Quarta-feira, 9 de Abril de 2008
Considero que, neste momento, existem dois grandes tipos de manuais de filosofia para adopção por parte dos professores. Vou arranjar aqui duas categorias que são obviamente discutíveis como quaisquer outras, mas que servem como guia para ter nomes para chamar às coisas. Temos, então, os manuais da tradição hermenêutica com muito «eduquês» à mistura e os manuais do mais moderno corte filosófico que aparecem no mundo anglo saxónico. Os leitores deste blog sabem perfeitamente que a minha opção vai para os segundos. Acontece que eu aprendi a ensinar filosofia pelos primeiros. Porquê? Porque pura e simplesmente quando comecei a ensinar os segundos não existiam no ensino português.
Rolando Almeida
Terça-feira, 8 de Abril de 2008
Ask Philosophers é um excelente site interactivo onde filósofos profissionais, professores de universidade respondem às dúvidas e questões filosóficas dos leitores, esclarecendo-os e divulgando ao mesmo tempo a filosofia. Aqui a divulgação da filosofia faz-se sem vergonhas, sendo que o site é o prolongamento do magnífico programa de rádio, que agora é pago. Imaginemos que entre nós, mantínhamos uma postura para a medicina semelhante àquela que temos mantido para a filosofia. Queria isto dizer que teríamos alta investigação em medicina, mas não teríamos nem medicina geral nem médicos para nos consultar quando estivéssemos doentes. Assim, quando fossemos ao hospital teríamos um curandeiro ou alguém que não é médico mas pensa que sabe curar para nos atender. E é exactamente isso que observamos na filosofia nacional: temos uma suposta alta investigação, mas quando problemas de natureza filosófica como os da ética aplicada (aborto, pena de morte, eutanásia, etc…) são discutidos publicamente observamos gente que não sabe filosofia moral a discuti-los. Creio que o Ask Philosophers é um bom exemplo de boas práticas profissionais. E há quem não goste disto, pois há. Há sempre quem não goste da filosofia.. vale a pena passar os olhos no Ask Philosophers.
Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
Eis o primeiro manual chegado às minhas mãos para as adopções de 2008. Sendo o primeiro merece uma consideração preliminar: a crítica de manuais pretende-se pedagógica e colaborativa. O interesse é chamar a atenção de aspectos que me parecem errados e que, continuamente, aparecem nos manuais. Por outro lado pretendo colaborar com os colegas professores de filosofia nas suas adopções. O blog está aberto à crítica, pelo que os colegas que discordarem das minhas opções podem enviar os seus textos que publicarei com gosto. Sabemos que existem muitas filosofias diferentes, mas defendo que existe um modo de filosofar. Por outro lado não compactuo com os manuais do «eduquês» pelas razões que frequentemente tenho apontado, mas que se podem resumir a:
1º Não estimulam o pensamento crítico do aluno.
2º Transformam o ensino da filosofia em algo que tem de tudo menos de filosofia desprestigiando a própria filosofia e degradando o seu ensino.
Rolando Almeida
Domingo, 6 de Abril de 2008
Este texto é dirigido a todos os colegas, professores de filosofia no ensino secundário. Trata-se de um apelo. A crítica pública de manuais escolares é essencial e um dos melhores caminhos para melhorar a qualidade dos manuais e, por conseguinte, das nossas aulas e opções lectivas. Disponibilizo este blog como espaço aberto à crítica de manuais, visto que muitos colegas tem ideias a explorar, mas sem local próprio para as publicar. Disponibilizo dois contactos de e-mail para os quais podem ser enviados os vossos textos a fim de ser publicados. Como é óbvio, não publicarei textos anónimos nem insultuosos. A ideia é de uma forma pedagógica apontar erros, dificuldades, limitações, etc… e também os pontos positivos ou as vantagens que existe em optar pelo manual X e não pelo Y. É indiferente se vamos defender uma linha mais hermenêutica ou uma linha mais analítica, ou outra coisa qualquer. O espaço está aberto ao debate. Só espero mesmo pela reacção. Pela minha parte vou fazer o meu trabalho de casa. No final indicarei o número de professores que resolveram dar-se ao trabalho de fazer crítica de manuais, seja esse número de 1000 ou 0. É claro que nos referimos aos manuais de filosofia, referentes ao 11º ano que estarão em breve disponíveis para adopção.
Mãos à obra.
Contactos:
Rolando Almeida
Sábado, 5 de Abril de 2008
Esta sexta feira conversava com uma professora de matemática sobre uma conferência de astronomia. Dizia a professora que a conferência era indicada para professores de matemática e de física. Respondi que também seria indicada para professores de filosofia. A colega respondeu que não e rematou com esta bela frase “se ainda fosse de astrologia”.
Rolando Almeida
Sexta-feira, 4 de Abril de 2008
Recentemente descobri um interessante livro que deveria constituir a regra, mas que, curiosamente, é uma excepção. Já aqui referi sobre a importância do pensamento crítico e da sua transversalidade no conjunto dos saberes (ver aqui, aqui, aqui e aqui). O pensamento crítico é transversal pois é ele quem fornece as ferramentas para o raciocínio consequente. No nosso país, o pensamento crítico aparece já nos currículos de alguns cursos superiores, como os de engenharia, mas é ensinado pelos professores de matemática, o que é manifestamente errado.
Rolando Almeida
Terça-feira, 1 de Abril de 2008
Uma pesquisa pela net com ansiedade em conhecer os novos manuais para o 11º ano só encontrei alguma - pouca - informação da nova edição de Pensar Azul da Texto Editora. para além dessa, o Arte de Pensar tem informação mais detalhada no site de que aqui já me dei conta. As editoras andam a distribuir os manuais nas suas acções de divulgação. Entretanto, ainda nada cá veio parar. E os leitores e colegas continuam convidados a escrever as vossas recensões.
Rolando Almeida
Claro que a notícia anterior era mesmo para não passar em branco o dia das mentiras. Ainda pensei que fosse gerar um motim, mas tal era o exagero da mentra que ninguém acreditou. Talvez um dia, talvez um dia...
O Governo de José Sócrates anunciou esta tarde que para ingresso nas fileiras do Ministério da Educação, vai passar a ser obrigatória formação em filosofia e pensamento crítico. Estas conclusões aparecem após um parecer positivo sobre a falta de capacidade crítica que se tem observado nas últimas décadas em matéria de política educativa. Significa isto que vamos ter mais emprego em filosofia e que a nossa disciplina passa a merecer outro destaque social.
A Casa das Letras publicou o livro do filósofo e professor do King`s College, Raimond Gaita, O cão do Filósofo (2007). Como não consigo despachar todas as leituras que aguardam em cima da secretária, agradeço a algum leitor que tenha lido o livro, que envie a sua recensão para publicação aqui no FES, alimentando também a possível interactividade do blog. A minha divulgação desta obra é algo tardia em relação à sua edição, o que até nem tem sido a prática do blog, mas tal deve-se porque os livreiros arrumam esta obra no escaparate da ciência e só me dei conta de quem é o autor pelo blog de Nigel Warburton, Philosophy Bites. Consumei aqui, sem querer, uma prova do que já tenho defendido em relação à venda livros e à postura dos livreiros.
Rolando Almeida
Recentemente um leitor escreveu-me em particular (a quem desde já agradeço) defendendo que se o ensino da filosofia possui problemas, tal não se deve ao programa. Ora bem, apesar de não concordar com este argumento, quero esclarecer alguns pontos que me parecem importantes e que se relacionam com um programa de uma disciplina do ensino secundário.
Rolando Almeida