Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Arte e função simbólica

im_stelarc

Implante que o artista Stelarc fez de uma orelha no braço

Soube pela leitura dos jornais on line que a PSP de Braga devolveu os livros apreendidos que falei no post anterior. Segundo a polícia, «Tendo-se verificado que o livro reproduz uma obra de arte e não havendo fundamento para a respectiva apreensão, foi determinado o envio de uma comunicação, ao Ministério Público, para considerar sem efeito o respectivo auto». Vamos imaginar que eu estava presente na feira do livro e montava uma barraca na qual instalava materiais de clínica médica. Aí, sob o efeito de anestesias locais, resolvia auto operar-me em pequenas cirurgias. Perante o choque era preso pela polícia. Mas, já na prisão, alegava que se tratava de uma obra de arte. Deveria ou não a polícia soltar-me? O artista e performer Stelarc procede nas suas instalações a mutações no próprio corpo. Uma das suas mais recentes investidas consistiu em adaptar uma orelha no seu braço. É considerada uma obra de arte, ainda que marginal para muitos críticos de arte. Vamos imaginar que em vez de uma orelha, Stelarc tinha adaptado um pénis. Deveria ser proibido de exibir publicamente a sua arte? Temos boas razões para pensar que a exibição pública de um pénis é menos artístico e mais pornográfico que a exibição pública de uma orelha?

Os casos menos convencionais na arte são sempre chocantes e motivo de muita discussão. O livro de Nigel Warburton, o que é arte, Bizâncio, abre uma discussão intensa sobre este problema. A história da arte está cheia de imagens choque e muitas delas passam a ser moda passado algum tempo. De resto, pintar o nú feminino nem sequer é o mais chocante na história da arte. No caso da música os exemplos de arte extravagante abundam, mas estou a recordar-me do compositor contemporâneo norte americano Harry Partch que compunha a partir dos utensílios que usava na sua profissão, agricultor. Podia dar aqui dezenas de outros bons exemplos.

Mas se aceitamos sem reservas o quadro de Coubert, o que é que nos fará rejeitar uma foto do órgão sexual feminino, por exemplo? E se for um corpo no museu de cera completamente nú, há razões para o aceitar como obra de arte?

É muito difícil responder a problemas com esta natureza, com efeito fica-se com uma sensação estranha quando perguntamos: O que teria passado pela cabeça dos polícias de Braga para acreditar que não pode existir ofensa no quadro pois trata-se de uma obra de arte e não de pornografia? Sendo obra de arte deixa de ser pornográfica? E será que aos agentes policiais devemos exigir uma sólida formação artística para distinguir o que é uma obra de arte e uma obra de pornografia? Já que as questões vem em avalanche, só mais uma para finalizar: e por que razão uma obra pornográfica não pode ser uma obra de arte?

Claro que aqui só levanto questões relacionadas com a definição que possamos ter de arte. A discussão vai mais além do problema da definição da arte, já que está aqui implicado um problema de liberdade de expressão.

HarryPartchCompositor Harry Partch

publicado por rolandoa às 23:40

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Liberdades e questões da arte

258204 O quadro de Gustave Courbet encontra-se exposto no Museu D'Orsay em Paris

O recente episódio da apreensão de livros com o quadro de Gustav Coubert na capa, pela parte da PSP de Braga suscita muitas questões. As que directamente podem ser pensáveis pela filosofia tentam responder aos problemas: O que é a arte? O quadro em causa é moralmente errado? Até que ponto deve a autoridade do estado decidir sobre as liberdades das pessoas? Que dizer, por exemplo, da moralidade da obra de Spencer Tunick que consiste em fotografias de centenas de corpos completamente nus fotografados em cenários naturais ou preparados? Que dizer de obras da literatura tão radicais como As onze mil vergas de Apollinaire ou Sexus Nexus, Plexus de Henry Miller? Será que devemos censurar a exibição pública do espectáculo dos La Fura Dels Baus, XXX? Qual a fronteira entre a representação da obra de arte e a ofensa moral? Não tenho respostas finais a todos estes problemas, mas parece-me que a decisão da PSP foi errada e viola determinados princípios que garantem a liberdade das pessoas, ainda por cima tratando-se de um universo artístico devidamente contextualizado.

