Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

A insustentável leveza do Arte

Para falar outra vez neste manual tenho de fazer algumas considerações preliminares que possam justificar a minha posição. Hesitei muito em escrever sobre o Arte de Pensar do 11º ano e isto porquê? Porque já tenho falado muito nele (mesmo que na última fase tenha divulgado mais outros manuais – como por exemplo os excertos que divulguei do manual da Plátano de Luís Rodrigues) e, claro, é preciso evitar os exageros emotivos. Ao princípio pensei que os leitores deste blog já conhecem o que penso em relação ao Arte de Pensar, pelo que até pouparia algum tempo que poderia dispensar para outros manuais. Cheguei até a pensar que seria uma boa opção falar do Arte de Pensar depois do período das adopções, mostrando dessa forma que não possuo qualquer interesse comercial com o manual.
Rolando Almeida

Com efeito, chegou-me hoje o manual às mãos e, assim que o comecei a folhear e ler algumas passagens, imediatamente percebi que, ainda assim, teria algumas coisas a dizer sobre esta nova edição. Mas o problema permanece: não encontro erros substânciais no manual. Como então fazer uma crítica que não seja exageradamente elogiosa sendo que não encontro erros no manual? Muito honestamente, não sei como o fazer. Daqui a 10 anos este manual estará, com certeza, desadequado ao panorama, como muitos outros manuais estão hoje em dia, uma vez que são feitos da mesma forma que o eram há 10 anos, mudando somente as qualidades gráficas. Se daqui a 10 anos o Arte de Pensar continuar igual – se existir – nessa altura descansarei os meus leitores. Por agora, estou realmente num dilema. Será que devo calar um manual para o qual praticamente só tenho elogios? Porquê? A solução que adoptei é esta que a seguir apresento: vou indicar meia dúzia de vantagens de estudar e ensinar com o Arte como guia para os colegas ao mesmo tempo que faço um convite aos leitores que possam enviar, ou para os comentários, ou para o meu e-mail, os erros do Arte de Pensar que, entretanto eu não sei ver. Por outro lado um manual até pode ter meia dúzia de erros (o que se deve evitar), mas ter potencial didáctico. Nesse sentido peço também aos leitores que enviem as suas críticas de falta de potencial didáctico do Arte de Pensar. Se os leitores quiserem escrever um texto para publicar no blog, ainda melhor. Creio que esta prática e partilha é importante e, a par disso, ajuda-me a ver aquilo que sozinho não consigo ver. Uma vez revelada a minha opção que corresponde exactamente ao que sinto (aproveitando a informalidade de um blog) resta-me apontar a tal meia dúzia de coisas boas do manual com a intenção de ajudar os colegas na árdua tarefa de optar por um manual.
Ficha:
Qualidade do manual: Muito boa
Cumpre com a finalidade? – Cumpre.
Eficácia: Muito Boa
 
 
Vamos por pontos:
1º Na lógica proposicional o manual oferece como opção as derivações. Uma parte significativa dos professores gostam de ensinar as derivações consoante o grupo de alunos que apanham pela frente e este manual oferece essa opção normalmente inexistente na maioria dos manuais . Ora bem a lição da argumentação só é completa com as derivações, senão fica a meio. Fazer derivações é aprender a retirar consequências, a raciocinar com consequência, pelo que é uma boa opção dar a liberdade ao professor de poder leccioná-las. Mas o manual não se limita a atirar exercícios de derivações sem explicar rigorosamente o que são e para que servem, o que me parece uma opção feliz.
2º Na lógica silogística as regras do silogismo são simplificadas em 5 regras. Na verdade o professor se estiver atento não precisa das 7 ou 8 regras que os manuais normalmente referem uma vez que se repetem e só confundem. Simplificar o processo com 5 regras é o que qualquer professor acaba por fazer. Esta é uma boa opção, mesmo que não seja das mais relevantes para fazer de um manual um bom manual.
3º É a primeira vez que observo a inclusão da Lógica Estóica, ainda que em opção do professor, num pequeno capítulo num manual de 11º ano. Porque é que isto me parece uma boa razão que melhor qualifica este manual? Por uma razão bastante simples: é que a lógica silogística só se aplica a proposições que usem 4 formas lógicas, o que a torna uma lógica muito limitada. A lógica estóica amplia mais algumas formas lógicas. E isto é significativo porque ensinamos a lógica aos nossos alunos para que eles aprendam a argumentar, mas depois a lógica silogística não lhes serve para quase nada. Se desejamos uma dimensão mais prática do ensino da filosofia, o melhor é ensinar as ferramentas básicas para saberem pensar e da forma mais ampla. Pelo menos isto é muito mais útil e prático para os alunos do que lhes ensinar a história da carochinha a partir do filme Z ou Y.
4º Há uma melhoria substancial no capítulo das possibilidades do conhecimento em relação à edição anterior, que é a inclusão de David Hume de uma forma mais explorada. David Hume ainda é o autor mais consensual como exemplo para o empirismo. Não resisto a observar que já notei que alguns autores de manuais resolvem incluir autores diferentes para dar um ar de inovação. Ora bem, não há que inovar muito nos manuais. Eles precisam de obedecer a um modelo de como a filosofia se faz hoje em dia, ainda que existam muitos filosofares. O que se pode é um pouco de rigor e bom senso.
5º O capítulo 4, «temas e problemas da cultura científico tecnológico» é todo ele explorado com problemas e textos da filosofia. Que há de novo nisto em relação a muitos outros manuais, a maior parte? É muito comum nesta unidade encontrar os problemas tratados com textos da sociologia, com o filme Z e Y, com actividades práticas como pintar muros com mensagens de paz e fraternidade, etc… Ora bem, que pensaríamos nós se olhássemos para um manual de física e víssemos que em vez das teorias da física são contemplados conteúdos de sociologia, literatura, poesia, etc… usados para explicar teorias da física? Estranho não? É isto que acontece na maior parte dos manuais de filosofia, não em todos é verdade, e que no Arte não acontece. E eu acho isso um ponto a favor do Arte de Pensar, da filosofia e do seu ensino. Não faz qualquer sentido evitar a filosofia num manual de filosofia.
6º O manual é sustentado por bibliografia primária e não secundária. O que isto quer dizer? Que se ensina a filosofia directamente pelos filósofos e não pelos filtros que são a bibliografia secundária. Claro que não há problema maior no uso da bibliografia secundária, desde que ela seja adequada. Acontece que há aqui um ponto interessante: a bibliografia secundária – livros de divulgação – é escrita para fazer precisamente o que um manual deve fazer – divulgar a filosofia (ainda que o manual tenha também a preocupação de a ensinar). Usar bibliografia secundária é exactamente o mesmo que eu agora fizesse um manual de filosofia e apresentasse no meu manual textos do Arte de Pensar. Isto não faz muito sentido pois não? Pois é isso mesmo. Além disso a bibliografia primária é fresca e coloca em diálogo autores clássicos com contemporâneos. Pelo menos não dá aquela ideia que os adolescentes acham idiota (e é mesmo) que a filosofia morreu no século xvii.
E… para além da meia dúzia de pontos a favor do Arte…….. ponto…..
7º Didacticamente os pontos fortes é que o manual é muito motivador para o aluno se confrontar directamente com os problemas e se questionar usando a sua cabeça. Em relação a este ponto tenho ouvido muitas vezes que os nossos alunos não estão preparados para isso, que são muito fracos… Bem, isso não me parece verdade e já vou explicar porquê, mas antes disso convém explicar uma outra coisa: imaginemos que somos professores de física ou de biologia. Será que neste momento acharíamos que os alunos estão muito preparados para aprender física e biologia? Por certo que aqueles que acham que os alunos são todos muito fracos não concordariam que os alunos só são fracos a filosofia. Os resultados são contra exemplo disso. No entanto se abrirmos um manual de física ou biologia, o que lá vemos não é o filme da Carochinha nem poesia sobre a física, nem poemas ou pinturas sobre o corpo humano e a origem da vida. O que lá observamos são teorias da física e teorias da biologia. Com efeito, temos muitos manuais de filosofia que passam capítulos inteiros sem problemas da filosofia. Faz isto sentido? Em relação ao primeiro aspecto, que os alunos que temos são muito fracos, o que é que não concordo? O que defendo é que o nosso sistema de ensino estimula pouco os alunos para a aprendizagem e eles chegam ao ensino secundário com conhecimentos muito elementares e reduzidos para o que seria de esperar. Mas se entendermos que por essa razão a filosofia não lhes é ensinável, mais vale assinarmos uma petição para o Ministério nos mandar para o desemprego de vez e acabar de vez com a nossa disciplina, uma vez que os nossos alunos não são capazes de a compreender. Mas existe aqui um aspecto muito mais subtil: é que temos a tendência para pensar que ensinar com um modelo da treta torna as coisas muito mais apetecíveis para os alunos. Ora, o que é um modelo da treta? É exibir a formiguinha z, pintar um muro com a pomba da paz, fazer um teatrinho, mandar os alunos escrever poesia e ouvir Mozart em vez de ensinar filosofia da arte, manuais com muitas fotografias bonitas e de ícones da cultura popular, etc… mas é falso que isto seja mais motivante para os adolescentes. A experiência – questionável, é certo – diz-me que isto só cria laxismo, desinteresse e pontual indisciplina. A primeira coisa a ocupar nos alunos é a sua inteligência e não os seus olhos e ouvidos de filmes cor de rosa. Disso estão eles fartos e não precisam da escola para lhes mostrar essas coisas. A experiência mostra-me que os alunos, mesmo os mais fracos, se entusiasmam muito mais quando são confrontados com os problemas e são envolvidos na sua discussão. Isto é fácil fazer? Claro que não. Mas imaginem lá - professores de filosofia - que conseguíamos começar a produzir este efeito nos nossos alunos, com esforço, dedicação e apoiados – alunos e professores – por um bom manual? Como é que a sociedade em geral começava a olhar para a filosofia? O que é que estaríamos a produzir de bom? È para isso que nos pagam. Nem todos os países se podem dar ao luxo de pagar a gente para ensinar filosofia.
8º Materiais de apoio:
Manual do professor – para além de planificações aula a aula, muito útil para as nossas avaliações – é acompanhado por 41 fichas devidamente organizadas. O manual do professor inclui um útil itinerário sinóptico sobre cada ponto a ensinar. Tem ainda as soluções de todos os exercícios do manual. Isto é muito útil, por exemplo, para um professor que se aventure a ensinar lógica proposicional pela primeira vez. Além disso pode sempre tirar dúvidas no fórum do manual, tal como eu próprio faço. O caderno do aluno tem muitas fichas que ora podem ser usadas para TPC, ora para realizar trabalhos e pequenos ensaios filosóficos e poupar o trabalho da pesquisa bibliográfica, não que ela não seja desejável, o problema é que nas bibliotecas das nossas escolas pura e simplesmente não temos livros adequados. Hoje em dia se não guiarmos os alunos em livros que são os obrigatórios de pesquisar, o mais certo é termos centenas de trabalhos que não passam de copy past sacados no Google. Este caderno do aluno poupa-nos esse trabalho: está munido de muitos textos que confrontam posições e podemos pedir aos alunos que estudem os textos, confrontem as teses e defendam as suas posições. Dar liberdade aos nossos alunos é dar-lhes conhecimento, orientá-los. Mandá-los à sorte para o Google não é orientação que se preze. O aluno jovem não tem de andar a pesquisar no planeta inteiro. Sente-se tão perdido que a primeira coisa que pensa e faz para resolver o problema é o famoso copy past. Para além disso o caderno do aluno ensina em duas ou três páginas a fazer pequenos ensaios filosóficos. E é nos ensaios que um aluno aprende a defender posições, o mesmo é dizer, a pensar por si próprio. Em filosofia que liberdade podemos dar mais? Para além destes materiais o manual ainda vem munido de um cd rom, com pouco material é certo, pelo menos a versão demo que é que tenho em mãos e a oferta da assinatura da revista profissional de filosofia, Crítica. Tem ainda um site com dezenas de textos traduzidos e ensaios dos alunos, para além de outros materiais e um fórum de discussão.
9º Uma palavra final para a qualidade gráfica do manual. Não gosto muito desta parte. A qualidade dos manuais de filosofia costuma ser tão baixa que me habituei a usar fotocópias ilegais de outros livros e os meus alunos estão habituados ao preto e branco dos textos e ao colorido das discussões (também tenho aulas más, jamais me candidataria àqueles prémios idiotas do melhor professor que o Ministério promove). Normalmente comparo os nossos manuais com os dos países ricos e os nossos são autênticos almanaques de celebridades. Isso desgosta-me muito, que gosto de ser professor e ensinar filosofia. O Arte de Pensar está muito bem nesse aspecto. Creio até que esta edição está uns pontos acima da edição para o 10º ano. Não é preciso montar um circo para ensinar filosofia. Os esquemas estão muito bem.
 
