Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

“Sócrates era grego” é uma proposição universal?

Um leitor chamou-me atenção daquilo que considera ser um erro. Passo a citar: “Deixo-lhe um desafio: no seu comentário "Os autores referem - o que está certo - que a segunda premissa é particular" tem um erro muito feio... sim... o Rolando, o crítico dos outros, ao correr da pena, disse uma daquelas asneiras que nem a um aluno do 11.º ano se admite.”. Ora bem, estou em crer que o leitor se refere a uma proposição que é particular, mas que na lógica aristotélica, ou naquilo que dela fizeram, se considera (artificialmente) universal.
Rolando Almeida

A proposição é algo como esta: “ Sócrates era grego”. Na lógica de Aristóteles, revista pelos medievais, toma-se esta proposição como universal. A verdade é que ela é particular, tal como a nossa intuição nos diz. No caso toma-se por universal para que ela possa encaixar na lógica aristotélica, mas isso não passa de um artificialismo que nos vem a causar problemas. Basta pensar em como realizaríamos a sua contraditória. Ficaria qualquer coisa como “Sócrates não era grego”, isto porque não vou lá colocar o quantificador, uma vez que ele não existe na proposição. Faz isto algum sentido lógico? Com efeito se lá colocar o “alguns” a quantificar estou a fazer batota e quando tal a lógica tornar-se-ia num amontoado de regras que aplicamos quando nos convém, ou seja, não podiam ser regras. Agora vem uma explicação para que isto aconteça: acontece porque nos disseram que é assim, porque aparece em quase todos os manuais e a verdade é que nunca pensamos muito no assunto. E apercebemo-nos disto quando, por exemplo, colocamos estes problemas aos colegas, por exemplo, num fórum de discussão de filosofia. Podemos passar uma vida inteira a cometer estes erros, acriticamente, sem nos apercebermos, ou então podemos aperceber-nos se pensarmos pela própria cabeça e colocarmos em dúvida sempre que as coisas não nos pareçam claras. Se o fizermos vamos perceber que grande parte da lógica aristotélica que ensinamos no secundário não faz sentido ensinar, a não ser como conhecimento histórico e isto porque ela não tem as aplicações da lógica proposicional que, precisamente, ultrapassa a silogística aristotélica. Ensinar a silogística sem ensinar a lógica proposicional é como estar a ensinar às crianças o Ptolomeu sem falar em Plutarco de Samos e, mais tarde, Copérnico.
Para concluir gostaria de referir que não vejo qualquer problema se eu errar. Um dos motivos do blog (e não de uma revista profissional como a Crítica, por exemplo), é escrever, propor, discutir, errar. Aqui há espaço para o erro e perdi um certo pudor ganho nos tempos de universidade, em expor as minhas ideias. Conheci muitas pessoas que dizem ter boas ideias mas sentem pudor em as revelar. Bom, resolvi dar um passo em frente. Mas isso não implica que não cometa erros. Devo cometê-los por certo. Só que não sinto qualquer vergonha por isso, ao contrário do que refere o colega no seu comentário à minha crítica ao manual Este Amor Pelo Saber. Este blog é um espaço onde se procura evitar o erro, mas onde ele acontece ainda muitas vezes. E ainda bem. Só me resta agradecer ao leitor ter chamado a atenção para o que poderia ser um erro, mas não é. E nem o manual em causa estava errado ao considerar a proposição particular.


