Sábado, 15 de Março de 2008

Mais que um manual

Porque é mais que um manual, A Arte de Pensar constitui também um bom livro para quem pretende iniciar-se à filosofia. A edição para o 11º ano está pronta, para a qual desejo as maiores felicidades em nome de um ensino da filosofia que se pretende rigoroso e didacticamente orientado, para além de ser um dos raros manuais de filosofia portugueses que ensina filosofia. Fica a apresentação.
 
Rolando Almeida

Apresentação
 
A edição de 2008 do manual A Arte de Pensar (11.º ano, Didáctica Editora) simplifica a planificação das aulas e o processo de avaliação. É imparcial na exposição dos problemas, teorias e argumentos da filosofia e põe o estudante em contacto directo com os filósofos centrais do passado e do presente. Possibilita um ensino dinâmico e crítico, estimulando o estudante a tomar a sua própria posição e oferecendo-lhe os instrumentos críticos para o fazer.
Problemas, teorias e argumentos
 
Neste manual, a filosofia é apresentada ao estudante de modo intuitivo, criativo e rigoroso. Os problemas da filosofia são apresentados como perplexidades naturais que têm origem nos conceitos fundamentais relacionados com as ciências, as artes, as religiões e a vida quotidiana. As teorias dos filósofos são então apresentadas como respostas articuladas e sofisticadas a esses problemas. Por sua vez, estas teorias baseiam-se em argumentos, que são criticamente avaliados pelos estudantes.
 
Para o estudante, não se trata apenas de compreender os problemas, teorias e argumentos da filosofia. Trata-se também de pensar por si, tomar posição e dar os primeiros passos incipientes na actividade própria do filosofar. Para estimular o filosofar, o manual tem as seguintes características:
Fornece aos estudantes instrumentos críticos fundamentais, que lhe permitem discutir ideias com rigor;
Usa uma linguagem simples, precisa e clara;
Define ou caracteriza com rigor os conceitos necessários a uma discussão profícua;
Apresenta inúmeras actividades que estimulam o estudante a rever a matéria dada e a discutir por si os problemas, teorias e argumentos da filosofia.
Actividades
 
O manual propõe um total de 783 actividades: 86 questões de interpretação de texto, 50 questões de discussão de texto, 514 questões de revisão e 133 questões de discussão. Estas actividades visam permitir ao professor planificar aulas que não sejam meramente expositivas, envolvendo ao invés os estudantes na actividade crítica de discussão dos problemas, teorias e argumentos da filosofia.
 
Inclui um teste de diagnóstico, 3 fichas de avaliação sumativa (Livro de Apoio) e orientações para a redacção de ensaios (Caderno do Estudante).
 
O Livro de Apoio inclui propostas de solução para todos os exercícios de revisão e discussão, assim como para as fichas de avaliação sumativa.
Textos
 
Os 53 textos de filósofos clássicos e contemporâneos, dos quais 43 são traduções nossas ou inéditas, permitem ao professor optar por uma abordagem hermenêutica da filosofia, se o preferir, ou por uma abordagem socrática. A abordagem hermenêutica caracteriza-se por usar os textos de filosóficos clássicos e contemporâneos como pontos de partida para chegar aos problemas, teorias e argumentos da filosofia. Para permitir esta abordagem, os textos estão intimamente articulados com as matérias apresentadas ao longo do manual, e incluem inúmeras questões de Interpretação e de Discussão. Quando necessário, os textos incluem também tarefas ou informações de Contextualização. Os textos surgem no final de cada secção, devidamente numerados e correctamente referenciados (autor, título da obra, ano da edição original, tradutor e página). Textos intercalares, mais pequenos, são igualmente incluídos no corpo do manual, enriquecendo assim a exposição das matérias.
 