tunick3Fotografia do consagrado artista Spencer Tunick 

13759519Capa da obra As onze mil vergas de Apollinaire

publicado por rolandoa às 01:07

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Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Aires Almeida no Cãmara Clara

airesalmeida Aires Almeida, professor de filosofia, estará amanhã no programa da RTP 2, Cãmara Clara. A não perder.

publicado por rolandoa às 21:26

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Será possível o estado desaparecer da educação?

main_education Um desafio aos leitores para escrevinharem na caixa de comentários. Será possível o estado desaparecer completamente da educação? Que pensam disto?

publicado por rolandoa às 16:09

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Metafísica animal

Em relação ainda ao comentário do Vitor Guerreiro no post anterior, temos também a hipótese de que nem todas as pessoas são ser humanos. Se partilhamos uma série de características com os macacos, elefantes, etc. que fazem de nós, seres humanos, pessoas, que razões temos para não os considerar de igual modo pessoas, merecendo igual tratamento? Pelo menos estou a pensar nas definições de pessoa mais clássicas. Por exemplo, John Locke pensava que Pessoa é ter consciência de si. Ora, os macacos tem consciência de si, logo, segundo esta definição, são pessoas. Esta hipótese é claramente inspirada no controverso filósofo Peter Singer e apresento-a aqui numa versão muito simplificada, mas que coloca já o problema.

Rolando Almeida

publicado por rolandoa às 02:05

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Direitos morais dos animais – a tese de Vitor Guerreiro

PIGSAVIOR A tese que o leitor e amigo Vitor Guerreiro defendeu nos comentários está tão bem argumentada, que acho que vale a pena partilhá-la num post. Aqui vai:

Gastamos mais recursos vegetais para produzir um quilo de carne do que se consumíssemos directamente esses recursos vegetais. E a produção de muitos recursos vegetais que se gastam na produção de carne implicam devastação florestal e outras consequências. Por isso é falacioso pensar que deixar de comer carne ia provocar uma escassez de alimentos. Na verdade é o contrário. A produção industrial de carne é um processo lucrativo mas ecologicamente dispendioso, onde gastamos mais recursos para produzir um produto muito menor.
Ou bem que os animais têm importância moral ou não têm. Se têm, é ridículo dizer que não faz mal matar mas que já é muito mau matar cruelmente. É como ter dois donos de escravos a discutir, porque um deles gosta de violar as escravas e o outro fica escandalizado com isso. Vejamos: o pudor do outro em violar as escravas é indício de que ele pensa que elas são pessoas e que são moralmente importantes porque capazes de sofrer. Mas então este argumento impede-o, de todo em todo, de ter escravos. Assim, o dono de escravos humanista é um hipócrita de pior calibre do que o dono de escravos cruel, que é um nojo de ser humano mas é mais coerente logicamente.
Temos de nos decidir. Ou sim ou sopas. Se ficamos todos melindrados com a morte cruel é porque pensamos que os animais são moralmente importantes. Mas se são, então deixemos de ser como o dono de escravo que "trata bem" os seus escravos, mas não abdica de fazer deles meios para os seus fins. A definição básica de tratar imoralmente alguém é tratá-lo como meio para os nossos fins. A crueldade é apenas uma extensão disso e não algo de natureza diferente.
O argumento que afirma que se não fosse a pecuária algumas espécies deixariam de existir é idiota, porque nenhum de nós concordaria com uma civilização de extraterrestres que criasse seres humanos para os torturar e comer, sob o pretexto de que se não o fizessem, haveria muito menos seres humanos no universo ou nenhuns. Seria preferível não nascer do que existir continuamente numa unidade extraterrestre de produção de carne humana e ter uma vida superlativamente degradada, dolorosa e curta.

