Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Formiga Z versus Sócrates. Qual o melhor filósofo?

No artigo recente que publiquei sobre a proposta do manual de filosofia Pensar Azul para trabalhar a partir do filme da Formiza Z, surgiram alguns comentários, bem como mails pessoais que leitores me enviaram e que merecem aqui uma explicação. Antes disso gostaria de dizer que, por regra, quando publico um texto a defender a tese x ou y sobre determinado problema  da filosofia, raramente recebo comentários ou mails, mas quando se trata de colocar em causa determinada opção do manual x ou y, eis que enfrento um verdadeiro batalhão de mensagens, o que prova que as questões editoriais e, porventura, pedagógicas estão no centro de atenção dos meus leitores.
Rolando Almeida

Dos comentários recebidos arrisco em dividi-los em 3 espécies principais, alguns, pelas razões que vou expor, a merecerem mais discussão que outros:
1ª espécie – os que não são assinados e se resumem a tentar mostrar que eu não passo de um funcionário da editora x ou y e que estou a vender livros.
2ª espécie – os que vem assinados e somente pretendem elogiar, sem mais, os meus textos e ideias.
3ª espécie -  os que vem assinados e que discutem as minhas ideias, muitas das vezes, nem sequer concordando com elas, mostrando, para tal, as principais objecções que se podem fazer ao que defendo.
Os comentários mais desejáveis são os da terceira espécie. Os da 1º são absolutamente dispensáveis. De todo o modo evidenciam um facto que eu gostaria de compreender se fosse da área técnica que estuda estes fenómenos, a psicologia. É que quase sempre estes comentários não vem assinados. Do meu ponto de vista - nada técnico (sou da filosofia e não da psicologia e não trabalho para uma editora), - os leitores que fazem comentários como os da 1ª espécie não os assinam porque não estão interessados em discutir o que quer que seja, mas somente em fazer ataques pessoais. De todo o modo não reúno elementos suficientes para dar uma explicação cogente deste facto. Com efeito, creio que os psicólogos têm aqui um bom ponto de partida para uma investigação séria sobre os comportamentos humanos.
Quanto aos comentários da 2ª espécie eles são simpáticos porque, penso, pretendem reforçar o meu empenho e trabalho (ainda que modesto) neste blog. Só tenho a agradecer.
Finalmente, os da 3ª espécie são aqueles que acabam por constituir uma abordagem séria dos problemas e ainda bem que eles vão aparecendo se bem que em número muito inferior aos dos seus congéneres da 1ª e 2ª espécie. E é em virtude de aparecerem comentários da 3ª espécie que escrevo este texto que pretende constituir uma síntese do que defendi no artigo da formiga. Parte substancial destes mails e comentários defendiam que não existe qualquer problema em exibir um filme como a Formiga Z para ensinar a metodologia da filosofia e é até uma forma aliciante de cativar os alunos para a filosofia. É uma argumentação discutível e daí merece a minha resposta. Neste pequeno texto vou argumentar que ensinar filosofia com esse pressuposto é errado e que essa argumentação incorre em várias falácias. Mas, para isso, vou ter de dar outras explicações que enquadram a minha defesa.
Ponto 1
Não defendi no texto, ao contrário do que pensaram alguns leitores, que não se possa ensinar filosofia a partir de um filme, de uma música, peça de teatro, ou da minha unha do dedo grande do pé direito. Aquilo que defendi foi que a opção dos autores resulta de uma concepção vaga do que é ensinar filosofia. Em primeiro lugar defendi-o porque a metodologia da filosofia, desde Aristóteles, passando pelos filósofos medievais, Kant e até à actualidade tem um nome: Lógica. Se no ensino da filosofia em Portugal a lógica aparece somente no 11º ano é porque é um erro grosseiro do programa de filosofia (como já tenho vindo a defender faz algum tempo e em diversas ocasiões) e não dos manuais. Se algum manual propõe que ensine algumas noções de lógica logo no 10º ano (e o manual Pensar Azul até o faz, numa relação híbrida com outras metodologias, não se percebe porquê), essa é a opção correcta. Se observarmos, os problemas filosóficos possuem a sua base na discussão e argumentação racional, pelo que é desejável que se ensine logo no início do percurso as ferramentas básicas da argumentação. E essas ferramentas consistem em saber o que é um argumento, distinguir premissas de conclusão, saber o que é uma proposição, argumentos sólidos, cogentes, etc… Não dar estas ferramentas base aos alunos é como se lhes pedir para fazerem uma sopa sem sequer lhes ter ensinado a ligar o fogão. Ora, no programa de filosofia a lógica aparece a meio do percurso. Mas é a lógica que possibilita a qualquer aprendiz de filosofia, mais tarde, ler e interpretar um texto argumentativo ou filosófico. Como se quer que um aluno saiba fazer esse trabalho se nem sequer sabe distinguir num argumento entre premissas e conclusão? Qualquer professor de filosofia tem como obrigação ter aquilo que mais repete nas suas aulas, atitude crítica. E a atitude crítica começa logo pelos reparos que o programa da disciplina merece. Quero também deixar claro que mantenho o maior respeito pelo enorme trabalho que os autores do programa tiveram na sua concepção, mas também nunca pensei que o meu respeito tenha de ser de reverência total, nem creio que os seus autores sejam omniscientes, pelo que parto do princípio que o programa tem aspectos a melhorar. E cabe aqui, como professor de filosofia, assumir uma atitude crítica dentro dos parâmetros da espécie 3 que acima falei.
 
