Terça-feira, 29 de Abril de 2008

A família a manchar um excelente manual

Na verdade estava mesmo a ver que teria de concluir a minha análise aos manuais com apenas dois manuais consistentes que constituem boas opões. Felizmente há mais, até para apaziguar as dezenas de vozes que, para diminuir um manual, afirmam simplesmente “não é o único! Mas há mais”. Não fossem os manuais como o Criticamente e gostaria de saber quais são os “mais” que temos. Ainda não tive acesso ao Logos, o projecto da Santillana, mas este da Porto Editora, Criticamente, é uma opção certa. Aliás, devo dizer que a edição do 11º ano está melhor e mais consistente que a do 10º ano. Não encontrei erros das partes lidas deste manual, o que o coloca desde logo numa situação privilegiada em relação aos seus congéneres. À pergunta, se eu voto a adopção deste manual, a minha resposta é claramente sim. 
Rolando Almeida

Graficamente o trabalho da editora não será, porventura, o último grito, mas agrada-me bastante uma vez que os manuais cheios de fotografias idiotas conseguem cansar os estudantes muito mais rapidamente do que pensamos. O Criticamente é servido por uma bibliografia sofisticada e filosoficamente actual, para além de adequada. Em relação à organização do manual, pode-se apontar pequenos reparos. Por exemplo, no ponto 4 da unidade “Estatuto do conhecimento científico” dá-se algumas orientações bibliográficas, mas esta ordem não é mais seguida ao longo das outras unidades, o que revela algum desacerto na concepção do manual que pouco afectam a qualidade conjunta. Mas há um ponto neste manual que, incompreensivelmente, o mancha pela negativa. É uma espécie de nódoa no bom trabalho desenvolvido. Estou a referir-me à opção dos temas e problemas da cultura científico tecnológica, o tema 7 – «Podem as tecnologias reprodutivas pôr em risco aquilo que valorizamos na família?» Bem em primeiro lugar a “família” não me parece uma questão central dos problemas científico tecnológicos. Em segundo lugar toda a unidade deixa transparecer um certo discurso sobre a família como valor fundamental. Considera-se que a família oferece cuidados, afectos, pertença, etc. de modo insubstituível. Mas tal só é verdade dentro de um quadro social de referência, o que não invalida a possibilidade de argumentar em favor de outros quadros de referência. Ainda bem que se trata de um problema em opção.
É pena este senão deste capítulo, porque este é um manual de filosofia que qualquer professor se orgulhará de ter para os seus alunos. Lê-se com prazer, não encontrei nele os erros comuns nos manuais. Não tenho ideia de como a linguagem do manual funcionará com os alunos, mas estou convencido que funcionará com a clareza exigida. Trata-se, portanto, de uma das melhores opções, rivalizando entre os melhores.
Em termos comparativos com um manual que rivaliza directamente, O Arte de Pensar é mais fluido que o Criticamente, para além de mais acessível e atraente, provavelmente fruto da experiência dos autores. Claro que só adoptamos um manual, mas este Criticamente seria a minha opção certeira se o Arte tivesse esgotado e as adopções fossem livres, como deveriam ser. Portanto, caros leitores, quando me disserem que “há outros” aqui está o “outros” da minha preferência juntando ao pacote do Filosofia 11 da Plátano e o Arte de Pensar e na expectativa do Logos, que ainda não conheço.
Uma palavra também para o formato do livro: ele é pesado (a qualidade do papel obriga a que os manuais sejam excessivamente pesados), mas tem um formato que particularmente me agrada. Nada daqueles exageros quadrados a que as editoras muitas vezes nos sujeitam.
Artur Polónio, Faustino Vaz, Teresa Cristovão, Criticamente, Porto Editora, 2008

