Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Escritos sobre uma vida ética

Tenho ouvido dizer, mesmo em alguns comentários neste blog, que Peter Singer não é um filósofo profundo. Este preconceito merece ser desmistificado com as leituras dos livros do filósofo que, entretanto, vamos traduzindo. E, enquanto o preconceito impera, mesmo vindo de muita gente da filosofia, o que é de estranhar nos tempos que correm, Singer dedica-se a organizar os melhores compêndios de ética da filosofia contemporânea e a contribuir decisivamente para mudar o rumo da reflexão filosófica, principalmente no ramo da ética aplicada, ao mesmo tempo que dá conferências em todas as universidades do mundo e publica dos melhores livros de ética que a contemporaneidade nos pode oferecer.
Peter Singer, escritos sobre uma vida ética, Dom Quixote, 2008

Escritos Sobre Uma Vida Ética reúne os ensaios mais importantes e bem-sucedidos de Peter Singer, filósofo mundialmente conhecido pelas posições controversas que assume e pelos textos polémicos que assina.

O livro aborda de uma forma provocadora, talvez mesmo perigosa, os temas mais importantes da actualidade, desafiando o senso comum e as ideias preconcebidas em assuntos como a eutanásia, o aborto, o uso de embriões humanos na investigação científica ou a obrigação moral das pessoas ricas ajudarem as pobres.


                                          
publicado por rolandoa às 01:54

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17 comentários:
De DF a 6 de Fevereiro de 2008 às 23:36
porque acho que P. Singer não é um filosofo profundo:
- O facto de nivelar a espécie humana com seres de outras espécies.
- A igualdade moral que reconhecemos na dignidade dos seres humanos será reconhecível em animais de outras espécies?
- Se os animais têm direitos, porque não têm deveres? será que os animais têm consciência moral para ditar normas?
- O principio de igual consideração de interesse tb levanta dificuldade. Todos os interesses merecerão o mesmo respeito? Não existem maus interesses?
- Será razoável valorizar as preferencias e desejos (por ex: eutanásia), esquecendo o sujeito dessas preferencias e desejos?
- Aceitar que outro me mate, porque lhe pedi, modifica a qualidade moral da acção de matar?
De rolandoa a 7 de Fevereiro de 2008 às 01:11
Caro DF,
Mas afinal ser profundo é admitir e defender o que o DF defende? Ou não ser profundo é defender o que o DF acha que não se deve defender.
Imagine agora que eu afirmo: Acho o DF pouco profundo porque assina anónimo ou DF. Ou acho o DF pouco profundo porque não justifica as suas crenças.
Claro que os problemas que Singer aborda são discutíveis mas não deixam de ser profundos pelas razões que o DF aponta. Kant por achar que os animais não humanos não possuem moral porque não possuem alma, é mais profundo que Singer?
Em conclusão: até pode considerar que Singer não é filósofo profundo, mas as razões que aponta não exprimem essa ideia. De modo algum.
Rolando Almeida
De Desidério a 7 de Fevereiro de 2008 às 22:27
Se me permite, meto uma colherada nesta conversa, só para fazer algumas observações.

Singer não "nivela" a espécie humana com as outras espécies. Mas não pensa que as nossas propriedades morais resultam exclusivamente de pertencer a uma espécie biológica. Defende que resultam das capacidades moralmente relevantes que temos. E por isso o DF tem mais relevância moral do que um cavalo.

Os bebés não têm deveres nem têm consciência moral para ditar normas. Mas têm direitos. Por isso, do facto de os animais não humanos não terem deveres nem consciência moral nada se segue.

Um interesse é mau quando é imoral -- ou seja, quando interfere com um interesse de outro ser moralmente relevante.

É defensável que nada há de errado intrinsecamente na acção de matar, se a pessoa quer ser morta por uma razão legítima e não pode fazê-lo por qualquer incapacidade.

