Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Manuais - Este amor pelo saber

Eis o primeiro manual chegado às minhas mãos para as adopções de 2008. Sendo o primeiro merece uma consideração preliminar: a crítica de manuais pretende-se pedagógica e colaborativa. O interesse é chamar a atenção de aspectos que me parecem errados e que, continuamente, aparecem nos manuais. Por outro lado pretendo colaborar com os colegas professores de filosofia nas suas adopções. O blog está aberto à crítica, pelo que os colegas que discordarem das minhas opções podem enviar os seus textos que publicarei com gosto. Sabemos que existem muitas filosofias diferentes, mas defendo que existe um modo de filosofar. Por outro lado não compactuo com os manuais do «eduquês» pelas razões que frequentemente tenho apontado, mas que se podem resumir a:
1º Não estimulam o pensamento crítico do aluno.
2º Transformam o ensino da filosofia em algo que tem de tudo menos de filosofia desprestigiando a própria filosofia e degradando o seu ensino.
Rolando Almeida
Creio que os leitores deste blog estão já familiarizados com estas ideias, pelo que me poupo ao trabalho de as argumentar outra vez. Com esta posição, penso que é defensável a ideia de que se pode ensinar filosofia a partir de referências extra filosóficas, desde que tal seja concebido com o método próprio da filosofia. Para se fazer um bom manual não é necessário cair-se no erro sistemático de que se tem de apresentar um teatro de fantoches. Um manual do «eduquês» dificilmente será um manual rigoroso, mas aceito também que o «eduquês» seja defensável em determinadas circunstâncias. Também é claro que não há um manual que seja o El Dourado do ensino da filosofia, mas há certamente manuais melhores que outros. Como me dei conta no ano passado para os manuais do 10º ano, existem manuais de filosofia excelentes (o que não me parece que existisse há uns anos atrás, razão pela qual nunca me interessava pelos manuais), manuais bons, manuais razoáveis e manuais medíocres. Pela minha vontade eliminaria de uma vez por todas os medíocres. E existem manuais medíocres que não o eram aqui há uns anos, mas hoje em dia existe bibliografia e informação suficiente para não repetir erros do passado. Se há uns anos esses manuais eram a realidade possível, hoje são a realidade impossível.
Por fim, claro que a história dos manuais é delicada porque ainda é um negócio rentável. E ainda bem, caso contrário não existiria qualquer estímulo para que um professor dispense muitas horas da sua vida a conceber um manual. Acontece que quando o negócio é bom é natural que atraia também os menos talentosos e interesseiros no êxito financeiro. Nas minhas críticas alheio-me sempre deste aspecto, que creio não ter interesse discutir nem estou à altura para tal, mas sei que ele existe. Nem sei se vou ter tempo para fazer a crítica de todos os manuais, pelo menos dos que me chegam às mãos. Pelo menos vou fazendo o possível. Passe as justificações preliminares, apresento o primeiro manual.
Amândio Fontoura, Mafalda Afonso e Maria de Fátima Gomes, Este amor pelo saber, A Folha Cultural, 2008
Ficha:
Qualidade do manual: muitos capítulos a rever e algumas opções didacticamente discutíveis
Cumpre com a finalidade? – Se o professor souber corrigir o manual cumpre.
Eficácia: satisfatória
 