 
publicado por rolandoa às 12:22

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36 comentários:
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 15:20
curioso... tudo o que é nitidamente da corrente analítica é aprovado por si. E acha este melhor que o do 10º? Esperemos que sim, porque o do 10º nem o programa cumpre. Uma coisa é gostarmos de lógica, outra é o programa de 10º exigir que se dê. E não exige.
Deixe-me adivinhar oque vai acontecer a seguir.. depois de controlar os conteúdos programáticos, o próximo paso será, com toda a certeza, lutar ara que um novo programade Filosofia se forje e que a equipa liderada por Manuela Bastos desapareça. Futorologia? Os tentáculos analítico, como alguém já referiu, andam por aí...
Nota- O Arte de Pensar não cumpre escrupolosamente o programa, como tanto se reforça. ir a Londres a uma qq livraria fará com que tenhamos partes "mesmissimas" do Arte com a única diferença de que aquelas se encontram no seu original em inglês. Como diria saudoso Pessa: e esta.. hein?
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 15:21
NotA: PASSO
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 16:22
E já agora, a respeito de lógica: como se consegue essa habilidade fantástica de considerar como igualmente isentos de erros, manuais que afirmam a existência de 24 formas silogísticas válidas (ou 19 válidas e não redundantes) e outros que as reduzem a 15?! (Para responder a este post é melhor ir a correr chamar o Mestre...)
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 16:41
Caro (IP: 62.169.98.35),
Não está a contar com as reformulações que a lógica de aristóteles sofreu com os medievais e na maioria dos casos é aquela que aparece nos manuais, senão não afirmava o que afirmou.
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 17:56
Acho que há por aí um equívoco. As redução a 15 regras que o Arte apresenta resulta das críticas que os contemporâneos apontam à lógica aristotélica (isto é, à lógica de Aristóteles reformulada pelos medievais). Mas o ponto nem sequer é este, mas o facto de poderem coexistir, como igualmente isentos de erros e igualmente fantásticos e perfeitos, manuais que classificam ora de válidos, ora de inválidos, os mesmos silogismos (por exemplo, os silogismos AAI da 3.ª figura), sem que isso seja apontado (pelo menos como um aspecto a harmonizar) pelo crítico maior de manuais deste país. Mas isto é lógica aristotélica e não interessa nada, não é assim?!
IP: 62.169.98.35
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 18:38
Caro Anónimo,
Não sei quem é o maior critico de manuais, se eu, se o anónimo. O anónimo não pode realmente ser o maior crítico de manuais se estudar pelos erros que eles têm e não pensar muito nas coisas.
Se está preocupado com lógicas que classificam as mesmas inferências como válidas e outras como inválidas, então tem de estar preocupado com o mais grave: o facto de as inferências dadas como válidas na lógica aristotélica, como AAI serem realmente inválidas. Isso foi ensinado assim durante anos sem se saber. Se foi o Arte quem nos alertou em 1º? Sim foi, e daí? Isso é que faz também dele um bom manual.
Além disso, a lógica proposicional sempre foi ensinada em alternativa à de aristóteles, mas estas duas são incompatíveis: o que numa é válido, na outra não é.
E basta ler o arte para se ver que nenhum estudante vai ficar confundido.
Todos vão perceber que quem declarar que AAI é válido é porque ou exclui classes vazias ou é tolo. E é curioso que poucas pessoas – incluindo-me a mim – sabiam disto até pegarem no arte e pensar no sentido das coisas.
Mas compreendo que lhe provoque dor de alma que aquilo que faz com 8 regras, o Arte consiga fazer com apenas 4. Se um professor quiser, pode não usar a regra 5, e aí AAI é válido, desde que exclua classes vazias.
Caramba, então o colega nunca teve sequer um aluno que tenha topado que 8 regras são redundantes? Eu já tive. E as 4 regras não são redundantes e fazem o mesmo que as 8. Até os alunos conseguem ver isto, menos os autores de manuais. E isso é que é interessante. É que você meteu-se logo pelo pior caminho. Na lógica o Arte de Pensar é incomparável. Nem os melhores manuais chegam perto do Arte. E nós, professores, devíamos também pensar um bocado sobre as coisas e deixar-nos, isso sim, de parcialidades estúpidas.
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 23:32
Nunca esteve em questão a redução das 8 regras tradicionais a três, quatro, cinco ou seis regras (a oferta, a este nível, desta vez, é variada; basta folhear os diversos manuais) até porque não é, sequer, uma ideia original.
De Desidério Murcho a 29 de Abril de 2008 às 18:34
Não tenho qualquer desejo de fazer “desaparecer” a minha amiga Manela Bastos. E é muito feio que apareçam uns anónimos tolos a querer inventar uma guerra entre “analíticos” e “sintéticos” que só nas suas cabecinhas tolas existe. Não há qualquer guerra, eu não quero qualquer guerra, e os meus colegas autores de outros manuais e de programas não querem qualquer guerra. O que há é pessoas muito incomodadas com o apontar de erros científicos graves. Mas eu não vejo qualquer gravidade nisso. Qual é o problema de as pessoas fazerem erros? Problema é não serem corrigidos ou, quando os tentamos corrigir, reagir-se histericamente a inventar guerras tolas. Quando a Manela ou qualquer outro colega meu, incluindo anónimos, me apontam erros no meu trabalho, eu vou corrigi-los. Ponto. Ninguém é perfeito e só com a atenção crítica dos colegas podemos fazer melhor.