publicado por rolandoa às 23:14

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35 comentários:
De Conceição Sousa a 10 de Abril de 2008 às 19:12
Vou tentar responder a partir dos meus limitados conhecimentos. A lógica aristotélica tem, naturalmente, várias limitações e tal justifica que a lógica pós Frege tenha tentado ultrapassar as lacunas que Aristóteles não teve em conta. E, de facto, nem o famoso Todos os homens são mortais, sócrates é homem, logo sócrates é mortal é da sua autoria (faz parte dos desenvolvimentos medievais).
Uma das suas principais lacunas foi aquela que se refere aos termos singulares (como Sócrates, Platão, ou Aristóteles). A sua análise considera que sujeito e predicado são termos universais num juízo predicativo se estiverem a ser tomados em toda a sua extensão e particulares se forem tomados numa parte da sua extensão. Ora, dado que não reflectiu sobre os termos singulares, a questão agora consiste em tentar perceber em que categoria eles devem ser tratados ou se nem sequer devem ser tratados.
Julgo que podem ser tratados: se pensarmos em termos de classes, a proposição Sócrates é homem inclui a classe dos homens, que, neste caso, é um termo particular dado não estar a ser tomado em toda a sua extensão, e a classe de Sócrates, que, neste caso, é uma classe constituída por um só elemento. A classe de sócrates está toda ela incluída numa parte da classe dos mortais –estabelece-se uma predicação de inclusão total. Parece-me que quando se diz Socrates é homem estamos a falar do Socrates todo (não apenas de uma parte do sócrates, os seus pés e a suas mãos, por exemplo), ou seja, o termo Sócrates está a ser tomado em toda a sua extensão. Os diagramas de Euler poderão ajudar-nos a este propósito.
Quando as proposições contêm termos singulares não faz sentido quantificá-los segundo a forma canónica com os indicadores de quantidade (nem faz sentido o todo o sócrates, nem algum sócrates). Por exemplo, no quadrado lógico, que refere, colocar os indicadores de quantidade iria soar mal em termos gramaticais, mas o facto de soar mal em termos gramaticais não é sinal de que esteja incorrecto em termos lógicos. De facto, até a conversão por negação não soa bem, e no entanto faz sentido do ponto de vista lógico, da sua formalização. Sócrates pode ser substituído por S e a partir daqui já pode fazer as oposições todas com os respectivos quantificadores para que não lhe soe mal.

Sócrates, segundo Aristóteles, não é um termo nem universal, nem particular – é singular ou individual. E a esses não lhes deu importância. No entanto, se tivesse pensado, creio que os iria tratar como universais, tratamento aliás que lhes veio a ser dado pelos medievais.

O Rolando, ao dizer que a proposição é particular, está talvez a querer dizer que ela é singular e, desse ponto de vista, concordo consigo. Não errou. Se disser que é particular porque está a ser tomado numa parte da sua extensão, está a fugir à categorização aristotélica e a fazer uma leitura de Aristóteles a partir da gramática: “porque é estranho” ou porque soa mal.

Mas esta é uma questão interessante! Obrigada por a levantar!
De Anónimo a 10 de Abril de 2008 às 21:02
Não interessa se o Aristóteles pensou em A ou em B. O que interessa é: como fica B se lhe aplicarmos a "grelha" aristotélica, mesmo que B não tenha sido por ele pensado?

É claro que "Sócrates era Grego" não é Universal.

Mas também não é particular. É Singular.

Como tratar? "Artificialmente" como universal.
De Carlos Silva a 13 de Abril de 2008 às 00:17
Caro Rolando:

Efectivamente, partilho da opinião apresentada pela Conceição. Uma proposição diz-se universal quando o seu sujeito é tomado em toda a sua extensão, universalmente. Ora, neste caso o sujeito é "Sócrates" e é tomado em toda a sua extensão (todo Sócrates). Sendo assim, uma proposição singular é equivalente a uma universal até porque se representa, em termos gráficos, da mesma forma. Partilha desta tese o (velhinho) "Compêndio de Filosofia" de J. Bonifácio Ribeiro e José da Silva, página 391.

Abraço,
Carlos JC Silva
De Vitor Guerreiro a 10 de Abril de 2008 às 20:36
Talvez uma solução fosse:

Todos os objectos referidos pelo termo "Sócrates" são mortais

A contraditória seria algo como:

"Nem todos os objectos referidos pelo termo "Sócrates" são mortais (alguns deles não são)

versão alternativa:

Todas as coisas que são Sócrates são mortais

Algumas coisas que são Sócrates não são mortais

Acontece que "Sócrates" refere rigidamente um e apenas um indivíduo.