 
Classificaria o manual Este Amor pelo Saber (A Folha Cultural) como um manual razoável. Poderia ser um manual muito melhor. Não o é por algumas opções pedagógicas que me parecem pouco consensuais e pela repetição de alguns erros infelizmente muito comuns.
Mas vamos aos erros e, depois, às opções menos consensuais.
Logo no primeiro capítulo os autores apresentam a conhecida distinção entre raciocínios analíticos e raciocínios dialécticos. Apresentam os raciocínios analíticos como fazendo parte do âmbito da lógica formal, ao passo que os raciocínios dialécticos “ganham sentido no contexto de uma teoria da argumentação”. Acontece que os autores estão a fazer uma confusão. Tanto os argumentos dialécticos como os demonstrativos, assim caracterizados por Aristóteles, buscam a verdade, sendo a diferença que nos dialécticos as premissas são discutíveis porque as pessoas discordam do que é verdade. Logo à frente (p.14) os autores definem argumentação como a “apresentação de considerações não demonstrativas, mas opinativas”. Isto é obviamente falso, pois pode-se argumentar demonstrativamente; quando argumentamos que a Maria não está na praia porque a vimos agora mesmo no cinema, estamos a argumentar demonstrativamente. Todo este capítulo contém imprecisões que, com efeito, não afectam de forma decisiva um bom ensino da filosofia. Mas não existe qualquer razão para definir dedução como o raciocínio que vai do geral para o particular, ao passo que a indução é o contrário. Isto é falso. Se eu disser “alguns lisboetas são benfiquistas, logo alguns benfiquistas são lisboetas”, trata-se de um argumento dedutivo e, com efeito, não parte do geral para o particular. Ele é dedutivo porque se a premissa for verdadeira é impossível que a conclusão seja falsa. Por outro lado, se eu disser “Todos os japoneses observados até hoje são simpáticos, logo o Akira que é japonês é simpático”, é um argumento não dedutivo no qual a premissa é geral e a conclusão particular. Não faz qualquer sentido continuar a cometer estes erros quando têm sido sistematicamente apontados desde há anos. E logo a seguir não se compreende o exemplo dado no manual:
Nenhuma lisboeta é sueca
Helena Roseta é Lisboeta
Logo, Helena Roseta não é sueca
Os autores referem - o que está certo - que a segunda premissa é particular. Mas, então e em que ficamos? Primeiro afirmam que deduzir é partir do geral para o particular e depois dão um exemplo de um argumento com uma premissa particular que chega a uma conclusão particular. Isto significa  que se está a partir do particular para o particular. Torna-se evidente que há aqui confusões a serem desfeitas. Os autores fazem ainda uma associação entre dedução e ciências exactas e indução e ciências experimentais. Ora bem: primeiro, algumas ciências experimentais são exactas, como a física, e, segundo, a dedução é muito usada em filosofia, que não é uma disciplina exacta.
Os autores definem correctamente que num argumento dedutivamente válido a verdade das premissas implica a verdade da conclusão. Esta definição não é a mais fácil para os estudantes porque podemos ter argumentos válidos com premissas falsas e conclusão falsa, ou até com premissas falsas e conclusão verdadeira. Por essa razão a definição mais adequada é que, num raciocínio dedutivamente válido, é impossível ter a conclusão falsa se as premissas forem verdadeiras, mas tudo o resto pode acontecer. Além do mais podemos ter um argumento com premissas verdadeiras e conclusão verdadeira e ser inválido. A única coisa que não pode acontecer e que perfaz a regra é mesmo isso, que é impossível que a conclusão seja falsa se as premissas forem verdadeiras. A definição de validade explica-se de um modo muito simples:
A neve é verde e as nuvens amarelas
Logo, a neve é verde
Tanto premissas como conclusão são falsas. Mas vamos lá imaginar um mundo possível no qual a neve fosse realmente verde e as nuvens amarelas. Nesse mundo a premissa seria verdadeira. Haveria alguma forma de, sendo a premissa verdadeira, a conclusão ser falsa? Não. E isto é o que explica a validade formal. O argumento é dedutivamente válido, mas não é sólido e muito menos cogente (estas noções não aparecem no manual). O manual dá uma ideia errada de que a lógica formal é muito rigorosa e virada para as ciências e a lógica informal muito subjectiva e virada para a argumentação, opinião e filosofia. Começa logo aqui a dar-se uma ideia espalhafatosa do que é a filosofia e, pior ainda, uma ideia falsa.
Creio que daqui já se retém uma ideia mínima das cenas dos próximos capítulos.
Em relação às opções pedagógicas  
Este manual tem opções pedagógicas e didácticas muito discutíveis. Ainda que resumida a uma página não vejo qualquer vantagem em ter incluído a fenomenologia, pelo menos do modo como foi incluída. Ou se clarifica o problema ou se ele não é claro mais vale nem abordá-lo. O manual é igualmente fraco nas propostas de actividades, mas neste ponto até entendo que nós é que estamos habituados a que os manuais venham carregadinhos de actividades, quando as podemos criar com facilidade se tivermos um bom manual.
Conclusão
Alguns erros cometidos neste manual são muito comuns e aparecem com frequência. Como assim é podemos criar alguma tendência a pensar que não se tratam de erros, mas a prova dos nove reside na consulta de alguma da bibliografia central. Basta comparar três bons livros e percebemos de imediato onde estão os erros, pelo menos os erros mais imediatos e básicos. Não tenho qualquer dúvida que existe um esforço por parte dos autores em apresentarem um manual simples e eficaz, mas os erros do primeiro capítulo, de que me dei aqui conta somente dos mais básicos, desmotivam para a leitura dos capítulos seguintes. O professor que ensinar por este livro, se quiser um ensino estimulante da disciplina, vai ter de emendar constantemente o manual.
Graficamente o manual é bonito embora eu continue a pensar que se exagera nos manuais de filosofia de fotografias que são mais condignas de um catecismo. Dá a sensação de se ter nas mãos um objecto de propaganda religiosa tal é a pimbalhada das imagens. E isso fica mal, dá uma ideia patusca e pouco séria da filosofia e não entusiasma nada os jovens. Aliás durante anos ensino com fotocópias e os alunos não é por aí que desmotivam.
De resto, os autores têm aqui uma boa base para fazerem uma edição posterior corrigida. Compreendo que não é fácil e adivinho que fizeram aqui um esforço genuíno, mas é necessário limar as arestas e, sobretudo, corrigir o que há a corrigir. 