O Arte não é um manual “analítico”, e quem conhece a bibliografia inglesa sabe bem que não encontra os conteúdos do Arte nos livros ingleses, expostos daquela maneira. E mesmo que encontrasse, isso seria um problema porquê? Filosofia não é futebol. Não se trata de ver quem ganha: a equipa francesa ou inglesa. O importante é que ganhe os alunos e a excelência do ensino da filosofia. O resto é poeira atirada ao ar para confundir incautos.

Como já referi noutro comentário, penso que é saudável haver vários manuais com várias abordagens. Não gostaria que todos os manuais fossem iguais ao Arte, como na verdade antes do Arte praticamente todos os manuais eram iguais. O Arte apareceu como uma alternativa. Quem gosta do Arte adopta o Arte, quem não gosta adopta qualquer outro. É simples. Esta agressividade anónima é pura e simplesmente descabida. Precisamos é de cooperação e vontade de fazer melhor, e não de guerras inventadas e teorias da conspiração idiotas.
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 15:34
Rolando, embora se trate de um tema que não está no topo das minhas preferências para tratar no 11º ano, é um tema central de qualquer leitor reflexivo e preocupado com a ciência, a sociedade e o rápido desenvolvimento da biotecnologia. Implica considerações éticas, bioéticas, de ética médica, saúde pública, filosofia do direito, filosofia política e ciência política. Talvez seja algo parcialista no modo como aborda a problemática, mas ainda assim, é um excelente tema.
Vítor João Oliveira
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 15:59
Caro Vitor,
Bem eu não pretendi dizer que não se trata de um problema da filosofia. Provavelmente exprimi a minha ideia de modo pouco claro, admito. O que pretendi dizer é que o tema é tratado de forma muito parcial. As correntes libertárias na filosofia política defendem precisamente que o núcleo familiar deve ser radicalemente transformado. A família não é um valor inquestionável.
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 15:52
Caro Anónimo 1,
O seu comentário é vazio de sentido para lhe poder dar resposta. tem de ser mais claro no ataque que me pretende infligir.
Se quer resposta da minha parte vai ter de:
1º definir o que é a corrente analítica, porque eu não sei o que é. provavelmente está a pensar nos disparates do costume.
2º Onde é que o Criticamente 10 não cumpre o programa? Não disse.
3º os manuais que eu não gosto são de alguma corrente ou são da filosofia verdadeira e pura?
4º vai ter de justificar muitas afirmações, nomeadamente a de que o Arte não cumre o programa. se tem consistência no que afirma diga, escreva um texto se quiser, assine-o, a indicar em que partes o Arte não cumpre o programa. E vai ter de indicar também quais os livros que o Arte copia e traduz.
Caso contrário, o seu comentário não passa de uma birra idiota como tantas outras que tenho visto e pacientemente aturado.
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 16:14