Não acredito que seja imoral comer carne em quaisquer circunstâncias, por exemplo, em muitas partes do mundo as pessoas não têm alternativas a uma dieta saudável se não comerem carne. Mas nas cidades do ocidente as pessoas têm alternativas. Só não têm se apesar dos argumentos querem continuar a agir da mesma maneira. Quer dizer, se não querem abdicar simplesmente do prazer de comer carne.
A ideia de que é tolo deixar de comer carne porque os animais comem é autoderrotante, vejamos: muitos comportamentos socialmente destrutivos e imorais têm uma base ou explicação natural, isso não significa que tenham justificação moral. Assim, não é pelo facto de alguns animais comerem as crias ou de o comportamento do violador ter uma explicação biológica ou neurológica que automaticamente passa a ser moral matar e violar. Nós temos a capacidade de raciocinar moralmente e isso impoe-nos escolhas morais. Podemos e´querer evitar essas escolhas morais e continuar a fazer o que íamos fazer de qualquer maneira. Mas então temos de ser honestos e dizer apenas que não nos apetece pensar nisso, e não fingir que temos uma justificação moral para o fazer.
Quanto à questão dos animais domésticos, pode haver as seguintes alternativas:
a) produzir comida para animais de estimação com os ingredientes necessários, mas sem carne, tal como nós próprios comemos alimentos com aditivos proteicos, por exemplo. Se isto for "veterinariamente" viável.
b) deixar de ter animais de estimação, de todo.

Vitor Guerreiro

publicado por rolandoa às 01:42

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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Filosofia Pública

viverparaque A revista de filosofia Crítica abriu uma secção nova para a colecção de filosofia dirigida por Pedro Galvão. Esta colecção é um caso isolado no nosso país já que se trata de colectâneas de textos sobre as principais áreas da filosofia contemporânea. Estão já publicados 2 volumes, o primeiro reunindo textos centrais sobre o aborto, editado pelo próprio Galvão e um outro editado por Carmo D`Orey sobre a filosofia da arte. Nestes dois volumes temos textos centrais que sintetizam o que de melhor se faz nestas áreas hoje em dia. O próximo volume a ser publicado é editado por Desidério Murcho e é sobre o sentido da vida. Ainda não conheço o volume, mas deixo aqui a capa para abrir o apetite, de resto, uma das capas de livros de filosofia mais interessantes que tenho visto.

publicado por rolandoa às 21:51

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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Como exigir avaliação de qualidade para nós se nunca a exigimos para os nossos alunos?

spp_teaching_shapiro Um dos comportamentos que observei muitas vezes ao longo da minha carreira profissional é que os professores mais ou menos acatavam as ordens do ministério, ainda que resmunguem sempre que exista alguma reforma. Têm razão já que as reformas em educação são mais que as mães. O que há de estranhar nisto é que uma boa parte das decisões do ministério mereciam forte contestação dos professores e das plataformas que os defendem, os sindicatos, como por exemplo, o estrangulamento dos programas de ensino, o fim de exames nacionais, o medíocre ensino da música, etc. É verdade que os exames nacionais lançaram algum barulho nalgumas ocasiões, mas foram mais pelos resultados e quando estes não eram desejáveis. Tais contestações vinham dos pais e não dos professores ou dos sindicatos de professores. São duas ou três gerações seguidas a acatar ordens do ministério que dão cabo do sistema educativo, que degradam a qualidade do ensino e das aulas. Mas nunca vi uma só manifestação por causa disso. Vi sim, alguns encontros, palestras, etc. mas que nunca tiveram eco para além de alguns docentes efectivamente preocupados com as más decisões ministeriais.

Ver mais... )
publicado por rolandoa às 12:00

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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Privilégios para ser médico em Portugal

medicina_394f23a Mais uma vez corre na imprensa portuguesa o problema da falta de médicos em Portugal. Mas como compreender esta falta se em quase todas as áreas de mercado para licenciados o mercado está cheio (veja-se o ensino, por exemplo)? Qual a razão que condiciona o liberalismo no ensino da medicina o que contraria a tendência em todas as outras áreas? Escrevi sobre este problema há algum tempo atrás. Exija-se mais condições e médias mais baixas para entrada nos cursos de medicina. Clicar aqui para aceder a esses textos.

publicado por rolandoa às 13:06

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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

E se o traduzíssemos?

 0845170 Por estas bandas pouco sabemos destas coisas, sendo que a filosofia da matemática é coisa que está entregue às mãos de dois ou três especialistas e é conhecimento ausente da maioria. Até do meu. Talvez algum editor possa ler este meu apelo e, quem sabe, ficar emocionado. A edição é de 2009.