publicado por rolandoa às 11:22

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27 comentários:
De Anónimo a 7 de Abril de 2008 às 16:38
Não recebi o manual, mas a ideia de filosofia que se infere da capa é de fugir. Rolando, tens a certeza que não é um manual de parapsicologia?
Abraço,

Vítor João Oliveira
De rolandoa a 7 de Abril de 2008 às 17:43
Olá Vitor,
Realmente não me parece, de todo, um mau manual. Há nele muita coisa aproveitável, mas também muitos aspectos a melhorar. Também não gostei do aspecto gráfico.
Abraço
Rolando Almeida
De Anónimo a 7 de Abril de 2008 às 18:16
Rolando,
como disse antes, nem sequer conheço o manual, mas o conteúdo da capa e não tanto o seu aspecto gráfico, levam a concluir que a filosofia estará de alguma forma aparentada com o oculto e isso, independentemente das boas intenções (que haverá seguramente), não me parece, em qualquer circunstãncia, uma boa ideia.
Abraço

Vítor João Oliveira
De Mário Silva a 7 de Abril de 2008 às 22:10
Caro Rolando:
Como sempre, aprecio bastante os seus comentários. Sempre assertivo, decisivo, implacável. Gosto particularmente da forma como aponta os inúmeros erros que vai detectando aqui e acolá. Deixo-lhe um desafio: no seu comentário "Os autores referem - o que está certo - que a segunda premissa é particular" tem um erro muito feio... sim... o Rolando, o crítico dos outros, ao correr da pena, disse uma daquelas asneiras que nem a um aluno do 11.º ano se admite.
Tente descobrir. Se não conseguir eu dou-lhe uma ajuda (não lhe recomendo livros, porque isso sabe bem fazer no seu blog).
De rolandoa a 7 de Abril de 2008 às 22:27
Caro Mário,
Mesmo que eu errasse, qual é a vergonha? Não vejo problema especial nisso nem vejo o que possa suceder daí: o Rolando erra, logo não pode apontar os erros dos outros?
Depois, o Mário pode e deve apontar os erros que encontra nas minhas apreciações. Só lhe tenhoa agradecer. Creio que se refere à suposta universalidade da segunda premissa no argumento. Acontece que, mesmo que existam versões que defendem que esse tipo de proposições são universais, é um pouco tonto tomá-las como tal. Para além de tudo, esse tipo de proposições não têm lugar na lógica de Aristóteles. Com efeito, o meu conhecimento pode estar limitado, mas se há discussão em torno desse tipo de proposições, mais uma razão que nos pode levar a concluir que mais valia não as ter usado. Creio que é a isto que se refere, mas como não o diz explicitamente, não posso adivinhar. Pode recomendar livros à vontade. Como sabe, disponiblizo o blog à intervenção de todos, pelo que até lhe agradeço.
Abraço
Rolando Almeida
De Amandio Fontoura a 8 de Abril de 2008 às 16:21
Caro Rolando, não posso falar pelos autores dos outros manuais, mas essa ideia que transmite de que os autores de manuais de filosofia devem ser uns tristes coitados, pequeno-burgueses desta província portuguesa que andam atrás de mais uns cobres porque são mal pagos, não dá para estes autores. Em relação à sua crítica a este manual, e sem sequer querer ser pretensioso ou dar-lhe a lucidez na análise que me parece que irá ter reduzidamente aos bochechos, só me lembro de uma imagem: sair da caverna deve ser