Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Descontextualizado

O manual Contextos cai em alguns lugares comuns da escrita de manuais, o que faz dele um manual menos interessante para estimular a capacidade crítica dos estudantes. Estranho sempre quando, ao ler um manual, me deparo muitas vezes com afirmações atrás de afirmações, num espírito muito dogmático de afirmar que isto é isto e aquilo é aquilo. A organização de manuais de filosofia como o Contextos faz com que a lógica inicialmente aprendida não possua qualquer utilidade de aplicação nos restantes conteúdos. Ora, o interesse da lógica é fornecer ao estudante a ferramenta para que questione os argumentos dos filósofos e tome as suas próprias posições racionalmente fundamentadas. Claro que aquilo que se pede é a um nível elementar.
Rolando Almeida

O manual dá o pontapé de saída com uma série de desafios da lógica e raciocínio. Notei logo que os textos apresentados são retirados de um livro que se chama, Jogos e testes de lógica para crianças. É proposto aos alunos que resolvam esses exercícios para verem a vantagem de se estudar lógica. A opção não é a mais adequada, uma vez que os alunos deveriam ver essas vantagens ao longo do manual e não em exercícios de raciocínio destinados às crianças. Dá-se logo a começar uma ideia errada do que é a lógica e a razão do seu estudo na filosofia. De uma forma muito simples pode-se explicar ao estudante que a lógica visa avaliar argumentos e introduz-se as noções iniciais, como a distinção verdade/validade, premissas/conclusão, etc. Após dominar estas noções que por regra compreendem rapidamente, então parte-se para a análise dos argumentos quer com a lógica silogística, quer com a lógica proposicional, dependendo da opção do professor. Mas o Contextos começa logo por estar desorganizado no modo como começa. Nas noções iniciais da lógica, mesmo antes de começar com a proposicional e a silogística, trata as noções básicas como se só existisse a lógica silogística. Isto é dar uma ideia limitada ao aluno do âmbito de aplicação da lógica. Para além disso o professor que opte por leccionar a lógica proposicional fica logo encurralado no início com uma série de noções que são pensadas apenas para a lógica silogística, para além de outras que pura e simplesmente não se encaixam em qualquer uma das lógicas. Vamos ver algumas delas: Logo na página 17 comete-se uma falha muito comum ao afirmar-se que a extensão e compreensão do conceito variam na razão inversa. Isto vê-se até bastante bem se pensarmos no seguinte: como é que a compreensão de um conceito pode crescer ou decrescer, ser maior ou menor? A compreensão não se mede em termos de extensão. Não tem uma expressão quantitativa. A compreensão define as propriedades que definem um conceito, mas não a quantidade. Por exemplo, a compreensão do conceito «chinês» envolve as seguintes ideias: habitante de um país asiático, que faz fronteira com os países tal e tal e a compreensão do conceito «nepalês» envolve as ideias: habitante de um país asiático, que faz fronteira com os países tal e tal. Qual deles envolve mais características definidoras, digamos assim? Definir chinês e definir nepalês envolve mais ou menos o mesmo, mas há muitíssimos mais chineses do que nepaleses, pelo que a extensão de «chinês» é muito maior do que a extensão de «nepalês». A classe de objectos a que o conceito «chinês» se aplica é muito maior do que a classe de objectos a que o conceito «nepalês» se aplica. Está apresentado um contra-exemplo à ideia de que quanto maior for a extensão menor é a compreensão e vice-versa. Ou podemos dar ainda outro contra-exemplo à ideia de que quanto maior é a extensão menor é a compreensão e que nos é mais familiar. Pense-se nos seguintes conceitos: «brasileiro» e «português». Qual deles tem uma maior extensão? Dado que há mais brasileiros, o conceito «brasileiro» tem uma maior extensão. Isso quer dizer que brasileiro tem uma menor compreensão do que português? Qual é o conjunto de qualidades ou características definidoras de brasileiro e qual é o conjunto de qualidades definidoras de português? E por que razão o conjunto de qualidades definidoras de «brasileiro» é menor que o de «português»? Este é claramente um erro que não se encontra só no Contextos. É muito comum ele aparecer, mas se pensarmos um pouco no que andamos a ensinar e se fizermos uso da tal capacidade crítica que queremos fomentar nos alunos, concluímos que não faz qualquer sentido ensinar estas noções deste modo.