e eu nem tinha reparado bem no que escreveu!!! Entãoé ao introduzir algumas noções elementares de lógica no 10º ano que o Criticamente não cumpre o programa? Meu caro, o programa refere de forma inequívoca, "a dimensão discursiva do trabalho filosófico". Sinceramente não sei como consegue ensinar filosofia sem ensinar o que é um argumento, distinguir premissas de conclusão, validade de verdade, etc... Sem isto resta-lhe impressionar os seus alunos com o terrorismo verbal que é hábito. depois queixe-se quanto tiver de ir para a apanha da azeitona. Para denegrir o Criticamente vai ter de pegar por outro lado. Ah, já gagora, praticamente todos os manuais falam de argumentos, verdade, validade, etc... mesmo no 10º ano. Até o manual mais adoptado abordou dessa forma. Quer isto dizer, segundo o seu precioso e anónimo comentário, o seguinte: que os manuais são todos cópias dos ingleses. 2º que não há nenhum manual que cumpra o programa. Dito e feito, pá.
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 16:04
Caros colegas,
comentários mal educados e parciais - acusando precisamente os meus de parciais - serão apagados, a menos que estejam devidamente identificados ccom uma conta.Se é arriscado dizer algumas coisas, também o é para mim. Por essa razão estudo o que posso, para evitar dizer asneiras.
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 16:43
É bem verdade. Parcialidade é o que não falta por aqui. O semelhante atrai o semelhante...
De louvar, o estudo, independentemente dos resultados. O que conta é a intenção!
Será que este meu comentário é, ele próprio, parcial e vai ser apagado? ou mal educado?
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 16:54
Caro , IP: 83.132.140.127
Não compreendi muito bem o problema da parcialidade tal qual o coloca. Mas esclareça lá uma coisa. Se eu gostasse do Em Diálogos, se existisse justificação para tal, seria eu parcial ou imparcial? A generalidade dos erros que fui apaontando aos manuais é uma questão de objectividade ou subjectividade? è-se parcial se se pretende um manual a que muitos chamam analítico, mas se for um manual do sei lá o quê já não se é parcial? O programa de filosofia é parcial ou não? A formação academica que tivemos é ou não parcial? Dizer algo contra aqulo que você sabe é parcial, mas não é parcial o que você sabe porque enfiou tudo isso acriticamente na cabeça sem se questionar o que realmente se passa no mundo da filosofia. Essa questão da parcilaidade também a tenho discutido e muito neste blog, mas logo que possa vou regressar a ela, mesmo que, perdendo algum tempo, saiba sempre que vem sempre alguém fazer finca pé que não é assim porque me enfiaram na tola que não é assim. Eu sou poco de capelas, pelo que não me filio em nenhuma. O que divulgo é aquilo que aprendo com os filósofos, lendo-os e tentando compreendê-los
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 17:25
«Não compreendi muito bem o problema da parcialidade».

A imparcialidade não consiste em gostar de todos os manuais. Como a parcialidade não consiste em gostar apenas de alguns (algum?). É-se parcial quando, à partida se é favorável a alguns manuais (algum?) e se folheiam os outros, mais ou menos descuidadamente, à procura de "erros", ou supostos tais, para confirmar o que já sabíamos. Este procedimento desprestigia, em vez de credibilizar, as nossas preferências e é contraproducente: fornece lenha para a fogueira ateada pelos que, de modo igualmente parcial, são incapazes de se libertar de preconceitos.

