Terça-feira, 26 de Junho de 2007

A Filosofia agradece

Uma das obras de filosofia mais interessantes, escritas para adolescentes entre os 12 e os 18 anos, é a de Stephen Law. São livros divertidos, claros e muito atraentes que provam que a filosofia e o pensamento crítico pode e deve ser incentivado desde tenra idade. Admitimos esta realidade facilmente para a física ou a química, porque não para a filosofia? O caso da obra física divertida (Gradiva) de Carlos Fiolhais é um exemplo semelhante em Portugal. O mesmo está por ser feito para a filosofia. Era até uma boa forma de mostrar a importância do ensino da filosofia e a sua viabilidade para a educação dos jovens estudantes. Enquanto essa obra não aparece, a tradução da de Stephen Law até era uma boa ideia para os editores portugueses. Que tal aprendermos filosofia mesmo no Natal com o Xmas Files? Como é que pensamos que o mundo começou? Acreditamos em discos voadores? Como é que sabemos que os nossos pais não são virtuais? Será que um robot pode pensar como um ser humano? Qual a relação do natal com a natureza de Deus? A natureza dos milagres de Natal? Aparentemente estas questões parecem-nos muito comezinhas para serem tratadas filosoficamente. A verdade é que elas envolvem problemas filosóficos. Em Portugal são muitas as vezes que ouvimos falar que devemos partir da experiência dos estudantes para lhes ensinar filosofia. A realidade é que nos faltam as metodologias para saber qual a melhor forma de o fazer. A obra aqui apresentada de Stephen Law constitui uma excelente ferramenta que nos ajuda a brincar com a filosofia, mostrando ao mesmo tempo que ela é séria e importante e sem ter de resvalar para a conversa sem conteúdo filosófico, ou ter de recorrer a matérias que não são filosóficas para mostrar o que é a filosofia. Dispamo-nos de preconceitos e de certeza que muito temos a aprender com estes livros. Muito mais teriam os nossos estudantes. Os volumes Philosophy Files, são acompanhados de desenhos muito estimulantes para o jovem leitor. Ficamos a aguardar para que algo resulte idêntico em língua portuguesa. E esta é uma possibilidade de potenciar o interesse social na filosofia e nos seus problemas. Se tal acontece em Inglaterra, porque não em Portugal? É que a cultura portuguesa agradecia muito.
Stephen Law:
The philosophy files, what`s it all about?, Orion Children`s Books, 2000
The philosophy files, what`s it all about?... again, Orion Children`s Books, 2003
The xmas files, the philosophy of Christmas, Weidenfeld & Nicolson, 2003
Nota: qualquer um destes livros pode ser comprado a preços muito acessíveis no Amazon inglês. Encontram-se em segunda mão em excelente estado chegando a custar menos de 5€, mais os portes dos correios (cerca de 5€).Comprar.
Blog de Stephen Law.
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 21:19

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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

FILOSOFIA COM CRIANÇAS... E OUTRAS IDADES

Associação de Professores de Sintra
 
ACCÇÃO DE FORMAÇÃO
 
FILOSOFIA COM CRIANÇAS... E OUTRAS IDADES
 
(acção acreditada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua)
Duração do curso: 30 horas (com uma componente predominantemente prática)
 
Calendarização: dias 6, 7, 13 e 14 de Julho (6ª feira e sábado)
 
Das 9,30h às 13h e das 14,30h às 18,30 h
Objectivos
 
  1. Conhecer e aplicar o programa e a metodologia desenvolvida por Matthew Lipman – Filosofia para Crianças.
 
  1. Promover a participação no exercício de um pensar em “comunidade de investigação”/questionamento.
 
  1. Facilitar a intervenção dos/as professores/as no desenvolvimento e avaliação de competências cognitivas, sociais e afectivas.
 
Destinatários: Professores de todos os graus de ensino e todos os que se interessam por uma reflexão conjunta, independentemente da área em que trabalham e da sua formação (máximo 20 pessoas, mínimo 15)
 
Informação: Esta acção habilita os/as formandos/as a leccionarem o programa de Filosofia para Crianças como actividade de complemento curricular em escolas do 1º ciclo.
A sua aplicação facilita também as áreas de Formação Cívica, Área de Projecto e as aulas de Filosofia (10º e 11º anos).

