Existem dois conceitos que são daqueles que me incomodam, mas que também fujo deles a 7 pés, dada a complexidade dos mesmos. São eles o Espaço e Tempo. Confesso que sei muito pouco sobre esta matéria. Considero que a principal dificuldade consiste em balizar terrenos de investigação, ou seja, saber exactamente o que é que pertence ao domínio da física e ao domínio da metafísica. Recentemente andei às voltas com o livro de Lawrence Sklar, Philosophy of Physics para tentar compreender um pouco melhor estas questões. Só li ainda um capítulo, mas fui desde logo avisado pelo autor que não há milagres para compreender quando acaba a física e começa a metafísica. E isto porque espaço e tempo são conceitos que envolvem tanto de física, como de metafísica. Ora se envolve em parcelas muito próximas, a física, estou desde já tramado para compreender de forma mais eficiente os conceitos, dado que não sou propriamente um esperto em matemática. De todo o modo este blog não é um confessionário de lamúrias e já me sinto feliz por, pelo menos, me reservar um pouco mais quanto tiver de mandar uns bitaites sobre os conceitos de espaço e tempo. Como se não bastasse já pude compreender que nem sempre posso falar dos conceitos associados. Por exemplo, será que um pensamento existe no espaço? Se não existe, não faz sentido falar em espaço e tempo quando falo dos pensamentos. Mas também não tenho a certeza se existem no tempo. Para além de tudo, o tempo sugere movimento e este sugere causalidade, mas também não tenho a certeza da possibilidade de pontos fixos sem qualquer movimento, por conseguinte, sem serem causados. Se a física se debruça sobre os dados observacionais, a metafísica explora a questão para além do observável e a compreensão de espaço e tempo não se pode reduzir ao meramente observável, a modos que, talvez como sugeria Aristóteles, física e metafísica sejam áreas muito próximas, muito mais do que possamos pensar. Podemos pensar na física experimental, mas a física vai muito mais longe, é especulativa e debruça-se também sobre inobservável, pelo menos a física mais teórica. Bem, como já devo ter dito uma data de disparates, já tenho a tarde mais preenchida, mas gostaria que:
1) Os leitores pudessem denunciar os meus disparates com sugestões de reflexão e leitura.
2) Que se traduzisse algo introdutório sobre filosofia da física.
Referências:
Lawrence Sklar, Philosophy of Physics, Westview Press
Rui Fausto e Rita Marmoto (coord.), Tempo e Ciência, Gradiva (inclui um esclarecedor texto de Desidério Murcho)
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