83.132.140.127
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 17:56
Meu caro,
Não vejo em que é que o que diz anula os erros objectivos que apontei aos manuais. Aliás, se tivesse sido parcial pelo menos teria verificado que não me limitei a folhear os manuais que não me parecem bons manuais. Aliás, uma análise menos parcial da sua parte dar-lhe-ia para rapidamente constatar o seguinte: perdi mais tempo com os manuais maus do que com os bons manuais. O que o anónimo tem de fazer não é acusar-me de parcialidade. Isso é fácil de fazer. O que tem de fazer é apontar que os erros que apontei não são erros, que os manuais que eu escolho como bons manuais não são bons. caramba, convidei publicamente os colegas a fazer isso. porque não o faz? Dá um trabalho do catano, não é? E depois de ter um trabalho do catano ainda se arrisca que eu lhe apareça a dizer que é parcial e o catano. Ora bolas! É assim que quer trabalhar. E, de uma vez por todas, assuma o seu nome. Se sabe que está a falar com o Rolando por que raio tem de se esconder. Tá com vergonha? Ou se falhar nunca se sabe quem falhou? Que cultura do medo é essa? Essa atitude não cabe na sua definição de parcialidade. Quando quiser acusar-me de parcial faça como eu fiz nas minhas análises: não seja vago, aponte objectivamente onde errei. caso contrário estamos no domínio da conversa fiada e eu posso acusar-lhe do mesmo que me acusa exactamente na mesma medida. Parece-lhe justo? Por que raio hei-de pensar que tem razão só porque lhe deu na cabeça de afirmar que sou parcial? Então e os colegas que afirmam que sou imparcial? Qual deles tem razão?
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 18:00
Ainda mais uma coisa que me parece importante,
Se já sabia dos erros porque nunca os apontou? Mais: na sua perspectiva podem existir manuais com erros crassos, mas convém não abanar a poeira para não provocar má onda. Soa-lhe bem essa postura? Isso é que é ser parcial, não se dá conta disso? E vem-me você com discursos morais sobre a dignidade das adopções. caro anónimo, eu faço o que faço por uma razão: não sou hipócrita. E desculpe.me lá, já passei por 7 escolas diferentes em muias cidades deste país e sempre vi os colegas dizerem mal dos manuais, portanto aquilo que afirma até é falso e bem falso.
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 22:21
Tal como no mundo de Descartes o bom senso era a coisa mais bem distribuída (sortudo!), assim a parcialidade nesta discussão. A mim, naturalmente, coube-me uma parte da mesma.
De J. P. Saraiva a 29 de Abril de 2008 às 20:07
A forma AAI é invalida? Foi o que li? Mas porquê? Os autores do Arte contradizem-se, ainda não há muito tempo, Pedro Galvão publicou um livro de preparação de exames que continha um exercício que ao pedir para tornar o silogismo válido, a forma era AAI.