Não me parece sentido falar em "Algum Sócrates" pois se por isso nos referimos à mão, pé ou qualquer outra extremidade de Sócrates, nunca nos estaríamos a referir ao indivíduo. A mão de Sócrates não é Sócrates. Mas "Alguns gatos" também não se referem a patas, orelhas, ou testículos de gato. Trata-se de partes de uma classe de coisas e não partes de cada uma das coisas que entra na extensão dessa classe.

Abraço
De Anónimo a 10 de Abril de 2008 às 22:11
A proposição "Este gato é um felino" ficaria como ao traduzir-se para as 4 formas lógicas?
"Todos os gatos são felinos" ou "Alguns gatos são felinos". Parece-me que não o traduzir na forma lógica A nem I, no entanto, é universal afirmativa. A proposição contraditória seria Este gato não é felino.
Não concordam?

Um abraço
De rolandoa a 11 de Abril de 2008 às 00:46
Conceição,
Obrigado pela elucidativa explicação que me deu. Bem, não me parece muito limitada na sua formação, até porque se no meu texto tivesse tido o cuidado de remeter para a explicação que acabar de me dar, estaria o texto muito mais rico. Também eu tenho limitações na minha formação de base que procuro superar todos os dias.
É verdade que em certo sentido, aquele que aponta, a proposição é singular e não particular. Claro que se é singular não pode ser tipo A. Foi isso que tentei explicar e a Conceição ainda explicou melhor que eu
Obrigado e abraço,
Volte sempre
De rolandoa a 11 de Abril de 2008 às 00:54
Vitor,
Não sei se é boa ideia especularmos muito. No fundo eu queria mesmo alertar para um erro que é comum e por ser comum pensa-se que não é erro. E, no fundo, as nossas intuições de que aquele tipo de proposições são singulares são intuições verdadeiras.
Também cheguei a pensar noutra possibilidade: a proposição “Sócrates é mortal” é singular porque me estou a referir ao Sócrates filósofo, grego, etc… e a um homem, dado que posso chamar Sócrates ao meu computador. Portanto o que eu estou a extensão de mortal aplica-se aquele homem e não a todos os homens ou sequer a dois homens, pelo que não há razão para pensar que esta proposição possa ser universal. Compreendo a tua proposta, mas por vezes evito em entrar em problemas em aberto por falta minha de sofistificação filosófica, mas também não quero deitar fora a tua apreciação porque podes estar a dizer algo importante sem que eu me esteja a dar conta.
Capiche?
abraço
De rolandoa a 11 de Abril de 2008 às 00:56
Caro Anónimo,
A contraditória tem de alterar quer a quantidade, quer a qualidade da proposição inicial, tem de contradizer, dizer ao contrário, pelo que a contraditória de "Todos os gatos são felinos" seria "alguns gatos não são felinos"
De rolandoa a 11 de Abril de 2008 às 00:59
Caro "outro" anónimo,
Interessa saber pela razão que apontou a Conceição, porque podemos estar a ver Aristóteles pelo filtro dos medievais. Grande parte da lógica silogística que se ensina no secundário corresponde à versão dos medievais.
De Pedro Lopes a 11 de Abril de 2008 às 16:49
Rolando, desde já desculpe-me não ter assinado o comentário anterior, não respondeu à minha pergunta. É verdade que os medievais trabalharam durante séculos a lógica aristotélica e a física e a metafísica, mas isso agora é irrele vante.

Pelo que escreveu, o Rolando pretende mostrar que a maioria dos professores que lecciona lógica aristotélica está a ensiná-la mal, porque não pensaram sobre assunto. Agora confronte-se com este caso:
"Este gato é mamífero". Como é que traduziria para as 4 formas? Eu propus a impossibilidade de o considerar particular. A proposição "Sócrates é mortal" também nao está numa das quatro formas, pois não contém o quantificador, no entanto, é impossível considerá-lo do tipo I.
Como é que posso dizer aos alunos que "Este gato é mamífero" é do tipo I? Porque não penso muito? Desculpe lá, mas isso não é nada pedagógico da sua parte!