Na página 18 comete-se uma falha igualmente comum nos manuais. Acredito que aconteça por falta de atenção, mas não deixa de ser uma falha comum que consiste em afirmar que a proposição é um enunciado, portanto, que é algo do domínio da linguagem. As frases são sons articulados ou inscrições numa superfície e isso não é verdadeiro nem falso. Está lá ou não está. O que pode ser verdadeiro ou falso é aquilo que esses sons e essas inscrições exprimem. Em termos muitos simples, é o seu significado. É por isso que diferentes frases podem exprimir a mesma proposição. Ora, a melhor forma para evitar estes erros que muitas das vezes ocorrem por pura distracção daquilo que se está a escrever, é dar ao aluno definições iniciais operacionais tais como: “Proposição é o pensamento que uma frase declarativa com sentido exprime”. Mais adiante o manual refere que «Mas nem todas as frases são proposições». Nenhuma frase é proposição! As frases exprimem proposições, mas não são proposições.
Além dos erros, algumas opções não são as mais correctas do ponto de vista didáctico como por exemplo, em vez de se dar ao estudante uma lista de objectivos da lógica (página 14), bastava dar uma explicação fácil de que a lógica consiste no estudo da argumentação válida e dar logo a distinção entre validade dedutiva e não dedutiva. Esta distinção dá-se numa página. Deixo aqui uma sugestão: a dedução diz-nos que é impossível obter uma conclusão falsa, se as premissas do argumento forem verdadeiras. Assim, se eu tiver o argumento seguinte:
A relva é azul e as nuvens amarelas
Logo, a relva é azul
Eu sei que premissa e conclusão são falsas. Mas vamos lá imaginar uma circunstância possível em que é verdade que a relva é azul e as nuvens amarelas, por exemplo, num planeta distante. A pergunta pela validade é a seguinte: se a premissa for verdadeira, o que acontece à conclusão? Se a conclusão continuar falsa, o argumento é inválido, se for verdadeira, nesse caso o argumento é dedutivamente válido porque é logicamente impossível que a premissa seja verdadeira e a conclusão falsa. Mas acontece que existem aspectos da argumentação que a forma lógica da dedução não capta. E esses são os aspectos informais da argumentação. Por essa razão existe o estudo da lógica informal, na qual, a verdade das premissas não garante a verdade da conclusão. Nesse caso falamos de força do argumento. Mais arranjo, menos arranjo está aqui apresentado ao estudante as noções básicas de que ele vai precisar. Não é necessário estar a perder mais tempo.
Na página 26 diz-se que o argumento dedutivo é “usado em todas as ciências (…) é particularmente importante na lógica, na matemática e na física teórica”. Bem, a dedução é um dos campos de estudo da lógica, mas, de resto, as deduções são tão usadas e importantes na física como na metafísica, na matemática como na filosofia.
Na página 27 aparece esta definição confusa, “se um argumento for válido, isto é, se respeitar todas as regras formais, e se as premissas que o constituem forem verdadeiras, então a conclusão terá de ser necessariamente verdadeira”. Esta definição induz o estudante em erro porque a regra de validade é precisamente que o argumento é válido se a premissas verdadeiras corresponder uma conclusão verdadeira, pelo que esta é que é a regra da validade, mais nenhuma. Dá-se, assim, a ideia errada, que os alunos têm de aprender outras regras formais para saber se o argumento é válido. Quais são essas regras?
Na página 82 dou-me conta de uma imprecisão. Define-se entimema como um silogismo no qual falta uma premissa. Todas as noções da lógica estão, no Contextos, muito agarradas à lógica aristotélica e acaba por dar uma ideia limitada da lógica ao estudante. Na verdade o entimema é um argumento em que uma das premissas não é explícita, mas não necessariamente no silogismo que é um tipo de argumento entre muitos outros tipos.