PONTOS NEGATIVOS (haha) – não tenho meia dúzia de pontos negativos.
1º O manual é muito pesado. Embora não possua dados concretos para responder a isto, creio que essa opção vem no seguimento do inquérito da editora aos professores. A maior parte os professores são apologistas do volume único. Por acaso eu não, precisamente porque já ando tão carregado que um manual da dimensão do Arte é de arrepiar. O argumento dos professores é plausível que é: podem precisar das matérias que estão lá mais para trás e os alunos depois não tem o volume 1 nas mãos. Mas a verdade é que um manual pesado é dissuasor – até para mim – para carregá-lo.
2º O manual não devia ser tão bom para não provocar muita onda.
Aires Almeida, Célia Teixeira, Desidério Murcho, Paula Mateus, Pedro Galvão, A Arte de Pensar, Didáctica, 2008


publicado por rolandoa às 23:58

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72 comentários:
De António Paulo a 14 de Abril de 2008 às 22:34
Olá Rolando
Dos 10 novos manuais do 11º ano, até ao momento apenas não conheço dois (o manual da asa e o logos da santillana ). Tenho ido praticamente a todas as apresentações , e por isso já tenho alguns manuais desde o final do 2º período, o que me permitiu poder fazer uma análise com mais tempo.
Dos 8 manuais que conheço , três deles são excelentes: em primeiro lugar, para mim, surge o arte, logo seguido de muito perto, do manual do Luís Rodrigues. O manual do Luís Rodrigues melhorou bastante em comparação com o do décimo ano. A seguir vem o criticamente. Continua um manual com muito rigor, tal como o do 10º ano e houve até da parte dos autores a tentativa de tornar a linguagem utilizada mais acessível para os alunos, contudo, esta tentativa não está presente em todos os capítulos, o que é pena.
A seguir, a uma considerável distância , mas ainda num nível bom aparecem os manuais da areal (percursos) e da lisboa editora (em diálogo).
Com uma qualidade satisfatória, por esta ordem, surgem o contextos, o pensar azul e este amor pelo saber.
Esta é a avaliação (subjectiva, porque é minha) que faço dos 8 manuais que até ao momento conheço.
Um abraço
De rolandoa a 15 de Abril de 2008 às 01:00
Olá Paulo,
Obrigado pela análise, muito útil. Tenho mais dois manuais em análise que me chegaram hoje. Vou ver se ainda hoje publico mais uma crítica e outra devo publicar amanhã.
Abraço e mais uma vez obrigado
De Anónimo a 15 de Abril de 2008 às 16:25
Ó Rolando,

tu afirmas que não tens interesses comerciais no Arte; eu acredito facilmente. Mas é bem visível que tens "interesses ideológicos". Tal como o António Paulo. Manual analítico é bom; os outros são, no máximo, razoáveis.

Enfim... catecismos...

(tencionava identificar-me, mas não o vou fazer por uma razão: por aqui se ter insinuado que o anonimato é próprio dos cobardes. Ao contrário, entendo que o anonimato não tem qualquer problema: o que interessa são as ideias, independentemente de serem escritas por A ou por B).
De rolandoa a 15 de Abril de 2008 às 16:43
Viva Anónim o,
Pá, não me importo nada que me faças acusações, mas vais ter de as justificar se queres que te leve a sério. Imagina lá que eu estava a defender manuais como o Pensar Azul como os melhores para o ensino da filosofia. Que interesses ideológicos vias aí? Nenhuns? E o programa de filosofia tem ou não interesses ideológicos? Eu penso que não, mas seguindo o teu raciocínio até deve ter. A menos que sejas como os pós modernos que até na ciência e na sua investigação conseguem ver interesses ideológicos, quando eles é que os tinham. Eu não tenho crises com teorias da conspiração. Não, não tenho qualquer interesse ideológico. Tenho interesse em ensinar bem a filosofia. Tu não?
Abraço
De rolandoa a 15 de Abril de 2008 às 17:09
Anónimo,
Ainda faltou dizer uma coisa. vais ter de dizer o que é um manual analítico. A primeira vez que falei na tese CVJ a muitos colegas, incluindo universitários, todos me disseram que era a versão analítica. Ora bem, de todos os manuais que vi até agora, todos falam da tese CVJ. São analíticos? Ou semi analíticos? Vais ter de ajudar a definir isso. :-) Essa conversa do analítico não te soa um bocado tonta?
De António Paulo a 15 de Abril de 2008 às 18:15
Caro anónimo
O Rolando já respondeu ao seu post e por isso faço minhas as palavras dele.
A mim não me move qualquer interesse ideológico até porque eu não "encaixoto" em nenhum "ismo". O que me move é o ensino da filosofia. O que me move é o rigor. O que me move é a adequeação científica e didáctica dos manuais.
Mas é do mais elementar bom senso, que até o caro anónimo pode reconhecer, o reconhecimento do mérito dos autores do arte. Logo nas primeiras edições do arte (quer do 10º quer do 11º ano) os autores incluiram conteúdos (o Rolando lembrou a cvj, mas podíamos lembrar outros) que mais nenhum manual na altura referia. Nestas novas edições todos os manuais (uns pior, outros melhor, e a maior parte, tem de reconhecer, não são "analíticos") referem esses conteúdos. Em que ficamos? Vamos permanecer nesta atitude de diabolização?
Eu concluo aquilo que Platão há muito afirmava: o arquétipo é mais "real" que as cópias.
Saudações
De Pedro Lopes a 15 de Abril de 2008 às 18:36
Caro Rolando,

Todo o entusiasmo que via em si e me contagiava soçobrou no momento em que li esta entrada. Então apela aos colegas para uma análise crítica dos manuais e assume uma atitude dogmática perante um deles! Da sua incapacidade para avaliar criticamente o Arte de Pensar extraio a seguinte ilação:
-» O Rolando não consegue avaliar um manual sob o ponto de vista dos alunos, mas qualifica um manual pela sofisticação filosófica que ele contém, pela suposta novidade (como se a actividade filosófica se pudesse esgotar nos trabalhos de Singer e outros que tais, mas nem é melhor ir por aí, porque a sua argumentação já a conheço de cor). Consequentemente, o Rolando não pensa no que quer que os alunos efectivamente aprendam, mas no que quer ensinar.