Em filosofia, a ética não é encarada como uma maneira sofisticada e algo fantasiosa de exprimir os preconceitos culturais ou religiosos que já se tinham antes. Consiste, antes, em pensar cuidadosamente que razões temos a favor desta ou daquela doutrina, seja ela religiosa, cultural ou o que quer que seja. Pôr em causa os nossos preconceitos é o papel da filosofia. Podemos e devemos discordar dos filósofos, mas devemos fazê-lo por termos razões para isso e não apenas porque as ideias desses filósofos são incompatíveis com os nossos preconceitos religiosos, culturais ou sociais mais queridos. Destruir preconceitos é um dos papéis centrais da filosofia. Daí a cicuta socrática. E daí também que se possa preferir conversas falsamente filosóficas sobre o Rosto e o Outro, que nada realmente dizem sobre o que quer que seja realmente importante.
De rolandoa a 8 de Fevereiro de 2008 às 01:20
Caro Desidério,
Parece-me filosoficamente irresponsável não gostar do filósofo X ou Y se não possuirmos bons argumentos para os refutar. As ideias de Singer aparecem-nos como chocantes porque, muitas vezes aparentando ser simples, são, com efeito, originais. É como uma boa canção: depois de feita, até parece simples. Mas ninguém a tinha feito antes :-)
Obrigado pelo comentário que mais se destina ao leitor DF.
Rolando Almeida
De DF a 8 de Fevereiro de 2008 às 11:26
Caro Desidério,
Obrigado pelas recomendações.
O papel da filosofia não é só desconstruir (ironia), mas também tem uma fase de construção (maiêutica). Do mesmo modo, custa-me ver a filosofia deixar de lado (e de um modo radical) toda a cultura e sabedoria que possui e adquiriu em determinada sociedade. Destruir preconceitos não será uma expressão muito forte?
Porque é que o Rosto e o Outro são conversas falsamente filosóficas? Se aceitarmos que a máxima “ser responsável pelo outro” como algo fundamental, seria o princípio para a paz e felicidade de todos.
Saudações.
De Desidério a 8 de Fevereiro de 2008 às 13:11
Caro DF

Concordo que a filosofia tem uma parte construtiva. Mas isso é precisamente o que faz também Singer. Você pode discordar das suas ideias, e é saudável que o faça, mas isso é apenas parte do trabalho normal da filosofia: avaliar criticamente as ideias dos filósofos. Perverter a filosofia é começar por escolher os filósofos que reafirmam os preconceitos que já temos, para depois os citarmos abundantemente e aprovadoramente.

Só respondi ao seu comentário precisamente porque revela uma má compreensão das ideias de Singer. E não por pensar que é um filósofo incriticável. Não há filosóficos incriticáveis. Quer falem pretensiosamente do Rosto, quer falem de maneira clara e directa do sofrimento humano e das maneiras de o evitar.
De Filipe de Albuquerque a 7 de Setembro de 2008 às 16:12
Caro Rolando Almeida gostava de perceber como Peter Singer enquadra a questão Central do Darwinismo nestas questões de Bio-Ética ? ( Até porque não conheço bem a fundo... )

1-Como se justificam as naturalíssimas extinções em massa que já ocorreram muito antes da nossa existência ?
Foram acidentes aleatórios ?
Como saber ?
Como definir "Acidente" e "Aleatório" e sobre que prisma ?

2-Como entender o nosso processo de Evolução Social Antropológico e Tecnológico num contexto alargado e Jusnatural ( especialmente o ultimo ) ?
ou como o Refutar epistemologicamente ?

4-Não terá o Humanismo Francês incorrido nalguma arrogância de leitura própria da nossa tradição Judaico-Cristã ?

3-Como se enquadra o inevitável "development" da Inteligência Artificial para uma Meta-Historia do Homem no meio disto tudo ?
Também é um "acidente" ?
ou faz parte de um processo alargado e normal ?
( em que ate nós seremos substituídos...)

4- O Consumo exponencial de recursos e meios não terá em si mesmo um fim porventura menos evidente no processo de Evolução ?

Ver link : http://www.youtube.com/watch?v=ArYzyE63MH8

...Dá que pensar...

