Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Manuais Escolares

Em resposta ao meu apelo inicial para os professores se pronunciarem sobre manuais escolares, recebi uma resposta bem reflectida da professora de filosofia, Cátia Faria. Publico o texto na integra.
 
Manuais Escolares
 
A escolha de manuais é um momento de grande divergência e polémica nas escolas e, em particular, no Grupo de Filosofia. Defendo que ainda bem que há essa divergência, sendo, contudo, certo que alguém está errado nesse confronto. Gostaria aqui de recordar os principais critérios que orientam habitualmente esta escolha, chamando a atenção para alguns equívocos e contradições que o seu cumprimento poderá levantar.
 Cátia Faria
Rigor científico:
Verificar o rigor científico de um manual é fazer uma pergunta muito simples: Este manual tem ou não rigor científico? Defendo que esta questão só pode ser bem entendida e, consequentemente, respondida, sob um ponto de vista discreto, isto é, ou um manual tem rigor científico ou não tem rigor científico.
Em primeiro lugar, e porque a filosofia se ocupa de problemas conceptuais, é de extrema importância que os conceitos relevantes para a discussão de um dado problema filosófico sejam utilizados no seu sentido próprio. Por exemplo, para discutirmos o problema filosófico de saber se há ou não livre-arbítrio é necessário que a noção de livre-arbítrio esteja claramente definida. Para podermos tomar posição sobre um dado problema é necessário que partamos rigorosamente dos mesmos conceitos, ainda que para chegar a conclusões radicalmente distintas das dos nossos pares. Discutir o problema do livre-arbítrio partindo da ambiguidade do conceito será sempre uma discussão tão inútil quanto discutir com alguém se será aceitável por os pés em cima da mesa, utilizando para isso diferentes conceitos de mesa.
Em segundo lugar, poderá pensar-se que o facto de, em filosofia, existirem noções cuja caracterização ou definição filosófica é amplamente disputável[1], contraria esta necessidade de rigor, mas isto é falso. A ideia de que somos muito críticos porque nunca estamos de acordo nem sequer quanto às questões mais elementares é não só uma ideia errada, como também uma atitude denunciadora de falta de rigor no entendimento do próprio trabalho filosófico. É porque em filosofia muitas das noções são disputáveis que a necessidade de rigor na delimitação dos problemas, na exposição exacta das teorias e na apresentação cuidada dos argumentos se torna mais premente. A isto chamo rigor científico e creio dever estar assegurado num bom manual de filosofia (embora não seja suficiente, como veremos mais adiante).
 
Assim, da mesma forma que num manual de Física não aceitamos que a lei da gravidade esteja exposta com mais ou menos rigor, na filosofia não podemos aceitar algo diferente. Ou a definição tradicional de conhecimento está apresentada com rigor científico ou não está – a exigência  tem que ser a mesma. Se há rigor, o manual é adoptável, se não há rigor, deve ser rejeitado.
 
Adequação ao programa:
Verificar a adequação de um manual de filosofia ao programa de filosofia é uma tarefa fácil. Pega-se no programa de um lado e, do outro lado, pomos o manual a ser confrontado. Se há seguimento das orientações programáticas, o manual é adoptável, se não há seguimento o manual não é adoptável. Verificar a adequação de um manual de filosofia à filosofia é que já é uma tarefa mais complicada. Penso que, para isso, será necessário responder sem gaguez às seguintes questões:
 
  1. O que é a filosofia?
  2. Quais são os conteúdos e competências específicos da filosofia?
  3. Quais são os principais problemas, teorias e argumentos da filosofia?
  4. Quais são os principais debates da filosofia contemporânea e em que medida têm contribuído para a revitalização de antigos problemas e criação de novos?
 