Vou-lhe apresentar algumas limitações do modelo Arte de Pensar, seguidamente apresentar-lhe-ei algumas vantagens.

Limitações:
-» demasiado académico, envolvendo os alunos em disputas pouco significativas para os seus interesses e desadequadas à sua bagagem conceptual;
-» os textos são demasiado curtos para que o aluno possa trabalhá-lhos com qualidade e com autonomia; alguns textos são desadequados; por exemplo, o manual do Luis Rodrigues contém textos mais apelativos, apresentando argumentos filosóficos sem a necessidade de recorrer a fontes primárias como garantia de exlusividade para se trabalhar determinado problema; assim, as aulas, baseadas neste manual, são pouco socráticas;
-» apresenta avulsamente objecções a argumentos clássicos, julgando confusamente que assim promovem o pensamento crítico nos alunos, quando os confundem;
-» seguir este manual torna as aulas monótonas, sempre iguais, sempre o mesmo modelo e os alunos chegam a um ponto que se confundem com tanta parra e pouca uva;
-» contém poucas novidades em relação ao manual anterior, o que faz com que daqui a uns 6 anos se esteja a leccionar o que se leccionava há 10, quando este manual apareceu; (este erro é cometido por quase todos os manuais);
-» a análise comparativa de duas teorias epistemológicas está demasiado desequibilibrada: o texto sobre Descartes supera em muito o de Hume; Hume é apresentado de um modo útil para os professores que pouco conhecem de Hume, mas inútil e inacessível aos alunos;
-» O programa indica 8 aulas para o tema do "Conhecimento científico"; a leccionação deste tema por este manual esgota o dobro das 8 aulas, porque não tenho a sorte de leccionar em escolas onde os alunos são todos bons, aprendem à primeira explicação com estratégias pouco diversas; E já agora que interesse tem o modelo nomológico?!
-» o manual não apresenta diversidade de estratégias que é um princípio fundamental defendido no Programa e não um artificialismo do eduquês; e como gosta de comparar a filosofia à biologia, olhe que em biologia, os professores diversificam estratégias: discutem filmes; comentam poemas; etc

Vantagens:
-» esteticamente agradável e estimulante;
-» bom percurso didáctico, mas não pedagógico, partindo de problemas, argumentos, objecções.
-» boas questões para discussão e debate;
-» boa selecção de temas da cultura científico-pedagógica;

Cordialmente,
Paulo Lopes

De Pedro Lopes a 15 de Abril de 2008 às 18:40
Errata:

Leia-se no final do comentário, em vez de problemas da cultura científico-pedagógica, problemas da cultura científico-tecnológica.
De Anónimo a 15 de Abril de 2008 às 20:00
Caro Rolando: Concordo absolutamente consigo. Agora todos os manuais falam da tese CVJ. São analíticos? Não. O que acontece é aquilo que todos sabem mas ninguém diz: os autores do Arte, às escondidas, tentaram enganar todos os colegas e todos os que gostam de filosofia: produziram as "orientações" à luz do seu manual. Ninguém ligava nada àquele manual, mas tentaram desta forma obrigar todos a seguirem a versão analítica. Em parte conseguiram, porque os outros manuais foram obrigados a seguir esta linha. O que vale é que toda a gente percebeu, até o ministério... foi é um pouco tarde... Foram estes autores que, por isso, acabaram com o exame de Filosofia!!!!
É verdade... eu também não assino o meu comentário. E agora? o que é que vai acontecer? Mas se quiserem eu invento um nome... Pode ser ASDRUBAL
De António Paulo a 15 de Abril de 2008 às 20:11
Caro anónimo
Tem de ter mais cuidado com a argumentação que utiliza. Suponhamos que o que diz é verdade. Suponhamos que as orientações foram feitas a partir do arte.Se fosse assim as orientações eram vinculativas, teriam os outros manuais que segui-las. Certo. Acontece que elas já não estão em vigor. Como é quer os outros manuais, que não seguem a orientação analítica, as seguem? Não bate a bota com a perdigota.
De Anónimo a 15 de Abril de 2008 às 20:17
É simples: durante um ano estiveram em vigor. Todos nós fomos obrigados a alterar as práticas lectivas. O natural é que a partir dai seguíssemos as orientações, mesmo que elas não estivessem em prática. O Arte continua a segu-las, como os outros. porque será?
De António Paulo a 15 de Abril de 2008 às 20:40
No ano passado já não estavam em vigor e foi ano de elaboração de novos manuais. Este ano não estão em vigor e foi ano de elaboração de novos manuais. Se as orientações não estão em vigor, os manuais não são obrigados a segui-las se considerar que não são correctas ou se são tendenciosas.
Se os manuais as continuam a seguir, apesar de não estarem em vigor, é porque são correctas e não são tendenciosas. E lá se vai a sua argumentação. E usando as palavras da Sónia Marques "ora está tudo dito". Ainda que eu pessoalmente acredite que nunca está tudo dito. Mas parece quer há quem pense assim. Porque será?
De Anónimo a 15 de Abril de 2008 às 20:49
Não sei o que é que as orientações podem ter de correcto ou incorrecto. São orientações! Não vale a pena estar com este discurso armado ó lógico, que eu não me intimido... As orientações são orientações, ponto. A questão é a jogada suja que foi feita e, repito: durante um ano estiveram em vigor. Todos nós fomos obrigados a alterar as práticas lectivas. O natural é que a partir dai seguíssemos as orientações, mesmo que elas não estivessem em prática. Por isso, os manuais também seguiram
Foram estes autores que, por isso, acabaram com o exame de Filosofia!!!! Foram estes autores que iniciaram o fim da Filosofia no nosso país!!!!
De António Paulo a 15 de Abril de 2008 às 20:56
Se o exame de filosofia terminou tal não se deveu à existência de orientações mas se calhar à existência de muitos professores que preferiram continuar a dar a sua pseudo-filosofia, porque o contrário dava muito trabalho. E se um dia a morte, tantas vezes anuinciada pelo anónimo, da filosofia se concretizar tal dever-se-á a essas práticas pseudo-filosóficas, que parece muitos profesores ainda têm.
Quanto às acusações que faz aos autores do arte, não merece resposta, pois parece dever-se a algum delírio de uma tarde de primavera.
De Sónia Marques a 15 de Abril de 2008 às 20:33
Ora está tudo dito
De Rui Duarte a 15 de Abril de 2008 às 20:56
Asdrúbal, levantar esta questão nesta altura do campeonato é uma atitude tão ameaçadora à qualidade do ensino como apresentar no final do ano aos seus alunos os critérios de avaliação. Eu não sou defensor de um manual, porque felizmente são cada vez os bons manuais. Mas os bons manuais como já aqui foi referido, estão cada vez melhores porque imitam o Arte de Pensar. Se o Asdrúbal Anónimo não considerar, pensando nos seus alunos, que ensinar pelo Arte tem vantagens, então continue a leccionar pelos manuais híbridos e obscuros que epidemicamente se têm tornado num vírus difícil de curar. Felizmente, curei-me no momento em reconheci que estava doente. Ainda que não aprecie a filosofia analítica, tenho a capacidade de me descentrar dos meus interesses e reparar que há modos de ensinar filosofia mais eficientes. Mas ninguém lhe está a apontar uma arma para deixar de ensinar como sempre ensinou se continuar a acreditar que possui a fórmula para a boa prática lectiva. Se possui a fórmula para a boa prática lectiva, partilhe-a connosco ou então redija um manual (se é que já não o fez) e seja honesto em receber as críticas.
De Anónimo a 15 de Abril de 2008 às 21:39
É mesmo assim: o mundo é de índios e cowboys, de preto e de banco: existem os pecadores, aqueles que ainda não viram a luz e existem os iuminados. De um lado a Filosofia, do outro a pseudo-filosofia; de um lado os argumentos consistentes, do outro a pseudo-lógica; de um lado o ensino da filosofia, do outro o eduquês. Enfim, de um lado o Arte e do outro tudo o resto. Que mundo colorido, o seu...
De António Paulo a 15 de Abril de 2008 às 21:59
E no meio há aqueles que mandam umas "papaias".
A consistência dos argumentos não interessa. A verdade das premissas muito menos. Se alguém pretende disputar alguma premissa, parte-se para o ataque falacioso. O que interessa é o ruído que se faz.
Que interesses é que estarão por detrás deste ruído todo?
Disto tudo pode-se fazer muita literatura. De cordel. Mas de filosofia não se vê nada.
De rolandoa a 15 de Abril de 2008 às 22:03
Caro Pedro,
Antes de tudo agradeço a sua colaboração. Como acho que o Pedro fez uma série de confusões no que disse e lhe encontrei algumas contradições, resolvo-me a expô-las:
“Todo o entusiasmo que via em si e me contagiava soçobrou no momento em que li esta entrada. Então apela aos colegas para uma análise crítica dos manuais e assume uma atitude dogmática perante um deles! Da sua incapacidade para avaliar criticamente o Arte de Pensar extraio a seguinte ilação:”
Não acredito no que está a dizer. Então deixou de acreditar no que escrevo só neste texto? Mas mais à frente o Pedro diz que conhece o que escrevo de cor.
“O Rolando não consegue avaliar um manual sob o ponto de vista dos alunos, mas qualifica um manual pela sofisticação filosófica que ele contém, pela suposta novidade (como se a actividade filosófica se pudesse esgotar nos trabalhos de Singer e outros que tais, mas nem é melhor ir por aí, porque a sua argumentação já a conheço de cor). Consequentemente, o Rolando não pensa no que quer que os alunos efectivamente aprendam, mas no que quer ensinar.”
O Singer e outros que tais são os filósofos vivos. O Pedro Lopes entusiasmava-se comigo, mas conhece a minha argumentação de cor? Explique-se lá. Então e eu penso no que quero ensinar? Que mal há nisso? Ainda bem não? Precisamente por essa razão é que tenho mudado a minha prática lectiva e adoptado formas que correspondem mais às necessidades dos meus alunos. Que mal vê nisso? Então são os que querem continuar com tudo na mesma os que mais se interessam pelos alunos? Ou os que por pensar neles propõem mudanças? Veja lá se é quem ensina filosofia com Piaget e a Formiga Z que mais se interessa pelos alunos, ou por lhes ensinar filosofia.
“demasiado académico, envolvendo os alunos em disputas pouco significativas para os seus interesses e desadequadas à sua bagagem conceptual;”
Pois, um manual tem mesmo de ser académico, queria que fosse um livro de bolso para ler na praia? Desadequado aos nossos alunos? Isso é falso Pedro, mas faça o que eu já fiz para provar o que lhe digo: pegue numa qualquer parte do manual, leve o Arte aos alunos e um outro manual e pergunte-lhes qual preferem para estudar. Talvez se surpreenda. Eu não sei o que o Paulo considera significativo estudar em filosofia senão os problemas filosóficos. Mas vamos lá ver algumas coisas:
As disputas pouco significativas a que se refere o Pedro são as disputas filosóficas levadas a cabo pelos filósofos. Não as conhece? Considera pouco adequadas estas discussões para os alunos? Então o que acha que é adequado? A metafísica do azul? Bem, mas o Pedro pode estar a pensar que é desadequado à bagagem conceptual dos alunos, mas é por essa razão que a sua bagagem cultural tem de ser alargada e o Arte é dos manuais que melhor faz esse trabalho e dos mais acessíveis. Mas é engraçado que o Pedro refere logo a seguir que os textos são demasiados curtos para que o aluno possa trabalhá-los com autonomia. Quer isto dizer que neste caso os alunos já têm a tal bagagem conceptual para enfrentar grandes textos de filosofia? Creio que o Pedro está a contradizer-se sem se aperceber. Quer dizer, os alunos não estão à altura das disputas filosóficas, mas precisam de textos mais longos para trabalhar com autonomia. Isto não faz sentido e seria de esperar o contrário, pelo que tinha acabado de referir antes. Além disso, o Arte recorre a fontes primárias (os textos dos próprios filósofos) porque já fez antes o trabalho que se espera das fontes secundárias. Isso é o trabalho dos próprios autores, preparar os alunos para aceder aos textos dos próprios filósofos, ou o Pedro pretende que os alunos passem pelo secundário inteiro sem contactarem com as ideias dos próprios filósofos?
Mas também lhe digo que não sei porque é que comparou o Arte com o manual do Luís Rodrigues, dado que não são manuais que se distanciem muito em termos de exploração dos problemas filosóficos, não desmerecendo a qualidade de cada um em particular.
As aulas são socráticas quando se enfrentam directamente os problemas e se discutem, apresentado razões, argumentos, contra-exemplos, etc. tal como o fez Sócrates e quando se confrontam os alunos com os próprios problemas. Isto é que são aulas socráticas e é precisamente isto que o Arte propõe. (Continua)
De rolandoa a 15 de Abril de 2008 às 22:03
“» apresenta avulsamente objecções a argumentos clássicos, julgando confusamente que assim promovem o pensamento crítico nos alunos, quando os confundem;”
Ora aqui está uma coisa que nem aos alunos se deve permitir, que é fazer afirmações sem as sustentar se é isso um exemplo de discussão socrática.
As objecções não são apresentadas avulsamente, mas no momento adequado e a propósito do que estava em discussão. As objecções vêm sempre a propósito do que se discutiu imediatamente antes e são objecções clássicas da filosofia. Pedro, “avulsamente” quer dizer exactamente o que o Pedro fez: atira umas críticas mas não as fundamenta.
já agora, como é que se promove o pensamento crítico dos alunos? é dizer-lhes que a teoria tal diz P e mais nada? Gostaria que o Pedro me desse uma pequena ideia do que é o pensamento crítico e de como ele se exercita.
“-» seguir este manual torna as aulas monótonas, sempre iguais, sempre o mesmo modelo e os alunos chegam a um ponto que se confundem com tanta parra e pouca uva;”
Exacto Pedro. E o que sugere para diversificar as aulas? Que se ensine a tocar piano? Se o Paulo acha que as aulas pelo Arte são monótonas é porque acha a filosofia monótona. Claro que se se fizesse uns manuais com fotografias do Cristiano Ronaldo e de umas miúdas engraçadas, isso parece mais motivante (o que até é falso). Claro que jogar à bola é mais motivante que ensinar e aprender filosofia. A filosofia ensina-se com os seus problemas e a discussão activa e crítica desses problemas.
“-» contém poucas novidades em relação ao manual anterior, o que faz com que daqui a uns 6 anos se esteja a leccionar o que se leccionava há 10, quando este manual apareceu; (este erro é cometido por quase todos os manuais);”
Depende do que daqui a 10 anos se estiver a estudar e a fazer na filosofia. Mas também é falso que o manual pouco adiante em relação à edição anterior. Não viu bem, entre outras, a unidade da lógica. Nesta edição há autores novos e novos textos. Mas se estivesse igual à edição anterior que mal havia? Para isso o Paulo teria de mostrar que a edição anterior era má e ainda não o fez.
“-» a análise comparativa de duas teorias epistemológicas está demasiado desequibilibrada: o texto sobre Descartes supera em muito o de Hume; Hume é apresentado de um modo útil para os professores que pouco conhecem de Hume, mas inútil e inacessível aos alunos;”
Supera em quê? Em tamanho? Não percebo a crítica que faz.
“-» O programa indica 8 aulas para o tema do "Conhecimento científico"; a leccionação deste tema por este manual esgota o dobro das 8 aulas, porque não tenho a sorte de leccionar em escolas onde os alunos são todos bons, aprendem à primeira explicação com estratégias pouco diversas; E já agora que interesse tem o modelo nomológico?!”
Também não tenho a sorte de ensinar numa escola onde os alunos são todos muito bons. Essa é uma das razões que me faz preferir o Arte em relação a muitos outros manuais. O Paulo não tem de ler o manual nas suas aulas. Não quer leccionar o modelo nomológico porque não o acha importante ninguém o obriga a fazer.
“o manual não apresenta diversidade de estratégias que é um princípio fundamental defendido no Programa e não um artificialismo do eduquês; e como gosta de comparar a filosofia à biologia, olhe que em biologia, os professores diversificam estratégias: discutem filmes; comentam poemas; etc”
Paulo, em biologia comentam-se poemas? Curioso que se faça isso. E, nas aulas de literatura o que se faz? Comenta-se o evolucionismo? Não achas que está a trocar as coisas todas? De todo o modo pode reservar umas aulas suas para pintar o muro da escola com os seus alunos. Só não lhe pode é chamar argumento filosófico. As coisas são mesmo assim.

