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A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

A Filosofia no Ensino Secundário

Novidades editoriais de interesse para estudantes e professores de Filosofia.

Mãe, vou ter de mexer em cadáveres?

imageA ministra da Educação considerou que a dependência dos alunos portugueses das explicações é uma situação típica do «Terceiro Mundo» e uma situação já «muito antiga» em Portugal.

Reagindo ao estudo feito por três investigadores da Universidade de Aveiro sobre o mercado das explicações em Portugal, Maria de Lurdes Rodrigues lembrou aquilo que costumava dizer que «havia escola pública de manhã e privada à tarde».

«De manhã, os alunos estão na escola, de tarde, vão para a explicação. Isso não é uma situação aceitável e portanto é necessário criar condições para que os alunos possam fazer a sua aprendizagem para que possam ter acesso a uma efectiva aprendizagem de qualidade no espaço da escola», defendeu. “

In. TSF

Então estará aqui a razão do sucesso do sistema educativo dos últimos 3 anos. Afinal são necessárias reformas, pois os alunos obtiveram bons resultados, mas à custa de explicadores. Mas! Espera! O primeiro ministro disse publicamente que os resultados positivos se devem ao esforço dos professores e alunos. Não falou em explicadores. E depois há aqui uma outra coisa que soa errada: se o sucesso educativo já existe, o que é que a ministra tem a ver com se os alunos procuram ou não explicadores? Que um indivíduo tenha a liberdade de procurar aperfeiçoar os seus conhecimentos seja onde for não é do terceiro mundo, mas do primeiro, onde existe liberdade de opções. Além do mais a ministra pode descansar, pois o seu ministério ao consolidar de vez o eduquês no sistema de ensino (aliás, nem sei se consolidou ou só o deixou andar uma vez que este ME ainda não mexeu uma palha no sistema educativo, mas tão só em questões profissionais), atirou com centenas de explicadores para o desemprego e os que se aguentam no sistema são para aqueles alunos cujos encarregados de educação querem a toda a força que os filhos se formem em medicina. É que o facilitismo deixa pouca margem para o trabalho de explicadores.

Já que peguei na peça e a propósito dos alunos que querem estudar medicina, a semana passada ouvi uma encarregada de educação a contar as maravilhas do seu rebento futuro médico. Entre a história da nova aventura do rapaz surgiu uma pergunta que fixei. O futuro médico pergunta à mãe aterrorizado: “Mãe, vou ter de ver cadáveres?”. Hoje mesmo, na SIC via um programa de prostituição de alta roda. Quando perguntaram à Verónica se gostava do que fazia, respondeu: “Sempre que penso nisso penso que financeiramente compensa”. Se esta relação for consistente é possível que, em Portugal, ver cadáveres dê dinheiro. Se assim for será que ainda me espera uma grande carreira como coveiro?

Sobre este assunto ler mais aqui e aqui.

Rolando Almeida

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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