uma tarefa bem complicada, como augurava Platão. É evidente que este manual não se regeu por estruturas apresentadas tradicionalmente nos manuais convencionais portugueses. Tem uma ambição de qualidade e raiz mais europeia. Afinal é nela que nos integramos. Se observar com mais atenção, descobrirá uma estrutura (5 partes: conceitos, problemática, textos, exercícios e debate- Olhar sobre Imagem. Confiamos que este Manual permitirá um bom apoio ao estudo pessoal do aluno em casa (conceitos/problemática/exercícios)e será um apoio documental ao professor na sala de aula (textos/exercícios/Olhar sobre Imagem). Como consideramos que o professor não é um simples monitor de filosofia e portanto tem a sua própria sensibilidade e o modo próprio de gerir conteúdos e análises, não inundamos de exercícios a sua tarefa. Só fornecemos o essencial, a questão que atinja o essencial da problemática, a questão que foque o essencial dos textos. Deixamos em aberto lugar para toda a iniciativa do docente. Por essa razão não compreendemos como se podem fornecer exercícios ...e as respectivas respostas, que são, não para os alunos, mas só para os professores!!!...como se em filosofia as respostas fossem standardizadas e os professores correspondessem à imagem que deles querem que a população tenha. Repare também como a nossa preocupação com o aluno nos leva a fazer perguntas laterais nas páginas da problemática, para o encaminhar a assimilar melhor os conteúdos. E, já agora, reparou como os conteúdos seguem absolutamente de perto os exigidos ponto a ponto no programa?...

Em relação às suas observações sobre o capítulo inicial de Lógica...em 155 páginas (só de Lógica!) critica pormenores irrelevantes e fá-lo sem razão: como questionar o interesse dos juízos dialécticos pela verdade, confundir factos com argumentos, querer ignorar que Nenhuma lisboeta é sueca é uma proposição universal, pretender afirmar que a lógica informal é rigorosa, não distinguir entre rigor de análise filosófica e exactidão positiva, e querer estabelecer a confusão, essa sim espalhafatosa , com insinuações gratuitas e irresponsáveis - “Creio que daqui já se retém uma ideia mínima das cenas dos próximos capítulos.” ... Quanto à fenomenologia, é compreensível que não goste. Mas nós achamos que é pertinente. Considerar que as fotografias " são mais condignas de um catecismo" ou o manual " um objecto de propaganda religiosa tal é a pimbalhada das imagens" é mesmo de muito mau tom. Se calhar é uma boa linguagem de blog, mas assim ninguém o leva a sério. Porém, acredite, o critério estético deste Manual não tem mesmo nada, mas mesmo nada, a ver com religião. Não sei aonde foi buscar essa...Mas aproveito o seu contexto : talvez aquilo que ao longe lhe parecia uma capela, agora ao perto talvez lhe possa parecer mais uma catedral...será?!... Contudo, queremos vê-lo feliz e assim, pode encontrar um livro de título homónimo que editamos ( sem imagens) e que teremos gosto em oferecer-lhe um exemplar para saborear enquanto toma um café.

Permita-me dar-lhe uma deixa: questione em vez de afirmar, pergunte em vez de ajuizar, seja aberto em vez de direccionado...Todos vão ganhar.

Fique bem.