Ponto 2
Opções como a da formiga Z, muitas das vezes (não tenho provas empíricas de que o que vou falar neste momento fosse o que estivesse na mente dos autores do Pensar Azul), seguem uma linha educativa muito próxima do eduquês. E aqui as intenções podem ser as melhores, de tornar a filosofia mais apelativa, de pegar nas referências mais directas, etc… mas existe também aqui um efeito perverso nesta concepção de educação, o eduquês, que é necessário esclarecer. É que ao baixar o nível não se está a possibilitar mais conhecimento aos alunos, mas precisamente a roubar-lhes essa possibilidade, a do conhecimento e da cultura. Claro que a tendência do eduquês vem já da 1ª escola e não é no 10º ano que conseguimos contrariar esta tendência. Mas há que enfrentar o problema de forma honesta: ao tomarmos estas opções não estaremos a desviar daquilo que é próprio da nossa disciplina e a resvalar para outros campos? É que têm sido, infelizmente, estas opções que fizeram com que a filosofia, por exemplo em Espanha tivesse desaparecido do ensino secundário. Corremos o risco de descaracterizar a nossa disciplina, segurando-se, dela, somente o nome. Não há ciência nem conhecimento algum que possa ser ensinado nas escolas que não possua disciplina. E por disciplina entendemos somente o método. O método da filosofia é a lógica. Que outro existe? Ainda que me proponham o método hermenêutico, como até o manual que mais aprecio, o Arte de Pensar, erradamente propôs, esse só é possível após os conhecimentos mais elementares da lógica. Como é que é possível proceder a uma análise interpretativa do texto filosófico sem o conhecimento elementar das regras da lógica? Poderia também aqui invocar um argumento de autoridade referindo que muitos dos melhores manuais que conheço de filosofia de outros países e que neste blog tenho divulgado, começam a ensinar filosofia, todos eles, pelas regras elementares da argumentação. Todos os manuais que não o fazem chegam-me de países onde o ensino da filosofia é moribundo ou até já acabou ou é muito pouco sólido.
Curiosamente há aqui um outro aspecto interessante: um leitor confrontou-me com este facto: então estou a contestar a opção pela Formiga Z e divulgo livros de filosofia e os Mettallica e super heroís? (já tenho mais para ler e divulgar brevemente) Mas que tamanha incoerência! Ora bem, não existe aqui incoerência alguma e isto porque, primeiro, uma coisa são livros de divulgação de filosofia, outra, manuais de filosofia para o ensino. Depois, em segundo lugar, porque, todos os livros de divulgação da filosofia que falei no meu blog, seja o dos Metallica ou do Urso Mau, começam precisamente por divulgá-la ensinando as regras elementares do pensamento racional ou argumentativo. Mas não é isso que acontece no exemplo da Formiga Z e é precisamente isso que contesto, para além de que o filme em causa, como mostrei no meu primeiro texto, é filosoficamente frágil ou mesmo irrelevante.
Estou convencido que as maiores falhas do manual que refiro são precisamente essas. Perde em coerência precisamente por misturar métodos, dar opções de liberdade ao professor confundindo liberdade com o vale tudo, ainda que, mais uma vez o sublinho para que não cause mal entendidos, não se está a falar do pior manual que existe no mercado. Mas este é um erro comum na educação em Portugal, pensar que dar liberdade é deixar cada um fazer o que quer. E até é! Só que existe um passo que altera o processo todo: como é que alguém pode ter a liberdade de, por exemplo, apreciar mais Aristóteles ou Platão se nunca ninguém lhe ensinou esses filósofos? Como pode um adolescente optar entre a obra de Vitor Hugo ou Tolstoi se nunca ouviu falar em tais nomes? Isto já para não questionar como pode uma criança compreender de onde vem o leite se nunca lhe mostraram o ordenhar da vaquinha? Já cheguei a conhecer gente licenciada que, quando em visita à ilha da Madeira, ficavam admirados com o aspecto das bananeiras porque pensavam que as bananas vinham das Palmeiras. Explore-se então assim a filosofia e pasme-se que após dois anos de estudo um adolescente não tenha bem noção do que seja a filosofia e pense que as aulas de filosofia é um lugar onde cada um exprime a sua opinião como quer. Se assim fosse para que precisávamos de escola e aulas de filosofia se isso é o que podemos fazer todos os dias a beber uma limonada em frente ao mar? O facto de possuirmos, no sistema de ensino português, um programa de filosofia temático e aberto, não é para dar azo ao à sorte pós moderno, mas precisamente para que cada um, responsavelmente, possa trabalhar os conteúdos filosóficos com rigor e à medida da compreensão dos seus alunos. Mas aqui há ainda uma palavra em favor do ensino da lógica: é que a lógica é a única unidade que não exige que os alunos venham já com background de conhecimentos. A lógica exige somente uma cabeça e vontade de raciocinar. Na lógica formal raciocina-se com A e B e não com conhecimentos profundos de Português ou Física e, por essa razão, é das matérias que os alunos mais apreciam, principalmente os alunos que não tem a possibilidade do background que vem de casa. Até nesse sentido o ensino da lógica é menos discriminatório que uma interpretação de texto que destaca, logo à partida, os filhos de pais que tiveram formação suficiente para ensinar os seus filhos. Mas não serve a escola para ensinar, dar conhecimento, precisamente àqueles que de outro modo não o poderiam ter? É que - para terminar - um sistema de ensino que não cuidar deste aspecto vê ameaçada a sua cultura científico tecnológica e humana. E é este o principal efeito brutal do eduquês que afecta de forma fulminante a forma como são concebidos os manuais escolares, entre os quais, muitos de filosofia.


