Domingo, 6 de Janeiro de 2008

Empregabilidade em filosofia II - Porque é que certos países recrutam filósofos para as empresas?

Recentemente tem chegado algumas notícias, mesmo na imprensa portuguesa, de fenómenos para nós verdadeiramente bizarros. De repente, grandes empresas recrutam para os seus quadros, pasme-se, licenciados em filosofia! A formação filosófica que se tem em Portugal só permite apreciar um fenómeno destes quase como um delírio. Mas que vai a gente da filosofia fazer numa empresa? Talvez possam citar Heidegger a plenos pulmões entre secretárias e amontoados de papéis com planos financeiros, recibos, fichas de cliente, etc… Pode ser que saiba sempre bem ouvir “dasein” enquanto se trabalha para o lucro financeiro. Ou, quem sabe, talvez os filósofos sejam contratados para mostrar aos instrumentalizados funcionários que as suas existências vão muito mais além do trabalho que produzem.
Rolando Almeida

Numa vertente pós moderna, o filósofo poderia, numa empresa, mostrar aos trabalhadores o vazio em que caíram as suas existências. Bem, numa última hipótese o filósofo na empresa poderia, enfim, partilhar um pouco do seu conhecimento com os outros funcionários. Em Portugal até temos por princípio que, como ninguém percebe muito bem os filósofos, eles devem dizer coisas interessantes. Quem sabe se os empresários pagam aos filósofos para dizer coisas interessantes! Mas será mesmo isto o que se passa? Se não é, então para que paga uma empresa um salário a um licenciado em filosofia? A resposta é simples. Paga ao licenciado em filosofia para fazer exactamente a mesma coisa do que qualquer outro seu funcionário a executar qualquer tarefa. Paga-lhe para que produza e ponha a empresa a produzir. Mas como vai o desgraçado do licenciado em filosofia contribuir para que a empresa a produza? A resposta aqui também é simples: fazendo aquilo que melhor deve saber fazer porque foi preparado para isso: pensar criticamente. As empresas vão buscar à filosofia o seu próprio produto, que é pensar criticamente. Esta é a potencialidade da licenciatura em filosofia. A relação até nem é difícil de compreender: sem conhecimento não há produção de riqueza e sem pensamento crítico não há progresso no conhecimento. Dúvidas? Claro! Com a formação que em terras lusas temos da filosofia, isto deve ser muito confuso. A realidade é que a maioria dos cursos de filosofia tal como são ministrados em Portugal para pouco servem. E ainda há quem se gabe disto como se a filosofia não pudesse ou não devesse produzir riqueza. Mas isto é falso por duas razões: 1º a filosofia pode e deve produzir conhecimento e riqueza, 2º sem riqueza torna-se muito difícil produzir filosofia. Talvez seja esse o nosso caso. Somos um país que não produzimos filosofia alguma a não ser muito pouca para consumo interno. Saídos das nossas universidades, dos nossos cursos de filosofia, quantos filósofos temos a publicar nas maiores revistas de filosofia da actualidade? Quantos temos que publiquem com alguma assiduidade obras de filosofia? Bem, poderíamos ter ainda uma produção razoável de obras de divulgação para o público geral, mas nem isso. Claro que não posso olvidar os esforços individuais, mas esses não conseguem sequer criar um corpo consistente de trabalho que possa projectar um trabalho em filosofia para o exterior. E porque os cursos de filosofia em Portugal não servem para nada, é natural que andem às moscas, uma vez que a maioria das pessoas não se pode dar ao luxo de tirar um curso só por gosto pessoal, sem o usarem para uma qualquer profissão. Ser licenciado em filosofia em Portugal pode até ser má onda. Eu próprio já vivi a experiência de ter de pedir emprego a um empresário, que olhou para mim com um ar irónico e me perguntou: “Mas você é de filosofia, o que é que sabe fazer?”. Ora, nos países de expressão de língua inglesa parece que ser licenciado em filosofia pode constituir uma vantagem, para, por exemplo, pedir emprego numa empresa. Mas isto acontece precisamente porque os alunos à saída dos cursos sabem pensar e argumentar. E acontece também porque as licenciaturas desenvolvem nos estudantes uma competência própria da filosofia, que é o pensamento crítico. Ora, o método do pensamento crítico, quando bem explorado, pode servir múltiplos fins. Ao contrário de nós que estudamos na maioria dos casos história da filosofia e, noutros, umas obscuridades heideggerianas, estes estudantes pensam sobre os argumentos clássicos da filosofia. Pensam  exactamente com o mesmo método que Sócrates pensou, o analítico baseado no pensamento crítico. Ao passo que em Portugal temos horror em estudar lógica e quando o fazemos dá a ideia que aquilo não passa de um conjunto de símbolos sem qualquer aplicação prática, os estudantes americanos, por exemplo, dos cursos de filosofia, estudam lógica durante o curso todo e aplicam-na aos argumentos, aprendem a, com ela, argument. Em suma, aprendem a pensar consequentemente, que é coisa que nós não aprendemos a fazer nos cursos de filosofia em Portugal. E é esta a realidade que explica que em determinados países ser licenciado em filosofia pode significar que se tem uma intervenção activa na vida social e do trabalho e, em Portugal, a realidade é a oposta. Ser licenciado em filosofia implica, mais vezes que as desejáveis, ser obscuro, ter uma suposta superioridade intelectual, não porque se pense melhor que um gestor ou um economista, mas porque se tem o estatuto adquirido num diploma de filosofia e, numa boa parte das vezes, ser licenciado em filosofia em Portugal, implica dar-se um ar ridículo mostrando que se está afastado da realidade mundana, dispensando as misérias do mundo, porque se vive numa penetrante relação com o ser. A hipocrisia é que há sempre alguém a sustentar estas palermices.
Se queremos fazer guerras com o mundo, é errado procurar na filosofia uma arma de arremesso. Já escrevi anteriormente sobre isso (ver aqui). Ainda que as lutas nos possam fazer todo o sentido, não faz sentido matar a filosofia fazendo dela uma forma de exprimir a nossa guerra. Também é certo que não vamos filosofar para dentro das empresas multinacionais. Mas quem passa por um curso de filosofia, passa fundamentalmente para se treinar a pensar pela sua própria cabeça. A filosofia é por excelência o espaço de discussão crítica de problemas a priori. É o mesmo que estudar matemática para aprender a resolver equações. E quem passa por essa experiência na filosofia, é natural que possa aplicar a sua mente treinada criticamente ao que muito bem lhe aprouver. É esta a razão que explica que uma licenciatura em filosofia possa ser aplicada a muitos ramos da vida actual. E deveria também ser uma razão semelhante a esta que explica que, no ensino secundário português, a filosofia seja uma disciplina de formação geral. Ela aparece nos currículos como formação geral não para ensinar história da filosofia, não porque tenha sido decretado pela Papa, mas precisamente porque cabe à filosofia oferecer ao estudante a ferramenta do pensamento crítico. Essa ferramenta tem um nome, Lógica. Espero que agora se compreenda melhor porque é que um licenciado em filosofia, nos EUA, por exemplo, consegue com relativa facilidade – se souber argumentar, pensar criticamente – emprego numa empresa.