Através da análise e clarificação de questões, esta acção contribui para um pensar mais flexível e autónomo, desenvolvendo a capacidade de identificação de alternativas para a resolução dos problemas quotidianos.

publicado por rolandoa às 17:31

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Domingo, 24 de Junho de 2007

Codex Arquimedes

Um palimpsesto é um livro em pergaminho, no qual se escrevia, raspava e voltava a escrever. Um milionário americano comprou um palimpsesto com orações, no qual se escondia textos de Arquimedes de importância fundamental para o mundo da ciência e que viriam a antecipar os desenvolvimentos mais tardios de Galileu e Newton. Reviel Netz e William Noel montam um trabalho imponente e notável, recorrendo aos melhores especialistas e às técnicas mais desenvolvidas para recuperar as obras perdidas do génio da antiguidade grega. O Codex de Arquimedes teve edição portuguesa em simultâneo com a edição mundial, num belíssimo livro em tudo igual ao original colocando as Edições 70 na corrida para uma das melhores edições de 2007. O livro é um verdadeiro tratado de ciência, mas também o relato de uma interessante história que moveu muita gente para recuperação dos textos originais de Arquimedes. A história faz-nos reflectir e pensar sobre a origem de determinados documentos e todo o trabalho que envolve até que eles cheguem ao nosso conhecimento na forma original. Uma boa leitura de verão.
“Em segundo lugar, este manuscrito é um palimpsesto. A palavra deriva dos termos gregos palim (outra vez) e psan (raspar), o que significa que o pergaminho usado para o fazer foi raspado por mais de uma vez” (p.25)
Reviel Netz e William Noel, O codex Arquimedes, Ed. 70, 2007 (Trad. Pedro Bernardo e Pedro Elói Duarte)
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 17:47

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Sábado, 23 de Junho de 2007

10.000 visitas. O que há a fazer pela filosofia?

No mês de Junho, o blog ultrapassou as 10.000 visitas, sendo que este número foi alcançado em menos de 1 ano. Razão para tecer aqui uma breve reflexão. O blog tem uma média de 100 visitas semanais. Aquando da publicação da recensão aos manuais escolares de filosofia em adopção para o 10º ano, o blog passou a ter cerca de 200 a 300 visitas diárias. A que se deve este aumento repentino? O trabalho dos manuais, não é um trabalho exaustivo. Muito mais há a dizer sobre os manuais e, oportunamente, regressarei a esse tema, muito provavelmente, em Setembro próximo. De todo o modo procurei fazê-lo de modo imparcial. Foi elaborado durante um fim de semana, no qual me privei de outras tarefas, nomeadamente a correcção dos trabalhos de final de ano dos meus alunos. Fi-lo esperando os resultados de forma ingénua. Sempre pensei que meia dúzia de leitores leriam o texto e pouco ou nada se importariam com ele. As reacções foram muito para além do que, inicialmente, previa. E os resultados só provam que praticamente não existe crítica pública aos trabalhos públicos e, muitas vezes, os próprios autores não estão habituados a essa crítica pública. O desejável seria que aparecessem outros trabalhos semelhantes, expondo argumentos diferentes dos meus e razões, provavelmente, mais plausíveis. Mas o mesmo não veio a suceder. O trabalho que publiquei foi praticamente o único no país inteiro e, segundo as minhas pesquisas no Google, o único no ciberespaço. Mas criou discussão durante o período das adopções e pude verificar que se tratou de um trabalho útil para muitos colegas professores de filosofia. E ainda bem. A razão do mesmo é suscitar a discussão pública em torno dos manuais, da concepção dos mesmos e das razões que nos levam a optar pelo manual x em detrimento do manual y, por muito desagradável que tenha sido para um ou outro autor. Outra razão é que este espaço de discussão e crítica pública pode e deve acontecer. É nele que se joga a qualidade das nossas apreciações e trabalho. A crítica pública pode constituir o espaço de discussão impulsionador para traçar novos rumos ou para aperfeiçoar o nosso trabalho. Isso acontece na música, no teatro, na literatura… porque não na filosofia? Muito provavelmente pelo circuito ser pequeno e muito fechado. Com efeito, a possibilidade de se alargar o circuito, levando a disciplina que amamos a mais gente, estimulando as pessoas ao interesse pela filosofia, é sujeitá-la ao espaço público, fazendo com que o nosso trabalho possa ser discutido, mas também fazendo com que os profissionais da filosofia não apareçam somente quando está em causa a adopção de manuais, mas também na discussão em torno dos problemas da filosofia, como o aborto, eutanásia, a questão da arte, da ciência, etc… Sem este trabalho público nós, profissionais da filosofia, não podemos esperar que a dignidade da disciplina seja imposta por decreto de lei por um qualquer político governante que até simpatiza com a filosofia porque tem um filho professor de filosofia. É com trabalho diário, publicações, escrevendo, debatendo, divulgando, promovendo a disciplina nas nossas escolas, exigindo a reposição do exame nacional, defendendo um programa de qualidade com conteúdos próprios e manuais com qualidade que retribuímos a dignidade à disciplina e mostramos a sua utilidade àqueles que nada sabem sobre ela. De nada nos adianta esperarmos que quem nunca estudou filosofia ou teve uma má experiência com ela no secundário tenha de compreender a sua utilidade. Somos nós quem temos a obrigação de trabalhar nesse sentido.
Este blog é um sinal do trabalho que se pode e há a fazer, pelo menos para, não dizermos a chorar que é injusto que nos roubem espaço à nossa disciplina e para que ela se mantenha com vitalidade e utilidade no mundo em que vivemos. E não temos de estar sempre dependentes do Ministério Pai para trabalhar em prol da nossa disciplina. De resto, ninguém ousa acabar com uma actividade que produza. E se algum tolo o quiser fazer, teremos argumentos de sobra para mostrar que é errado.
Para concluir, gostaria de anunciar que o futuro deste blog será a construção de uma página Web, que permite organizar melhor os conteúdos. O blog continua disponível para a participação de todos os profissionais de filosofia.
Uma palavra de agradecimento aos leitores e visitantes, aos alunos de filosofia que muitas vezes visitam o blog, a João Paulo Maia por ter disponibilizado um interessante trabalho sobre manuais, a José Caselas pelos textos que publica de autores menos explorados no blog. Um agradecimento especial a Tânia Sofia e ao João Francisco.
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 16:24