Cordialmente,
Pedro Lopes
De rolandoa a 11 de Abril de 2008 às 17:33
Caro Pedro,
A proposição que sugere só artificialmente é que encaixa na lógica aristotélica. Agora meta lá a proposição que quiser, "este gato é preto", "Sócrates era alto", etc...
Eu não disse em parte alguma que os colegas não sabem leccionar a lógca aristotélica. O que disse é que há erros que por serem comuns tomámo-los como verdades. O meu comentário responde precisamente a uma acusação que um outro colega me fez. E, repare, como disse no meu texto, não vejo problema especial que eu estivesse errado. Acontece que creio não estar errado e pretendi mostrar porquê. O Pedro propõe-me uma proposição e não consegue operá-la no quadrado lógico porque ela não tem lá lugar, a menos que se invente um bocado. E é verdade que às vezes se pensarmos um bocado sobre as coisas percebemos que elas não tem sentido. Ou pensa que eu não me engano e bem? Bolas, não sou filósofo nem especialista em coisa alguma. Mas que raio de chatice há em esclarecer?
Espero ter sido claro
De Conceição Sousa a 11 de Abril de 2008 às 18:44
Caro Rolando

Talvez eu não tenha explicado assim tão bem o modo como interpreto Aristóteles. Eu não disse que “Sócrates é homem” não é uma proposição de tipo A. O que disse foi que essa proposição era constituída por um termo singular (Socrates) que não foi pensada por Aristóteles na sua classificação das proposições. Mas Aristóteles classificou os termos!
Uma coisa são os termos isolados, que Aristóteles classificou ora como universais (homens) ora como singulares (Socrates) e outra coisa é a proposição que só pode ser considerada universal ou particular, consoante o papel que o termo sujeito desempenha na proposição. A classificação da proposição está dependente do tipo de predicação (da relação entre os termos sujeito e predicado) e não dos termos de forma isolada. Caso contrário, não podiamos dizer que na proposição “Sócrates é mortal” o termo mortal é particular pois está a ser tomado apenas numa parte da sua extensão (dado que isoladamente seria um termo universal). Daí que, para Aristóteles, só exista (quanto à quantidade) dois tipos de predicação:
1. A universal: aquela em que o predicado é atribuído ao sujeito todo, à totalidade da classe.
2. A particular: aquela em que o predicado é atribuído a uma parte da classe sujeito.
Sendo assim, “Sócrates é homem” deve, no meu entendimento (limitado) de Aristóteles, ser classificada como proposição universal de tipo A, pois o predicado “homem” está a ser atribuído à totalidade da classe que o sujeito representa (ao Sócrates todo, à totalidade da classe que, por mero acaso, é constituída por um só elemento).
Considero que não poderá ser classificada como particular de tipo I porque, nesse caso, estariamos a admitir que o predicado “homem” só é atribuído a uma parte de Sócrates (o que seria incoerente).

Sendo assim, independentemente dos termos, isoladamente, poderem ser singulares ou universais, cada um deles, dentro de uma proposição só podem ser universais ou particulares. Aristóteles diría, assim, que a proposição cujo sujeito for singular só pode ser de tipo A. Não o disse, é verdade, mas o que não falta na história da filosofia são exemplos de filósofos que não aplicaram as suas categorias de pensamento a todas as situações possíveis e continuamos a poder, a posteriori, pensar alguns temas à luz das mesmas. Por exemplo, as filosofias morais de Kant ou Stuart Mill não pensaram sobre todos os problemas morais que estão hoje em debate, e, apesar disso, somos capazes de aplicar a categorização de um e de outro e perceber como é que cada filósofo responderia a essas situações.

Até breve
De rolandoa a 11 de Abril de 2008 às 19:04
Olá Conceição,
De acordo. O problema permanece. Eu não digo que não se possa transformar a proposição "Sócrates é homem" em universal (no caso de não o ser). O que me parece - posso estar redondamente errado - é que esse tipo de proposições não tem sequer lugar na lógica proposta por Aristóteles. não se consegue trabalhar bem com esse tipo de proposições porque, partindo dessa proposição, estaremos a violar regras e a torná-las arbitrárias. De resto, claro que pode existir discussão em torno da universalidade dos termos e, por conseguinte, das proposições. Mas esse é um problema metafísico que eu não sei se tenho referências para discutir. Em relação ao exemplo dado da aplicação das teorias a situações, estou completamnete de acordo. Acontece que a lógica é uma ferramenta básica para raciocinar e sofreu evolução, tal como uma gramática sofre. Creio que é melhor aplicar a lógica proposicional (pelo menos ao nível do secundário, que eu pouco sei de outras lógicas, como as modais, por exemplo) do que a Aristotélica, mas isso não invalida o estudo da Aristotélica.
Até breve e obrigado
De Desidério a 11 de Abril de 2008 às 18:57
Caros colegas