Amandio Fontoura, co-autor de "Este Amor pelo Saber"- Filosofia 11 e "Este Amor pelo Saber", Lisboa, ed. Folha Cultural, 2007

http://folhadeponto.blogspot.com/

De rolandoa a 8 de Abril de 2008 às 17:18
Caro Amândio,
Agradeço a sua resposta. Nela perdeu mais tempo a fazer ataques pessoais do que propriamente a mostrar que os erros do seu manual não são, efectivamente, erros. Caro Fontoura, por ser autor de um manual isso implica que não erra? Que está imune ao erro? E se não está por que razão não posso apontá-los? É verdade que me cingi ao primeiro capítulo do seu manual, mas acha irrelevante dar uma definição errada de dedução? Eu não acho e um aluno mais atento poderia levantar-lhe sérios problemas que não sei como é que o professor iria responder, por exemplo, no ponto do programa sobre Filosofia da Ciência.
Segundo: claro que o seu manual cumpre os requisitos programáticos. O Amândio esqueceu-se de dizer que os conteúdos programáticos são tão vagos que todos os manuais os cumprem, pelo que daí o seu manual, apesar de responsável, não apresenta qualquer vantagem em relação aos outros manuais. Também não sei ao que se refere quando afirma que o seu manual tem uma ambição de qualidade mais europeia. Não me impressiona que o seu manual esteja mais em consonância com as tendências europeias ou asiáticas, mas impressionar-me-á se estiver em consonância com a filosofia e o seu ensino e evitar erros comuns.
Caro Fontoura, é por esta razão que em Portugal não se faz crítica pública de manuais e a sua reacção é um bom exemplo disso, porque pura e simplesmente os autores atacam com todos os dragões à guarda. Já tenho essa experiência antes do meu blog, por exemplo, na minha breve passagem pelo Jornal de Letras. Sejamos directos, o problema é esse, o Amândio não encara bem a crítica e a melhor forma de a descaracterizar é atacando-a com falácias. Aplique as falácias que vem no seu manual ao seu comentário e veja como lá se encaixam. Caro Fontoura, não me demonstrou porque é que os erros que apontei não são erros, mas pode fazê-lo. E mais: creio que o meu blog não possui grande expressão, mas se o Amândio quiser ou achar conveniente, pode escrever um texto curto e simples no qual mostre que eu errei nos meus comentários. Terei gosto em publicá-lo, não para alimentar polémicas, mas para mostrar aos leitores como se faz a filosofia, discutindo opções, discutindo conteúdos.
De resto, como referi, à falta de melhor, eu próprio usaria o seu manual, mesmo tendo que fazer muitas correcções que me parecem erradas e que tentei mostrar porquê.
Creio que o Amândio não leu bem o meu texto e centrou-se mais nos ataques pessoais.
Até breve
Rolando Almeida
De Miguel do Carmo a 13 de Abril de 2008 às 05:11
Caro Amândio Fountoura,

Já que veio aqui, aproveito para lhe fazer uma pergunta. Constou-me que, no seu manual, Karl Popper é apresentado como um verificacionista. Confirma?
De António Paulo a 8 de Abril de 2008 às 21:21
Concordo com a tua apreciação do manual. Contudo, ao nível da qualidade, este manual não fica muito atrás do Pensar Azul do 11º ano (que já o conheço) e que foi o manual mais adoptado no 10º ano.
De rolandoa a 8 de Abril de 2008 às 21:29
Olá Paulo,
Ainda não recebi mais nenhum manual. Creio que esta semana ainda chega mais um ou outro, mas não estou certo. Só espero conseguir tempo para escrever sobre todos os manuais. Concordo contigo: considero injusto que o Pensar Azul seja o manual mais adoptado no 10º ano quando existem opções muitop mais consistentes.
Abraço
Rolando A
De Valter Boita a 9 de Abril de 2008 às 12:27
Olá Rolando! Estou integralmente de acordo e o autor do "Este amor pelo saber" não me elucidou quanto à selecção da fenomenologia em detrimento de uma teoria mais simples e mais próxima dos alunos, como a teoria da CVJ. Deixei de leccionar a descrição fenomenológica do conhecimento, que consta do manual do 11º com o qual tenho trabalhado, precisamente pela reacção dos alunos ser bem diferente da que apresentam aquando da análise da teoria da CVJ.
Esta teoria supera a descrição fenomenológica pelas seguintes razões:
1. adequa-se ao nível etário dos alunos do 11º ano;
2. como se trata de uma iniciação aos problemas epistemológicos, faz mais sentido, assumindo uma posição hermenêutica, começar pelo conceito de conhecimento e as condições que o tornam possível;
3. asseguram um estilo didáctico mais socrático, interrogador e reflectinte, sendo possível seguir o percurso do vivido ao pensado;
4. promove com mais qualidade a autonomia dos alunos ao fornecer-lhes contra-exemplos a esta teoria, e os alunos não são forçados a aceitá-la dogmaticamente , como acontece com a fenomenológica;
5. promove o pensamento crítico e a reflexão filosófica, munindo-os ainda de ferramentas conceptuais mais precisas para a análise comparativa de duas teorias do conhecimento a estudar posteriormente.