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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Essência e Existência em Tomás de Aquino

As dificuldades suscitadas pela noção de transubstanciação não põem em causa, é claro, os conceitos gerais de substância e acidente fora desta sua particular, e talvez perversa, aplicação teológica. Mas a análise aristotélica da mudança levanta outros problemas sobre os quais Tomás de Aquino se debruçou. Se a mudança acidental deve ser entendida como uma e a mesma substância que assume vários acidentes, e se a mudança substancial deve ser entendia como uma e a mesma matéria que assume várias formas substanciais, será que devemos entender a origem do próprio mundo material como um caso em que uma e a mesma essência passa da não existência à existência? É claro que esta questão não se colocou a Aristóteles, que não acreditava na criação a partir do nada; mas alguns aristotélicos posteriores levantaram a questão e responderam-lhe afirmativamente. Tomás de Aquino rejeitou firmemente essa ideia: a criação é completamente diferente da mudança e não deve ser entendida em termos de uma existência ligada a uma essência.
            Contudo, Tomás de Aquino aceitava a terminologia da essência e da existência e utilizava frequentemente esses termos na sua metafísica. Em todas as criaturas, ensinava ele, a essência e a existência são distintas; em Deus, porém, são idênticas: a essência de Deus é a sua existência. Esta conclusão é frequentemente entendida como o resultado de um sublime discernimento metafísico. De facto, parece apoiar-se sobre um equívoco.
            Devemos distinguir entre a essência genérica e a essência individual. Se entendermos «essência» no seu sentido genérico (como uma realidade que corresponde a um predicado, como «...é Deus», «...é humano», «...é um Labrador»), então é verdade que existe, em todas as criaturas, uma distinção real entre essência e existência. Ou seja, o facto de existirem ou não exemplares de uma certo categoria de coisa é uma questão muito diferente daquilo que são as características constituintes de uma coisa dessa categoria — por exemplo, o facto de haver ou não unicórnios é um tipo de questão diferente da de saber se os unicórnios são mamíferos. Mas se entendermos «essência» neste sentido, a doutrina de que a essência e a existência são idênticas em Deus é um disparate: corresponde a dizer que à questão «A que categoria pertence Deus?» se deve responder «Deus existe».
            Por outro lado, se entendermos «essência» no sentido individual pelo qual podemos falar da humanidade individualizada que Sócrates e só Sócrates possui, então a doutrina da distinção real nas criaturas torna-se obscura e infundada. Como Tomás de Aquino muitas vezes afirmou, para um ser humano, existir é continuar a ser um ser humano; a existência de Pedro é a mesmíssima coisa do que Pedro continuar a possuir a sua essência; se ele deixar de existir, deixará de ser um ser humano e a sua essência individualizada desaparece da natureza das coisas.
 