Atentamente>FILIPE DE ALBUQUERQUE
De rolandoa a 7 de Setembro de 2008 às 16:36
Caro Filipe,
A maior parte das questões que coloca são um pouco vagas. Nós não sabemos muita coisa em relação ao futuro, pelo que as questões mais vagas correm o risco de perder consistência. mais vale centrar mais as questões.
Em relação à leitura de Singer e da proposta de incorporação do darwinismo na esquerda, pode encontrar uma síntese de 10 páginas muito elucidativa nos Escritos sobre ética, D Quixote, 2008
Abraço
De Filipe de Albuquerque a 8 de Setembro de 2008 às 15:29
Caro Rolando Almeida efectivamente as perguntas que lhe coloquei em momento anterior pecam por serem algo vagas...Procurarei assim reformular a ideia central que lhes subjaz de forma a que se entenda o que procuro saber.
Confesso que a questão Ética tem sido para mim um dos temas mais difíceis de analisar, isto segundo a lógica formal que a escol lhes tem imprimido desde sempre...
Considere-se por exemplo, os ideais centrais da Revolução Francesa, A Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, que apresentam na minha Óptica, esta expressão vaga de deambulações da Estética do pensamento Judaico-Cristão e que pretensamente se procuram afastar dele, sendo claro que de alguma forma se limitam a reproduzir os seus valores Éticos com uma outra roupagem.
Sendo cada vez mais notório.que estes mesmos valores se encontram desenquadrados das condições operativas da Realidade formal que o nosso Universo incorpora, estando assim portanto destituídos os seus frágeis argumentos Históricos, percebe-se com naturalidade evidente a razão da minha curiosidade sobre os mais recentes desenvolvimentos e estudos na
correcta fundamentação que a esta área carece...

Ora e à luz do exposto, parece-me necessário, não deixar de confrontar estes mesmos Princípios e Ideais com os Fundamentos Intrínsecos do Jusnaturalismo de que a Teoria da Evolução Darwinista tem sido a mais reconhecida mandatária procurando assim através deste
mesmo exercício buscar uma outra sustentabilidade, vamos lá, mais "palpável" e substancial. Uma que seja efectivamente menos Naíf ou Moralista que aquela que até agora, temos infelizmente conhecido e que tem contribuído a meu ver, para a morte anunciada das Ciências Humanas.

Foi portanto nesse sentido que procurei perceber quais são as novas tendências e respostas que se têm procurado dar pelos mais recentes estudos da Ética ás questões do mundo contemporâneo.

( Alguns raciocínios informais sobre o asunto...

1-Entendo que a Fundamentação do "Bem" enquanto prática Social, se formula enquanto Necessidade para um fim Competitivo que é em si mesmo um "Bem Maior"...
Deste decorrem a Evolução das práticas e da Espécie, o apuramento dos comportamentos e da Cultura em EQUILÍBRIO Jusnatural com a "Realidade"...
A cooperação tem por isso que representar Valor de troca efectivo em cada momento e sempre em conformidade Conjuntural com as Estruturas de longa distancia...)


Agradeço-lhe desde já a atenção dispensada à curiosidade franca de um leigo que mais não busca que um entendimento consensual dos assuntos expostos, para uma melhor e sempre mais clara compreensão das regras e místeres do nosso mundo.
A obiquidade da minha desconstruída intervenção foi assim decorrente e não teve ou não tem outra pretensão, que não fosse a de "instantaneamente" expor um conjunto substancial e múltiplo de duvidas inter-dependentes.