Filósofos e pensadores clássicos incluídos:Mill
Platão
Sexto Empírico Descartes
David Hume
 
 
Filósofos e pensadores contemporâneos incluídos:
Orwell
Zagzebski
Gettier
Ayer
Kripke
Nagel
Salmon
Hempel
Popper
Putnam
Kuhn
Sokal     Bricmont
Dennett
Searle
Singer
Harris
Kass
Russell
Grayling
Walzer
Galston
Joske
Levy
 
 
O Caderno do Estudante (oferecido ao aluno) inclui 22 textos complementares, acompanhados de propostas de tarefas. Inclui igualmente explicações para ajudar o estudante a abordar textos filosóficos.
Glossário
 
O Glossário reúne 240 definições rigorosas e claras. Estas definições estão intimamente articuladas com a exposição das matérias ao longo do manual. A precisão, rigor e clareza da exposição permitem ao professor optar por uma abordagem socrática. Neste tipo de ensino parte-se da força intuitiva dos problemas da filosofia, para chegar às teorias e argumentos defendidos pelos filósofos e materializados nos textos.
 
A linguagem rigorosa, simples e directa usada ao longo do manual contribui para o sucesso das aprendizagens. E a apresentação intuitiva dos problemas, teorias, argumentos e conceitos centrais da filosofia torna a aprendizagem estimulante.
Informação visual
 
O manual inclui 78 esquemas e tabelas, incluindo sínteses gráficas no final de cada capítulo. O grafismo é sóbrio mas moderno e a iconografia escolhida põe o estudante em contacto com as artes visuais do passado e do presente: todas as obras de arte incluídas estão devidamente referenciadas e incluem uma legenda que as coordena com a exposição das matérias.
Apoio
 
Este site inclui 37 textos de apoio, em permamente actualização ao longo do ano lectivo. No fórum de apoio os autores dão apoio diário aos professores; só em 2006 foram trocadas 1 655 mensagens neste fórum.
 
O Livro de Apoio inclui o seguinte:
41 fichas de apoio, que acompanham as matérias passo a passo.
Propostas de resolução de todas as questões de revisão e de discussão
Fichas de avaliação sumativa, com propostas de resolução
Planificações aula a aula
Guia de Percursos
O Caderno do Estudante, oferecido ao aluno, inclui o seguinte:
Orientações para responder aos exercícios do manual
Orientações sobre como redigir ensaios filosóficos
Elementos de história das ciências
22 textos complementares, com propostas de tarefas
Autores
Os autores são professores e investigadores de filosofia, tendo publicado inúmeros trabalhos, dos quais se destacam os seguintes livros:
Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, direcção de João Branquinho, Desidério Murcho e Nelson Gonçalves Gomes (Gradiva, 2001; Martins Fontes, 2006)
Textos e Problemas de Filosofia, org. de Aires Almeida e Desidério Murcho (Plátano, 2006)
Pensar Outra Vez: Filosofia, Valor e Verdade, de Desidério Murcho (Quasi, 2006)
Preparação para o Exame Nacional de Filosofia, de Pedro Galvão (Porto Editora, 2006)
Para a Renovação do Ensino da Filosofia, org. de Desidério Murcho (Plátano, 2006)
A Ética do Aborto, org. de Pedro Galvão (Dinalivro, 2005)
Dicionário Escolar de Filosofia, org. de Aires Almeida (Plátano, 2003)
O Lugar da Lógica na Filosofia, de Desidério Murcho (Didáctica Editora, 2003)
Renovar o Ensino da Filosofia, org. de Desidério Murcho (Gradiva, 2003)
Avaliação das Aprendizagens em Filosofia: 10.º e 11.º Anos, de Aires Almeida e António Paulo Costa (Departamento do Ensino Secundário do ME, 2002)
Essencialismo Naturalizado: Aspectos da Metafísica da Modalidade, de Desidério Murcho (Angelus Novus, 2002)
A Natureza da Filosofia e o seu Ensino, de Desidério Murcho (Didáctica Editora, 2002)