Para a epistemologia o Contextos opta por oferecer a fenomenologia para explicar a relação entre sujeito e objecto. É uma opção que me parece redutora e que muitos manuais já abandonaram. Neste ponto do programa o que se pretende é expor ao aluno o problema central do conhecimento. Ora, a fenomenologia não coloca a questão, trata-se antes de uma resposta ao problema, pelo que é uma opção enganadora. Por outro lado, tenho a convicção que os alunos não apreciam a cantiga que se conta nos manuais sobre a fenomenologia. Neste ponto a opção mais correcta é situar o problema real do conhecimento, fazer a pergunta pela sua origem e possibilidade e passar de imediato para os tipos de conhecimento. E o Contextos acaba por colocar as questões de um modo pouco claro para o aluno, tal como, “será o conhecimento um acto efectuado por um sujeito no estado puro que apreende um objecto no estado puro?”p.121. Isto abre espaço a explicações menos claras para o nível do estudante como a que aparece, como resposta a esta questão, “(…) não existe de um lado o sujeito abstracto e, do outro, uma realidade que ele irá conhecer objectivamente. O sujeito interage com a realidade, e é desse processo que o conhecimento emerge. Representar o objecto é também, em certa medida, construir o objecto” (p.122) Isto acontece em parte porque os textos escolhidos não são os mais adequados. Não são textos argumentativos que exponham com clareza uma tese, mas textos que se limitam, no grosso, a fazer afirmações. Ora, o estudante não tem ainda a sofistificação exigida para questionar parte significativa dessas afirmações. Mas vale a pena citar uma frase do texto que antecede a resposta dos autores à questão que referia acima. Diz o texto: “a realidade não se apresenta primeiramente ao homem sob a forma de objecto do conhecimento, da análise e da teorização, cujo pólo oposto e complementar seria o sujeito abstracto do conhecimento que se encontraria simultaneamente dentro e fora do mundo” (p.122). Este é um exemplo de muitas ocorrências destas ao longo do manual, o que o torna um manual mais difícil e pouco estimulante para os estudantes. Pouco adiante, para a questão central, “o que é o conhecimento?”, o manual propõe estas respostas:
aquilo que nos é presente na prática, oferecendo-nos resistência;
Aquilo que é ou pode ser esclarecido pelo conhecimento científico;
Aquilo que se opõe ao nada, ao aparente, ao ilusório;
Aquilo que se opõe ao potencial, ao meramente possível;….” (p.124)
Em vez de fazer afirmações sobre o que é conhecimento, seria uma opção muito mais acertada deixar que os filósofos falassem, para tal expondo a tese dos filósofos, sendo que a definição tradicional e a mais discutida de conhecimento é a do Teeteto. Ela aparece mais adiante no manual, pelo que não existia razões para mais divagações obscuras. Claro que há muitos problemas que se colocam sobre a questão “o que é conhecimento?”, mas ao estudante do secundário basta que lhe possamos oferecer a base da discussão. É por aí que entra na discussão do conhecimento.
Avançando, na página 125 podemos ler o seguinte: “Para Kant, por exemplo, o nosso conhecimento da realidade é limitado pelo espaço e pelo tempo. Sendo assim, só podemos conhecer os fenómenos, ou coisas para nós, isto é, aquilo que nos é dado no espaço e no tempo. Não podemos conhecer os seres que fazem parte do mundo inteligível – o númeno. O númeno é a coisa em si mesma, que apenas pode ser pensada, o que é incognóscível. Podemos conhecer o fenómeno, mas não a coisa em si, que constitui o seu fundamento.”(p.125). Este tipo de explicações exige a tal sofistificação que os nossos alunos não têm nem têm de ter neste nível de ensino e condiciona o professor que terá de estar muito tempo de aula a descodificar o texto. Estes exemplos são suficientes para mostrar a forma como o manual está organizado.
Em relação aos temas e problemas da cultura científico tecnológica é o lugar comum que aqui tenho discutido em relação a outros manuais. Os temas são tratados de forma acrítica, não confrontando nunca o estudante com teses adversárias. A vantagem de incluir num manual as objecções é que se possibilita ao estudante reflectir a partir das suas próprias intuições em relação ao mundo que o rodeia. Os capítulos seguintes seguem a mesma organização, de modo que não há muito mais a dizer sobre o Contextos.
Não tem erros flagrantes, mas tem imprecisões principalmente na lógica, investindo demasiado numa leitura silogística da lógica o que limita a opção pela lógica proposicional. Há opções melhores, mais rigorosas, pelo que não encontro razão pela votação no Contextos.
Marta Paiva, Orlanda Tavares, José Ferreira Borges, Contextos, Porto Ed, 2008