Há muita confusão na lógica aristotélica precisamente porque se faz as coisas sem pensar muito bem, ou porque não se tem os conhecimentos relevantes. Isto não é vergonha nenhuma, ninguém pode pensar em tudo nem saber tudo e é por isso que o nosso trabalho tem de ser comunitário e de partilha: quem conhece melhor umas áreas ensina quem sabe menos, sem arrogâncias nem “tacadas”.

É errado usar exemplos como “Este gato é mamífero” porque o termo “este” é um indexical e nunca devemos usar indexicais — nem sequer na lógica clássica, quanto mais na lógica aristotélica. A lógica aristotélica aplica-se exclusivamente a quatro formas, e em todas tem de haver: um quantificador e dois “termos”. Na frase “Sócrates é grego” não há qualquer quantificador; artificiosamente, podemos tentar expandir a lógica aristotélica como fizeram os medievais, mas isso provoca problemas óbvios. Como raio vamos dizer ao estudante para estabelecer a contraditória desta frase? E qual é exactamente a vantagem de fazer exercícios com este tipo de frase? Se estamos preocupados com os limites da lógica aristotélica, podemos leccionar a proposicional. Se leccionamos a aristotélica, o melhor é leccioná-la como ela realmente é: são só quatro formas lógicas, e não vale a pena fingir que isto tem aplicação universal. Não tem quase aplicação, para falar verdade.
De Conceição Sousa a 11 de Abril de 2008 às 19:11
Caro Rolando,

Obrigada por responder e por colocar esta questão. Concordo também com o comentário anterior de que a arrogância é inimiga da sabadoria, pelo que esta troca de interpretações é enriquecedora!
Concordo consigo que a lógica proposicional é muito mais interessante. Infelizmente, nas escolas onde tenho estado, o grupo tem optado sempre pela aristotélica, por ser aparentemente mais simples. Mas o mais simples não é o mais relevante!

Quanto ao quadrado lógico, a formalização resolve o problema.

Cordialmente

Conceição
De Mário Silva a 11 de Abril de 2008 às 20:05
PARA MEMÓRIA FUTURA:

Mário dixit: "Deixo-lhe um desafio: no seu comentário "Os autores referem - o que está certo - que a segunda premissa é particular" tem um erro muito feio".

Rolando dixit 1: "Só me resta agradecer ao leitor ter chamado a atenção para o que poderia ser um erro, mas não é. E nem o manual em causa estava errado ao considerar a proposição particular."

Rolando dixit 2: "A verdade é que ela (a proposição) é particular, tal como a nossa intuição nos diz."

Mário pensa: "A minha intuição diz-me que não,... mas ele, que recomenda tantos livros, onde leu isto?"

Rolando dixit 3: "E apercebemo-nos disto quando, por exemplo, colocamos estes problemas aos colegas, por exemplo, num fórum de discussão de filosofia"

Mário pensa: "ah!..."

Conceição Sousa dixit: (tudo o que era necessário, sem tirar nem por, pelo que, desde já, agradeço ter-me poupado o trabalho; além de que eu não faria melhor).

Rolando dixit 4: "Conceição, Obrigado pela elucidativa explicação que me deu".

Rolando dixit 5: "claro que pode existir discussão em torno da universalidade dos termos e, por conseguinte, das proposições. Mas esse é um problema metafísico que eu não sei se tenho referências para discutir".