Abraço
Rolando Almeida
De Pedro Lopes a 15 de Abril de 2008 às 23:01
Caro Rolando:

Atente no seguinte: o Rolando instigou os colegas para intervirem numa espécie de debate público sobre os manuais. Alguma coisa contra? Não, muito pelo contrário. Aprecio um bom debate quando nele intervêm pessoas inteligentes e bem (in)formadas, o que não tem sido o caso nesta caixa de comentários. Fiquei desiludido quando analisa determinados manuais de um modo imparcial e esbarra no Arte, sem travões ABS, e colide com o princípio que quis perpetrar: discutir racional e imparcialmente os manuais. É que se todos os manuais são dispensáveis excepto o Arte, se era essa a sua intenção inicial, então está a fazer-nos perder tempo. Porque toda a gente sabe que não existem manuais perfeitos. Toda a gente sabe que o Arte apresenta um modelo interessante para os professores, ainda que prive muitos desses professores de ensinar o que aprenderam na faculdade... mas isso nem é relevante, porque o que aprendemos na faculdade são tudo balelas, e uns seis inspirados descobriram o Graal do ensino da filosofia. Francamente Rolando, acha que está a passar uma imagem fiel do que pretende nos seus alunos? Kant é assim assim, Platão mais ou menos, Descartes come-se, mas o melhor é mesmo Bertrand Russell, ...esqueçam os outros. "Mas professor", pergunta um aluno mais ousado, "Platão não foi um grande filósofo?", "Não", responde o professor inspirado, "Isso é o que aprendi na faculdade, que bem vistas as coisas, não foi nada de jeito. Façam tábua rasa do que eu vos ensinei nos últimos dois períodos, concentrem-se em Russell". Está a perceber o que quero dizer?

Apresentei-lhe algumas limitações do Arte. Mostrou-me de um modo pouco convidativo à reflexão que não argumentei. Agora não admite que a sua capacidade de discernimento está um pouco toldada por certas autoridades. È que se esse for o critério, todos nós temos as nossas autoridades.
O capítulo da Lógica está fresco e arejado, embora ache escusado a lógica estóica. Repare que temos apenas 5 aulas para leccionar essa unidade, mas junte-lhe mais umas cinco para praticar, exercitar, e mesmo assim não chegamos à lógica estóica. No entanto, é uma boa opção para quem quiser, mas não será por aí que qualifica o manual, pois como lhe disse, o manual é bom para os professores.
Os alunos não são objecto de consideração por estes autores. Repare no nível de linguagem que o manual apresenta, ainda que contenha em algumas secções diálogos claros. O tema "Filosofia e sentido" está desinteressante, faltava-lhe um pouco de filosofia continental, que mal há? os filósofos continentais pensaram muito nisso.
Cordialmente,
Pedro Lopes
De Mário Silva a 15 de Abril de 2008 às 23:17
Caro Pedro:

Já tive oportunidade de, numa outra entrada, tecer alguns comentários sobre o enquadramento deste blogue e a abordagem que faz dos vários manuais.
O Pedro concretizou, de uma forma muito clara aquilo que eu penso! Este manual tem os seus méritos e limitações... A questão é que todos os outros também têm mérito e limitações. Não se pode é de uma forma acrítica fazer tudo terra-de-ninguém, como se todos aqueles que não leccionam com o Arte fossem parvos ou da escola do eduquês.
De Pedro Lopes a 15 de Abril de 2008 às 23:43
Mário, concordo consigo! Todos os manuais têm limitações. Essas limitações dependem bastante do contexto onde vão ser aplicados. No entanto, os seguidores do Arte, nem sempre são correctos, e é isso que me aborrece, na abordagem que fazem das diferenças. Diminuem, ridicularizam, escamotizam o programa, a formação superior, só porque a filosofia não é só o que eles julgam que é. Este tipo de discurso retira qualquer privilégio que os autores e admiradores possam ter. Por vezes, parece-me que estes autores estão a fazer o que o Big Brother fez, criar uma Novinlíngua. Então suprime-se uma série de noções não porque estao erradas, mas porque não sao convenientes. E fazem-no de um modo bem pior que o Big Brother, porque tratam os colegas como se de embalagens de um produto que não passou ao teste de qualificação se tratasse: ou porque falam o "eduquês" ou porque são "pós-modernaços". Alguém inventou um rótulo para eles: "analíticozóides"? Para quê? Uma coisa de que a filosofia nos pode ensinar é respeitar as diferenças e aprender com elas. E tenho-o feito com o Arte, sem perder a capacidade para julgar por mim mesmo algumas dessas limitações. Mas, o melhor é nao falar muito, porque estão constantemente a passar-nos atestatos de estupidez!!!!
Um abraço
De Mário Silva a 15 de Abril de 2008 às 23:48
Mais nada...
De rolandoa a 15 de Abril de 2008 às 22:09
Caro Asdrúbal,
O blog é um, espaço para os colegas de filosofia partilharem ideias e experiências, para além de discutirem as suas matérias, pelo que é sensato que se apresente. Se quer bricar aos nick names eu também tenho a possibilidade de apagar os seus comentários. mas não o faço porque eles são úteis: então o Asdúbal não sabe que os autores do Arte, membros do CEF foram das vozes mais activas a defender o exame nacional de filosofia, mesmo antes da orientações? Vá ao site do CEF e leia o que lá está. E, seguindo o seu raciocínio, que dizer de outros manuais? que seguem a linha do programa? Ora reveja lá as suas afirmações.
De Anónimo a 15 de Abril de 2008 às 22:19
Tem toda a razão. Cmo queriam o exame fizeram as orientações. Deram foi um tiro no pé.
Como tudo isto já doi, está completamente à vontade para retirar os comentários.
De rolandoa a 15 de Abril de 2008 às 22:25
Caro Asdrúbal,
Não coloque a dor onde ela não existe. Já agora, tem alguma crítica a fazer ao manual? Quer escrevê-la, argumentá-la, apontar os erros que eu tenho gosto em publicá-la?
De António Paulo a 15 de Abril de 2008 às 22:31
Quando quiser discutir racionalmente aqui me terá, mas como mantém a postura da atoarda, não lhe vou dar mais o prazer de voltar a entrar em diálogo.
O anonimato já não é apenas cobardia, mas mau carácter e ordinarice.
Se reflectisse antes de escrever e lesse o que escreve veria a incongruência do que afirma.
Primeiro afirma que "Foram estes autores que, por isso, acabaram com o exame de Filosofia!!!!", dixit. Depois afirma "Cmo queriam o exame fizeram as orientações." (sic). Além de ser inconsistente com o que afirma, não fundamenta.
Caro, a filosofia não é o futebol nem os professores de filosofia são dirigentes desportivos.
Com a sua atitude está a prestar um péssimo serviço à filosofia. Mas quem sabe se não é esse o seu propósito.
De rolandoa a 15 de Abril de 2008 às 23:37
Caro Pedro,
Obrigado pela resposta. Li lá em cima mas respondo-lhe cá em baixo (é da organização dos comentários no blog)
Ora bem não concordo com a primeira parte do seu texto por duas razões:
1º porque eu não o faço como o Pedro sugere, nas minhas aulas;
2º porque esse é o discurso que ouvi na licenciatura: Heidegger é que é! Russell era um tecnocrata da filosofia.
E isto é que eu não compreendo. Depois, é falso que queira atingir o Arte por aí, uma vez que o manual privilegia mais Platão, Descartes ou Aristóteles do que Russell.
Além do mais é verdade que o Arte de Pensar é um bom manual e há muitas razões que me fazem pensar isso, com efeito, tenho outros manuais que devo gostar, simplesmente ainda não me chegaram às mãos, coma excepção do manual de Luis Rodrigues que me chegou hoje e que estou neste preciso momento a analisar.
Em relação à segunda parte do seu comentário, acho curioso que o Pedro questione o manual e não questione o programa. Revelava muito do seu sentido crítico, uma vez que eu não sei como é que é possível ensinar lógica em 5 aulas apenas.
Também é falso que falte filosofia continental ao manual. Basta fazer uma lista dos filósofos principais abordados no manual e ver quantos continentais existem. Depois, isso não me parece sequer importante. O Pedro contradiz-se e depois não quer que eu o chame a atenção: qual é o problema da nacionalidade dos filósofos? O importante são os problemas da filosofia e a sua discussão e não a nacionalidade dos filósofos. O programa até podiacontemplar filosofia oriental, qual o problema?
O Pedro não pode pensar que por discordar do que me diz que sou dogmático e me guio pela autoridade. Isso não é justo da sua parte. Sejamos francos: os autores do Arte tem um fórum no qual estão 365 dias ano disponíveis para ajudar os professores e alunos, pedem a opinião aos professores sobre o manual, os outros limitam-se a acumular recortes durante anos que depois compilam e o Pedro insinua que os autores do Arte não querem saber dos alunos? Fala na linguagem do manual? Dê-me exemplos em que o manual não é claro, senão estamos a falar no vazio. Faça como eu faço nas minhas críticas, dando exemplos factuais.
O Pedro não me vai convencer do que defende atirando-me que tenho a mente dominada pelos conspiradores do Arte, caso contrário eu também posso fazer essa malandrice consigo. Vai ter de me dar exemplos concretos para que possamos discutir.
E os autores não vêm dizer a ninguém que decobriram o graal e que os outros estão todos enganados; os autores do arte fizeram o manual que acharam mais adequado e que melhor souberam fazer: quem achar bom usa, quem não achar não usa ninguém está a impor o que quer que seja, acho eu.
Abraço
De Pedro Lopes a 16 de Abril de 2008 às 00:03
(no meu último comentário, leia-se escamoteiam em vez de escamotizam... é o cansaço de um velhote!)