publicado por rolandoa às 23:41

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20 comentários:
De José Carrancudo a 28 de Outubro de 2007 às 15:50
Há dois grandes erros pedagógicos na nossa educação, ideologicamente impostos há 30 anos. Aquele do qual fala - Mas este é um erro comum na educação em Portugal, pensar que dar liberdade é deixar cada um fazer o que quer. - não é um erro, mas sim uma consequência lógica do paradigma falhado que se baseia em "pensamento crítico e independente", contra o qual insurgimos no nosso blogue (http://educacao-em-portugal.blogspot.com/).
De rolandoa a 28 de Outubro de 2007 às 18:52
Caro José,
Agradeço a referência ao vosso blog, que visitarei. Claro que o que vou apontando são consequência de uma postura cultural sobre a educação que dura já há longa data. Mas é necessário trabalhar no sentido de inverter esta tendência.
Abraço
Rolando A
De Paula Justiça a 31 de Outubro de 2007 às 19:52
Não entendo qual é problema de se ver o filme da Formiga Z e ao mesmo tempo saber-se quem foi Sócrates, mas também me parece que o referido manual não começa por explicar o essencial: o que é a Filosofia? Qual a sua utilidade? Porque e como é que se filosofa? E aqui é que entra a Lógica, que aliás o manual refere, mas de uma forma tão insípida que dificilmente os alunos poderão entender seja o que for do que lerem... E sim, é verdade que não sabem para que serve a Filosofia ou o que é a Filosofia no final de dois anos de estudo, mas isso não é culpa apenas dos professores ou dos manuais, é principalmente do programa, principalmente o do décimo primeiro ano, que em vez de os cativar os afasta cada vez mais do desejo de filosofarem ou lerem algum livro de um filósofo... Sinceramente, não sei como é que alguém continua a matricular-se na Faculdade para ir para Filosofia ou como é que os iluminados que fazem estes programas ainda não deram conta que estão a acabar com a Filosofia nas escolas... Os alunos não gostam, os próprios professores passam o tempo a queixar-se, e os outros professores, os que não dão aulas de Filosofia, continuam a ver-nos como desaparafusados, como lunáticos que conseguem complicar tudo e dar a volta aos alunos para de vez em quando, mas com um esforço descomunal, estudarem para um teste. O problema é que, depois de tantos anos de ensino, apesar de considerar que a Filosofia já faz parte de mim, já nem eu próprio sei ou transmitir aos alunos o que é a Filosofia, nem sei como é que consigo continuar a dar aulas de Filosofia e qual a utilidade delas.
De rolandoa a 31 de Outubro de 2007 às 22:15
Cara Paula,
Tocou no ponto essencial. O programa de filosofia é tudo menos filosofia. Aliás, estou em crer que um bopm filósofo actual, não conseguia sequer fazer um manual de filosofia decente com aquele programa. Para se fazer um bom manual de filosofia a partir do programa da disciplina é necessária muita criatividade e, sobretudo, conhecimento. Mas não concordo com a Paula quando refere que os professores se sentem perdidos. É verdade que se sentem perdidos, mas não têm razão para tal. Sempre podem aprender por si próprios, lendo boas introduções à filosofia e aos seus problemas e optando pelos 3 ou 4 bons manuais existentes no mercado. De um outro ponto de vista, estou convencido que os problemas educativos não são responsabilidade dos professores, nem dos pais, muitop menos dos alunos, mas antes das políticas educativas que temos assistido nos últimos 30 anos em Portugal. Tenho conhecido bons professores e muito empenhados. Só não fazem mais porque estão limitados. E, já agora, cabe a nós, professores de filosofia, mostrar a utilidade da filosofia e recuperar a dignidade que a disciplina tem. Tenho textos no meu blog que abordam a questão da utilidade da filosofia (http://rolandoa.blogs.sapo.pt/search?q=utilidade+da+filosofia) . Já agora: a questão do Sócrates e da formiga é uma ironia.