Atenciosamente>FILIPE DE ALBUQUERQUE
De rolandoa a 8 de Setembro de 2008 às 18:13
Caro Rolando Almeida efectivamente as perguntas que lhe coloquei em momento anterior pecam por serem algo vagas...Procurarei assim reformular a ideia central que lhes subjaz de forma a que se entenda o que procuro saber.
“Confesso que a questão Ética tem sido para mim um dos temas mais difíceis de analisar, isto segundo a lógica formal que a escol lhes tem imprimido desde sempre...”
Bem, parece-me que comete aqui um certo exagero. A lógica formal (e informal) não imprime nada de nada à reflexão em torno dos problemas éticos ou outros problemas filosóficos. A lógica é a gramática do raciocínio. Raciocine lá fora da sua gramática? Viu! É como escrever sem ter noções mínimas de gramática. Proliferam algumas ideias tontas de que a lógica mecaniza o pensamento. Isso é idiota pois o pensamento tem realmente uma natureza mecânica, razão pela qual podemos apurar com segurança que 2 + 2 são 4.
“Considere-se por exemplo, os ideais centrais da Revolução Francesa, A Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, que apresentam na minha Óptica, esta expressão vaga de deambulações da Estética do pensamento Judaico-Cristão e que pretensamente se procuram afastar dele, sendo claro que de alguma forma se limitam a reproduzir os seus valores Éticos com uma outra roupagem. Sendo cada vez mais notório.que estes mesmos valores se encontram desenquadrados das condições operativas da Realidade formal que o nosso Universo incorpora, estando assim portanto destituídos os seus frágeis argumentos Históricos, percebe-se com naturalidade evidente a razão da minha curiosidade sobre os mais recentes desenvolvimentos e estudos na correcta fundamentação que a esta área carece...”
Confesso que não percebo a relação que está a estabelecer entre revolução francesa, ética e estética. Todo e qualquer momento da história ou movimento da história é marcado esteticamente eticamente, etc… mas, e daí? O que quer exactamente dizer com o seu exemplo?
De rolandoa a 8 de Setembro de 2008 às 18:13
CONTINUAÇÂO
“ Ora e à luz do exposto, parece-me necessário, não deixar de confrontar estes mesmos Princípios e Ideais com os Fundamentos Intrínsecos do Jusnaturalismo de que a Teoria da Evolução Darwinista tem sido a mais reconhecida mandatária procurando assim através deste mesmo exercício buscar uma outra sustentabilidade, vamos lá, mais "palpável" e substancial. Uma que seja efectivamente menos Naíf ou Moralista que aquela que até agora, temos infelizmente conhecido e que tem contribuído a meu ver, para a morte anunciada das Ciências Humanas.”
Está a fazer algumas confusões. Para já a divisão entre ciências humanas e exactas é uma divisão artificial no campo do saber e do conhecimento. È uma divisão operacional para as academias, nada mais. Depois, Darwin não tem uma teoria ética, tem uma teoria biológica e sustentada com princípios científicos, na maioria das vezes, apoiada em observações sistemáticas. Se já pegou na evolução das espécies, repara logo que se trata de um livro técnico e não numa obra de fábulas e deambulações mentais de um autor. Claro que a teoria veio colocar uma série de coisas em causa, mesmo que Darwin não estivesse a pensar nisso. Mas isso acontece com praticamente todas as teorias boas. É por isso que o mundo muda e evolui, não?
“Foi portanto nesse sentido que procurei perceber quais são as novas tendências e respostas que se têm procurado dar pelos mais recentes estudos da Ética ás questões do mundo contemporâneo. ( Alguns raciocínios informais sobre o asunto... 1-Entendo que a Fundamentação do "Bem" enquanto prática Social, se formula enquanto Necessidade para um fim Competitivo que é em si mesmo um "Bem Maior"... Deste decorrem a Evolução das práticas e da Espécie, o apuramento dos comportamentos e da Cultura em EQUILÍBRIO Jusnatural com a "Realidade"... A cooperação tem por isso que representar Valor de troca efectivo em cada momento e sempre em conformidade Conjuntural com as Estruturas de longa distancia...)”
Não, isso também não é verdade. A ética, seja mais ou menos prática, não tem de obedecer a nenhum tipo de pressão ou ideologia. Se leu Singer deve ter percebido logo isso, pois o autor está sempre a alertar que a reflexão ética deve fazer-se de modo isento, o que nem é o que tem acontecido ao longo dos séculos, pelo menos desde que as religiões tomaram a ética como um dos seus departamentos. Por outro lado, a ética prática ou aplicada não é diferente neste sentido da metaética, por exemplo. O que está em discussão são argumentos racionais para tentar melhor resolver problemas que se resolvem pensando. E pensamos com argumentos. Nada mais.
“Agradeço-lhe desde já a atenção dispensada à curiosidade franca de um leigo que mais não busca que um entendimento consensual dos assuntos expostos, para uma melhor e sempre mais clara compreensão das regras e místeres do nosso mundo. “
Não tem de haver consenso. Tem é de existir bom senso e capacidade critica. Á partida algém que não tem uma base sólida de como0 os problemas se discutem em filosofia sente-se do mesmíssimo modo que uma pessoa que não tem bases sólidas em matemática, mas quer discutir problemas da matemática. É a mesma coisa. O essencial é ir lendo os livros mais actuais de filosofia para, devagar, entrar no domínio mais específico da filosofia. Para quem se quer especializar, vai ter de passar, obviamente, pelas obras centrais.
“A obiquidade da minha desconstruída intervenção foi assim decorrente e não teve ou não tem outra pretensão, que não fosse a de "instantaneamente" expor um conjunto substancial e múltiplo de duvidas inter-dependentes. Atenciosamente>FILIPE DE ALBUQUERQUE”
Sempre às ordens
De Filipe de Albuquerque a 8 de Setembro de 2008 às 22:11
Caro Rolando Almeida tive agora oportunidade de ler a sua resposta e parece-me mais uma vez que não terei conseguido clarificar suficientemente os meus pontos de vista...