Caro Rolando,
Quando mencionei alguns filósofos tratava-se de uma metáfora ou de uma imagem mental como deve preferir. Eu posso mostrar-lhe que alguns dos temas são demasiado técnicos para alunos do 10/11 anos e que em vez de exercitarem o pensamento crítico e autónomo, confundem-nos. Repare no capítulo dedicado à teoria do conhecimento. Inicia-se e bem com a definição de conhecimento, depois de se enquadrar três tipos de conhecimento. Bom, será que existem apenas três tipos de conhecimento? É envolver os alunos numa confusão, porque os filósofos não se interessam pelo conhecimento proposicional. Onde é que Platão diz que está a definir conhecimento proposicional? Platão está a definir "epistéme" que mais tarde se traduzirá por conhecimento científico. Como sabe, conhecimento científico era o conhecimento das essências, dos "eidos". A leitura facilitista, mas confusa para os alunos, de que Platão pretende encontrar as condições necessárias para definir conhecimento é falso. Platão nem sequer dá uma resposta ao que entende por conhecimento. Ou seja, aproveitou-se uma hipótese, porque o Teeteto é um diálogo aporético, sujeita ao exame crítico, mas que não é a resposta de Platão. Mas, enfim, tolera-se. Depois confronta-se a "resposta" de Platão com os contra-exemplos de Gettier. Diga-me que relevância tem falar de Gettier no ensino secundário? Olhe tanta, que no meu tempo de faculdade nunca ouvi falar dele. Acho útil apresentar algumas objecções, Russell também as faz, mas considera que está claro para os alunos? Estamos a enganá-los, porque Gettier não tem assim tanta relevância filosofica e actual? Teve-a pontualmente, num determinado contexto filosófico.

Falei-lhe de Hume. Hume é dos filósofos, a meu ver, mais próximos das ideias que os alunos têm sobre os problemas da origem e possibilidade do conhecimento. Ora, poder-se-ia aproveitar esse facto para apresentá-lo de um modo menos académico e específico, para o apresentar de um modo mais claro. Entendo por clareza a adaptação à linguagem dos alunos. Repare que o próprio Rolando chegou a dizer que aprende filosofia todos os dias com livros de divulgação. Ora, os livros de divulgação são escritos para o público geral. Então, se um professor de filosofia aprende filosofia com livros escritos para um publico geral, porque é que os alunos têm de levar com teorias de Desidério, Galvão e outros, sobre as suas áreas de especialidade enquanto académicos? Já pensou nisso? Já alguma vez colocou a hipótese de estes senhores escreverem bem para nós e apresentarem teorias éticas, epistemológicas, etc de um modo pouco adequado aos alunos? Quantas vezes os alunos me dizem que não percebem o que o livro diz, que preferem as minhas explicações? E lecciono com o Arte do 11 ano, por minha culpa. :(
Cordialmente
Pedro Lopes
De Mário Silva a 15 de Abril de 2008 às 23:58
Repare, Pedro, no enquadramento logo na entrada dos comentários a este post.
O António Paulo apresenta as suas preferências de manuais. Não justifica (nem tem que o fazer!) as suas opções: está apenas a dizer quais prefere (por ordem).
O que é que o Rolando escreve depois? "Obrigado pela análise, muito útil". Que análise? Que utilidade? Isto não é nada!
De Pedro Lopes a 16 de Abril de 2008 às 00:28
Rolando, a propósito do Programa:

Eu não vou discutir um documento que tem legitimidade conferida pela sua homologação. Hoje em dia, e olhe que ando nisto há alguns anos, discute-se porque o programa é aberto. Houve alturas em que se discutir porque era fechado. Mas atente neste facto: este programa é o melhor que poderiamos ter conseguido, porque permitiu diversidade e deu-nos oportunidade de usufruirmos de liberdade de expressão que ainda é o meio mais louvável para esbater determinados dogmatismos. Já se tentou colocar na posição dos autores dos manuais: acha que andam nisto há pouco tempo ou que não passaram pela experiência do ensino secundário? Se conhecer o seu perfil, verá que não.
Este Programa foi elaborado desta maneira porque permite aos professores optarem por ensinar (e chamemos-lhes pelos nomes) consoante um metodo mais hermenêutico e mais analitico. E há por aí muita confusão: o método hermenêutico não exlcui o socrático. O ensino de filosofia deve ser socrático. E tanto se pode ensinar socraticamente por um mau manual como por um bom manual. O método socrático não vem imprimido no manual mas está inscrito no professor. Que lhe adianta ensinar pelo Arte ou pelo Warburton se o seu estilo, imaginemos, é mais expositivo e pouco inquisitivo. Isso tem que ver com o método dos professores e não com a configuração de um manual.
Ainda quanto ao Programa: se indica 5 aulas para a Lógica serve precisamente para se evitar logicizar o ensino de filosofia. Pode parecer-lhe uma má opção, mas como o Programa é aberto, dá-lhe a oportunidade de dispor de mais aulas. O Programa insiste na diversificação de estrategias e de recursos. A selecção de estratégias e recursos cabe ao professor, mas o manual é um excelente guia didáctico se orientar o professor nessa selecção. Repare que de todos os manuais com que trabalhei, o Arte era o que menos obedecia a este princípio fundamental. E é fundamental porque se encontra legitimado pelo Programa. Se puséssemos o Programa de parte, permitia-nos a imprudência de nos reunirmos com uns 6 ou 7 colegas e reinventarmos o ensino. Nem todos os alunos aprendem da mesma maneira. Aliás, nem os professores aprendem da mesma maneira. Eu aprendi Filosofia com o velhinho Discurso do Método e com a Metafisica de Aristóteles. O Rolando aprendeu com os textos de divulgação. Há algum mal nisso? Claro que não! Então porque não dar essa mesma oportunidade aos alunos, a de aprenderem a beleza de uma idea através de um filme, de um texto literário, através de debate orientado ou através do visionamento de um filme. Os alunos não gostam de filosofia pelas mesmas razões: alguns gostam porque os obriga a pensar correctamente outros pela oportunidade que têm em se confrontarem com problemas que indagam sobre a sua existência. E cabe a nós articular isso, sem erradicar uns em detrimento dos outros.

Mário, boa observação. Parece que cabe a nós o ónus da prova! :)
De rolandoa a 16 de Abril de 2008 às 01:18
Caro Pedro,
È evidente que Platão não refere que vai definir conhecimento nem precisa disso, basta perguntar: mas o que é conhecer algo? O que é saber algo? Para se definir não tem de se usar a palavra definição.
Hoje em dia discutimos Platão com a linguagem que temos que é o resultado um trabalho de rigor. E é natural que Platão não fale de conhecimento proposicional, pois o termo ainda não fazia parte do léxico filosófico, mas ele quer saber, no Teeteto, o que é o conhecimento e quando fala do conhecimento fala do conhecimento de verdades. O conhecimento de verdades é o que qualquer filósofo chama hoje em dia de conhecimento proposicional. Repare que se formos por aí Platão também não fala de conhecimento científico pela razão de que não havia ciência tal como entendemos isso hoje em dia. O conhecimento para Platão é conhecimento das ideias, de acordo, mas isto porque a verdade reside nas ideias, mas isso não altera nada ao caso.