publicado por rolandoa às 16:10

link do post | favorito
11 comentários:
De DF a 7 de Janeiro de 2008 às 14:26
Caro Rolando,

Quais são os cargos (objectivos) que um licenciado em filosofia pode ter numa empresa? Que outros trabalhos específicos pode, o licenciado em filosofia, desempenhar no mundo laboral?

cumprimentos
De rolandoa a 7 de Janeiro de 2008 às 19:34
Caro DF,
Obrigado pela visita.
Os licenciados fazem diversos trabalhos nas empresas, principalmente os relacionados com a gestão. A informação que tenho sobre esta matéria é a que sai na imprensa internacional que vou lendo e, recordo que, recentemente, li que os gestores americanos andavam zangados com esta perda de lugar de trabalho para os licenciados em filosofia. Creio que esta realidade não é generalizada, mas a realidade é que é já notícia de jornal pelo que é um bom sinal. Num outro domínio, por exemplo, o Brasil estendeu a todos os estados a obrigatoriedade no ensino da filosofia, para além de passar a exigir o exame de filosofia para entrada na universidade no curso de medicina, enquanto nós, por cá, extinguimos por completo o exame nacional de filosofia. Mesmo se pretender estudar filosofia, tem de realizar a prova de ingresso de história ou português.
Abraço e até breve
Rolando Almeida
De DF a 7 de Janeiro de 2008 às 20:13
Em Portugal não há esses casos?
Há alguns anos ouvi dizer que os padres deviam sair das sacristias... agora penso que o importante é os filósofos sairem dos gabinetes.
Em Portugal é miserável o contributo que os filósofos dão ao mundo dos media, aos debates televisivos, etc...