Pressupõe-se que o programa de filosofia nos orienta na resposta a estas questões. Mas esse pressuposto é falso. O programa de filosofia não pretende responder a qualquer uma destas questões, pelo contrário, pretende através da lacuna e da vagueza bloquear o acesso à filosofia propriamente dita. O programa de filosofia assemelha-se a um grande temário, a partir do qual se torna possível falar de quase tudo, excepto dos conteúdos específicos da disciplina: os seus problemas, teorias e argumentos. Não é pois, de estranhar que seja nos manuais seguidistas do programa que mais facilmente consigamos encontrar graves erros científicos. É pois, aceitável, neste contexto, embora discutível, como veremos, a ideia de que dificilmente algo menos perfeito pode dar origem a algo mais perfeito do que si próprio. Se o programa de filosofia é o exemplo máximo do obscurantismo e da falta de rigor, o que esperar dos seus manuais?
Nos últimos anos, abriu-se, contudo, uma brecha de esperança no mercado dos manuais de filosofia. Estes novos manuais são os contra-exemplos que necessitávamos para provar que é falsa a ideia de que se temos um programa mau, os manuais são necessariamente maus. Ora bem, o programa mantém-se mau, mas alguns manuais já não são maus e, não desrespeitam o programa. Portanto, neste momento só escolhe um mau manual quem quiser.
 
Por grande azar, nunca estive numa escola que adoptasse um desses manuais, quando voto, voto para o ano seguinte e no ano seguinte nunca estou lá. Contudo, utilizo esses manuais na preparação das minhas aulas, elaboro dezenas de fichas e faço centenas de fotocópias. Os alunos agradecem. Tudo o que se tem dito sobre a dificuldade dessas propostas é falso. E, em todo o caso, a dificuldade transparente e acessível através do esforço é sempre melhor do que a retórica esteticista e obscura, inabordável sob um ponto de vista verdadeiramente filosófico.
 
Adereços:
Da minha experiência, os adereços do manual são, quase sempre, como quaisquer outros adereços: estão lá, mas podiam perfeitamente não estar. A sua ausência não retira nada de relevante ao objecto principal. Às vezes são tão brilhantes que ofuscam aquilo que importa. Eu não gosto de adereços, a não ser os direccionados para a burocracia, e mesmo esses metade das fichas propostas vão directamente para a reciclagem. Por razões óbvias de mercado e de marketing básico, os manuais vêm carregados de acessórios. A meu ver, e estamos treinados nesse exercício, deveríamos severamente separar o essencial do acessório, concentrando-nos no manual, depois no caderno de actividades, se ele existir, e não olhar para o resto. Se o manual for bom, o resto será útil, se o manual for mau, o resto será, certamente luminoso, fantástico, mas ao fim de duas utilizações, cansamo-nos dele, como de qualquer adereço demasiado garrido.
 
Novo critério – Probabilidade de Ensinar a Pensar
 
A meu ver, a questão mais importante a fazer perante um manual é: qual é a probabilidade de este manual ensinar os alunos a pensar? Ora, a opção por um manual com maior probabilidade de ensinar a pensar será sempre directamente proporcional ao valor que atribuímos ao ensino da filosofia visto imparcialmente, isto é, qual é o valor do ensino da filosofia, para lá do emprego que me permite, por acaso, ter. Aproveito a analogia entre a filosofia e a música apresentada no manual que, até ao momento, melhor exemplifica aquilo que pretendemos de um manual de filosofia, a saber, Arte de Pensar, filosofia 10º ano, Didáctica, pp.25:
 
Na filosofia, queremos compreender melhor o que os filósofos pensam para discutir as suas ideias. Estudar filosofia é como estudar música e estudar história da filosofia é como estudar história da música. Num caso, aprendemos a pouco e pouco a tocar um instrumento ou a compor peças musicais; no outro aprendemos apenas a apreciar a música do passado. Em filosofia, aprendemos a pouco e pouco a filosofar; em história da filosofia, aprendemos apenas a compreender e formular as ideias dos filósofos.
 
Queremos mais manuais como este.
 