Anthony Kenny, História concisa da filosofia ocidental, Temas & Debates, 2003, pp.191-92 (trad. De. D. Murcho, F. Martinho, M. J. Figueiredo e Pedro Santos)

publicado por rolandoa às 15:31

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Encontro Nacional de Professores de Filosofia

Página do 5.º Encontro Nacional de Professores de Filosofia da SPF

 
Já está disponível a página do 5.º Encontro Nacional de Professores de Filosofia,
no endereço http://www.spfil.pt/5enpf.html 

 

publicado por rolandoa às 00:37

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Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

EU SOU A ANA e A Sementinha que não sabia quem era

 
No passado dia 2 de Junho, na Associação de Professores de Sintra, teve lugar o lançamento do livro, Eu sou a Ana e a Sementinha que não sabia quem era, de Alice Santos.
Um encontro que contou com a presença da Presidente da Associação onde está sediado o Centro "Diálogos - Filosofia com Crianças... e outras idades", através do qual é feita a divulgação da metodologia de Mattew Lipman, Filosofia Para Crianças.
O livro pode ser encomendado à cobraça (8€) através de mail dirigido à APS: profsintra@netcabo.pt
publicado por rolandoa às 15:49

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Terça-feira, 19 de Junho de 2007

John Locke

John Locke (1632-1704) Filósofo empirista inglês. Defendeu, contra Descartes, a inexistência de ideias inatas. Segundo Locke, a mente é como uma tábua rasa, possuindo poderes de raciocínio, mas não quaisquer conteúdos inatos. Contudo, é defensável que Locke não era realmente empirista, pois admite a existência de dois tipos de experiência (a externa e a interna), e igualmente de três tipos de conhecimento: intuitivo, que é directo e com o grau máximo de certeza; demonstrativo, que é indirecto e dá origem ao conhecimento lógico e matemático; e sensível, que diz respeito ao conhecimento da existência de objectos exteriores. Baseando-se na diferença entre qualidades primárias e secundárias das coisas, distinguiu o mundo tal como é em si do mundo tal como é para nós. Para Locke, a abstracção era uma componente central do conhecimento, que permitia a formação de ideias abstractas a partir de impressões sensíveis concretas. A distinção entre essência nominal e real é também central na sua teoria do conhecimento: assim, a essência real da água, por exemplo, é a sua constituição intrínseca, ao passo que a sua essência nominal são apenas as qualidades que atribuímos à água, mas que não correspondem à sua natureza intrínseca. É no Ensaio sobre o Entendimento Humano (1690) que Locke expõe estas ideias, entre outras.
    Em ética, Locke defendeu uma versão da teoria dos mandamentos divinos; em filosofia política, defendeu o valor da tolerância política e religiosa, e a separação da igreja e do estado. As suas doutrinas da legitimação da propriedade privada, da justificação da autoridade do estado e da legitimidade da revolta contra o estado injusto são ainda hoje muitíssimo discutidas, e são apresentadas no Segundo Tratado sobre o Governo (1689). As suas ideias sobre a tolerância são apresentadas em Carta sobre a Tolerância (1689).
 
 
in. Dicionário Escolar de Filosofia, Org. Aires Almeida, Plátano, 2003 (Desidério Murcho)
publicado por rolandoa às 23:07

