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A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

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As consequências de levar a sério o relativismo cultural

RachelsJames Mesmo que o argumento das diferenças culturais seja inválido, o relativismo cultural pode ser verdadeiro. Como seria se fosse verdadeiro?

Na passagem citada, William Graham Sumner resume a essência do relativismo cultural. Sumner afirma que não há uma medida de certo e errado, além dos padrões de uma sociedade: «A noção de certo está nos hábitos da população. Não reside além deles, não provém de origem independente, para os pôr à prova. O que estiver nos hábitos populares, seja o que for, está certo». Suponha-se que tomávamos isto a sério. Quais seriam algumas das consequências?

1. Deixaríamos de poder afirmar que os costumes de outras sociedades são moralmente inferiores aos nossos. Isto, é claro, é um dos principais aspectos sublinhados pelo relativismo cultural. Teríamos de deixar de condenar outras sociedades simplesmente por serem «diferentes». Enquanto nos concentrarmos apenas em certos exemplos, como as práticas funerárias dos gregos e calatinos isto pode parecer uma atitude sofisticada e esclarecida.

No entanto, seríamos também impedidos de criticar outras práticas menos benignas. Suponha-se que uma sociedade declarava guerra aos seus vizinhos com o intuito de fazer escravos. Ou suponha que uma sociedade era violentamente anti-semita e os seus líderes se propunham destruir os judeus. O relativismo cultural iria impedir-nos de dizer que qualquer destas práticas estava errada. (Nem sequer poderíamos dizer que uma sociedade tolerante em relação aos judeus é melhor que uma sociedade anti-semita, pois isso implicaria um tipo qualquer de padrão transcultural de comparação.) A incapacidade de condenar estas práticas não parece muito esclarecida; pelo contrário, a escravatura e o anti-semitismo afiguram-se erradas onde quer que ocorram. No entanto, se tomássemos a sério o relativismo cultural teríamos de encarar estas práticas sociais como algo imune à crítica.

James Rachels, elementos de filosofia moral, Gradiva, p.40

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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