Sábado, 26 de Maio de 2007

A Filosofia Moral de Mill

A ética normativa é a parte da ética que estuda como devemos agir, ou que tipo de pessoa devemos ser. No âmbito da ética normativa, Mill é um consequencialista. O consequencialismo é uma teoria composta por duas partes: uma teoria do bom e uma teoria do correcto. A primeira trata de determinar que estados de coisas são bons, fornecendo também, geralmente, critérios para os comparar – critérios que determinam qual o melhor estado de coisas entre vários. A teoria do correcto trata de determinar o que devemos fazer. De acordo com o consequencialismo, o correcto consiste em maximizar o bom, ou seja, consiste em gerar o melhor estado de coisas possível, se esse estado de coisas ainda não existe, ou em preservá-lo se já existe.
O consequencialismo, tal como formulado, pode parecer uma posição inócua e trivial, mas não o é. Há teorias normativas, «não consequencialistas», que defendem uma relação diferente entre a teoria do bom e a teoria do correcto. Uma teoria não consequencialista típica começa por especificar uma teoria do bom, mas nega, de seguida, que o correcto consista sempre em maximizar o bom.
O seguinte exemplo ilustra a diferença entre o consequencialismo e o não consequencialismo. Suponhamos que um consequencialista e um não consequencialista têm a mesma teoria do bom. De acordo com essa teoria do bom, um estado de coisas em que dez pessoas são mortas é melhor em que um estado de coisas em que duas pessoas são mortas. O consequencialista e o não consequencialista deparam-se agora com uma situação em que a única maneira de evitar que dez pessoas morram é matar duas pessoas. O consequencialista dirá: se tivermos de escolher entre esses dois estados de coisas, então, dado que o correcto consiste em maximizar o bom, o correcto será matar essas duas pessoas. O não consequencialista, como não acredita que o correcto consista sempre em maximizar o bom, pode dizer que o correcto não consiste, nesse caso, em matar as duas pessoas, mas sim em deixar as outras dez morrer.
 
Pedro Madeira, in. Prefácio de John Stuart Mill, Utilitarismo, Gradiva, 2005
publicado por rolandoa às 23:05

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Rolando Almeida


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