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A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

Sobre a divulgação da filosofia

Uma das questões que inquieta muitas das vezes os profissionais da filosofia prende-se com a divulgação da filosofia. O recente encerramento da licenciatura de filosofia na Universidade de Évora suscitou algum debate sobre o porquê do insucesso do curso. Neste texto vou, uma vez mais, defender que a filosofia merece e deve ser divulgada, não só no ensino secundário como ao público em geral. E defenderei que esta divulgação é essencial para erguer toda uma cultura filosófica e que, sem ela, ficaremos todos mais afastados da reflexão filosófica ignorando a sua importância no mundo.
Rolando Almeida

Será a ética relativa? Não há verdades morais objectivas e absolutas? PARTE I

Este capítulo que aqui apresento pertence ao manual de filosofia Filosofia 10, Plátano Ed, 2007 de Luís Rodrigues. Agradeço ao autor a autorização para publicação.

 

Será a ética relativa? Não há verdades morais objectivas e absolutas?
 
Segundo a antropóloga Ruth Benedict, sempre que morria um membro da tribo Kwakiutl, do noroeste americano, os familiares enlutados saíam em busca de membros de outras tribos para os matar. Para eles, a morte era uma afronta que devia ser vingada pela morte de outra pessoa. Assim, quando a irmã do chefe da tribo morreu, este matou sete homens e duas crianças de outra tribo que nada tinham a ver com o acontecimento.
Se eu ou você tivéssemos feito tais coisas seríamos considerados assassinos. Matar pessoas inocentes como o fez o chefe dos Kwakiutl é contrário às nossas leis e ao nosso código moral. Contudo, a sua acção não foi contrária às leis ou ao código moral da sua cultura. Segundo os padrões morais da sua sociedade, o que fez é aceitável, porventura obrigatório. Que código moral é correcto? O da cultura a que tu e eu pertencemos ou o código moral da referida tribo? O chefe da tribo Kwakiutl agiu erradamente ao assassinar nove pessoas inocentes por a sua irmã ter morrido?
 
 
 

Admirem-se

A par com outras notícias que tem chegado de outros países, vale a pena confrontar as realidades. Enquanto fechamos cursos de filosofia, aqui mesmo ao lado acontece isto:

Um total de 37 empresas privadas ofereceram 66 lugares nos seus quadros destinados a estudantes da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Córdoba para os anos de 2008-2010. Considerando a versatilidade do curso de Filosofia, estas empresas ofereceram vagas nas mais diferentes áreas: tradução, edição de livros, comercialização internacional de azeite, museus, arquivos, galerias de arte, entre outros.

Fonte: Telegrapho de Hermes

Fecham cursos de Física, Matemática e Filosofia - em Évora

O Reitor da Universidade de Évora anunciou hoje que vai encerrar alguns cursos dando 3 encerramentos como certos: Matemática, Filosofia e Física. O argumento mais usual é o de que estes cursos não garantem empregos aos futuros licenciados. Esta verdade é apenas parcial na medida em que estes cursos estão às moscas porque o sistema de ensino português não consegue despertar interesse nos alunos por estas áreas, fazendo-os pensar que estes cursos não possuem mercado. Conviria dizer aqui que um sistema de ensino bem organizado garantiria, mesmo num país como o nosso, muitos mais empregos com estes cursos.
Rolando Almeida

Laxismo em educação: efeitos perniciosos.

 Vamos imaginar que somos galinhas numa capoeira. A psicologia animal indica-nos que o nosso bico possui um objectivo: como é aguçado, permite-nos encontrar o milho (ou minhocas) entre a palha do chão para nos alimentarmos. Vamos agora supor que, estando nós num aviário, o nosso criador nos coloca alimento em abundância em recipientes. Sempre que desejamos alimento é aí que nos dirigimos sem qualquer esforço. Encontrando alimento tão facilmente, ficamos com tempo de sobra para nos dedicar a outros objectivos. Acontece que as galinhas não são como os seres humanos e não são capazes de estabelecer outros objectivos para as suas vidas, senão aqueles para os quais estão instintivamente programadas.