Além disso, em lado algum se diz que platão chegou a alguma conclusão, mas sim que o problema foi discutido por platão e que foi ele, na voz de Sócrates, que propôs a ideia de que não há conhecimento sem crença (isto é, que a crença é condição necessária para o conhecimento), que não basta haver crença, já que ela tem de ser verdadeira (isto é, a verdade tb é condição necessária) e que não basta ter crenças verdadeiras, pois também temos de ter razões (logos) para isso.
É verdade que Gettier não é um filósofo importante, mas daí não decorre grande problema, pois apresentou uma ideia boa importante no contra exemplo à tese da CVJ. Devemos desprezar as boas ideias? É assim que funciona o saber? Isto já parece os trabalhos de faculdade em que não nos levavam a sério se não apresentássemos bibliografias de 10 páginas que, na maioria dos casos, não foram lidas.
Se há coisa que os alunos percebem em dez minutos é a diferença entre os três tipos de conhecimento e não faltam exmeplos simples no manual desses três tipos de conhecimento onde está afinal a inadequação? Em falar de gettier? os alunos tanto ouviram falar de gettier como de Husserl para eles isso é completamente irrelevante do ponto de vista da adequação didáctica e pedagógica
Outro aspecto ainda do seu comentário e que creio ser infame: que os alunos tem de levar com as teorias do Desidério e do Galvão. Era bom que conseguisse mostrar uma só ideia deles que esteja no manual. Se conseguir mostrar isso de certeza que eles agradecem.
De C. Sobral a 16 de Abril de 2008 às 11:44
Caros colegas, estou a estrear-me nestas coisas de participar nos comentários na net. Decidi participar porque alguns comentários me incomodam bastante. Acho que as pessoas têm o direito de criticar os manuais que entenderem sem terem de ser acusadas disto e daquilo. O que é preciso fazer é mostrar que os argumento invocados não os melhores e não fazer processos de intenções. Perdoe-me o P. Lopes se estiver enganada, foi isso que vi nos seus comentários. Não conheço os autores do manual Arte de Pensar. Conheci apenas um dos autores numa apresentação a que assisti e gostei muito da apresentação, mas também do autor, muito aberto, sereno e simpático. Não me parece que queira impingir o que quer que seja a alguém. Fez apenas um manual e defendeu o que fez porque está convencido que fez o melhor,parece-me. Por acaso estava longe de pensar há uns anos atrás que me iria dar ao trabalho de assistir a uma apresentação desse manual, pois não simpatizava nada com os autores.Não me perguntem porquê, pois não sei. Ouvia muitas coisas e deixei-me levar (ok, eu sei que não é próprio de uma professora de Filosofia,mas acontece). Até que um dia tive mesmo de trabalhar com o manual e mudei de opinião. Mudei de opinião não porque os alunos percebem melhor as coisas com ele (eles até estão contentes com o manual) mas porque eu é que percebo melhor o que ensino com ele. E se eu percebo melhor as coisas (coisas que até aí não tinha ainda compreendido bem), acho que também émelhor para os alunos. É certo que isto não aconteceu de um dia para o outro e até, confesso,me deu algum trabalho. Tive de pôr de parte os velhos textos e o tipo de testes que fazia, o que não é lá muito agradável. Mas agora acho que já não navego aosabor do vento. Por isso tenho que agradecer aos autores do manual Arte de Pensar e de lhes pedir desculpa por já lhes ter chamado alguns nomes. Aprendi a lição. É assim que eu penso e espero que respeitem a minha opinião, embora possamdefender o contrário.

C.Sobral
De Valter Boita a 16 de Abril de 2008 às 12:35
Eu concordo com o comentário anterior. Ainda hoje perguntei aos alunos do 10º ano o que achavam do manual do 10º ano.Todos eles disseram-me que era muito claro e que explicava muito bem os conteúdos. Gostam sobretudo do destaque que se faz aos conceitos e às definições que estão redigidas numa linguagem acessível. Portanto, dizer que o manual é académico, como já li por aqui, é totalmente falso. Pergunte-se aos alunos. Eles são bons juízes, pois afinal o manual é para eles e não para os professores ensinarem apenas o que gostam de ensinar.

Os alunos repetentes que utilizaram um manual diferente, dizem que este é bem melhor.

Tenho alunos no ensino nocturno que já tiveram experiências passadas com outros manuais e têm-me dito que o manual é bom, claro e motivador. E até, de vez em quando, o lêem em casa.
Ora, apresentei factos! E é a partir destes factos que me faz considerar que o Arte de Pensar é o melhor manual editado. E o do 11º ano supera perfeitamente o do 10º, pois está mais contido, mais sintético e continua a orientar os professores para um ensino que consiga despertar os alunos para os problemas filosóficos e não para a ética catequética, já programada, que muitos manuais querem incutir nos alunos, violando um princípio filosófico fundamental que também aparece no Programa: o pensar por si mesmo.
Um abraço a todos

P.S: Trata-se de um manual em que vale a pena investir cerca de 28 euros, pois jamais se desactualizará como os outros que citam jornalistas, chefes de igrejas e de outras confissões religiosas. É que estes mudam e tanto servem de exemplo para a disciplina de Filosofia como de EMRC. Mas a diferença entre a disciplina de Filosofia e EMRC é que a primeira estuda filósofos e argumentos e não ideias bonitas que se gosta de colar na parece do quarto!
De rolandoa a 16 de Abril de 2008 às 15:26
Cara C Sobral,
Tirou-me as palavras da boca e a experiência da vida :-) aliado ao que a C Sobral referiu, tenho um gosto enorme em partilhar e é isso que faço com o blog, mesmo que denuncie entusiamo na filosofia e em poder ensiná-la, com vaidade, a adolescentes.
Claro que leva tempo, e muito. E termos de falhar nas nossas aulas não é lá muito agradável, mas tem de ser para obtermos o prazer final. Que dá trabalho dá, mas o gozo da filosofia é mesmo imenso. Epicuro tinha razão!
abraço
De rolandoa a 16 de Abril de 2008 às 22:00
Caro Pedro, em resposta ao comentário do programa:

“Eu não vou discutir um documento que tem legitimidade conferida pela sua homologação.”
Bem isto seria como: eu não vou discutir um manual que tem legitimidade pela sua edição. A homologação de um documento pode e deve ser discutida, qual o problema?
“ Hoje em dia, e olhe que ando nisto há alguns anos, discute-se porque o programa é aberto. Houve alturas em que se discutir porque era fechado. Mas atente neste facto: este programa é o melhor que poderiamos ter conseguido, porque permitiu diversidade e deu-nos oportunidade de usufruirmos de liberdade de expressão que ainda é o meio mais louvável para esbater determinados dogmatismos.”
Curisamente o que o programa cria é precisamente os dogmatismos, nem que seja o dogmatismo de que cada um faz o que lhe apetece. Também ando nisto há uns anos e já vi algumas reformas do programa, sempre no sentido de o desvalorizar. Caro Pedro um programa não vive sem conteúdos. Este programa dá primazia às competências em vez dos conteúdos. Acontece que as competências – e muito mais as competências críticas – só se podem desenvolver perante conteúdos específicos e se o Pedro anda nisto há uns anos já deve ter reparado que a filosofia tem-se desvalorizado, inclusive, no próprio Ministério que não tem descartado a possibilidade de acabar de vez com a disciplina. Sabe porquê? Porque ao fim e ao cabo ela produz o mesmo que o português ou a educação cívica.