Clicar na imagem para mais informação.

publicado por rolandoa às 21:56

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Um sério problema moral – a dor e o sofrimento

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Faça o seguinte: coma ovos pela manhã. Almoce um bom bife e coma um pão com fiambre ao lanche. Vista o seu casaco em pele e os sapatos de couro. Vá no seu automóvel com estofos de cabedal ao circo para ver o número especial com elefantes. À noite veja este filme (em 9 partes). Depois, quando se deitar, saiba que é um especista assassino.

Parte 1 Parte 2 Parte 3 Parte 4 Parte 5 Parte 6 Parte 7 Parte 8 Parte 9

 

 

Depois de visualizar o filme, tenha lá coragem de no dia seguinte ir ao restaurante fast food comer um hamburger e aproveitar a tarde para ir ao jardim zoológico. Se ainda tiver coragem para tal, é terrivelmente estúpido. O especismo é fruto directo da ignorância, mas apetece-me deixar aqui uma questão: o que é que ganhamos com a dor dos animais nossos parceiros habitantes do planeta?

publicado por rolandoa às 00:47

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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

Introdução à metafísica e epistemologia

Digitalizar0001 Uma vez um leitor muito estimado, o colega Carlos Silva, alertou-me da existência da tradução de uma interessante introdução à metafísica e epistemologia. Finalmente encontrei este livro numa livraria. Já começei a ler e posso adiantar que me parece mais que interessante. Se o tempo me permitir publicarei algo mais sobre este livro nos próximos tempos. E, claro, agradeço ao colega a boa sugestão dada.

publicado por rolandoa às 21:55

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Charles Darwin

browne Este mês comemora-se o bicentenário do nascimento de Charles Darwin. Apesar de não ser um filósofo, o evolucionismo teve um impacto em todas as áreas do saber. Nunca li nada sobre Darwin. Alimentado por esta pequena vergonha, há uns meses atrás comprei um pequeno livro da Ciência Aberta da Gradiva que, em cerca de 150 páginas me pôs a pensar um pouco mais sobre o evolucionismo. Esta é assim a minha pequena homenagem a Darwin, com a segurança que regressarei a este autor mais vezes. Fiquei com especial apetite para ler Darwin já que, ao que consta, é um excelente escritor e aprendi com Sagan a apreciar cientistas que tem talento para escrever. O livro que li é de Janet Brown e é indicado para quem pretende saber o essencial do evolucionismo sem ter de ler 10 calhamaços. Mas cuidado! Este pequeno é só o aperitivo.

publicado por rolandoa às 15:03

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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Um cartaz bonito

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publicado por rolandoa às 19:10

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Última aquisição

Digitalizar0002 Tenhoa ideia que já li melhor, mas não quero avançar mais nada antes de pegar como gente grande neste pequeno livro que, apesar de tudo, me parece uma boa referência. Pelo menos o título diz tudo, apesar que o relativismo de que aqui se fala não é só filosófico. Quando avançar mais umas páginas talvez volte a este título.

publicado por rolandoa às 00:11

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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Colin McGinn, Não me fodas o juízo

Novidade acabada de chegar da newsletter da Bizâncio. Não tenho motivo algum para usar asteríscos, sendo mais fiel ao original. Para além de tudo creio que usar a palavra “foder” não constitua qualquer ofensa maior que “f****”. Aliás, ne me parece sequer ofensa. Mas vá lá, acima da racionalidade mantemos os bons costumes.