Por ex:

"Confesso que a questão Ética tem sido para mim um dos temas mais difíceis de analisar, isto segundo a lógica formal QUE A escol lhes tem imprimido desde sempre.."

Aqui refiro-me à estrutura do pensamento e as correntes dominantes em Ética do ponto de vista Académico e não à mecânica Lógica em si, como parece óbvio.

Depois:

“Considere-se por exemplo, os ideais centrais da Revolução Francesa, A Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, que apresentam na minha Óptica, esta expressão vaga de deambulações da Estética (...ou deveria ler-se estéticas=opções conceptuais...) do pensamento Judaico-Cristão e que pretensamente se procuram afastar dele, sendo claro que de alguma forma se limitam a reproduzir os seus valores Éticos (...os do pensamento Judaico-Cristão e que são Anti-Darwinistas...) com uma outra roupagem. Sendo cada vez mais notório.que estes mesmos valores se encontram desenquadrados das condições operativas da Realidade formal que o nosso Universo incorpora, estando assim portanto destituídos os seus frágeis argumentos Históricos, percebe-se com naturalidade evidente a razão da minha curiosidade sobre os mais recentes desenvolvimentos e estudos na correcta fundamentação que a esta área carece...”

Como sabe não são poucos os que anunciaram o fim da Ética como Ciência...isto deve-se talvez ao carácter Utópico que compõe a lógica da sua doutrina e que a tem conduzido a um progressivo declínio...um declínio que se tem acentuado depois da declarada falência do Estado Social que na segunda metade do séc. passado se tentou implementar e que agora está completamente desacreditado com o agudizar do neo-liberalismo globalizado...O Jusnaturalismo encontra a sua perfeita expressão Darwinista neste mesmo ambiente em que a doutrina do mais forte predomina sobre a do mais fraco e em que os antigos valores da Ética Social servem exclusivamente aparências ou conveniências, longe que estão do pensamento do cidadão comum...

Ainda e quando diz :

"Está a fazer algumas confusões. Para já a divisão entre ciências humanas e exactas é uma divisão artificial no campo do saber e do conhecimento."

Pois parece claro que a divisão que faço é meramente operativa para o fim do discurso proposto...o que se pretendia distinguir e não me pareceu como não parece a muitos assim tão obtuso, era a diferença entre as Ciências que o São e as que o Não São...seja porque têm muitas menos de cem duzentos anos, seja porque sucessivamente têm vindo a perder terreno e credibilidade para outras Ciências...

Mais:

"Darwin não tem uma teoria ética, tem uma teoria biológica e sustentada com princípios científicos, na maioria das vezes, apoiada em observações sistemáticas."

Evidentemente e sabemos todos que a Teoria da Evolução que antes de ser de Darwin pertencia já a Herbert Spencer, não se relaciona directamente com a Ética...
São as CONSEQUÊNCIAS do que postula que põem em causa a Natureza dos Princípios Humanistas que a Ética defende...