VERDADE ABSOLUTA: UNIVERSAL e SINGULAR

Conceição dixit: "a arrogância é inimiga da sabedoria"
De rolandoa a 11 de Abril de 2008 às 20:32
Viva Mário,
Se tem alguma coisa a dizer ou a defender, faça-o. Não atire pistas ao ar, que eu, enquanto moderador no blogue, faço questão que a clareza seja um princípio a seguir. Poupa-nos palavras, tempo e ganhamos em aprendizagem. Creio que face ao seu desafio respondi o melhor que soube e posso. Se o Mário sabe mais e melhor partilhe.
De rolandoa a 11 de Abril de 2008 às 21:56
Conceição,
Gostei de ler os seus comentários e, ainda que a Conceição refira que o seu conhecimento de Aristóteles é modesto, eu não o acho nada modesto. É já muito elaborado e alertou-me para alguns pontos que habitualmente não penso. Só considero que são pontos não muito importantes para esclarecer os alunos, com efito, importantes para nós professores. Eu é que agradeço por me ter lembrado destas questões e escrevo este comentário para, além de lhe agradecer, fazer saber que terei em consideração aquilo que aqui disse.
Volte sempre
Abraço
De Miguel Ângelo a 12 de Abril de 2008 às 00:34
Meu caro Rolando
É sempre um prazer deambular por estes lados, que me trazem uma lufada de ar fresco às minhas ideias, pois Ideias e racionalismos, nunca são efectivamente demais...
No entanto, o que me traz aqui é uma pura questão socrática, se: “Sócrates era grego” é uma proposição universal? Belo mote para a discussão! Hummm...Queria eu afirmar-lhe categoricamente que Sócrates era Português dos quatro costados", o outro, aquele que implicitamente se refere - se fosse vivo - render-se-ia à filosofia do Sócrates luso. Disso não tenho a menor dúvida...
O cerne da questão, quanto a mim, trata-se, agora e simplesmente de saber qual o original e qual a cópia, gostaria que me esclarecesse, se assim, for possível...
Um abraço
Miguel Ângelo
De rolandoa a 12 de Abril de 2008 às 01:46
Viva Miguel,
Neste caso é mesmo o Sócrates filósofo e não o Sócrates político. A questão das proposições é uma questão técnica da filosofia.
Abraço
Volta sempre e obrigado pela visita
De Paulo Rolim a 13 de Abril de 2008 às 12:07
Tenho acompanhado com muita atenção a vossa discussão. Dela duas certezas: não percebo de onde surge o problema. Desde que me ensinaram Lógica na Faculdade que este problema me foi levantado e explicado. Toda a gente sabe disso!; depois, mais uma vez se prova a imensa perda de tempo que existe em algumas discussões. E se todos nós olhássemos para a lógica aristotélica como limitada e ensinássemos a outra? Não é isto que se pretende em qualquer ramo do saber? Por que razão continuamos a enredar-nos em discussões tão antigas quanto estéreis?Temo que seja por isto mesmo que às vezes somos tão mal considerados!!!
De rolandoa a 14 de Abril de 2008 às 03:18
Caro Paulo,
A questão é muito simples e fácil de resolver. Se a proposição “Sócrates é grego” é universal, faça lá a sua negação. Ficará qualquer coisa como “Sócrates não é grego”. Quer isto dizer que se a primeira proposição é universal, a sua negação também é universal. Acontece que sendo as duas proposições universais não são a negação uma da outra. não são a negação uma da outra porque a universal afirmativa e a universal negativa apesar de não poderem ser ambas verdadeiras, podem ser ambas falsas ao passo que duas proposições são a negação uma da outra quando uma é verdadeira se a outra for falsa e vice-versa. Também não me recordo de ter aprendido isto assim na Universidade, mas isso é outra conversa.
Creio que esta questão está resolvida
abraço
De Carlos Silva a 14 de Abril de 2008 às 22:57
Caro (e amigo) Rolando!