!cid_32CAF0CE1FAA4874B12EA1F11329319C@sofia

Título: Não me F**** o Juízo

Subtítulo: Crítica da Manipulação Mental

Autor: Colin McGinn

Colecção: Filosoficamente, 5

ISBN: 978-972-53-0413-6 Código de Barras: 9 789 725 304 136

Págs.: 96

Preço: Euros 7,14 / 7,50

Filosofia

______________________________________________________________

Uma coisa é estar rodeado de tretas. Outra completamente diferente é que nos fodam o juízo. A primeira é irritante, mas a segunda é violenta e invasiva (excepto quando consentida). Se alguém lhe manipular os pensamentos e as emoções, lixando-lhe a cabeça, é natural que fique ressentido: o indivíduo em questão distorceu as suas percepções, perturbou os seus sentimentos, talvez até lhe tenha usurpado o Eu. A psicofoda é um aspecto predominante da cultura contemporânea e o agente que a pratica tanto pode ser um indivíduo como todo um Estado, dos jogos de manipulação pessoais até à propaganda em grande escala. Em Não me F**** o Juízo, Colin McGinn investiga e clarifica este fenómeno. Da antiga Grécia a Shakespeare e às técnicas modernas de controlo de pensamento, McGinn reúne os componentes deste complexo conceito — confiança, logro, emoção, manipulação, crença falsa, vulnerabilidade — e explora a sua natureza.

publicado por rolandoa às 11:14

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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Sugestões de leitura – eutanásia

singer_265x331 elementosdafilosofiamoral O recente caso em Itália levantou de novo a discussão sobre a eutanásia. Claro que aparecem médicos e padres à cabeça da discussão. O que as pessoas não sabem é que a discussão mais elaborada não é feita nem por médicos, nem por padres, mas por filósofos. Deixo aqui algumas sugestões de leitura sobre o problema de saber se a eutanásia é ou não moralmente aceitável. Infelizmente em língua portuguesa a bibliografia é muito pouca para um problema tão actual. Existe uma extensa bibliografia promovida pelas instituição católicas cheias de ideologia.

Org. de Robert M. Baird e Stuart E. Rosenbaum, Eutanásia, as questões morais, Bertrand Editora, 1997

Peter Singer, Ética prática, (cap.7), Gradiva, 2002

Peter Singer, Escritos sobre uma vida ética (Cap.3), D. Quixote, 2008

James Rachels, Elementos de filosofia moral, (cap. 1), 2004

publicado por rolandoa às 21:49

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Das sociedades humanas às sociedades artificiais

 postertopost1 A pedido de um dos organizadores, publico aqui o cartaz deste ciclo de conferências. Clicar na imagem para aceder a toda a informação.

publicado por rolandoa às 17:34

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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Top Blogs de Filosofia e entrega de Óscares

oscar Inspirado nesta lista com o top dos 50 melhores blogs de filosofia, também elaborei o meu top dos melhores blogs de filosofia em língua portuguesa. Peço desculpa por alguma omissão importante já que o fiz de memória. Acrescentei ainda uma pequena atribuição de Óscares contemplando ao mesmo tempo o que de menos bom se encontra na web. A cerimónia de entrega dos Óscares será on line na caixa de comentários. A generalidade dos blogs são bons e ainda bem, mas não pude deixar de lado o piorzito com um Óscar à maneira. Segue a lista das escolhas e os vencedores dos Óscares.

1 – Logosfera – um dos blogs mais interessantes dos últimos tempos, com traduções exclusivas e muito adequadas a quem e inicia na filosofia, tanto estudantes

2 – Da pluralidade dos mundos. O blog do filósofo Pedro Galvão com pequenos mas iluminantes apontamentos sobre filosofia moral.

3 – Crítica blog – o blog da revista de filosofia Crítica, o maior arquivo em língua portuguesa de textos de filosofia.

4 – Telegrapho de Hermes – a melhor agenda on line de actividades filosóficas nacionais e internacionais. Muito útil.

5 – Qualia – Com traduções exclusivas, este é um blog de apoio a estudantes do ensino secundário.

6 – Dúvida metódica – Um blog recente mas que conquistou rapidamente a confiança de professores e alunos. Muito prático, com personalidade própria e sempre estimulante.

7 – Café filosófico de Évora – O blog de antigos alunos da Universidade de Évora que revela as suas tendências e preocupações filosóficas.

8 – De Rerum Natura – um blog sobre ciência e filosofia da responsabilidade de académicos e universitários.

9 – Em busca de Sofia – destinados a estudantes, uma boa compilação de textos.

10 – gabinete Project – uma forma diferente de abordar a filosofia, numa vertente de acompanhamento e aconselhamento pessoal.