Mais à frente ainda diz :

"A ética, seja mais ou menos prática, não tem de obedecer a nenhum tipo de pressão ou ideologia. Se leu Singer deve ter percebido logo isso, pois o autor está sempre a alertar que a reflexão ética deve fazer-se de modo isento, o que nem é o que tem acontecido ao longo dos séculos, pelo menos desde que as religiões tomaram a ética como um dos seus departamentos."

Não é a Ética que tem de sofrer pressão vinda deste ou daquele sector Ideológico, o que digo é que a estrutura da sua formulação tem que ser repensada incorporando os Princípios Jusnaturais do Darwinismo...elemento RELATIVIZADOR da noção de "Bem Absoluto" ou de "Sociedade Perfeita"... e que norteou boa parte do pensamento Humanista decorrente dos Ideais da Revolução Francesa...

Crendo que desta me fiz perceber, agradeço-lhe renovadamente a atenção.

Saudações Cordiais>FILIPE DE ALBUQUERQUE

De rolandoa a 9 de Setembro de 2008 às 00:34
Olá Francisco,
Para tentar perceber o que diz vou ter de lhe fazer algumas questões. Espero que não se importe. Peço-lhe que me explique o que é:
1) expressão vaga de deambulações da Estética
2) condições operativas da Realidade formal
3) Natureza dos Princípios Humanistas que a Ética defende
4) Princípios Jusnaturais do Darwinismo
5) elemento RELATIVIZADOR da noção de "Bem Absoluto"
agradecido
De Filipe de Albuquerque a 9 de Setembro de 2008 às 05:07

"Olá Francisco,( Filipe )
Para tentar perceber o que diz vou ter de lhe fazer algumas questões. Espero que não se

importe. Peço-lhe que me explique o que é:
1) expressão vaga de deambulações da Estética
2) condições operativas da Realidade formal
3) Natureza dos Princípios Humanistas que a Ética defende
4) Princípios Jusnaturais do Darwinismo
5) elemento RELATIVIZADOR da noção de "Bem Absoluto"
agradecido"


Olá mais uma vez meu caro amigo,
vou então e porque as expressões são integralmente pessoais acertar as agulhas ao cronometro ! :=)

1-O termo prejurativo "deambulações" significa como sabe itinerancia...e a Estética é aqui especificamente entendida como Opção de gosto axiológicamente falando...também vaga porque como fiz notar essa Itinerancia do gosto não anda muito longe da Matriz Original do "Idílio" Judaico-Cristão mesmo tratando-se, supostamente, de um conjunto de Princípios autónomos e Laicos...

2-"Sendo cada vez mais notório.que estes mesmos valores se encontram desenquadrados das condições operativas da Realidade formal que o nosso Universo incorpora..."

Ora aqui e dividindo para uma "Gramática" do pensamento mais esclarecida podemos encontrar

fundamentalmente 2 Ideias:

-CONDIÇÕES OPERATIVAS
-REALIDADE FORMAL

Na primeira faz-se alusão "en passant" aos processos, ás regras e ás condições de Funcionalidade do Real ou do Universo, como se queira...condições essas que se deram sempre segundo um principio Evolucionista de por assim dizer "selecção Natural" e que dividem a Historia do mesmo ao longo dos seus 15 Biliões de anos em diversas etapas:

A Evolução Física-
que se reporta ao primeiro milionésimo de segundo depois do Big-Bang-e em que se dá como por certo reconhece a agregação dos primeiros Átomos com a estabilização dos electrões à volta do núcleo após o arrefecimento que ocorre com a expansão inicial do Espaço/Tempo...

A Evolução Química-
A formação dos primeiros elementos químicos Hidrogénio e Hélio e o seu desdobramento progressivo por combustão e colapso em elementos mais pesados no interior do Núcleo das Estrelas-processo que paralelamente continua até hoje...

A Evolução Bio-Química
O Surgimento da vida, supostamente nas zonas "temperadas" ou habitáveis das Galáxias onde os níveis de radiação são toleráveis e numero diverso de outros "hazards" mais diminuto...

e por fim ( ou talvez nem por isso )...