Cátia Faria


[1] Textos e Problemas de Filosofia, Aires Almeida e Desidério Murcho (Org.), Plátano Editora, Lisboa, pp.13


publicado por rolandoa às 23:20

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10 comentários:
De DasSociedades Humanas às Soc Artificiais a 11 de Março de 2008 às 16:38
Penso que pode ser do interesse dos leitores deste blogue o Ciclo de Conferências "Das Sociedades Humanas às Sociedades Artificiais". Informação disponível no sítio do Ciclo de Conferências (http://institutionalrobotics.wordpress.com/).
De rolandoa a 11 de Março de 2008 às 16:51
Sem dúvida que há interesse. Peço desculpa pela desatenção da minha parte e fico agradecido.
Rolando Almeida
De Valter Boita a 12 de Março de 2008 às 15:36
Concordo na integra com o que a colega disse. Também concordo com o facto de o manual Arte de Pensar seja um dos melhores, ou mesmo o melhor, do mercado. Por isso, estou curioso para receber o do 11º ano. Apenas lamento o facto de este manual poupar-se na selecção de textos de autor e abusar dos textos dos autores do manual. Um bom manual deve ser mais indicador do que indicativo.
Um abraço
De rolandoa a 12 de Março de 2008 às 21:46
Olá Valter,
Apesar de não ser o autor do texto, vou responder-te a uma parte do teu comentário. Discordo quando referes que o Arte tem muito texto dos autores do manual e poucos textos dos filósofos. Um manual, em regra, não deveria ter nenhum texto dos filósofos. Para isso temos as antologias de textos e curiosamente dois autores do Arte publicaram já uma antologia de textos devidamente organizada segundo o programa de filosofia (Textos e Problemas de filosofia da Plátano). Nós é que estamos habituados a ver manuais cheios de textos retirados dos livros dos filósofos, mas é um erro tal acontecer. E acontece porque estamos habituados a fazer das aulas de filosofia um mero exercício de comentário e interpretação de textos. Mas quem disse que isso é ensinar filosofia? :-)
Abraço
Rolando
De catia faria a 12 de Março de 2008 às 23:00

Olá Valter,

Antes de mais, obrigada pelo teu comentário. É sempre bom saber que não andamos sozinhos a «pregar» no deserto.

Compreendo o que dizes quando falas da escassa aparição de textos originais de filósofos no Arte. Na verdade, eu própria quando contactei com o manual pela primeira vez estranhei esse facto. A questão que se levanta, contudo, tenho que concordar, é a que coloca o Rolando. Será que o manual é o lugar onde devem estar esses textos?

Eu não sei responder a isso.

Contudo, pelo percurso que tenho seguido com os meus alunos, parece-me fazer mais sentido didáctico, a interpretação e discussão de um texto de referência (não necessariamente de referência para o programa), no final de cada capítulo. Esses textos vão, aliás, acompanhados, como deves ter reparado das sugestões bibliográficas mais relevantes e dos sítios de Internet onde podes, tu e os alunos, procurar informação adicional sobre os problemas apresentados (na linha dos mais recentes livros de filosofia em língua inglesa).

Eu tenho a antologia de textos de que fala o Rolando e utilizo-a com alguma frequência, menos é certo, do que esperava inicialmente. Não sei como te explicar, mas muitas vezes não me parece necessário. Pode parecer-te um sacrilégio, mas não posso esquecer que um dos livros introdutórios à filosofia que mais me marcaram foi exactamente um livro em que o autor não citando um único filósofo, não apresentando qualquer excerto das grandes obras faz mais pela filosofia do que os manuais todos juntos que circulam nas escolas (salvo honrosas excepções), razão pela qual o recomendo vivamente aos meus alunos. Falo do livrinho O que quer dizer tudo isto? De Thomas Nagel, editado pela Gradiva.

Um abraço e, mais uma vez, obrigada.
Cátia
De Desidério a 12 de Março de 2008 às 23:23
Caros colegas

Muito obrigado à Cátia, antes de mais, pelas suas palavras, e ao Valter também. Todas as sugestões, críticas (destrutivas ou não, isso não nos interessa), podem ser enviadas para apoio@aartedepensar.com ou podem conversar connosco, autores do Arte de Pensar, no nosso fórum: www.aartedepensar.com/forum.

A questão dos textos de filósofos é muito importante. Se não estou em erro, os nossos manuais têm mais textos de filósofos do que qualquer outro manual. O que não têm é textos de sociólogos, psicólogos, jornalistas, comentadores, historiadores, etc. Isto porque não é possível pôr tudo num manual e nós privilegiamos os filósofos propriamente ditos, sobretudo os clássicos, pois parece-nos muito importante os estudantes contactarem com eles.