obrigado pela visita
Rolando Almeida
De sofia a 3 de Novembro de 2007 às 19:32
estou no 10º ano, vi a formiga Z, de forma simples pode-me explicar os inconvenientes de ter visto o filme e trabahado-o?
De rolandoa a 3 de Novembro de 2007 às 20:13
Sofia,
Obrigado pela visita. Não existem quaisquer inconvenientes, mas também não terá grandes vantagens do ponto de vista daquilo que é a filosofia. ica com uma ideia muito vaga do que é a filosofia, mas se ler alguns textos bons de filósofos, fica com uma ideia muito mais sólida do que ela é. E, depois de possuir essa ideia sólida, pode ver os filmes que quiser e dar-lhe a interpretação que melhor entender.
Felicidades para o estudo.
Rolando Almeida
De Paula Justiça a 20 de Novembro de 2007 às 13:08
Tenho perdido demasiado tempo com assuntos nada filosóficos e por isso só agora é que coscuvilhei o seu blog... Se calhar não fui bem explícita, porque para mim a Filosofia tem utilidade, não consigo sequer olhar para o mundo de outra forma, mas cada vez menos consigo transmitir essa utilidade aos alunos, principalmente a utilidade das minhas aulas... e porque é que lhes tenho de mostrar essa utilidade? Os professores de Português, Inglês, Matemática e Físico-química, não começam por mostrar a utilidade das suas disciplinas, são necessárias e ponto final. Com a Filosofia não é assim, pensam os alunos, anda o professor a tentar-nos mostrar a sua utilidade, então é porque não serve para grande coisa, e se não serve, para quê ter de aturar as aulas desta disciplina durante pelo menos dois anos? E pensam que não gostam de pensar, que preferem copiar nos testes ou mesmo decorar, e que nas aulas também é melhor não pensar muito e limitarem-se a dar as suas opiniões, por mais imbecis que elas sejam, mas cheios de razão, porque a Filosofia é mesmo para isso, para opinar, pois quando não há certezas todos podemos criar os nossos próprios dogmas... Mas todos os outros professores, e até os próprios pais, continuam a transmitir-lhes certezas, não lhes deixando espaço para duvidar, para colocar a hipótese de que tudo possa ser de uma outra forma e não desta... Já agora, gostava que me desse a sua opinião sobre o filme Waking Life , que me parece muito mais indicado para uma Introdução à Filosofia, se devidamente comentado, do que a Formiga Z , mas acerca do qual não encontro comentários favoráveis. Peço desculpa por este longo e vazio comentário...
De rolandoa a 20 de Novembro de 2007 às 21:40
Olá Paula,
Confessadamente não tenho tido a experiência que a colega me relata. Talvez estaria mais proximo afirmar que parte significativa dos alunos não se interessa pela filosofia, nem física, nem nada. E não se interessa também, porque os próprios programas são vazios ou demasiado formais (mas isto é assunto para outro post). De todo o modo a experiência diz-me que se ensinarmos filosofia com as tolices que vem em 90% dos manuais, os alunos acham "uma seca". Mas se lhes ensinarmos filosofia com os seus conteúdos mais próprios, os alunos começam a perceber qual a utilidade da filosofia. Por essa razão, provada pela própria experiência (tomando aqui a experiência como ponto de referencia) aprecio muito o manual Arte de Pensar. Experimente começar a seguir esse manual e fale-me depois dos resultados.
até breve
Rolando A
De sofia a 5 de Novembro de 2007 às 19:09
Aahh...compreendi!
Obrigada!;)
Gostava de pedir uma opinião, como este era o primeiro ano que ia ter filosofia nas ferias decidi começar a ler um livro que me suscitou interesse "o dia em que socrates vestiu jeans", é indicado ler este livro ou devo esperar para depois de um ano de ter contacto com a discilplina?
Peço desculpa pelo incómodo...