publicado por rolandoa às 21:44

link do post | favorito
20 comentários:
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 11:03
Temos então que a epistemologia de Kant e a distinção entre fenómeno e númeno "exigem uma tal sofistificação que os nossos alunos não têm nem têm de ter neste nível de ensino e condiciona o professor que terá de estar muito tempo de aula a descodificar o texto" (às vezes pergunto-me qual será para o Rolando a utilidade do professor dentro da sala de aula...), mas, em contrapartida, os métodos nomológicos são intuitivos e claros... Fantástico!...
De rolandoa a 23 de Abril de 2008 às 11:09
Caro amigo anónimo,
Fantástico é que não tenha compreendido o seguinte: que não interessa se o que tem que ensinar é a física quantica ou a química dos pinheiros de natal. O que interessa, no caso, é o modo como se ensina. E também é fantástico que não tenha compreendido que o que estou a questionar é a utilidade do manual e não do professor. De resto, pela minha formação universitária, sei mais de Kant do que do modelo nomológico. Este último tive de o estudar. O que está em causa, é o modo como se expõem os problemas, raios.
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 16:53
Quando se diz que a extensão e compreensão (intensão) de um conceito variam na razão inversa uma da outra, está-se apensar na hierarquia de géneros e espécies em que, por exemplo, "asiático" inclui "chineses" como subclasse. "chinês" é yma classe de "asiático", enquanto "asiático" é o género em que se inclui a classe dos "chineses". Postas assim as coisas no seu lugar, resulta compreensível a afirmação em causa: a definição do conceito de "chinês" requer mais propriedades do que a de "asiático". Na verdade, um chinés possui todas as propriedades comuns aos asiáticos e ainda mais algumas que são próprias apenas dos chineses. Ora, não parece questionável que o género "asiático" tenha um maior número de elementos que a espécie "chineses", abrangendo chineses, nepaleses, indianos e por aí fora. Porém, a definição de chinês requer que se enumerem mais propriedades que a de asiático. E aí está: quanto mais subimos na hierarquia de géneros e espécies, mais "vazios" se tornam os conceitos, mas maior número de objectos se encontram incluídos na sua compreensão. É claro que, como tudo o mais, isto é objectável. Pode dizer-se, por exemplo, que o mais geral dos conceitos (o de ser) é também o mais "rico", o mais compreensivo ("tanta variedade e tudo sendo", dizia o poeta). Mas pode contrapor-se que este conceito transcende as categorias, situando-se fora da hierarquia dos conceitos unívocos (é um conceito analógico). De resto, o interesse que tudo isto possa ter é duvidoso. Mas não fui eu que trouxe o assunto à baila.
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 16:58
... e ainda isto:

"chineses" e "nepaleses" são ambos conceitos de espécies incluídas no género asiático. Não se lhes aplica a regra referida, que só faz sentido quando aplicada à relação do género com a espécie e vice-versa.
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 17:54
quero dizer: fora desse contexto fica, por assim dizer... "descontextualizado".
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 19:12
Bom... que os meus comentários não dêem azo a más interpretações! Tal como há bons e maus críticos, ele há também bons e maus manuais. E, na minha modesta opinião, o Contextos não pertencerá aos primeiros, ao contrário do que acontece com o Arte e alguns mais.
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 18:06
Pois claro:

É fantástico como se afirma despudoradamente que este e outros manuais têm erros, quando na verdade não se percebe muito do assunto. Mais valia não ter dito nada!
A extensão e a compreensão dos termos só são comparáveis se fizerem parte da mesma rede conceptual; quer isto dizer que devem constituir-se como elementos para a definição de um conceito. Por isso, brasileiros ou australianos não são comparáveis em termos de compreensão nem de extensão porque não entram um na definição do outro, e nunca poderiam estar na mesma rede conceptual. Isto é básico.
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 18:30
Rolando,
Se a extensão de um predicado é a classe dos objectos que ele descreve (a extensão de "seres humanos inteligentes" é a classe dos "seres humanos inteligentes") e se a intensão é o princípio pelo qual os objectos são escolhidos ou, por outras palavras, a condição que um objecto tem de satisfazer para ser correctamente descrito pelo predicado, então, parece óbvio que, embora a classe dos "seres humanos inteligentes" inclua menos indivíduos que a dos "seres humanos", exige, contudo, uma condição mais que a segunda. Onde é que está a dúvida??? Não estará efectivamente a "descontextualizar" estas noções?!
De rolandoa a 23 de Abril de 2008 às 19:37
Caro Anónimo (um deles)
Afirma:
"Por isso, brasileiros ou australianos não são comparáveis em termos de compreensão nem de extensão porque não entram um na definição do outro, e nunca poderiam estar na mesma rede conceptual. Isto é básico."
Australianos e Brasileiros são seres humanos. Depois, "brasileiros" e "portugueses"foram escolhidos, porque, além de seres humanos que habitam o planeta terra, falam a mesma língua. Não sei qual é a sua dificuldade. Isto faz-me lembrar aquela passagem de Mill em, sobre a Liberdade, quando afirma que um erro repetido tantas vezes, acaba por ser tomado como uma verdade.
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 20:01
Mas isso é dizer o que os conceitos têm em comum (que nada tem a ver com o que se está a discutir)- eles não entram na definição um do outro, e por isso não são comparáveis. É que nem tem a humildade de reconhecer que pode não estar certo. Não lê o que se diz...afirma dogmaticamente sempre a mesma coisa. O Rolando é que se convenceu que o seu erro não é erro.
De rolandoa a 23 de Abril de 2008 às 20:17
Caro anónimo,
Não fui eu que não me convenci que estou errado, foi o anónino que não me convenceu, porque o que diz é idiota. Está a afirmar que o conceito de "brasileiros" não entra na definição de "portugueses" e eu estou a dizer-lhe que isso nem sequer é relevante nem constitui qualquer contra exemplo do que afirmei no meu texto, pelo que poupe-se a chamar-me de dogmático. Basta pensar um pouco! Então diga-me lá como é que o conceito de cão entra na definição de "quatro pernas", não vá confundir um cão com uma cadeira. Bolas, persiste no erro e eu é que sou dogmático. E identifique-se caramba.
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 21:39
Isto está a azedar! porque será?
De António Paulo a 23 de Abril de 2008 às 21:59
Uma coisa que ainda não percebi é por que há quem ainda teime em enviar comentários anónimos. E não adianta justificarem que é um direito.
Que eu saiba este blog não é hard core.
É um blog sério, onde o autor expressa as suas opiniões. Argumenta racionalmente as suas posições e está sujeito ao "contraditório", respondendo com elevação a todos os comentários.
No mínimo, espera-se dos comentadores a mesma conduta.
Com tantos "anónimos" acabamos por não saber se é a mesma pessoa, se várias. Para o bem do debate filosófico era positivo que as pessoas apresentassem outra disposição.
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 22:15
O que EU não percebo é que haja quem se interesse mais por identidades do que por ideias e razões. Será que estas empalidecem ou brilham em função de quem as apresenta? Tem algo a acrescentar ao que foi dito? Argumentos que mostrem que este ou aquele está errado? ou certo? venham eles!
De rolandoa a 23 de Abril de 2008 às 22:25
Caros leitores anónimos,
Aproveito para vos informar que activei a função para identificação do vosso IP quando deixarem comentários. Esta função está somente activada para os comentários anónimos.
Obrigado
De António Paulo a 23 de Abril de 2008 às 22:45
As ideias não são meras abstracções. As ideias são "encarnadas", são a expressão de uma identidade. O que se dirá da identidade que se esconde atrás de uma máscara; neste caso da máscara do anonimato? O que diriam o(s) caro(s) anónimo(s) se alguém usasse da mesma estratégia contra vós? Vocês quando direccionam as vossas críticas, sabem que estão a interagir com o Rolando Almeida, professor de filosofia da escola gonçalves zarco da madeira. E ele?
O anonimato é uma cobardia (não quero dizer com isso que as pessoas que escrevem estes comentários sejam cobardes). Mas eu já fui cobardemente atacado num jornal regional (por motivos de opinião política) por alguém que escreveu "anonimamente" sob um nome falso e por isso não consegui identificar o indivíduo para lhe meter uma acção judicial, apenas pude responder à sua cobardia, assinando um texto que foi publicado.
Se eu fosse ao Rolando, por muito interesantes e produtivas fossem as vossas intervenções não as publicava enquanto não fossem identificadas.
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 22:21
«É um blog sério, onde o autor expressa as suas opiniões. Argumenta racionalmente as suas posições e está sujeito ao "contraditório", respondendo com elevação a todos os comentários.»

