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A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

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A Filosofia Moral de Mill

 
 
A ética normativa é a parte da ética que estuda como devemos agir, ou que tipo de pessoa devemos ser. No âmbito da ética normativa, Mill é um consequencialista. O consequencialismo é uma teoria composta por duas partes: uma teoria do bom e uma teoria do correcto. A primeira trata de determinar que estados de coisas são bons, fornecendo também, geralmente, critérios para os comparar – critérios que determinam qual o melhor estado de coisas entre vários. A teoria do correcto trata de determinar o que devemos fazer. De acordo com o consequencialismo, o correcto consiste em maximizar o bom, ou seja, consiste em gerar o melhor estado de coisas possível, se esse estado de coisas ainda não existe, ou em preservá-lo se já existe.
     O consequencialismo, tal como formulado, pode parecer uma posição inócua e trivial, mas não o é. Há teorias normativas, «não consequencialistas», que defendem uma relação diferente entre a teoria do bom e a teoria do correcto. Uma teoria não consequencialista típica começa por especificar uma teoria do bom, mas nega, de seguida, que o correcto consista sempre em maximizar o bom.
     O seguinte exemplo ilustra a diferença entre o consequencialismo e o não consequencialismo. Suponhamos que um consequencialista e um não consequencialista têm a mesma teoria do bom. De acordo com essa teoria do bom, um estado de coisas em que dez pessoas são mortas é melhor em que um estado de coisas em que duas pessoas são mortas.     
     O consequencialista e o não consequencialista deparam-se agora com uma situação em que a única maneira de evitar que dez pessoas morram é matar duas pessoas. O consequencialista dirá: se tivermos de escolher entre esses dois estados de coisas, então, dado que o correcto consiste em maximizar o bom, o correcto será matar essas duas pessoas. O não consequencialista, como não acredita que o correcto consista sempre em maximizar o bom, pode dizer que o correcto não consiste, nesse caso, em matar as duas pessoas, mas sim em deixar as outras dez morrer.
 
Pedro Madeira, in. Prefácio de John Stuart Mill, Utilitarismo, Gradiva, 2005
 
 
 
Notas: Esta teoria aparentemente simples está na base de argumentos defendidos, entre outros, pelo filósofo Peter Singer explorando temas complexos da ética aplicada, entre os quais, o do aborto tão em destaque nos nossos dias em Portugal.

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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