publicado por rolandoa às 01:13

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12 comentários:
De Mário Silva a 19 de Março de 2008 às 22:44
Este manual tem mérito, como muitos outros que andam no mercado. O que já é mais questionável é um blogue que tenta passar uma imagem de objectividade (e de isenção), que pede contributos na análise dos manuais e que depois, de uma forma desavergonhada, faz a apologia acrítica deste manual, com comentários e sugestões do autor por meio, sendo o dinamizador deste blogue - que se limita muitas vezes a fazer "copy" "past" das análises que os outros fazem de livros - o Assistente Editorial (LOL) da crítica na rede.
Eu teria muito a dizer sobre os vários manuais, mas aqui não o faço de certeza... porque não estou para que os meus comentários sejam arrebatados com frases feitas tipo "O Arte é o melhor do mercado", "os autores do Arte é que sabem muito de filosofia", "os outros são de filosofia pimba", "quando conheci o Arte a minha vida mudou para sempre"....
De Joana Gomes a 19 de Março de 2008 às 22:56
Subscrevo completamente o que está a dizer
De Prof a 19 de Março de 2008 às 23:00
Mesmo assim, Mário Silva, não deixe de dar o seu contributo, que é sempre importante. depois as pessoas são capazes de filtrar as mensagens e de perceber quem é que "trabalha" para quem
De rolandoa a 19 de Março de 2008 às 23:43
Caro Mário,
Eu abri este espaço que é meu, que o realizo com o meu trabalho e gratuitamente à crítica de manuais para que pessoas que pensam como o Mário exponham os seus argumentos. Aquilo que está a fazer não é apresentar argumentos, mas a tecer acusações de que não sabe a verdade. está fazer publicidade mais maldosa que a minha, pois a minha, se a quer entender como publicidade, apresenta razões, ao longo de pelo menos dois anos de existência. Sim é verdade, considero que o Arte de Pensar foi a melhor obra feita para o ensino da filosofia em portugal nos últimos anos. è natura que provoque reacções como as suas. Já agora faltou-lhe uma acusação que vai sendo já habitual: que sou funcionário da editora do Arte.
Em relação à originalidade dos meus textos: não pretendo com eles reinventar a filosofia, mas divulgá-la, por essa razão estou descansado em relação à falta de originalidade, mas garanto-lhe que aqueles que são assinados por mim, são escritos por mim. Quando eu quiser fazer uma tese de doutoramento não o farei num blog, pois claro. Mas, Mário, convido-o a passar dos ataques e passar a argumentar. Está lançado o desafio: escreva o que pensa dos manuais e do ensino da filosofia em Portugal.
Volte sempre
Rolando Almeida
De Valter Boita a 19 de Março de 2008 às 23:27
Olá Mário.

Não quero com este comentário ocupar o espaço que o autor do blogue tem, mas como escrevi um texto sobre manuais escolares, que foi gentilmente publicado pelo Rolando, creio que me sinto lesado moral e intelectualmente pelas suas acusações, pelo que vou responder-lhe.

Não sei onde é que leu no meu texto que o manual Arte de Pensar é melhor do que os outros. Dei um exemplo de dois manuais diferentes, um deles era o Arte, que´há uns cinco anos, creio eu, demarcaram-se dos restantes manuais pelo modo como ensinam filosofia e como respeitam a aprendizagem dos alunos. Naturalmente que os outros manuais também ensinam filosofia e respeitam a aprendizagem dos alunos, pensava eu até usar o percurso didáctico e pedagógico que estes dois manuais oferece. Mas daí, pelo facto de ter resultado comigo, não quero concluir que resulte com toda a gente.