«foi o anónino que não me convenceu, porque o que diz é idiota.»

Viva a "elevação"! ...
De rolandoa a 23 de Abril de 2008 às 23:37
Caro António,
De acordo. Quem não deve não teme e pronto. Claro que é uma relação injusta e cobarde. Eu poderia ter feito o mesmo, lançar críticas anónimas. Para além de tudo o trabalho que tenho com os manuais é para ajudar os colegas e não para difamar autores, pelos quais mantenho o meu repeito pelo seu trabalho. O que digo aqui é o mesmo que qualquer um de nós diz nas reuniões. Muitos de nós tem mudado a sua forma de ensino e muitos autores mudaram muita coisa nas últimas edições, para melhor. Só que eu assumo isso publicamente. Mas felizmente tenho encontrado colegas excepcionais e tenho uma ideia muito positiva dos colegas que ensinam filosofia, mas há sempre efeitos marginais.
Abraço
De Anónimo a 23 de Abril de 2008 às 23:47
É curioso como se evitam sistematicamente os contra-exemplos. Diz-se simplesmente que quanto maior é a extensão de um conceito menor é a sua compreensão. Mas dá-se o exemplo de dois conceitos em que o que tem maior extensão não tem menor compreensão e a resposta é: ah, pois e tal, mas estamos a falar de conceitos que fazem parte da mesma rede conceptual. Bolas, podiam ter dito logo!

Mas depois pensamos: mas o que é isso da mesma rede conceptual? Será que os conceitos «europeu» e «francês» fazem parte da mesma rede conceptual? Imagino que sim. E «europeu» e «português»? Também, claro. Bom, nesse caso, «francês» e «português» fazem parte da mesma rede conceptual.

Mas agora voltamos ao mesmo: a extensão de «francês» é maior do que a extensão de «português» e ninguém vai dizer que a compreensão de um dos conceitos é maior ou menor do que a dos outros.

Já não consigo imaginar as artimanhas para fugir ao óbvio, mas a imaginação neste particular tem-se revelado prodigiosa. E tudo isto para quê? Para ensinar aos alunos que há mais europeus do que portugueses, mais portugueses do que minhotos, mais minhotos do que bracarenses, e assim por diante?

Isto serve para quê? O que se faz com isto? Será isto digno da filosofia? Será com balelas destas que se dá prestígio, tanto social como cognitivo, à filosofia? Depois admiram-se que haja pessoas que se riem da filosofia e que defendem que ela deve deixar de ser ensinada. Pudera! Com exemplos destes...

Cumprimentos,

Nuno Rebelo
De Porfírio Silva a 24 de Abril de 2008 às 11:19
Pode ser que esta informação seja do interesse dos leitores deste blogue.
O ciclo "Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais" continua na próxima segunda-feira, 28 de Abril, pelas 17:30, com a conferência “O cérebro em acção - interacção com o ambiente”, que será proferida por Fernando Lopes da Silva, Professor Emérito da Universidade de Amsterdam e Professor Convidado do Instituto Superior Técnico e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

A conferência terá lugar no Anfiteatro do Complexo Interdisciplinar, Instituto Superior Técnico (campus da Alameda).

Mais informações sobre esta conferência no endereço que "assina" esta mensagem.

Comentar post

Rolando Almeida


pesquisar

 
Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

Posts Recentes

NOVO ENDEREÇO: http://fil...

Nova religião digital

Problemas again

Escolha um título,...

A censura na nova religi&...

Filosofia na web – ...

Mais um “AQUI&rdquo...

Uma situaçã...

E?

Exigências para se ...

Arquivos

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Favoritos

Relação entre a filosofia...

Luta na filosofia ou redu...

A filosofia não é uma arm...

Argumentos dedutivos e nã...

16 de NOVEMBRO DE 2006, D...

PAGAR NA MESMA MOEDA

Um ponto de vista comum n...

DILEMA DE ÊUTIFRON

O que é a validade?

Nova Configuração no Blog

Sites Recomendados

hit counter
Clique aqui para entrar no grupo artedepensar
Clique para entrar no grupo artedepensar
Contacto via e-mail
AddThis Feed Button
RSS