“Já se tentou colocar na posição dos autores dos manuais: acha que andam nisto há pouco tempo ou que não passaram pela experiência do ensino secundário? Se conhecer o seu perfil, verá que não.”
Já, já me coloquei nessa posição. E daí? O que é que posso concluir de significativo? Que mais vale compactuar com a desvalorização da disciplina?
“Este Programa foi elaborado desta maneira porque permite aos professores optarem por ensinar (e chamemos-lhes pelos nomes) consoante um metodo mais hermenêutico e mais analitico.”
Isso é falso, caro Pedro. O programa não aponta para qualquer tendência filosófica. Não aponta para nada.
“E há por aí muita confusão: o método hermenêutico não exlcui o socrático. O ensino de filosofia deve ser socrático. E tanto se pode ensinar socraticamente por um mau manual como por um bom manual. O método socrático não vem imprimido no manual mas está inscrito no professor. Que lhe adianta ensinar pelo Arte ou pelo Warburton se o seu estilo, imaginemos, é mais expositivo e pouco inquisitivo. Isso tem que ver com o método dos professores e não com a configuração de um manual.”
Pois é, nesse caso eu posso pegar na Lua de Joana e ensinar filosofia mesmo ignorando os textos e os problemas da filosofia. Se me dá na telha de ensinar a história da carochina, tá feito, mesmo que passe por cima do trabalho dos filósofos durante séculos. Isso não faz qualquer sentido.
Ainda quanto ao Programa: se indica 5 aulas para a Lógica serve precisamente para se evitar logicizar o ensino de filosofia. Pode parecer-lhe uma má opção, mas como o Programa é aberto, dá-lhe a oportunidade de dispor de mais aulas. O Programa insiste na diversificação de estrategias e de recursos. A selecção de estratégias e recursos cabe ao professor, mas o manual é um excelente guia didáctico se orientar o professor nessa selecção. Repare que de todos os manuais com que trabalhei, o Arte era o que menos obedecia a este princípio fundamental.
Ora bem, primeiro defende que o manual é acessório e que tudo vai depender do estilo do professor e agora defende que o manual, afinal, é um guia indispensável. Em que é que ficamos? Quanto às estratégias, o programa indica que devem ser diversificadas e vá lá ver o que são estratégias diversificadas: debates, leitura e análise de textos e argumentos, trabalho individual e de grupo, testes, etc… em que é que o Arte falha? Provavelmente o Pedro tá a pensar em pintar muros, realiar contos literários, etc… mas isso o programa não refere. Portanto é falso que o Arte não proponha estratégias diversificadas. Mas eu fico sem perceber porque agora o Pedro merecia que lhe respondesse: eh pá, isso depende do estilo do professor. Já, agora, o que pensa, a filosofia também depende do estilo do professor?
(CONTINUA)
De rolandoa a 16 de Abril de 2008 às 22:00
“E é fundamental porque se encontra legitimado pelo Programa. Se puséssemos o Programa de parte, permitia-nos a imprudência de nos reunirmos com uns 6 ou 7 colegas e reinventarmos o ensino. Nem todos os alunos aprendem da mesma maneira. Aliás, nem os professores aprendem da mesma maneira. Eu aprendi Filosofia com o velhinho Discurso do Método e com a Metafisica de Aristóteles. O Rolando aprendeu com os textos de divulgação.”
Ò Pedro, então pensa que eu aprendi filosofia pelos textos de divulgação? Os manuais que o Pedro parece defender é que ensinam pelos textos de divulgação. Curiosamente o Arte é talvez dos únicos manuais, senão mesmo o único, que usa sempre bibliografia primária, i.e., os textos originais dos filósofos. Também aprendi a filosofia com a metafísica e com o discurso do método. E continuo a aprendê-la com Mackie, Plantinga, etc…. Mas estes, Pedro, não são textos de divulgação. São filósofos que publicaram textos centrais nas suas áreas. Mas há aqui um caso engraçado: o Pedro leva com os Ricoeurs às colheradas no programa e aí não insinua que o programa respeita um grupo de interesses. Porque? Onde pára a nossa capacidade crítica? Aceitamos passivamente o imposto só porque constitui o estabelecido, sem mais?
“Há algum mal nisso? Claro que não! Então porque não dar essa mesma oportunidade aos alunos, a de aprenderem a beleza de uma idea através de um filme, de um texto literário, através de debate orientado ou através do visionamento de um filme. Os alunos não gostam de filosofia pelas mesmas razões: alguns gostam porque os obriga a pensar correctamente outros pela oportunidade que têm em se confrontarem com problemas que indagam sobre a sua existência. E cabe a nós articular isso, sem erradicar uns em detrimento dos outros.”
De acordo, desde que não esqueçamos que somos professores de filosofia e que a filosofia não estica a nosso bel prazer, mas que desenvolve a nossa capacidade crítica.
Agradeço o debate mesmo que não estejamos em muitos pontos em acordo
De Pedro Lopes a 17 de Abril de 2008 às 15:59
O Rolando preza tanto a discussão racional que falha nalguns pressupostos básicos, sobretudo neste: interpreta os argumentos que apresentei como bem os entende, sem fazer o mínimo esforço para ir além da tabuada que decorou. Ora, é o seu dogmatismo que me inquieta e vem falar-me de que o Programa é dogmático... Como é que este Programa pode ser dogmático se, volto a repetir, permite coexistir manuais tão diversificados? Não gosta do Programa e depois? Acha que o Programa é mau porque não gosta dele? Olhe que há muita gente que gosta, portanto, caro Rolando, ceda mais à democracia e aos interesses da maioria.

Não tenho por hábito responder a provocações. Se quer discutir saudavelmente, vamos a isso, agora não li no seu comentário nada que mereça ser analisado criticamente. Muito ruído é o que lhe digo! Se quer fazer barulho, faça-o sozinho, que eu só discuto com pessoas predispostas a fazê-lo e não discuto com "padres" que me querem impor o catecismo.
De rolandoa a 17 de Abril de 2008 às 16:22
Caro Pedro,
O pedro já invocou várias vezes má fé em relação a autores de manuais, invocou argumentos como "se não dei na faculdade não é importante" e agora pretende atingir os meus argumentos de fechados e autoritários. Se pesquisar um pouco neste mesmo blog encontrará alguns posts nos quais abordo o problema do programa de filosofia. Então acha que eu devo aceitar pacificamente um programa que pode ter servido mas que já provou não servir mais a disciplina? Não é por um programa ser aberto que dá mais liberdade e isso é que é ideológico e o Pedro não topa isso. Acha que dá mais liberdade aos seus alunos mandando-os investigar livermente sobre moral, ou pensa que lhes dá mais liberdade se lhes der a conhecer os argumentos básicos que se discutem em filosofia sobre filosofia moral? Dar conhecimento aos alunos é, na sua perspectiva, dogmático e, na minha e em nenhuma perspectiva racional o é. Dogmático é tratar os alunos como bestas e enfiar-lhes com o Dalai Lama que o Platão é complicado. Eu não compactuo com isso e o Pedro vem dizer-me que sou dogmático e que decoro a tabuada? Essa confusão pós moderna do vale tudo, com um ar muito libertário à esquerda é de uma hipócrisia que creio ser bom desmascarar. E é isto que defendo, Pedro. mas isto não é ser dogmático.
Abraço
De Pedro Lopes a 17 de Abril de 2008 às 19:37
Rolando, tantas confusões que faz. Mistura tudo, infere consequências das minhas ideias que não têm nexo nenhum. Quando é que eu disse que se ensinaria Filosofia pela Lua de Joana. Mas que conversa é essa? Porque será que vê tudo ao contrário, depois diz-me que não "topo" nada. E agora o Dalai Lama, para quê chamá-lo para esta conversa? Acredita que eu lecciono a partir de textos do Dalai Lama. Eu já lhe disse que na minha escola optaram pelo Arte de Pensar, no ano 2003/2004. Durante estes quatro anos de experiência, o balanço que faço não é positivo. E mostrei-lhe as limitações do Arte. O Rolando ignorou-as e começou a precipitar-se, lendo o que não escrevi.
Assim, fechando o círculo, termino por onde comecei: esta entrada é infeliz, porque esperava de si mais espírito crítico. O Rolando escreve movido por inclinações subjectivas e não por razões.
De rolandoa a 17 de Abril de 2008 às 19:52
Caro Pedro,
Não me pode acusar de falta de espírito crítico porque:
1º respondi-lhe a todas, todas, as objecções que fez ao Arte.
2º Coloquei-lhe desafios e o Pedro respondeu aos que lhe interessou (vá lá mais acima ver)
3º sempre que lhe interessou recorreu à falácia do espantalho.
4º Eu não disse que o Pedro lecciona com o Dalei Lama e com a Lua de Joana.
5º o Pedro invocou argumentos como "nunca ouvi falar de Gettier na faculdade, logo não é importante nem interessa aos alunos" como creio que este tipo de argumentos são infundados, respondi-lhe.
6º acusou os autores do arte de propagarem as suas ideias no manual: convidei-o a indicar um só ideia e até agora a resposta não passou de pequenos desafios pessoais.
Finalmente: procurei sempre responder-lhe o melhor que pude. Creio que o Pedro tem uma ou outra ideia que são discutíveis e sabe defender. outras ideias lança-as sem pensar muito nelas e procurei mostrar-le onde é que estava a falhar. Mas o Pedro faz os desvios necessários atacando-me para não discutir este ou aquele problema, nem sempre, é verdade, mas fá-lo. O Pedro disse muitas coisas sem qualquer fundamento e é natural que não saiba. Eu também não sei muita coisa e não acho vergonha alguma. O edro meteu-se com Platão e eu respondi-lhe, mesmo que para a resposta ser o mais completa possível, estivesse a fazer algumas consultas. que mais quer? Eu, pela minha parte, digo-lhe com sinceridade: respeito a sua opção de não gstar de trabalhar com o Arte e compreendo algumas razões, outras não. Mas é perfeitamente legítimo que o Pedro não aprecie trabalhar com o manual. Mas não posso concordar passivamente com falsidades como as que enunciou, que o Arte apresenta avulsamente objecções, etc... O Arte é cientificamente o manual que melhor expõe a filosofia com as evoluções que ela sofreu. Se o Pedro acha que não tente mostrá-lo, mas sujeite.se às minhas objecções. Eu também me sujeitei às suas e respondi-lhes integralmente.
Abraço e bom trabalho
De rolandoa a 17 de Abril de 2008 às 19:56
Pedro, esqueci dizer uma coisa que creio ser imporante: eu acho que lhe ficaria muito melhor assumir uma coisa em relação ao arte como uma colega que eu tenho e que também trabalha com o Arte: o manual é cientificamente rigoroso e estimulante do ponto de vista filosófico, mas obriga-me a mudar muita coisa e nem me sinto à vontade para tal, nem me adaptei muito à mudança. Isto ficar-lhe-ia muito melhor do que andar a dizer que o manual faz objecções avulsas. Então e a filosofia e os filósofos, o que fazem Pedro?
Vá, abraço e acredite, tenho respeito por si como meu colega e estimo poder aqui trocar impressões consigo. E não acho que o Pedro tenha dito só falsidades. disse coisas boas e outras nem tanto. É certo que o Pedro pensa o mesmo de mim. Correcto.

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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