Dado que não sou autor de manuais nem tenho ambições de o ser, é na condição de professor de filosofia que me compete julgar e avaliar criticamente os manuais antes de serem adoptados. Acho que essa é a minha função e parece-me que o Mário também defende o mesmo. Torna-se numa espécie de imperativo categórico para os professores avaliarem os manuais e, antes disso, discutirem percursos didáctico-pedagógicos. Infelizmente, tenho leccionado quase sempre com manuais que o Mário deve apreciar e os resultados não são muito satisfátórios, porque apresentam uma filosofia indigesta para os alunos, obrigam-nos a corrigir erros científicos e imprecisões conceptuais, os alunos não treinam competências de pensamento crítico e autónomo, porque o manual está redigido com um discurso pouco claro e imerso em equivocidades. Poderá dizer-me, e eu concordo, que a função de um professor é superar o manual. Pois é. Mas o manual não existe para estarmos a competir com ele, para ver quem sabe mais, se o professor ou o manual, mas este é uma ferramenta para os alunos. Por isso, rejeito imediatamente manuais redigidos para professores, assumindo um estilo demasiado académico, cuja selecção de textos não respeita as recentes investigações filosóficas. Além disso, rejeito um manual que não ajude o aluno a tornar-se autónomo e a pensar de um modo claro, preciso, coerente e crítico. Eu estou nas aulas para ajudar os alunos nesse sentido, mas não posso parir as ideias por eles, daí que o manual também é importante, ou é ainda mais importante, se conseguir cativar a leitura por parte dos alunos. E repare-se que não o consegui com outros manuais e já consigo isso com o Arte de Pensar. Não considera que é um efeito bastante positivo?

Adianta que os autores não devem intervir nas caixas de comentários. Então devem fazer o quê? Preparar os seus discursos apologéticos para as sessões de apresentação de manuais? Acho completamente absurdas essas sessões, quando no século XXI existe a Internet, fóruns de discussão e blogues, que dariam muito mais sentido à discussão de qualidade de manuais. Nunca fui a uma sessão de apresentação, mas pelo que ouço dizer não é nada de interessante. Dar-me-ia mais gozo ir a uma sessão onde se discutissem manuais e se confrontassem diferentes leituras do programa e do processo de ensino-aprendizagem, do que ouvir os autores que naturalmente desejam cativar o interesse do seu auditório. Assim, aprecio a generosidade com que os autores de determinados manuais nos esclarecem e se predispõem a discutir. Não será essa a sua função?

Finalmente, reitero o facto de me sentir intelectualmente lesado, porque já é tempo de ouvir outras posições. Repare que nunca tive a oportunidade de ler, sobretudo nas pesquisas que tenho feito nos espaços online dos autores de outros manuais, argumentos a favor de determinados manuais que o Mário deve apreciar. Eu gostaria de ler argumentos a favor de outros manuais, de ler reflexões sobre os percursos didáctico-pedagógicos que esses manuais fazem, analisar os resultados obtidos e os sucessos atingidos, mas a
a atitude dos defensores desses manuais é a mesma que assumiu: não querer falar do assunto. Ora, tal não significará que não há argumentos a apresentar? Eu digo isto em tom de provocação porque gostaria de ler argumentos a favor de certos manuais que, pelo que lhe parece, este espaço não tem consagrado.
Cumprimentos
De Mário Silva a 19 de Março de 2008 às 23:50
Caro Valter Boita

Desculpe a frontalidade, mas a arrogância do seu comentário justifica a minha opção. Repare que eu não me estava a dirigir a si, mas ao autor do Blogue (Rolando). Repare que comecei por dizer que "Este manual (o Arte) tem mérito", mas não deixei de salientar que muitos outros também o terão, e efectivamente TÊM. Repare que a sua preocupação foi, por mais do que uma vez, dizer que eu devo apreciar determinados manuais que não apresentam resultados satisfatórios com os alunos. Agora, se eu recorresse ao seu "estilo" de discurso (tipo lógico-patético) diria:

como eu aprecio o Arte e como o Valter diz que os manuais que eu aprecio não apresentam resultados satisfatórios com os alunos, então o Arte não apresenta resultados satisfatórios com os alunos.

É esta a minha crítica a este blogue: tenha CALMA! Alguns ficam histéricos se uma pessoa no seu discurso não utiliza, pelo menos, 3 vezes a expressão "O Arte é o melhor do mercado". Não tenha a arrogância de presumir o que eu penso sobre manuais. E ao contrário do que diz, existem muitos sites de opiniões que não se limitam a esta panelinha dos "críticos".
Últimas notas: a opinião dos autores é importante quando em contexto próprio e quando eles podem "testar" o manual. Diga-me: como é que o Desidério sabe "se conseguiu cativar a leitura por parte dos alunos"? NUNCA!

