aumentar as rendas sempre que alguém queira abrir um snackbar. Claro que esta possibilidade não exclui uma outra de alguém apresentar um projecto muito viável impossível de recusar. Mas esse alguém teve uma oportunidade que a maioria não teve. Provavelmente é parente de um perito em economia e gestão ou, até, parente do Presidente da Câmara. Se esta for a situação, abrir um snackbar no meu bairro, por muito que até fosse negócio viável, é algo muito difícil de conseguir. E ao mesmo tempo é considerar que os snack bares são mais importantes que qualquer outro comércio, como por exemplo, uma frutaria ou uma tabacaria. Este é o esquema simples daquilo que conhecemos como lobby. Ao final de alguns anos as pessoas sabem que, no meu bairro, vão ter de se esforçar muito para abrir um snackbar e que as probabilidades de o abrir são remotas.

Rolando Almeida

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Curso de ensino em filosofia na Universidade do Minho

image022 Ciclo de Estudos conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Filosofia no Ensino Secundário
O Ciclo de Estudos conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Filosofia no Ensino Secundário, criado no âmbito da implementação do processo de Bolonha, confere habilitação profissional para a docência de Filosofia para o Ensino Secundário, nos termos previstos pelo Regime Jurídico da Habilitação Profissional para a Docência na Educação Pré-escolar e nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-Lei nº 43/2007, de 22 de Fevereiro).
Este Ciclo de Estudos visa formar Professores de Filosofia para o Ensino Secundário que sejam profissionais informados, críticos e actuantes, capazes de:
- Reconstruir o seu pensamento e acção ao longo da vida;
- Estruturar, monitorizar e avaliar aprendizagens socialmente relevantes, no quadro do desenvolvimento integral dos indivíduos e da sua inclusão plena na escola e na sociedade;
- Incorporar metodologias orientadas pelos princípios da reflexividade, auto-direcção, criatividade e inovação, conferindo lugar de destaque à investigação, não só como fonte do conhecimento mas sobretudo como modo de conhecer e intervir;
- Desenvolver uma acção consciente, deliberada e responsável nos contextos da prática profissional.

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Um computador chamado “Cosmos”

Digitalizar0001 Aqui há uns dias avistei este livro numa livraria. Ainda não me tinha dado conta dele porque é arrumado na secção infantil e só recentemente comecei a vasculhar essa secção, uma vez que o meu filhote só tem 6 meses. Dado o desconhecimento geral que existe de ciência, não sei se é muito correcto da minha parte apresentar este como um livro para adolescentes. Apesar de ter sido escrito a pensar no público jovem ele merece ser lido mesmo pelos adultos. Recordo quando eu gostava de ver notícias somente no Caderno Diário (um noticiário preparado para crianças, aqui há uns anos apresentado por Sofia Alves e, se não estou em erro, por Pedro Mourinho). Rapidamente deixei de ter vergonha em assumir isso. Como os materiais preparados para as crianças possuem grande preocupação pedagógica, numa boa parte das vezes são muito mais isentos de ideologia (nem sempre, infelizmente) do que os materiais exibidos aos adultos. Hoje pela manhã dirigi-me a uma livraria da cidade e lá me resolvi a comprar o livro. Passa-se o tempo todo a pensar que não podemos comprar os livros todos que gostamos 1) porque o dinheiro não chega para tudo, 2) porque é absurdo comprar mais livros que o tempo de que dispomos para os ler e é preciso saber delinear boas estratégias de consumo de livros. Mas nada melhor que a soneca do João Francisco (o meu bebé de 6 meses) durante a tarde – hoje resolveu tirar uma boa e grande soneca – para eu adiantar metade do livro (é de fácil leitura, não esqueçamos que foi escrito para adolescentes). E é um livro fantástico. Um conto muito bonito, sem grandes adornos literários, é certo, mas com uma escrita muito clara e fluente. Ao longo do conto são expostas as grandes teorias da astrofísica, mas são expostas de tal modo que nem nos apercebemos que estamos a aprender ciência. Imagino o efeito que terá num jovem leitor. Este tipo de livros são essenciais para mostrarmos aos nossos jovens o que é a ciência e o conhecimento, de um modo muito elementar, mas muito rigoroso. A capa do livro faz-me lembrar o cinema sci-fi dos anos 80. O livro foi escrito por Lucy e Stephenm Hawking, com a participação de Christophe Galfard, um francês, ex aluno de Stephen e que se dedica em França a ensinar ciência de forma lúdica. As ilustrações ao longo do livro são de Garry Parsons. Não gosto de fórmulas feitas, mas apetece-me usar uma ao dizer que este livro deveria ser de leitura obrigatória no ensino básico. E agora fico à espera que algum editor se lembre de traduzir as Philosophy Files do Stephen Law.

Lucy & Stephen Hawking, A chave secreta para o Universo, Ed. Presença, 2007, Trad. Alberto Gomes

Rolando Almeida

Vale a pena ler - silogismos e regras

Uma nova abordagem da silogística

arte1 Na edição de 2008 do manual Arte de Pensar para o 11º ano, a exposição da lógica silogística sofreu alterações significativas que mereceram já um ou dois comentários e muitos mais pedidos de esclarecimento. Propomo-nos abordar aqui um único aspecto: a substituição das oito regras tradicionais do silogismo por apenas cinco regras, uma das quais não prevista nas exposições tradicionais. Demonstraremos que a aplicação destas cinco regras é suficiente para excluir todos os modos inválidos de silogismo, reduzindo os válidos a quinze. Não se trata, pois, de alegar que ainda nunca foi apresentado um contra-exemplo que mostrasse a insuficiência das cinco regras. Trata-se de demonstrar que tais contra-exemplos não são possíveis.

Artigo completo:

http://aartedepensar.com/silogistica.html

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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