A Evolução da Bio-Química Auto-Consciente-
Pelo menos numa pequena estrela obscura na cintura externa de um dos Braços da Via-Láctea, onde se encontra o desenvolvimento dos Hominídeos e em particular do Homo-Sapiens...

Ainda:

Reportei-me a uma Realidade Formal porque é aquela que fenomenológicamente se dá a conhecer...e sobre a qual podemos aqui discutir, pois que não há outra no "baralho".

3-Natureza dos Princípios Humanistas que a Ética defende ( Historicamente )

Bom aqui e para não complicar faço alusão aos Ideais Utópicos da Sociedade Justa, Fraterna, Equilibrada e Livre assim como a essas Ideias peregrinas da "Sociedade Perfeita" e do "Bem Absoluto"...no fundo as ideologias que decorrem dos "Rousseau´s" e "Descartes" deste mundo,
e que recentemente no nosso contexto passam por exemplos tão bem apessoados como Boaventura de Sousa Santos ou o Paladino e poeta andante do P.S. o nosso sempre famoso Manuel Alegre... ;=)

4- Esta responde-se a si mesma...o Jusnaturalismo é sumariamente o próprio Darwinismo. ( veja-se a 2 resposta...)

5-elemento RELATIVIZADOR da noção de "Bem Absoluto"

Aqui leia-se Relativizador porque condiciona e subjuga as condições de COOPERAÇÃO Intra e Inter-Espécies exclusivamente a situações de ganho evidente, de "lucro" ou de mais valia...desvirtuando a natureza de uma noção de Bem, Autónomo...ou de uma Ética devidamente fundamentada...

Com os melhores cumprimentos>FILIPE ALEXANDRE DE ALBUQUERQUE MATOS SILVA
De rolandoa a 9 de Setembro de 2008 às 12:41
Filipe,
1- Se “deambulações estéticas..” significa “oscilação no gosto” porque não o disse dessa forma muito mais clara? Obscurecer o que quer dizer traz-lhe alguma vantagem? É que, repare, está a falar da matriz cultural judaico cristã. Sim, e daí? É isso mesmo. Não vejo no que escreveu qualquer ideia relevante.
2- Está a ver uma coisa, condições operativas da realidade formal é uma deambulação mental do Francisco. A expressão é destituída de qualquer sentido. O Francisco ainda tenta dar a volta encapuçando com a aquela conversa da evolução disto e daquilo, mas a expressão nada diz. Queria impressionar-me era isso? Mais se o que é realidade fosse medido fenomenologicamente jamais poderia falar em realidade formal. A fenomenologia nunca disse que anda a captar formas da realidade. Isso além de errado também não acrescenta nada à conversa.
3- O Francisco pensa que a ética é uma coisa de pessoas boazinhas e com ideias, aqui sim, cristãs. Mas eu posso defender uma ética do egoísmo ou da matança.
4- Se o jusnaturalismo é o darwinismo por que raio lhe chama jusnaturalismo? Se é o darwinismo é o darwinismo, ponto. Chamar dois nomes à mesma coisa só traz desvantagens para expor uma ideia.
5- A do elemento relativizador não tem pés nem cabeça.
Francisco, não me leve a mal, mas faz parte da minha formação emendar e ajudar as pessoas a aprender a pensar filosoficamente. O Francisco cai num erro muito comum e frequente entre aquilo a que eu chamo pseudo filosofia. Esse erro consiste em querer enredar as ideias com um discurso pretensamente profundo, mas que além dessa aparência nada mais tem. O Francisco começou por fazer uma pergunta simples: como entender o darwinismo nos argumentos de Singer? Como não consegui fazer melhor, recomendei-lhe a leitura de 10 páginas de um livro. Leu? Mas o Francisco deu um salto enorme para um discurso com mais tiques que argumentos. Não fique aborrecido: é um mau hábito que existe entre nós, na nossa cultura filosófica que é ainda muito pobre e inflexível. Mas não devia ser assim, pois podemos perfeitamente expressar uma boa ideia em termos muito simples. Os termos complexos são termos técnicos, mas o Francisco não os usa e quando os usa revela deficiências, o que é normal já que o uso técnico de uma linguagem está ao alcance dos especialistas. E anda aí muita má gentinha que nos tenta impressionar com linguagem supostamente técnica, mas não passa de blá blá.
Até breve
De Filipe de Albuquerque a 9 de Setembro de 2008 às 14:56

Caro Rolando ou deverei chamar-lhe também Francisco ?...