Se nunca foi a uma sessão de apresentação de manuais, vá! É sempre feio falar, falar, falar com base no "pelo que ouço dizer não é nada de interessante" (Agora já sei, vai responder: "porque o Mário é de certeza daqueles que vai às sessões para comer, bla, bla, não sabe nada de filosofia, bla, bla, e não percebe que "O Arte é o melhor do mercado", blá, blá)

É por tudo isto que eu não dou a minha opinião aqui
De rolandoa a 19 de Março de 2008 às 23:58
Caro Mário,
Os comentários são livres no meu blog. Agradeço que respeite os comentadores. Se acha que outros manuais tem mérito, como eu acho e tenho mostrado mesmo que o Mário não o ande a ver, mostre com argumentos. É isso, creio, que o colega Valter lhe pediu e fê-lo com razão.
Recordo-lhe que nos últimos meses tenho publicado informação proveniente do manual de Luís Rodrigues e não do Arte, mas o Mário só vê o que quer ver.
Rolando Almeida
De Valter Boita a 20 de Março de 2008 às 00:17
Caro Mário,

Se aprecia o Arte, não percebo por que razão se sente constrangido pelo facto de as suas qualidades serem mencionadas.

Eu não ando a vender livros, isso cabe às editoras, agora cabe-me a mim discutir e avaliar propostas de manuais. O que me interessa é o ensino da filosofia, daí que me interessasse ouvir os seus argumentos. Mas como pareceu-me ver um recuo da sua parte, afinal aprecia o Arte, já não me interessam os seus argumentos. Porque nao aprendo com quem concorda comigo, mas com quem discorda e olhe que, francamente, estou muito interessado em aprender.

Se me diz que há comida de borla nas apresentações, olhe que talvez repense na minha posição e pode ser que nos encontremos e partilhemos um pastel de bacalhau.

Um abraço
De Mário Silva a 20 de Março de 2008 às 00:38
Ora vamos lá a ver:

O Valter diz: "Eu gosto de A por causa de a, b e c".
E eu digo: "Ó Valter, não está a ver, mas A também é bom por causa de d, e e f".
O Valter responde: "Tem razão, Mário, nunca tinha reparado!"

Diga lá: concordamos que A é bom, mas "aprendeu" alguma coisa comigo. Claro que A é o pastel de bacalhau e enquanto pensava em raciocínios, argumentos e afins eu comi-o de uma só dentada.
De catia faria a 20 de Março de 2008 às 11:20






Os comentários gerados por este post merecem uma reflexão da nossa parte.
Seria de esperar a polémica, sendo que o Arte, veio introduzir uma nova forma de olhar o ensino da filosofia, exigindo evidentes rupturas com a prática pedagógica dominante nesta área; sabemos que a eliminação de velhos hábitos é invariavelmente dolorosa, tanto mais quando vêm associados ao conhecimento de formação. Sejamos francos: quando o Arte chegou, pela 1ª vez, às escolas todos gritamos que aquilo não era filosofia, não porque não o fosse, mas porque aquela linguagem nos era totalmente desconhecida. Podemos tentar identificar causas para isso, fracas formações académicas, más opções editoriais na divulgação da filosofia, pouca disponibilidade para a filosofia para lá das opções programáticas. Sejamos justos: identificar causas para a má formação filosófica que todos temos já de pouco nos serve. Hoje, não só devido ao Arte de pensar, mas também motivado pelas suas opções, alguns dos mais centrais filósofos contemporâneos podem ser encontrados nas prateleiras da Fnac, já não no glamouroso francês de outrora, mas em português, ou em alguns casos, num inglês límpido a que com pouco esforço qualquer professor pode aceder. A massificação da Internet veio, também permitir não só um contacto directo com os filósofos (veja-se por exemplo o site de Peter Singer http://www.princeton.edu/~psinger/cv.html, entre muitos outros), mas também um acesso ilimitado ao mercado internacional de livros online.
Esta é a realidade que temos hoje e podemos procurar recusá-la, combatê-la, conservando intactas as nossas crenças, porém, cada vez mais escasseiam boas razões para continuarmos a fazê-lo.