Por todas estas razões, foi uma péssima escolha para o manual "Este amor pelo saber", integrar a fenomenologia, independentemente dos interesses filosóficos dos autores. Os autores, todos eles, de um manual devem ser o mais imparciais possível quanto à posição que assumem perante a filosofia, de modo a conseguir tornar o discurso do manual estimulador do espírito crítico e da autonomia dos alunos.

O manual "Pensar Azul" que foi o que mais demoradamente analisei, recebendo-o numa sessão de divulgação, não superou as dificuldades que o manual "705 azul" apresentava. Pelo contrário, em termos de grafismo e "layout" está bem pior e pouco cativante para os alunos. Alías, tenho uma irmã mais nova que vai para o secundário e quando viu o manual disse-me: "Com este livro nem apetece estudar". É que as cores mortas, o cinzento pálido e o amarelo rasgado, não cativam a atenção dos leitores. Por outro lado, os autores mantêm a sua fidelidade a uma linha de pensamento didáctico-pedagógico que é adequada e exequível, mas falha na apresentação de estratégias (seja pelas actividades sugeridas, seja pelo discurso dos autores) promotoras da autonomia dos alunos. O arrazoado de citações de Dalai Lama, Maria Filomena Mónica ou da Maria Teresa de Calcutá, confundem o ensino da filosofia e os alunos.
Espero não ter que ensinar com esse manual, pois sou incapaz de entender a filosofia como um pensar azul. Azul porque pretende o absoluto e a transcendência. Infelizmente, quando li partes do manual ocorreu-me a expressão inglesa que bem representou o meu estado de espíirito: "I'm blue!".