1-não vejo em que medida se pode considerar "OBSCURA" a expressão "deambulações estéticas"...
O seu sentido é "Cristal Clear"para o mais comum dos mortais...
2-No segundo caso a sua afirmação é visivelmente para quem saiba ler Português ainda mais extraordinária, pois que outra maneira tem a Realidade de se dar a Conhecer senão através de uma "Forma", sujeita que está à intervenção da Consciência e da percepção (noésis)...
Ora, como bem conhece, as coisas, segundo Husserl, caracterizam-se pelo seu inacabamento, portanto pela possibilidade de sempre serem escrutinadas por noesis novas que as enriquecem e as modificam,( a percepção que temos delas EVOLUI naturalmente...) ou seja, estas são vistas de múltiplas formas, de variados prismas e ângulos, de perspectivas, que situam, em relação relativa no Espaço e no Tempo, tanto o Observador como o Objecto Observado...No caso referia-me ao método Cientifico e à aplicação dos seus processos específicos.Não há aqui nenhuma pretensa falha de domínio de conteúdo...
3-Mais à frente, com grande espanto e cito, diz que :
"O Francisco pensa que a ética é uma coisa de pessoas boazinhas e com ideias, aqui sim, cristãs. Mas eu posso defender uma ética do egoísmo ou da matança."
Ora, parece má vontade ou desconforto, pois qualquer leitor desatento percebe claramente que me refiro à linha Dominante do pensamento Humanista Ocidental e que é aquela que prevalece em termos escolásticos...depreendo assim que confunde deliberadamente o que pretendo dizer...
4-Não obstante segue-se que e torno-o a citar, diz :
"Se o jusnaturalismo é o darwinismo por que raio lhe chama jusnaturalismo? Se é o darwinismo
é o darwinismo, ponto. Chamar dois nomes à mesma coisa só traz desvantagens para expor uma ideia."
...e porque não ? Acaso não é isso enriquecedor ? não é precisamente isso que faz a diversidade das línguas e dos discursos ? Não se percebe nem pode, a animosidade por si revelada...
5-Por fim e em jeito de conclusão, desmonta douto, que a relatividade dos conceitos não tem pés nem cabeça...e que o meu discurso é pretensamente profundo...fico sem palavras !
Não, não lhe levo a mal, meu caro Rolando, isso nivelaria as fasquias, e elas não estão seguramente niveladas...

Despeço-me do seu espaço Virtual com mágoa e pesar não pelas palavras que levianamente proferiu, mas precisamente pelo que não soube dizer...

Até sempre !

Os melhores cumprimentos>Filipe Alexandre de Albuquerque Matos Silva
De rolandoa a 9 de Setembro de 2008 às 15:19
Caro Filipe,
Confundi o seu nome.
A filosofia de Husserl não é pacífica pelo que não vejo razão especial para tomá-la como a regra, quando ela é até muito discutível. Não conhece o problema mente corpo, clássico na filosofia e ainda um dos problemas maiores da filosofia da mente?
Se estivessemos a discutir ou fazer linguística era importante establecermos os termos com que comunicamos. Mas estamos interessados em pensar filosoficamente, correcto? Nesse caso devemos ser claros e para ser claros não vamos chamar de w e y ao que é x e é consensual que assim seja. A vantagem dos consensos é que nos permitem pensar com maior clareza.
Trenho muita dificuldade em perceber o seu discurso e as relações que estabelece, que me parecem ser muito vagas e pouco precisas. Procurei mostrar-lhe isso mesmo. Claro que é desagradável que lho tenha dito, mas eu prefiro assim. Deve ser o meu hábito de corrigir os alunos e os questionar, para que eles aprendam.
até breve

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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