Sábado, 3 de Março de 2007

A reforma na educação pode ser divertida

A democratização do saber conduziu a que se sentisse a necessidade de divulgar a ciência e o saber em geral. A teoria do génio isolado foi já ultrapassada. O saber faz-se em comunidade e mais vale cooperar do que ser egoísta. Quer isto significar que a via mais eficaz para esta cooperação é começar pela e na educação a despertar os mais jovens para o saber, conhecimento e ciência. O Plano Nacional de Leitura, uma das políticas do governo português em matéria de educação, apresenta anúncios televisivos nos quais se alerta que a iliteracia é a principal porta para a exclusão social. Na verdade todos os caminhos vão lá parar, apesar de chocante, o anúncio televisivo revela uma verdade irrefutável nos dias que correm. Alguns, muito poucos ainda, professores universitários, sabem disto. Carlos Buesco, Nuno Crato ou Carlos Fiolhais, cientistas e investigadores, professores no ensino superior português dão passos muito importantes no sentido de ir ao encontro do público em geral. No caso da filosofia temos, para já, Desidério Murcho e pouco mais. Este é um trabalho que ainda está por fazer no nosso país e é a reforma que o sistema educativo necessita, mesmo antes de resolver os problemas profissionais dos professores. Precisamos, em Portugal, de boas obras, escritas de forma clara e que possam apresentar aos iniciados (e professores também) as teorias da ciência e os problemas da filosofia. E tal pode ser feito de modo divertido, como Carlos Fiolhais faz com este feliz regresso à Física Divertida, pela mão da Gradiva. A característica que Fiolhais atribui à física, que ela é divertida, é extensível a todos os ramos da ciência e à filosofia. É até muito mais divertida do que alguma vez sonhamos. E este tipo de edições, mesmo em termos comerciais, tem uma dupla vantagem: vendem bem e dão a possibilidade das editoras depois publicarem trabalhos mais especializados e exigentes.
O Plano Nacional de Leitura deveria atravessar este ponto: é importante ler, sem dúvida, mas é necessário ter para ler em quantidade e qualidade. Como queremos ler se só tivermos disponíveis obras de tratamento difícil? Que será de um jovem de 15 anos se quiser começar a aprender os problemas da filosofia começando por ler um parágrafo da Fenomenologia do Espírito de Hegel? Provavelmente esse passo é a condenação à morte da filosofia para esse jovem. O livro de Fiolhais é prova disto mesmo. É claro, competente e sabe, de forma divertida introduzir o neófito em duas teorias centrais da física para o sec. XXI, a física quântica e a teoria da relatividade. E o trabalho de Fiolhais é um exemplo para os seus colegas das universidades, desde a filosofia à biologia, a química à antropologia e história, matemática, etc… É precisamente isto que vemos acontecer com especialistas em diversas áreas em alguns países estrangeiros, precisamente aqueles onde existe mais ciência, mais conhecimento e mais filosofia. Se o saber e o conhecimento não puder ser divulgado desta forma, nesse caso, só nos resta esperar por uma experiência religiosa: que deus nos abençoe com conhecimento e sabedoria genial para fazermos o mundo avançar! Na pior das hipóteses (aquela que já acontece), temos de importar tudo até que a nossa iliteracia nos torne absolutamente dependentes e miseráveis.
 
Rolando Almeida
Carlos Fiolhais, Nova Física Divertida, Gradiva, 2006
publicado por rolandoa às 19:24

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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