Sofia
De rolandoa a 5 de Novembro de 2007 às 20:04
Olá Sofia,
Dar uma sugestão de leitura não é uma obrigação, é um gosto, pelo que não me incomodas. E sempre que tiveres duvidas podes colocá-las. Há dois livros que são muito bons para a tua idade e nível de ensino. Um deles é o do Nigel Warburton, elementos básicos de filosofia. pessoalmente gosto muito deste e recomendo-o aos meus alunos. Existe um outro de Thomas Nagel, Que quer dizer tudo isto? uma iniciação à filosofia, que é muito pequenino e muito bom. Ambos foram escritos para jovens e ambos são realmente muito bons. São editados pela Gradiva e fáceis de encontrar nas livrarias.
Bom proveito e boa aventura com a filosofia :-)
Rolando Almeida
De Sofia a 6 de Novembro de 2007 às 20:34
=)*
Obrigada pelos conselhos e pela disponibilidade
Que o ensino lhe corra bem e que os seus alunos consigam usufruir daquilo que será transmitido
;)
De rolandoa a 6 de Novembro de 2007 às 21:36
Obrigado pelas tuas palavras.
Bom trabalho e boa Filo(Sofia)
Rolando Almeida
De Carolina a 13 de Novembro de 2007 às 21:58
Vi o filme a formiga z e gostei do filme por dar uma visão mais cómica da atitude filosófica e da importancia de pensar por nós próprios. Acho que aprendi a ver a filosofia de uma maneira menos rígida e mais divertida. Quanto a Sócrates não percebo a comparação, mas admiro tanto o autor(que já conheço um pouco) como o filme.
De rolandoa a 14 de Novembro de 2007 às 00:25
Carolina,
Como mostrei no meu texto, a Carolina pode ver o que quiser no filme e até pode estabelecer relações com as teorias da filosofia que quiser. Não pode é substituir o filme da Formiga Z pelos textos filosóficos. Imagine que nos livros de história, apareciam sugestões de visualização detelenovelas brasileiras. A Carolina, talvez achasse uma péssima ideia, mas é inegável que a partir de algumas telenovelas até aprende alguma história. a questão que levantei no meu texto é se é uma boa opção apresentar a filosofia exibindo a formiga z com o guião proposto no manual Pensar Azul. E a resposta que dei é que não, não é. É uma ideia até muito má, porque vaga e nada condizente com o que é a filosofia. Além do mais o filme tem uma mensagem soberba e que nem sequer, na altura falei no meu texto. mas devia tê-lo feito. É que o filme tem uma base moral preconceituosa, porque parte de ideias feitas. A filosofia, como sabe, não se compadece com ideias feitas.
Obrigado peka visista
Rolando Almeida
De Ana a 5 de Dezembro de 2007 às 17:20
A filosofia é chata. Exige que os professores nos expliquem o que significam os conteúdos e os professores (pelo menos os meus) apenas sabem ler o que o livro diz.
De rolandoa a 6 de Dezembro de 2007 às 16:23
Olá Ana,
Claro que se os professores somente estão a ler o que o livro diz, esse é mau serviço. mas será mesmo assim? Olha que já vi alunos queixarem-se exactamente do contrário, que o que os professores dizem não vem nada no manual. Toma atençaõ a esse aspecto. Oura coisa: não me dizes porque é que a filosofia é chata, melhor, dizes-me que ela é chata porque os professores limitam-se a ler o que vem no livro. Mas isso acontece também muitas vezes nas outras disciplinas, por isso não pode ser uma razão suficiente para afirmares que a filosofia é chata. Deixa-me fazer-te uma perguntita simples: Não gostas de pensar? E, quando pensas, gostas de o fazer pela tua própria cabeça? Estou certo que sim. Para o fazeres a filosofia pode ajudar-te, e muito, porque pensar pela própria cabeça é o que os filósofos fizeram o tempo todo. Mas concordo contigo que as aulas de filosofia possam ser por vezes chatas, tal como qualquer outra aula. Discordo é que a filosofia seja chata, porque estudá-la é cultivar a nossa inteligência e é natural que os seres humanos gostem de cultivar a sua inteligência. Vou propor-te um exercício: gostavas de ter todos os namorados que quisesses do mundo, à tua disposição, mas que não fosses inteligente, ou preferias ter só um que te amasse, mas ser uma pessoa inteligente? Se a tua resposta for a minha segunda hipótese, então provaste que gostas de ver a tua inteligência desenvolvida e, talvez, até gostes mais da filosofia do que pensas, mesmo que as aulas possam ser chatas, ou tu as consideres como tal. Pensa lá nisso Ana. Volta sempre e coloca as tuas dúvidas que eu procurarei ajudar-te sempre que me for possível.
bom estudo ;-)
Rolando Almeida
De Margarida a 1 de Novembro de 2008 às 17:41
Iniciei este ano o estudo da Filosofia, e visionamos o filme de que fala e surgiu-me uma pergunta, não consigo entender o que é que a torna diferente das outras formigas? Se ela nasceu e tinha vivido até então no mesmo ambiente, rodeada pelos mesmos ideais, guiada pelas mesmas pessoas que as outras formigas da colónia porque é que esta sentiu uma necessidade de escolha, de procurar por algo mais, de possuir autonomia e as outras não? Porque é que ela é revelou ser diferente das outras? nasceu assim e pronto? reparei que as outras formigas tambem sentiam uma necessidade de escolha, só que sentiam-na inconscientemente só percisavam de um impulso que acabou por ser dado pela formiga Z, só nao consigo entender porque é que a formiga Z se distinguiu das outras, porque é que sentiu logo uma necessidade consciente de ter autonomia e as outras nao?
De Ana a 2 de Novembro de 2008 às 21:53
pois, eu também estou no 10º ano, e vi esse filme e inclusive tenho um guião para apresentar amanhã e estou com dificuldades em o resolver.
De Francisco Monteiro a 1 de Dezembro de 2009 às 21:31