Poderão esclarecer-me?
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 20:18
Caro J. P. Saraiva, acontece que a contradição atinge o próprio sítio do Arte de Pensar onde se pode ler:
«Note-se que, como se afirma no Caderno do Estudante, há exactamente 24 formas silogísticas válidas. Infelizmente, contudo, muitos livros e manuais dão a ideia errada de que há apenas 19 formas silogísticas válidas. O que se passa é que se considera que as 5 formas silogísticas restantes são “redundantes”. Mas a redundância é irrelevante para a validade. Este aspecto é importante, pois alguns professores e estudantes poderão ficar confundidos, consultando outros livros, pois neles não se referem as tais 5 formas silogísticas “redundantes”. Um exemplo de uma forma silogística válida mas “redundante” é a seguinte:
Todo o B é C.
Todo o A é B.
Logo, algum A é C.
Esta forma silogística é válida, mas “redundante” em relação à forma Barbara. “Redundante” significa que a conclusão é mais fraca do que a conclusão de Barbara, que tem precisamente as mesmas formas proposicionais como premissas. Mas este é um aspecto irrelevante, dado que nada há de errado em concluir menos do que é possível concluir, num argumento qualquer.» in Arte de Pensar, http://aartedepensar.com/erros.html
De J. P. Saraiva a 29 de Abril de 2008 às 20:24
Anónimo, quanta incongruência! Estamos a ficar confusos! Começo a pensar como Ockham: com tanta alternativa, o caminho a percorrer será o mais fácil! Aquele que levantar mais problemas e mais confusões para os professores e posteriormente para os alunos, é de pôr de parte. O que me dizem?
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 21:11
Caros,
Estão a fazer confusões. SE excluirmos domínios vazios, então AAI é válida. Se não, não é. No Arte 11 edição de 2004, os domínios vazios estão excluídos e por isso AAI era dada como válida. Na edição de 2008, as classes vazias podem ser ou não excluídas, consoante o professor quiser.
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 22:56
A confusão é inteiramente compreensível. Seria boa ideia (uma vez que a perspectiva mudou) alterar o texto acima referido, se é que estava bem citado.
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 23:03
«ipsis verbi» (copiar+colar)
De Anónimo a 29 de Abril de 2008 às 22:07
Não há nenhuma contradição, mas uma diferença de perspectiva. Se nos colocarmos na perspectiva da lógica medieval e quisermos ser (historicisticamente)fiéis a ela, o modo AAI (Barbari) é válido, mas "inúitl", já que "conclui menos" que o que seria autorizado pelas regras do silogismo. Por outro lado, se abordarmos a lógica medieval na perspectiva do que hoje sabemos, haverá que reconhecer que a lógica de classes não autoriza que, de premissas universais, se conclua uma proposição particular (existencial) e, assim, o modo Barbari (e os outros quatro modos defectivos, como o Cesarop, etc.) é inválido. Ora, como a nossa missão não é ensinar história da lógica (e mesmo que fosse), ao optarmos pela lógica medieval não deveríamos deixar de apontar as suas limitações. Dizer HOJE que o modo Barbari é válido é, de facto, um erro. Como também seria um erro dizer que os medievais não o consideraram como válido.
De Anónimo a 1 de Maio de 2008 às 09:40
Lendo a análise ao "criticamente" nota-se o preconceito presente que tinha de desembocar na conclusão estabalecida à partida: Há o "arte" e os "outros". É interessante verificar como a doença do politicamente correcto afecta os mais insuspeitos. Desta feita é a famíla ;) Apenas mais uma variante de uma curiosa forma de pensar que leva a coisas tão curiosas como a apologética aos biocombustíveis que são mais poluentes e levam ao aumento galopante do preço dos cereais ;) Ainda falta o Logos, mas já sabemos que não pode ser tão bom como o Livro... Tá bem.
De rolandoa a 1 de Maio de 2008 às 11:47
Olá Anónimo,
É tem razão! O Arte bate mesmo qualquer outro manual. Sim, já tenho o Logos e parece-me bom, mas não tão bom quanto o Arte. É isto que lhe parece um preconceito? Já agora acho o Em Diálogos um manual mesmo muito mau, destacando-se de quase todos os outros. Isto é um preconceito? Também acho o seu comentário idiota para além da cobardia habitual de não assumir quem é. É preconceito? Mas o leitor anónimo pode fazer exactamente o que eu faço para desfazer os meus preconceitos: cria um blog, analisa os manuais existente e aponte os erros que encontrar no arte. mas cuidado: dizer que gostar do arte é um preconceito, não é um erro objectivo. É uma tolice parva. Aponte os erros ao manual e deixe-se de conversa fiada. Dá trabalho, não dá???
De Anónimo a 1 de Maio de 2008 às 14:40
Um bom estudante/ professor de lógica, como creio que o Rolando pretende ser, deveria ser mais cuidadoso com os argumentos e não tropeçar tantas vezes no discurso falacioso. Petições de princípio e apelos à ignorância e à autoridade são de evitar, sabe, não sabe?!
De rolandoa a 1 de Maio de 2008 às 14:59
Meu Caro,
Também tenho os meus dias e perante a estupidez do seui comentário inicial e cobardia do anonimato, confesso que me apetece mesmo puxar pelo meu lado mais rude, veia nortenha. Mas já agora, anónimo, continue a exercitar a sua Chico esperteza e indique lá, com objectividade, onde é que cometo as petições de princípio, por exemplo. Porque que é que os anónimos nunca respondem aos meus desafios senão com ataques pessoais? Curiosamente ainda não vi um blog de anónimos com análises a manuais. Isso sim, gostaria de ver. Aproveite a ideia.
De Carlos Silva a 1 de Maio de 2008 às 16:07
Rolando,