Cá estou, mais uma vez, para esgrimir argumentos. Espero não estar a ser incómodo!
Considerando a proposição "(Todo) Sócrates é grego" do tipo A, quais são as negações possíveis? São duas:
- a negação obtida pela oposição grande, em qualidade, ou seja, pela sua Contrária, de tipo E - (Nenhum) Sócrates é grego, ou Sócrates não é grego;
- a negação obtida pela oposição maior, total e completa, ou seja, pela sua Contraditória, de tipo O - (Algum) Sócrates não é grego.
A lei a aplicar ao primeiro caso é a lei das contrárias e no segundo caso a das contraditórias.
Penso que o impasse ou equívoco reside nestes dois tipos de negação. Não será?
Normalmente evito este tipo de proposições - singulares -, embora as enquadre, pelos fundamentos apresentados anteriormente, nas proposições de tipo A.
Reconheço, todavia, que há autores que discordam dessa classificação. Cito Alfredo Reis, por exemplo.

Abraço,
Carlos JC Silva
De rolandoa a 15 de Abril de 2008 às 01:05
Carlos,
Incómodo nunca. Tenho o maior gosto em que apareças. Olha acabas por resolver a questão da forma mais sensata que um professor pode resolver uma questão destas. dado que são questões que nos suscitam dúvidas o melhor é não recorrer a elas perante os alunos. Eu tento agir sempre assim, principalmente na lógica que exige algum treino. O problema é, insisto, que este tipo de proposições pura e simplesmente não tem lugar na lógica silogística. Um colega aqui pedia-me que classificasse uma proposição como "Este gato é preto". Ora bem, o colega nem se deu conta que está a usar um indexical, o que não é possível em lógica.
abraço
De rolandoa a 15 de Abril de 2008 às 02:06
Carlos,
ainda faltou uma nota que pode ajudar a desfazer confusões. A negação de uma proposição tem de ter um valor de verdade oposto ao valor de partida da proposição. O que se passa entre contrárias é que elas podem ser ou ambas verdadeiras ou ambas falsas, pelo que as contrárias não se negam. somente as contraditórias se negam pois têm de ter valores de verdade opostos.
abraço
De Manuel Galrinho a 29 de Abril de 2008 às 10:58
Você diz: «Nem o manual em causa estava errado ao ao considerar a proposição particular»

É claro que o manual está errado ao afirmar que esta proposição (Sócrates era grego) é particular.

Para ser particular teria de afirmar que alguns elementos da classe (que aqui é sujeito) são também membros da classe dos gregos. Ora a classe (que aqui é sujeito) «Sócrates» não está a se tomada em parte mas no seu todo - Sócrates. Não se está a falar de parte da classe Sócrates.
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 11:28
Pois, como já expliquei, a leitura que o Manuel está a fazer é a leitura artificiosa que os medievais fizerem para poder encaixar proposições dessa natureza nas quatro formas proposicionais de Aristóteles. O problema é como negar essa proposição se ela for universal? Escreva lá a tipo O de "Sócrates é grego"??
De Manuel Galrinho a 29 de Abril de 2008 às 13:02
O que digo é que ela nunca poderá ser uma particular. De que classe se afirma que uma parte se inclui noutra classe?
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 13:28
Caro Manuel,
Nem particular nem universal, uma vez que não tem a forma proposicional dentro das quatro propostas por Aristóteles. Quando muito é singular.
De Manuel Galrinho a 29 de Abril de 2008 às 13:56
Claro!

Eu só entrei nesta discussão porque se referiu a um manual que não considera errado por defender que a proposição é particular. Ora, se afirma que ela é particular está errado.
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 14:10
Caro Manuel,
Vejo que não seguiu toda a discussão. A proposição é particular em certo sentido, mas não o é no quadro de referência aristotélico, perecebe? A Conceição sugeriu que era melhor chamar singular à proposição. Portanto dizer que a proposição é particular é errada num certo sentido e dizer que a proposição é universal é errado em todos os sentidos.
De Manuel Galrinho a 29 de Abril de 2008 às 15:17
Em que sentido é que ela é particular?
De rolandoa a 29 de Abril de 2008 às 15:55
Caro Manuel,
Intuitivamente a proposição é particular. se eu lhe disser. " O Manuel escreve comentários" é intuitivamente particular e é deste modo que estas proposições são tratadas na lógica proposicional. Leu ou não os comentários antecedentes. Passei o tempo todo a explicar isso.

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