Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

Conhecimento: de Hume a Kripke

David Hume mostrou o problema da indução para o conhecimento científico. Ao mostrá-lo revelou-se céptico em relação ao conhecimento. Kant, despertado pela exposição de Hume, procurou solucionar o problema adiantando que o conhecimento é proveniente dos sentidos, a posteriori, mas não se fica por aí, sendo a capacidade de entendimento do sujeito , a priori, que formula conhecimentos necessários e universais (juízos sintéticos a priori).
Com efeito:
« Restava, para este filósofo, uma questão: saber se a metafísica poderia ser considerada uma ciência. Mas a resposta foi negativa porque, em metafísica, não era possível formular juízos sintéticos a priori. As questões metafísicas - a existência de Deus e a imortalidade da alma - caíam fora do âmbito da ciência, ao contrário da ciência medieval em que o estatuto de cada ciência dependia, sobretudo, da dignidade do seu objecto, sendo a teologia e a metafísica as mais importantes das ciências.
A «solução» de Kant dificilmente é satisfatória. Ao explicar o carácter necessário e universal das leis científicas, Kant tornou-as inter-subjectivas: algo que resulta da nossa capacidade de conhecer e não do mundo em si. Quando um cientista afirma que nenhum objecto pode viajar mais depressa do que a luz, está para Kant a formular uma proposição necessária e universal, mas que se refere não à natureza íntima do mundo, mas antes ao modo como nós, seres humanos, conhecemos o mundo. Estavam abertas as portas ao idealismo alemão, que teria efeitos terríveis na história da filosofia. Nos anos 70 do século XX, o filósofo americano Saul Kripke (1940- ) iria apresentar uma solução parcial ao problema levantado por Hume que é muito mais satisfatória do que a de Kant. Kripke mostrou, efectivamente, como podemos inferir conclusões necessárias a partir de premissas empíricas, de modo que a necessidade das leis científicas não deriva do seu carácter sintético a priori, como Kant dizia, mas antes do seu carácter necessário a posteriori.»
 
Aires Almeida, Filosofia e ciências da natureza: alguns elementos históricos
Este artigo de Aires Almeida encontra-se integralmente disponível em www.criticanarede.com. A pequena introdução é da minha responsabilidade.
publicado por rolandoa às 00:44

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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