Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007

Relato de uma experiência na sala de aula com manuais

Hoje fiz uma experiência com manuais na sala de aula. Queria saber qual o manual pelo qual os alunos aprendem melhor. Como é uma turma pequena do 11.º ano, dividi-a em dois grupos de trabalho e pedi que lessem e explicassem em que consiste o argumento da regressão infinita e qual a sua relação com o fundacionismo. No grupo 1 coloquei os alunos a trabalhar com o manual adoptado na escola na qual lecciono, de Luís Rodrigues, Júlio Sameiro e Álvaro Nunes, Plátano Editora. No grupo 2 coloquei os alunos a trabalhar com o Arte de Pensar, Didáctica Editora. Os resultados foram impressionantemente diferentes. Os alunos do grupo 2, que trabalharam com o Arte apresentaram as noções e teorias de forma clara e objectiva, ao passo que os alunos do grupo 1 baralharam as noções e apresentaram as teorias com maiores limitações.
Não pretendo desconsiderar o bom trabalho que Luís Rodrigues, Júlio Sameiro e Álvaro Nunes desenvolveram com o seu manual, mas esta pequena experiência leva-me a concluir que o Arte é um manual didacticamente muito acertado.
Faço o convite aos colegas que repitam esta minha experiência e que tirem as suas conclusões.
Para terminar deixo somente um caso:
No manual de L. Rodrigues, J. Sameiro e A. Nunes, página 200, a distinção entre crença básica e não aparece assim:
 
Crenças fundacionais: crenças justificadas independentemente da sua relação com outras crenças (crenças não inferencialmente justificadas);
 
Crenças não fundacionais: crenças justificadas por intermédio da sua relação com as crenças fundacionais (crenças inferencialmente justificadas).
 
Referindo-se à mesma distinção, o Arte apresenta assim, página 116:
 
A crença é básica se não é justificada por outras crenças.
A crença é não básica se é justificada por outras crenças.
 
Este é um pequeno exemplo das diferenças de linguagem que, no caso, entre dois manuais que considero bons para o professor, para os alunos, um é melhor que o outro. Concluo que a diferença é de linguagem e didáctica porque, em rigor de compreensão de conceitos, não se perde uma pitada.
 
No final foram os alunos que atestaram que aprenderam melhor pelo Arte de Pensar.
 
 
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 20:55

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