Segunda-feira, 12 de Maio de 2008
Ontem pela noite tive uma experiência a roçar o absurdo. Estava ainda nos meus trabalhos com o meu pequeno portátil e fiz zapping na TV. Não porque me apetecesse ver algo em especial, mas porque pretendia anular o efeito dum programeca doutra estação de TV que me começava a rebentar neurónios (mesmo que não os use a todos, gosto de os ter direitinhos). Passei pela RTP e estava a dar um programa cujo nome creio que é “Depois do Adeus” e chamou-me a atenção porque estava um fulano com um look de intelectualóide dos anos 20 dum café parisiense, a falar, rodeado de típicos portugueses com típicas barrigas, típicos trajes pimba e, claro, típicos cachecóis do Benfica. Ora bem, pensei de imediato que se tratava de um humorista a caricaturar os intelectuais ou algo assim parecido. Raramente vejo Tv, pelo que não conheço o conteúdo do programa em causa, apesar de reconhecer a apresentadora, Maria Elisa. Qual não é o meu espanto, aquele ser estranho, qual figura do místico, é filósofo. Bem, nem de propósito, mas a imagem, num outro tom é certo, não andará muito distante do fulaninho do Segredo. Só apanhei 5 minutos do programa, mas pude observar duas coisas: 1º o programa era sobre futebol e lá apareceu um representante da filosofia, com teses conservadoras e com um aspecto de meter dó; 2º ando sempre aqui a reclamar que os filósofos deviam aparecer mais vezes nas discussões públicas, mas creio que tenho sido ingénuo. Com teses e aspectos destes, mais vale mesmo que estes seres não apareçam nunca e que se dediquem às suas investigações geniais, de pijama, sem sair de casa. E acho também que vale a pena pagar-lhes para estarem calados. E não sei nem quero saber o nome do méne.
Domingo, 11 de Maio de 2008
Recebi na minha caixa de correio uma publicidade para assistir por 30 ou 40€ à apresentação de Bob Proctor do Segredo. Ora bem não perdi muito tempo com o spam, mas não pude deixar de notar que este charlatão se auto denomina de The Philosopher. Claro que é um charlatão a vender a banha da cobra, mas compreendo porque é que o homem se auto denomina filósofo. É para dar ar sério à coisa. O mestre Mamadu que anda sempre a colocar papelinhos no para brisa do meu carro também coloca nos papelinhos que é cientista espiritual. É, e eu sou piloto de aviões. Nos sonhos da minha avó! A irracionalidade pimba vende bem.
No meu recente trabalho de análise de manuais notei um aumento muito significativo de visitas ao blog. Com elas surgiram centenas de comentários, ainda que os mesmos pertencessem somente a dezenas de pessoas. Claro que o ideal é as pessoas expressarem as suas opiniões, justificando-as. Generalizei alguns argumentos que gostaria de publicar aqui, discutindo-os um pouco.
Rolando Almeida
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Ana Lítica Mente é o novo blog de Vitor Guerreiro, filósofo e tradutor de algumas obras de filosofia contemporânea. Vale a pena espeitar não só pela boa colecção de sugestões filosóficas, bem como pelo tom fresco com que a filosofia é tratada nas mãos do Vitor. Bem vindo aos blogs Sapo.
Clicar na imagem para aceder.
Rolando Almeida
Sábado, 10 de Maio de 2008
Dez falsas questões mais habituais sobre a filosofia.
Quinta-feira, 8 de Maio de 2008
O segundo número da revista ZarcoSofia, a revista de filosofia da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, está já disponível on line. Basta clicar na imagem para aceder à revista. Este número é totalmente preenchido com ensaios dos alunos. Espero que seja do agrado de todos.
Terça-feira, 6 de Maio de 2008
A Via Optima acabou de publicar a 2ª edição de Libertação Animal, o livro seminal de Peter Singer. Clicar na imagem para aceder ao site da editora.
Segunda-feira, 5 de Maio de 2008
Já nem me dou muito ao trabalho de procurar as colecções de livros e filmes que os principais jornais nacionais vão lançando. As razões são várias, entre as principais: a concorrência é alguma e o orçamento não dá para comprar todos os suplementos que os jornais oferecem, para além de que a burocracia a aumentar nas escolas, sobra pouco tempo para consumir tudo com um mínimo de critério e atenção. Hoje mesmo quando me dirigi ao quiosque para comprar o jornal, deparo-me com um mimo que não pude deixar para trás. Trata-se do segundo volume da colecção Os Grandes Filósofos, publicada pelo JN e pelo DN. Este segundo volume é a Política de Aristóteles, edição completa e comentada por António Pedro Mesquita. Fiquei feliz por duas razões: 1ª confesso que ainda não tinha esta obra de Aristóteles, ou melhor, tenho aí uma edição “abaixo de cão” que nem me atrevia a ler. 2ª, Ainda não tive tempo para me aperceber da qualidade interior da obra. Sei que segue a edição da Vega, mas esta não é bilingue. Mas o livro é um autêntico luxo. Pequeno, embalado numa caixa exterior em cartão, com capa dura. Um livro muito bonito. Fiquei com vontade de fazer o resto da colecção, mas para isso é necessário que os Jornais possam distribuir os livros além do Porto e Lisboa, o que nem sempre acontece. Procurei na internet mais informação sobre a colecção, mas nada. Se alguém tiver informações, agradeço antecipadamente.