Contudo, nem sempre é fácil descobrir textos de filósofos que obedeçam a duas condições: 1) tenham algo a ver com o programa do ministério e 2) sejam adequados para estudantes de 15 e 16 anos. Todas as sugestões de inserção de textos específicos deste ou daquele filósofo neste ou naquele capítulo serão muito bem-vindas.

Finalmente, deixem-me concordar com a Cátia numa coisa: um manual pode ser excelente, e poderíamos fazer um manual excelente, sem um só texto e sem uma só referência à história da filosofia. Não é essa a nossa abordagem, mas é uma abordagem possível e é pena que não existam manuais assim. A bem da diversidade.
De humanitas5@gmail.com a 13 de Março de 2008 às 12:46
Olá a todos!

Cátia, concordo contigo (vou tratar-te por tu, pode ser?), quanto à selecção de textos. Uma das razões que me levou a votar no Arte e a gostar de ensinar através deste manual é a selecção de textos, seguindo o princípio da qualidade em detrimento da quantidade. Talvez tenha sido mal interpretado neste ponto.
No entanto, "a posteriori", parece-me que este manual poderia estar mais contido nos textos dos autores. Sempre defendi que num bom manual escolar deveria de haver contenção neste aspecto, ainda que os textos dos autores do manual sejam bons e didácticos, sob o ponto de vista do aluno.
No entanto, na minha prática não faço das aulas leitura dos textos dos autores do manual, ainda que use os bons diálogos que ele contém e as definições dos conceitos. Um manual é bom quando contém um bom percurso didáctico e de aprendizagem. Como este manual apresenta um bom percurso didáctico (que auxilia no método de ensino a seguir) bem como é útil para os alunos (já que pela primeira vez, os alunos lêem o manual em casa e acontece-me, sem lhes pedir, que quando estou a iniciar um novo problema, eles tenham tido a curiosidade para ler os novos argumentos que vamos estudar... e isto é mérito do manual), por isso, considero os textos dos autores do manual importantes, mas não fundamentais.
Além disso, também podem ser fonte de dispersão. Repare-se que o programa indica 6 aulas para o problema da natureza dos valores e do diálogo intercultural, e se seguissemos o percurso que este manual faz, ainda que seja excelente, demorariamos o dobro das aulas previstas. É por isto que falo de contenção.

Desidério,
Confesso-lhe que nem sequer imagino a ginástica que têm feito para obedecer a esses dois critérios que apresentou. Pois a selecção de textos deve cingir-se a eles, não há a menor dúvida.
Agora, não posso concordar consigo quanto ao facto de num manual se poder prescindir dos textos de filósofos. Repare que assim não teríamos um manual escolar, mas um livro de divulgação. Como seria possível ensinar com um livro de divulgação? Creio que isso dificultaria a aquisição de um método de aprendizagem nos alunos do 10 ano, confrontados com a disciplina pela primeira vez. Repare-se que os alunos de hoje são bem diferentes do que éramos há uns anos atrás. A grande maioria não lê, não gosta de ler e está cognitivamente preparada para compreender melhor através dos meios audiovisuais. Os professores de hoje têm como exigência (e esta aparece nos documentos oficiais e somos avaliados por isso) usar e incrementar o uso das TIC. Eu sou bastante céptico em relação a isso, e por mim, bem que ensinaria com um bom livro de divulgação. Mas creio que os alunos pouco aprenderiam e, além disso, não estariam em condições de apreenderem os conteúdos só através de texto de divulgação. Por isso, prefiro os manuais: fornecem-nos textos introdutórios redigidos pelos autores, há selecção de textos (boa no caso do Arte que conseguiu apartar tudo o que era ruído, desde os textos literarios a textos jornalisticos), o percurso é construtivo, contém boas sínteses e boas questões de discussão. Por outro lado, os alunos devem ler os filósofos, bem como os alunos que estudam Biologia gostam de observar pelo microscópio. A análise de um texto de um filósofo é o modo mais cativante, para os professores e alunos, de ensinar filosofia, é como sujeitar os conceitos e os argumentos ao tal microscópio.
Um abraço
De Valter Boita a 13 de Março de 2008 às 12:48
Desculpem-me não assinar o comentário. Mas os blogues do sapo são um bocado inacessíveis a quem tem contas na blogspot. :)
De Desidério a 13 de Março de 2008 às 22:55
Olá, Valter