Como mudar esta tendencia?
De rolandoa a 7 de Janeiro de 2008 às 21:49
DF,
Apesar de já ter dado neste mesmo blog algumas sugestões de actuação, mudar a tendência da filosofia em Portugal implica, provavelmente, mudança na nossa postura cultural sobre o mundo e os outros e implica sobretudo deixarmos de ser complexados com o saber e o conhecimento. O problema em Portugla nem é que as coisas não mudem, é que as mudanças são sempre lentas. Mas elas existem, e blogs como este são provas evidentes disso. Acima de tudo, recorrendo a uma terminologia da economia, creio que as pessoas em Portugal não são incentivadas a fazer coisas, porque ainda há muitos incentivos a nada ou pouco fazer e, ainda assim, ganhar a vida. Se os acedémicos fossem obrigados a apresentar mais e melhor trabalho público, talvez as coisas mudassem de figura. Acima de tudo não é só uma mudança que se exige, mas a mudança estrutural de todo um sistema, pelo que é necessário operar pequenas revoluções. É necessário empreendedorismo na filosofia e no resto. Vá lendo os meus posts, mesmo os mais antigos. Neles apresento inúmeras sugestões de actuação.
Abraço
Rolando Almeida
De Filipe Galvão a 11 de Janeiro de 2008 às 01:28
Gosto muito e acompanho com frequência o seu blog, espero que não se importe que eu copie e publique o seu texto no fórum filosofia: www.forumfilosofia.pt.vu e no respectivo blog http://forumfilosofia.wordpress.com

Cumprimentos

Filipe Galvão
De rolandoa a 11 de Janeiro de 2008 às 02:37
Olá Filipe,
Também vou ao forum filosofia praticamente todos os dias e tenho-o inscrito nos meus feeds. Claro que não me importo da publicação do texto no forum filosofia.
Obrigado
abraço e bom trabalho
Rolando Almeida
De João Mãrcio a 7 de Julho de 2009 às 22:31
Cara, e eu que pensei que a minha única opção ao me licenciar em filosofai fosse dar aula pra estudantes desmotivados, apáticos e indiferentes, tendo que fazer números de circo pra lhes chamar à atenção!
De fato, o que mais aprendi durante a minha formação foi a pensar criticamente e foi justamente esse pensar crítico que me levou aentrar em atritos com os demais professores de uma escola onde trabalhei na periferia de Fortaleza, Ceará.
Aqui no Brasil não vejo muito espaço pra quem faz filosofia, a não ser, como eu já disse, dar aulas em escolas. Já passei pela experiencia que não é mutio agradável. Eu não tinha o chamado domínio de sala e a diretora me chamou pra conversar, ela dise que eu tinha que botar moral, que gritar, que falar alto pra eles me ouvirem, que me impor. Ora, eu não vejo porque um professor deveria agir assim - isso é até covardia: impressionar crianças, ou adolescentes com uma suposta superioridade. Na época eu lia sobre anarquismo, sobrte educação libertária, e achei que fosso póssível aplicar isso em uma sala de aula de escola pública. Eu me enganei. A verdade é que nossa formação não é crítica, ela é ultradiretiva e paternalista. Abandonei a escola. Acho muito melhor a idéia de trabalhar em outra coisa. Espero que algum empresário me pague pra críticar seus métodos de produção, sua forma de tratar os empregados como coisas e seus clientes como deuses, essas coisas.
De Hugo a 25 de Outubro de 2009 às 03:28