Um abraço
De rolandoa a 9 de Abril de 2008 às 21:15
Valter,
Creio que a tua irmã acaba por ser o melhor juíz :-)
Obrigado pelas referências.
Abraço
De Maria das Dores a 9 de Abril de 2008 às 21:34
A minha prima também disse: "Com este manual apetece-me vomitar, enquanto tento estancar as hemorragias internas". O manual era o Arte de Pensar.
Acho que ela também é boa juiza!...
De rolandoa a 9 de Abril de 2008 às 21:44
Olá Maria,
Tem a certeza que foi a sua prima ou foi mesmo a Maria?
:-)
De António Paulo a 10 de Abril de 2008 às 21:43
Olá Maria:
Esses tipos de comentários não dignificam nada aquilo que deveria ser uma postura racional sobre os problemas. ´
Já agora, o que o "Arte" tem que lhe provoca tanta aflição hemorrágica? Será o rigor do tratamento da informação? Será a linguagem acessível, mas credível do discurso filosófico? Será a selecção criteriosa dos problemas filosóficos?
A Maria pode discordar do manual ou do que quiser, mas tem de apresentar bons argumentos . Isso é o elementar da filosofia.
De Anónimo a 10 de Abril de 2008 às 23:38
Não perceberam? A ideia que compreendi do post da Maria era a de mostrar que as irmãs e as primas não são bons juízes...de forma caricaturizada! Os alunos e alunas deste país consideram, na generalidade, que os livros não dão vontade de estudar...qualquer que ele seja!!!
De rolandoa a 11 de Abril de 2008 às 00:07
Caro Anónimo,
A generalização que faz é falaciosa porque precipitada. 1º os alunos não acham a generalidade dos manuais apelativos tal como eu não acho. repare que os manuais são os livros que os alunos por regra conhecem e lidam todos os dias.
2º ainda que os alunos achem isso, a nossa função é precisamente estimulá-los e fazer manuais estimulantes e com rigor. Esses manuais são em menor número mas existem, e, ao contrário do que diz, os alunos gostam. Tem é de lhe saber mostrar. Ou se os seus filhos não gostarem de livros o caro anónimo vai cruzar os braços? Ou vai educá-los?
De Anónimo a 11 de Abril de 2008 às 22:26
Desde que não confunda proposições Universais / Particulares / Singulares...
De António Paulo a 11 de Abril de 2008 às 23:07
O anonimato é um manto diáfano que...
De Anónimo a 14 de Abril de 2008 às 20:50
Grande M.ª das Dores. Se a conhecesse dava-lhe um grande beijo, porque merece. Teve a coragem de dizer em voz alta o que toda a gente pensa destes tipos da analítica: são sempre os mesmos, dizem sempre o mesmo e citam sempre o mesmo. Estão a acabar com a filosofia, mas não porque encontraram a verdade, seu fundamento último...
De António Paulo a 14 de Abril de 2008 às 21:27
Acabar com a filosofia é ressuscitar a sua essência (revilatizar os problemas da filosofia e problematizar as suas teses)?
Sem pretender incorrer na falácia dpo falso dilema, pergunto então se a "vida" da filosofia é abraçar o eduqês da pseudo-filosofia-psicologia-antropologia-história das ideias e outras "logias" (des)caracterizadoras da filosofia?
É uma enorme lição que dá aos seus alunos (não a dá porque assina como anónimo) quando lhe falta melhores argumentos baptiza quem lhe apetece de "tipos".
Aluno meu que assim argumentasse, tinha de certeza negativa no seu trabalho.
De António Paulo a 14 de Abril de 2008 às 21:28
Correcção
"do"
"eduquês"
De rolandoa a 14 de Abril de 2008 às 21:33
Caros leitores,
Agradeço que:
1º poupem os ataques pessoais como se estivessemos em guerra no iraque.
2º assinem as vossas mensagens
Obrigado
De Carla Silva a 17 de Abril de 2008 às 12:29
Tenho estado atenta às apreciações que têm vindo a ser realizadas aos manuais que agora começam a aparecer. Considero que as críticas devem ser construtivas e não negativas, pelo que não posso compreender olguns ataques que aqui se encontram. Independentemente de gostarmos mais de um manual do que outro, não devemos nunca atacar o(s) autor(es) do manual, mas antes a sua tese. Quando coemçamos a atacar a pessoa, a coisa vai mal. E permitam-me, comentários como alguns que acima de apresentam não dignificam em nada a Filosofia.
De rolandoa a 17 de Abril de 2008 às 13:58
Cara Carla,
Agradeço o seu comentário. Não percebi se está a referir-se às minhas críticas. Se sim, agradeço que exemplifique onde, nelas, faço ataques pessoais aos autores dos manuais para eu poder dar-lhe resposta.
Obrigado
De Carla Silva a 17 de Abril de 2008 às 22:42
Os comentários a que aludo dizem respeito a comentários que foram feitos acerca do manula, por exemplo, empregar o termo "vomitar", não me parece propriamente o mais adequado. Já agora, permita-me que aluda à capa deste manual - Este amor pelo saber. Se atentarmos verificamos que esta apresenta um Dolmen - não uma igreja como se sugeriu - a ser assim, parece-me que a leitura pode ser bem diferente da que tem vindo a ser feita. Quem sabe não estarão os autores a fazer uma analogia com as raízes históricas da filosofia? Porque o Dolmen é feito de Pedra, onde ficam "dormentes" as almas, e logo a seguir se apresenta a luz na imagem, não poderá isto significar que é urgente dar espaço ao espírito crítico, soltar do turpor, do adormecimento o espírito? Continue o bom trabalho.
De rolandoa a 18 de Abril de 2008 às 00:24
Cara Carla,
Creio que acima de tudo deviamos respeitar os autores e os colegas de trabalho. Tenho alguma experiência de participação em fóruns, comentários de blogs, etc... e é quase sempre assim: 90% são ou insultos ou elogios e 10% são de gente que está realmente interessada em aprender, discordar e discutir.
Obrigado pelo seu comentário

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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