O facto de termos estudado filosofia não nos garante a libertação automática de preconceitos. Não temos acesso à verdade só por ficarmos quietinhos a olhar para a parede, quando atrás de nós, ao lado, por todas os lados, se está a fazer filosofia. É preciso continuar a discutir com novas ideias e argumentos aqueles problemas que nos encantaram um dia, formular outros novos e igualmente importantes. Só assim estaremos a dar o nosso valioso contributo à filosofia e ao seu ensino em Portugal.
E este blog parece-me um óptimo lugar para começarmos a fazê-lo.

Um abraço, Cátia
De Valter Boita a 20 de Março de 2008 às 11:49
Mário, eu nunca pensei que fosse dos tais que aproveita as apresentações de livros para para dar azo à sua saciedade alimentar. Mas pelo que escreveu no último comentário ficou bem claro para todos nós.
Mais uma coisa: insiste que este não é o espaço para escrever o que pensa. Pelo contrário, o espaço para escrever o que pensa é exactamente este e o Rolando já se predispos a publicar as suas ideias. Ou julga que o espaço para escrever o que pensa deve ser onde todas as pessoas que o lêem estarão de acordo consigo? Assim, parece-me não vale a pena ser lido, se em vez de críticas e propostas de reflexão, receber palmadinhas nas costas, do género, "tu és mesmo bom, falaste bem".
FInalmente, agradecia que me disponibilizasse os "links" para os tais sítios que existem na Net, em que se discutem outros modos de ensinar filosofia no secundário. Obrigado.

Cátia, boa reflexão sobre o estado de coisas referente à resistência por parte de muitos colegas. Descreveu de forma pertinente o que se passou igualmente comigo.
Um abraço
De Desidério a 21 de Março de 2008 às 17:11
Caros colegas

Desde há uns anos que divulgo a filosofia. Mais tarde, um grupo de professores propôs que participasse na redacção de um manual novo, que veio a ser o Arte. E desde há muitos anos que encontro demasiadas brigas, que me parecem totalmente desadequadas e deletérias. Desadequadas, porque as pessoas são livres de escolher o que querem ler, e os professores os manuais que querem adoptar. E deletérias porque além de darem uma péssima ideia da nossa profissão (um conjunto de tolos incapazes de ter uma disputa racional sem entrar em ofensas pessoais e ataques sujos), não geram um clima de cooperação em prol da excelência do ensino, divulgação e investigação da filosofia.

Por vezes, são as acusações do “analítico”. Outras, a de “comercialismo”. Outras, de se ser “tendencioso”. Tudo isto pode ser ou não verdade, mas que relevância tem? Não ajuda os estudantes a estudar melhor filosofia e a gostarem mais desta disciplina. Não ajuda os investigadores a fazer um trabalho de mais alta qualidade e mais informado. Não ajuda os professores a dar melhores aulas e a conhecer melhor as bibliografias e as matérias. E não ajuda o grande público a compreender melhor e a valorizar mais a filosofia.

A diversidade é salutar. É bom haver vários livros, vários manuais, várias publicações online. E também é bom haver várias opiniões sobre essas coisas todas. O que não é bom é alguém achar que as opiniões dos outros devem ser como as suas. Se alguém considera que o Arte é um manual melhor do que qualquer outro, e que além disso foi pioneiro, qual é o problema? Outra pessoa pode discordar e é saudável que discorde, mas não vejo que sentido faz atacar o direito dos outros a ter uma opinião diferente da sua.

O Rolando convidou os professores a falar neste blog sobre os manuais que quisessem a discutir os manuais que quisessem. Isso sim, parece-me uma ideia excelente. E parecer-me-ia muito mau que ele dissesse logo a seguir: mas ninguém tem o direito de ser tão estúpido, ou vendido, ou sintético, ou seja o que for, que não concorde comigo. Mas o Rolando não disse isso, pois não?

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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