Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Universidades

Seguindo uma sugestão encontrada no De Rerum Natura, comprei este livro de Álvaro Santos Pereira, Os mitos da economia portuguesa, Guerra & Paz, 2007, o mesmo autor de Diário de um deus criacionista, Guerra & Paz. É uma cartada fora do baralho uma vez que não costumo ler livros de economia, mas tratando-se de uma obra de divulgação queria saber o que os economistas têm a dizer sobre o mundo. Poderia ter comprado o Freaknomics, mas comecei mesmo por este. Fiquei surpreendido com a análise lúcida e moderna do autor. De repente estava, também, todo contente, a discutir economia. Mas isso é outro assunto. Longe de ser mais um velho do Restelo, pessimista à portuguesa, Álvaro dos Santos Pereira olha para a realidade portuguesa sem os complexos habituais da crítica económica em Portugal. Entretanto vejam o que lá encontrei:

«Finalmente, os incentivos à mediocridade da docência são multiplicados de forma exponencial por existirem nas universidades demasiados professores, que permanecem no quadro mais por antiguidade ou motivos políticos do que por mérito académico. As listas das faculdades portuguesas são longas e extensas, com dezenas de professores e assistentes nos seus quadros. Por um lado, existem professores com lugar efectivo que mantêm o seu lugar durante largos períodos enquanto ocupam cargos políticos ou no sector privado. Por outro lado, em muitas universidades existem interesses corporativistas enraizados que impedem uma maior renovação dos quadros. Deste modo, a renovação das universidades portuguesas faz-se a conta gotas e a qualidade do ensino sofre.
Devido a esta distorção de incentivos, grande parte dos nossos professores universitários não faz nada, ou praticamente nada. Não publicam, não se interessam pela qualidade do ensino, e não promovem a reciclagem dos conhecimentos. Como antigamente, ser-se bom professor é bastas vezes função do número de alunos reprovados em vez da excelência da docência. Perante este clima de inércia e compadrio, não é de espantar que muitos dos nossos doutorados prefiram ou tenham de permanecer no exterior, agravando o problema da fuga de cérebros nacional.»
Álvaro Santos Pereira, Os mitos da economia Portuguesa, Guerra & Paz, 2007, pp.118,119


publicado por rolandoa às 01:54

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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