Rolando Almeida

Moralidade dos animais não humanos

Uma vez que tanto os seres humanos como os não humanos podem sofrer, temos iguais razões para não maltratar qualquer deles. Se um ser humano é torturado, porque razão é isso errado? Porque ele sofre. Por analogia, se um ser não humano é torturado, também sofre, e por isso é igualmente errado e pela mesma razão. Para Bentham e Mill, esta linha de raciocínio era decisiva. Humanos e não humanos têm igual direito à consideração moral.
     No entanto, esta perspectiva pode parecer tão extrema, na direcção oposta, como a perspectiva tradicional que não concede aos animais qualquer lugar independente no plano da moralidade.
James Rachels

Quem é mais profundo? Peter Singer ou os Modern Talking?

Muito se tem discutido aqui sobre que rumo a filosofia deve tomar, se analítica, continental, mais azulada ou avermelhada, se deve ser feita no Outono ou Verão, com limonadas ou cerejas. Mas, o que aqui tenho defendido, nada tem que ver com isto. Que interessa se a filosofia é feita com limonadas ou com cerejas, desde que a investigação seja de qualidade e proveito filosófico para todos? Claro está que há pontos em que talvez não valha mais a pena insistir, dado o esgotamento da questão. Pelo menos sabemos que somos finitos e limitados e não podemos perder tempo a estudar aquilo que jamais poderemos saber ou apreender racionalmente. Essa é a tentação da religião, mas não da filosofia. Em filosofia, como em todos os ramos do saber, dá-se um pequeno passo de cada vez, lentamente, progredindo pouco a pouco no conhecimento. E esta condição basta e satisfaz completamente aquele que investiga em filosofia.
Rolando Almeida

Um dia seremos todos ateus?

Para concluir o círculo dos livros “bright” (designação de Daniel C. Dennett para ateus), eis que é publicado em língua portuguesa, pela Esfera do Caos, Breaking the Spell, que, na nossa língua leva o título de Quebrar o Feitiço, a religião como fenómeno natural. De salientar as técnicas modernas de edição que são muito bem exploradas por estas novas editoras. O livro é um pequeno luxo para se ter nas mãos. Parabéns ao editor. Na edição portuguesa o livro é apresentado como um Best Seller do New York Times. Já tenho aqui referido que livros de filosofia são grandes campeões de vendas em língua inglesa, não porque as pessoas não tenham mais nada para fazer, mas mais porque os filósofos oferecem às pessoas obras plausíveis sobre os problemas que mais tropeçamos quando queremos compreender o mundo que habitamos. Assim, muitas obras de filosofia acabam por ser mediáticas, lançando a discussão pública. Por essa razão também é habitual ver os filósofos participarem nos debates públicos sobre religião, arte, ética, bioética, etc… ao mesmo tempo que se dedicam à investigação pura e dura, com resultados evidentes. Ainda não tive a oportunidade de ler esta obra. Estava mesmo à espera da tradução portuguesa. O debate está aceso. Temos aí as obras traduzidas. Só nos falta lê-las e, mais importante ainda, discuti-las.
Daniel Dennett, Quebrar o feitiço, a religião como fenómeno natural, Esfera do Caos, 2008, Tradução de Ana Saldanha

Escritos sobre uma vida ética

Tenho ouvido dizer, mesmo em alguns comentários neste blog, que Peter Singer não é um filósofo profundo. Este preconceito merece ser desmistificado com as leituras dos livros do filósofo que, entretanto, vamos traduzindo. E, enquanto o preconceito impera, mesmo vindo de muita gente da filosofia, o que é de estranhar nos tempos que correm, Singer dedica-se a organizar os melhores compêndios de ética da filosofia contemporânea e a contribuir decisivamente para mudar o rumo da reflexão filosófica, principalmente no ramo da ética aplicada, ao mesmo tempo que dá conferências em todas as universidades do mundo e publica dos melhores livros de ética que a contemporaneidade nos pode oferecer.
Peter Singer, escritos sobre uma vida ética, Dom Quixote, 2008
                                          

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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