No passado dia 25 de Março, coloquei aqui um pequeno post a assinalar as 50.000 visitas. Expliquei já por diversas vezes que este número é algo vago, uma vez que há visitantes que não contam como tal, dependendo do modo como acedem ao blog e outros que podem aceder 3 ou 4 vezes e todos acessos contarem. Mesmo assim, é sempre um indicador que me permite observar como oscilam as visitas ao blog. E foi absolutamente notável como na altura dos manuais o número de visitas diárias disparou, mesmo sem ainda ter publicado uma única análise. Estou a falar duma subida do número de visitas que vai das cerca de 50 diárias para cerca de 150 a 200. Quando as análises começaram a sair, houve dias de 300 visitas e mais, contabilizadas. Este indicador faz-me pensar que o trabalho da análise de manuais é muito útil e merece ser feito. Não quero entrar na rotina muito portuguesa de festejar tantas vezes que, quando tal, até se festeja mesmo sem qualquer motivo, mostrando as capacidades do fogo de artificio para esconder a miséria, mas creio que é útil informar os leitores dos progressos do blog. Entre o dia 25 de Março e hoje, ultrapassaram-se as 10.000 visitas. Já agora aproveito para informar que vendi o blog ao imperialismo da Google ao incluir um pequeno canto de publicidade. Sempre que clicarem na publicidade fazem com que eu ganhe uns trocos. Aos leitores não custa nada e eu sempre posso comprar mais um livro usado no final do ano.
Domingo, 4 de Maio de 2008
Não é boa opção citar num blog textos de outros blogs. É pouco educativo e produtivo. Mesmo assim de vez em quando não resisto a citar um ou outro texto, talvez para me sentir menos só. O autor deste texto é Álvaro Santos Pereira, autor de Mitos da economia Portuguesa que já aqui me dei conta. Basta clicar AQUI para aceder ao blog do Álvaro. Mas deixo aqui o tal texto.
Sábado, 3 de Maio de 2008
Tornei-me assinante da revista Philosophy Now. A revista é bimestral e custa qualquer coisa como 22€ anuais. Este número de Março / Abril tem como destaque de capa o problema da Paranóia, da privacidade e punição na vida moderna. A revista inclui ainda uma secção de críticas a livros e filmes. Dessas secções tenho a destacar a recensão ao livro de Paul Boghossian, fear of knowledge, Against Relativism and Construtivism, Oxford Universit Press, 2006. Como o título indica, trata-se de uma obra que coloca em causa as ideias principais defendidas pelos relativistas, para além duma denúncia de todo o mal estar criado por algumas dessas ideias. Mais importante, o livro desmonta os principais argumentos relativistas e sobretudo, a ideia de que o conhecimento não é mais do que uma construção social. Fiquei com vontade de o comprar e, ao mesmo tempo, a pensar no poder que este tipo de publicações tem para divulgar o conhecimento e o saber. A revista tem cerca de 55 páginas e uma apresentação gráfica que ainda deixa algo a desejar, na transição do fanzine para a gráfica altamente profissional, mesmo sendo impressa em várias cores e em papel de qualidade. Mais importante que tudo é que a revista é feita por universitários e estudantes. O mais interessante da Philosophy Now é que ela pode ser lida pelo público não especializado. Não se trata, portanto, de uma publicação para os autores mostrarem o seu conhecimento profundo e o seu umbigo, mas de uma revista para pensar problemas da filosofia. Tenho dúvidas sobre a viabilidade de uma revista como a Philosophy Now em Portugal, em grande parte pela falta de consumidores, mas também pela inércia na divulgação da filosofia ao público mais geral.
Sexta-feira, 2 de Maio de 2008
Está já disponível em língua portuguesa mais um clássico da filosofia ocidental. Falo de Bertrand Russell, Introdução à filosofia matemática. A edição é da Fundação Calouste Gulbenkian e conta com a tradução e introdução de Adriana Silva Graça. Apesar de datar de 2007, só hoje descobri a obra numa livraria. Mais uma falha colmatada uma vez que andávamos carentes das obras principais de Russell.
Bertrand Russell, Introdução à filosofia matemática, FCG, 2007 (Trad. Adriana Silva Graça)
Grelha de Manuais 2008
(Clicar no nome de cada manual para aceder ao texto completo)
Caros leitores. Como fui publicando os posts sobre os manuais à medida que os mesmos me chegavam às mãos, acabaram por ficar dispersos no blog. Apresento agora uma grelha com os respectivos manuais e o link. Basta clicar em cima do nome do manual. Aproveito para uma palavra final sobre estas análises. Dou-me a este trabalho por duas razões principais, uma mais importante que a outra. A primeira razão é que me preocupo com o futuro da nossa disciplina e penso que esse futuro joga-se muito no trabalho que podemos fazer no presente, restituindo-lhe a vitalidade que lhe é própria, acreditando que a reforma pode partir dos professores de filosofia e mudar para muito melhor o cenário da filosofia e da sua produção em Portugal. A segunda razão é que acredito que é importante partilhar com os colegas algumas ideias. Só espero que o meu trabalho seja útil.
Rolando Almeida
Enquanto fui lendo o Logos, coloquei duas questões às quais devia responder. São as respostas a essas questões que a seguir apresento.
O que é que faz do Logos um bom manual?
O Logos é claramente um dos melhores manuais concebidos para o 11º ano. Mas há alguns pontos de organização que me fazem hesitar para a sua adopção. Começando pelas virtudes:
O manual está bem escrito com exemplos claros para os estudantes.
Rolando Almeida