Domingo, 28 de Janeiro de 2007

Os perigos do pensamento mágico e pseudociência

Há todos os tipos de pseudociência. Estes simulam usar os métodos e as descobertas da ciência, quando, na realidade, são desleais para com a sua natureza – muitas vezes porque se baseiam em provas insuficientes ou ignoram pistas que apontam noutro sentido. Jogam com a credulidade. Com a cooperação desinformada (e muitas vezes com a conivência cínica) de jornais, revistas, editores, rádio, televisão, produtores cinematográficos e outros, tais ideias são fáceis de generalizar. Muito mais difíceis de abordar (…) são as descobertas da ciência, mais surpreendentes, mas que representam um maior desafio.
      A pseudociência é mais fácil de forjar do que a ciência, pois os confrontos com a realidade – quando não podemos controlar o desfecho da comparação – são mais fáceis de evitar. Os padrões da argumentação, que passam por provas, são muito menos rígidos. Em parte pelas mesmas razões, é muito mais fácil apresentar a pseudociência ao público comum do que a ciência. Mas isto não basta para explicar a sua popularidade.
     É natural que as pessoas experimentem vários sistemas de crença para verem o que mais convém para as ajudar. E, se estivermos muito desesperados, dispomo-nos a abandonar o que pode ser considerado o fardo pesado do cepticismo. A pseudociência dirige-se a necessidades emocionais fortíssimas que a ciência muitas vezes deixa sem resposta. Fornece fantasias sobre poderes pessoais que não temos e que desejamos possuir (como os que, nos nossos dias, são atribuídos aos super heróis das histórias aos quadradinhos e antigamente eram atribuídos aos deuses). Em algumas das suas manifestações oferece a satisfação da fome espiritual, curas para doenças, promessas de que a morte não é o fim. Tranquiliza-nos, garantindo que ocupamos um lugar central e importante no cosmo. Assegura-nos de que estamos indissoluvelmente ligados ao universo. Por vezes é uma espécie de albergue a meio caminho entre a antiga religião e a nova ciência, olhada por ambas com desconfiança.
 
Carl Sagan, Um mundo infestado de demónios, Gradiva, 2002, p.29
publicado por rolandoa às 14:10

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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