11 – Katarsis – destinado a estudantes do secundário.

12 – mente, cérebro e ciência – um dos poucos bons blogs sobre filosofia da mente.

13 – Núcleo de estudantes da UBI – um blog que se dá conta das actividades dos estudantes de filosofia na Universidade da Beira Interior.

14 – Páginas de filosofia – um bom blog para estudantes e professores do secundário.

15 – Biblioteca de Babel – blog dos alunos de filosofia da Universidade do Minho

Óscar Persistência:

FES – este é para mim, por causa dos manuais. Meti uma cunha para receber um Óscar, caso contrário, tenho dúvidas que o recebesse de algum lado.

Óscar tradução:

Logosfera – um trabalho muito bom ao nível da tradução.

Ana-lítica-mente – blog de um excelente tradutor de filosofia português.

Óscar Didáctica:

Dúvida metódica – sem dúvida uma abordagem muito rigorosa e bem feita da filosofia.

Óscar Charlatão:

Filosofia e Epistemologia – um blog que mistura numerologia e misticismo com filosofia. Uma espécie de rancor pessoal que recorre à filosofia como arma de arremesso.

publicado por rolandoa às 13:50

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Dúvidas no ensino da filosofia

50373591a5 Todos os anos, quando termino o ensino de uma unidade no ensino secundário, fico com algumas dúvidas. Ano a ano vou aperfeiçoando as técnicas e referências para ensinar filosofia de modo mais eficaz. Já aprendi a conviver pacificamente com essa circunstância. Se fosse assistir às minhas aulas de há 5 anos atrás era bem capaz de me rir de algumas calinadas científicas e maus exemplos usados. A início sentia uma espécie de vergonha, com o tempo fui apercebendo-me que ao lidar com um saber como a filosofia não existe um estado final de paz perpétua em que se sabe tudo. O melhor mesmo é estudar e ensinar com o mesmo prazer com que aprendo. E confesso que existe sempre latente um lado de frustração com a obrigação de ter de saber mais do que aquilo que sei mesmo actualmente. Seja como for a melhor solução é estudar e preparar o melhor possível as aulas. É desse modo que se descobre, por exemplo, que é impossível ensinar a partir de determinados manuais de filosofia, de tão desadequados a um ensino rigoroso que são. Este ano ainda não descansei com algumas dúvidas que restaram do ensino da lógica formal e informal (que acabei somente na primeira quinzena de Janeiro). Algumas dúvidas são de tal ordem que ainda nem sequer as tenho claras para as poder explicitar. Outras são pormenores que muitas das vezes afectam o todo e o modo como respondo aos alunos. Uma delas residia na fronteira estrita entre o que são falácias e não são. Será que podemos falar de falácia formal no mesmo sentido em que falamos de falácia informal? Por exemplo: há argumentos inválidos que são tão óbvios que não se classificam como falácias. Mas são óbvios de que ponto de vista? Se for do ponto de vista estritamente lógico, sabendo um pouco de lógica qualquer agente é capaz de compreender a falácia, mas se depender do agente como é que podemos considerar um argumento obviamente falacioso?

Algumas questões destas não fazem qualquer sentido, mas é necessário fazê-las para perceber o alcance e limites de determinado estudo. Foi com questões destas que, no meu cada vez mais limitado tempo, reli alguma bibliografia, ainda que de modo apressado que é o mais inadequado a estas circunstâncias. E no meio dessas leituras descobri uma que tinha já feito há 3 anos e que merece a pena relembrar, não só porque responde à maior parte das dúvidas que podem surgir, como é muito clara e está escrita em português desde a origem. Não existe sequer a necessidade de recorrer a livros estrangeiros, pelo menos num primeiro passo já que temos aqui à mão uma explicação eficaz de um bom lote de dúvidas que surgem ao professor, embora seja uma leitura menos adequada para os alunos. Fica uma vez mais a sugestão. Espero que seja útil.

Desidério Murcho, Pensar outra vez, Filosofia, Valor e Verdade, Quasi, 2006, Cap. 7, “Epistemologia da Argumentação”, p.113

publicado por rolandoa às 11:33

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Rolando Almeida


pesquisar

 
Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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