Olá, sou o Francisco, frequento o 10º ano, o meu manual de filosofia é "Pensar Azul" e vi a Formiga Z há menos de uma semana. Eu já tinha visto quando era pequenino, mas (como já aconteceu várias vezes por isso é que gosto de rever os filmes mais que uma vez) apercebi-me de várias coisas que nem sequer pensei quando era apenas uma criança (já tenho 15, não sou uma criança :P), e até achei o filme de certa forma filosófico e um bom exercício para reflectir, contudo, após ler a sua opinião sobre a relação do filme com a filosofia fiquei um pouco confuso e dividido em relação à sua utilidade. Ainda assim gostava que me respondesse a uma pergunta: O filme é assim tão inutil ou não apropriado? É que do meu ponto de vista até é um filme engraçado e dá para fazer um exercício mental, questionarmo-nos sobre a nossa existência e pormo-nos no papel do Z.

Tenho um teste amanhã, e a professora falou que algumas perguntas vão ser relacionadas com o filme. E estou confuso sem saber o que a professora irá perguntar. A única coisa que me lembro é sobre quem demonstra atitude filosófica e quem nao demonstra.

Queria agradacer, já agora, tocar neste assunto, já que vieram à discussão algumas coisas que aconteceram no filme e que não me apercebi que podem me dar jeito no teste.
Quero ainda dar lhe os parabéns pelo blog. Tem muita coisa interessante (que ainda não explorei bem visto que o descobri há pouco tempo) e que vou passar a frequentá-lo regularmente.

Um abraço à espera de resposta,
Francisco Monteiro
De FM a 15 de Dezembro de 2009 às 19:10

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