"Um exemplo de uma forma silogística válida mas “redundante” é a seguinte:
Todo o B é C.
Todo o A é B.
Logo, algum A é C."

Em relação ao modo referido (1.ª figura, modo AAI), quero referir o seguinte:

1- Normalmente não consta dos modos válidos da primeira figura: AAA; EAE; AII; EIO;
2- No entanto, se tivermos em consideração a chamada lei da transitividade do silogismo passa a ser válido na quarta figura:

Todo A é B
Todo B é C
Logo, algum A é C.

Com efeito, a 4.ª figura contempla o modo BRAMANTIP no seu seio.
Veja-se, a este propósito, Javier Sádaba, Filosofia Para Um Jovem, Editorial Presença, (págs. 46 e 47)

Abraço,
Carlos JC Silva
De Anónimo a 1 de Maio de 2008 às 16:22
Carlos Silva: A forma referida não consta das 19 formas silogísticas válidas não redundantes (AAI da 1.ª figura é redundante em relação a AAA da mesma figura, tal como EAO é redundante em relação a EAE). Afirmar que uma forma é redundante não significa negar que seja válida, mas apenas afirmar que é inútil (retira uma conclusão particular, quando a universal é possível). O problema que mais acima e no artigo "A Insustentável Leveza do Arte" se discutiu não foi esse, mas a questão das falácias existenciais, que o seu segundo exemplo não elimina.
De Carlos Silva a 1 de Maio de 2008 às 16:37
Rolando:

Só para acrescentar/corrigir o seguinte:

"Todo A é B
Todo B é C
Logo, algum A é C."

Talvez a conclusão mais correcta fosse:

Logo, algum C é A (conversão simples)

Não se pode enunciar Todo C é A, caso contrário estaríamos a infringir a regra que refere que nenhum termo pode ser mais extenso na conclusão do que nas premissas (C).
Note-se, no entanto, que a figura mais perfeita é a primeira, e dentro desta, particularmente o modo BARBARA. Precisamente por isso se reduzem as restantes figuras à primeira. A quarta é a chamada figura de Galeno e não é mais do que um modo indirecto da primeira.

Carlos JC Silva
De Carlos Silva a 1 de Maio de 2008 às 16:49

Ao Anónimo do comentário anterior:

"Carlos Silva: A forma referida não consta das 19 formas silogísticas válidas não redundantes (AAI da 1.ª figura é redundante em relação a AAA da mesma figura, tal como EAO é redundante em relação a EAE). Afirmar que uma forma é redundante não significa negar que seja válida, mas apenas afirmar que é inútil (retira uma conclusão particular, quando a universal é possível). O problema que mais acima e no artigo "A Insustentável Leveza do Arte" se discutiu não foi esse, mas a questão das falácias existenciais, que o seu segundo exemplo não elimina."

Concordo. É, de facto, inútil e até "forçado" retirar uma conclusão particular quando se pode/deve concluir universalmente. Pelos Diagramas de Venn pode constatar-se isso.

Carlos JC Silva
De Anónimo a 1 de Maio de 2008 às 20:02
Não é preciso puxar muito. Ele está já bem à vista. E não tem nada a ver com a veia nortenha. No norte, como no sul, no leste e no oeste, a rudeza é o que é.
De rolandoa a 1 de Maio de 2008 às 21:16
Ok. E em relação ao trabalho que lhe propus? Vai fazê-lo?

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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