eu sou um emigrante portugues a 2 anos em inglaterra e estou a fazer um curso pela univ.de londres birkbeck college ) e completamente concordo com o que disse. eu penso k se deia dar mais valor ao aspecto tecnico e pratico de filosopfia . por exemplo deveriam ter no curriculo de licenciaturas as mesmas disciplinas claro mas diferentes programas. para que tentar memorizar todas as teorias de todos os filosofos ? a funcao desta licenciatura e ensinar a filosofar e nao aprender de cor a hisotria da filosofia. deviam dar mais valor as tecnicas argumentativas e nunca comecar a estudar teorias com a finalizacao de as saber de cor, mas sim  com a funcao de as poder criticar e produzir nova filosofia. a filosofia de platao ou mill serve para ser ccriticada ou nao teria valor nenhum ou ensinaria coisa alguma. portugal torna as coisas ainda mais dificeis cm tantas disciplinas por ano. eu so tenho 4 disciplinas por ano e nem metade daquilo que voces tgem de estudar ai em portugal.
existe algo k nao concordo no entanto, aqui na GB filosofia nao e dos cursos mais populares e e uma mentira k filosofia de acesso directo a cargos administrativos co um gerente de um banco. a maioria dos estudantes simplesmente tem de tirar algum treino ou pos-graduacao numa area diferente e so assim aquilo que disse e verdade. mas o mesmo acontece ai. o problema de portugal e que nao a emprego nem para os que tiram economia como e que filosofia teria algum lugar nesse mercado de trabalho tao pequeno? o problema maior e esse. nao a trabalho para quase nenhum tipo de licenciados. tirem filosofia e sigam a vossa razao. se os papas ai pagam tudo porque nao . filosofia nao e so um curso para arrrangar emprego e um curso para a vida.
De rolandoa a 25 de Outubro de 2009 às 10:04
Olá Hugo,
Antes de tudo obrigado pelo teu comentário. Tens razão num aspecto: claro que o meu texto dá a entender erradamente que em países anglo saxonicos o curso de filosofia dá entrada a um trabalho. Estou consciente que tal não é verdade. A dinâmica de mercado de trabalho é outra, muito diferente da daqui, na qual os licenciados esperam realizar uma tarefa a vida inteira somente porque tiraram a licenciatura X. A realidade está a mudar lentamente e cada vez mais também aqui os novos licenciados começam a perceber que têm de fazer formação ao longo da vida, embora a formação ainda seja muito cara para a maioria dos licenciados e apareça em grande número nos centros urbanos mais desenvolvidos, como Lisboa ou Porto. Mas também é verdade, como concordaste, que o curso de filosofia em Portugal mais parece um curso de história da filosofia sem desenvolver as skills necessárias para que o indivíduo possa traçar um percurso pessoal com uma formação de base que lhe ddê vantagens.
Uma sugestão: este blog já mudou o endereço. No primeiro post podes ver o endereço do novo. Estudas filosofia na GB?? Será que podias escrever um texto pequeno e claro sobre como se estruturam os cursos por aí para poder publicar? Era muito bom se o puderes fazer. Sei que os teclados dos computadores daí são diferentes, mas eu trato de corrigir o texto. Fico-te muito agradecido.
abraço e felicidades
De Hugo a 25 de Outubro de 2009 às 18:01
Ola Rolando. e um problema nao ter um teclado portugues para poder responder sem erros. fico muito contente com o teu novo blog. bem pode contar comigo para continuar a comentar no seu blog. adoraria poder  ajudar a escrever um pequeno texto sobre como se estruturam as licenciaturas de filosofia e humanidades em inglaterra. nao quero contudo ser arrogante ao comparar com o sistema em portugal ate porque foi gracas ao sistema educativo de portugal que consegui aprender as bases para a minha licenciatura. eu fiz o basico e secundario em portugal e apesar de nao ter feito muita filosofia, nem mesmo no 12 ano em que andei um periodo inteiro so a estudar do principio ao fim gorgias, quando o que deveriamos ter estudado apenas os argumentos principais desta e outras obras. acho que nao vamos ofender platao! bem eu prometo k dentro de dias o irei voltar a responder.ja agora origada por tentar divulgar flosofia e defende-la dos revisores curriculares que estao a toda a forca meter filosofia abaixo de dsciplinas como educacao fisica que obrigatorio ate ao 12 ano e nao o deveria ser a meu ver ja que tambem e uma discplina que nao da acesso directo a nenhum conhecimento profissional pratico como saber escrever artigos ou defender ideias de uma forma clara e informativa.
De rolandoa a 25 de Outubro de 2009 às 18:18
Já agora Hugo,
Um dos interesses que eu vejo no ensino da filosofia em relação a muitas outras disciplinas é o seu interesse e capacidade formativas. Claro que um mau ensino da filosofia não oferece qualquer capacidade formativa à disciplina, mas isso também acontece em todas as outras disciplinas. Um bom ensino da filosofia promove a discussão organizada de argumentos sobre problemas fundamentais e básicos da vida humana. E isto tem interesse para qualquer ser humano. Claro que um mau ensino da filosofia não promove nada disto. E é lamentável que tenhamos ainda um tão mau ensino da filosofia, pese embora nos últimos anos alguma coisa tem mudado para melhor. Também ensino Psicologia, por exemplo, e não vislumbro o interesse formativo para a psicologia que a filosofia tem.
abraço

Comentar post

Rolando Almeida


pesquisar

 
Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

Posts Recentes

NOVO ENDEREÇO: http://fil...

Nova religião digital

Problemas again

Escolha um título,...

A censura na nova religi&...

Filosofia na web – ...

Mais um “AQUI&rdquo...

Uma situaçã...

E?

Exigências para se ...

Arquivos

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Favoritos

Relação entre a filosofia...

Luta na filosofia ou redu...

A filosofia não é uma arm...

Argumentos dedutivos e nã...

16 de NOVEMBRO DE 2006, D...

PAGAR NA MESMA MOEDA

Um ponto de vista comum n...

DILEMA DE ÊUTIFRON

O que é a validade?

Nova Configuração no Blog

Sites Recomendados

hit counter
Clique aqui para entrar no grupo artedepensar
Clique para entrar no grupo artedepensar
Contacto via e-mail
AddThis Feed Button
RSS