Deixe-me discordar da ideia de que não se pode ensinar bem filosofia sem os textos dos filósofos. Penso que se pode fazer isso. Um semestre em que se leia e discuta cuidadosamente o livro do Thomas Nagel, Que Quer Dizer Tudo Isto?, poderá ser um excelente semestre. Ou, se considerar que neste caso é um texto de um filósofo, o livro Elementos Básicos de Filosofia, de Nigel Warburton.

É perfeitamente possível ensinar bem filosofia sem passar pelos textos dos filósofos. Chama-se a isso o método socrático: põe-se o estudante em contacto com os problemas, teorias e argumentos da filosofia, sem terem de ler os textos originais onde esses problemas, teorias e argumentos são discutidos. Afinal, os estudantes de biologia também não vão ler Darwin, nem precisam disso.

Repare que não estou a defender que o método socrático é melhor ou pior do que o método que é mais natural, e que seguimos no Arte, em que o estudante contacta com os textos clássicos. Só estou a dizer que é um método que, bem concretizado, pode funcionar muito bem.
De Valter Boita a 14 de Março de 2008 às 18:46
Olá Desidério!

Talvez não tenha compreendido o que entende por método socrático e como este pode, ao ser aplicado no ensino de filosofia, suspenda a necessidade de ler os filósofos. A minha dúvida é a seguinte: poderá o método socrático prescindir dos textos dos filósofos? Porquê?

Quanto à organização de um "manual" que não tenha textos de filósofos, parece-me uma ideia interessante, do ponto de vista "a priori" e creio que só mesmo experimentando com os alunos é que se poderá saber se é viável ou não. Mas creio que uma inovação dessa natureza em nada contribuiria para pôr em risco o bom ensino de filosofia. Usar nas aulas um texto de divulgação tem, ainda assim, algumas limitações:
1ª. Os alunos ficariam com uma visão mais pobre da filosofia, já que lhes seria vedada a leitura de textos de filósofos.
Poderá objectar, alegando que a leitura de textos de filósofos clássicos não lhes seria vedada, pois caberia aos professores fazer a selecção desses textos e completar o livro com eles. Mais voltamos à história da fotocópia, os alunos queixam-se, os pais reclamam por que razão pedimos nós para adquirirem um livro se andamos a fornecer-lhes cópias.

2ª Os alunos ficariam com uma visão um pouco "autorizada" da filosofia. Ou seja, imaginando que adoptaríamos o livro escrito por Fulano de Tal, passaríamos um ano a analisar o modo como ele interpretou os argumentos clássicos sobre determinado problema, chegando a um momento em que os alunos se cansam de estudar a interpretação do Fulano de Tal, como se fossem as únicas ou as mais completas. Ora a este propósito, um manual tem vantagens: mostra ao aluno que na filosofia há varias posições e várias respostas e que actualmente se têm demarcado os filósofos X e Y nas respostas a este problema. Ver a filosofia pelos olhos de um indíviduo ou dois, dispensando os textos clássicos, parece-me que transformaria a filosofia novamente em algo catequético, voltando, assim, ao princípio da autoridade. É bem verdade que nas outras disciplinas houve manuais de grandes matemáticos e físicos que se aproximavam do modelo que o Desidério quis mostrar. Certamente que esses livros de divulgação foram preciosos e marcaram as gerações. No entanto, em filosofia não é um elenco de fórmulas e de experiências, que sejam reconhecidas e aceites por todos. Não há uma tabuada mínima na qual os filosofos estejam de acordo. POr isso, prefiro os bons manuais como têm sido feitos, pela novidade, sem descurar o que os filósofos pensaram e como o fizeram.
Bom, isto foi apenas uma proposta de análise. Embora, não seja tão bota de elástico assim! :)

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Rolando Almeida


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