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John Rawls

John Rawls -  (1921-2002) Filósofo moral e político americano considerado o principal filósofo político do séc. XX. As ideias de Rawls inserem-se na tradição do contrato social de Locke, Rousseau e Kant. Rawls pensa que se as pessoas tiverem de escolher os princípios (ver princípio) de justiça sem saber como poderão ser por eles afectados, escolherão princípios justos. Imagina, assim, uma experiência mental em que todas as pessoas se encontram numa «posição original» sob um «véu de ignorância», isto é, em que desconhecem quais as suas aptidões, posição social, riqueza, religião e concepção de valor e de bem. Nesta situação, pensa Rawls, as pessoas chegarão por um contrato social hipotético àquilo a que chama justiça como equidade. Esta concepção de justiça é expressa por dois princípios, um que garante liberdades básicas iguais (ver liberdade) para todos – como as políticas, de expressão e reunião, de consciência e de pensamento, etc. –, e outro que estabelece que as desigualdades devem ser distribuídas de forma a beneficiarem todos e que devem decorrer de posições e funções a que todos tenham acesso. Este último princípio implica que a riqueza seja distribuída de modo a fazer com que os que estão em pior situação fiquem tão bem quanto possível. Uma sociedade justa será liberal (ver liberalismo), democrática (ver democracia) e um sistema de mercado no qual se procede à distribuição da riqueza e em que pessoas com capacidades e motivações iguais têm possibilidades iguais de sucesso, independentemente da classe social em que tenham nascido.
in. Dicionário Escolar de Filosofia, Org. Aires Almeida, Plátano, 2003 (Alvaro Nunes)
publicado por rolandoa às 00:38

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Informações Exame - prova 714 e 114

Está disponível o exame nacional de filosofia (Prova 714)
VERSÃO 1
VERSÃO 2
Traço aqui um pequeno percurso até à data deste exame:
1.       O programa é aberto e não se refere a autores.
2.       Em Setembro de 2005, o Ministério da Educação homologou um documento de Orientação Para a Leccionação do Programa de Filosofia, uniformizando as unidades do programa a nível nacional com autores.
3.       Em Agosto de 2006, o Ministério aboliu as Orientações do Programa (toda a informação relativa a este processo disponível aqui), não emitindo, até hoje, qualquer documento que o oficializasse – ver aqui.
4.       Em Dezembro de 2006, o Ministério emite as informações exame recuperando parte do documento de orientações que antes tinha homologado para depois abortar.
Em resultado disto temos. No ano lectivo de 2005/06, a prova de exame referiu-se somente aos conteúdos do 11º ano. Este ano refere-se a 10º e 11º anos. Um aluno que esteja a frequentar o 12º ano e que tenha feito o exame de hoje não teve possibilidades de estudar no 10º ano segundo as matérias que entretanto foram exigidas para exame. As Orientações de Leccionação foram aprovadas em Setembro de 2005 mas, nessa altura, a maior parte das escolas tinham manuais adoptados que não abordavam os autores que passaram a ser exigidos.
A prova 114 também está já disponível.



publicado por rolandoa às 00:06

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Sábado, 16 de Junho de 2007

Thomas Nagel

A preocupação fundamental da filosofia é questionar e compreender ideias muito comuns que usamos todos os dias sem pensar nelas. Um historiador pode perguntar o que aconteceu em determinado momento do passado, mas um filósofo perguntará: «O que é o tempo?» Um matemático pode investigar as relações entre os números, mas um filósofo perguntará: «o que é um número?» Um físico perguntará o que constitui os átomos ou o que explica a gravidade, mas um filósofo irá perguntar como podemos saber que existe qualquer coisa fora das nossas mentes. Um psicólogo pode investigar como as crianças aprendem uma linguagem, mas um filósofo perguntará: «Que faz uma palavra significar qualquer coisa?» Qualquer pessoa pode perguntar se entrar num cinema sem pagar está errado, mas um filósofo perguntará: «O que torna uma acção correcta ou errada?»
Não poderíamos viver sem tomar como garantidas as ideias de tempo, número, conhecimento, linguagem, correcto e errado, a maior parte do tempo; mas em filosofia investigamos essas mesmas coisas. O objectivo é levar o conhecimento do mundo e de nós um pouco mais longe. É óbvio que não é fácil. Quanto mais básicas são as ideias que tentamos investigar, menos instrumentos temos para nos ajudar. Não há muitas coisas que possamos assumir como verdadeiras ou tomar como garantidas. Por isso, a filosofia é uma actividade de certa forma vertiginosa, e poucos dos seus resultados ficam por desafiar por muito tempo.

Thomas Nagel, Que quer dizer tudo isto? Uma iniciação à filosofia, Gradiva, 1995 (1ª ed.), Trad. Teresa Marques, pp.8-9

publicado por rolandoa às 21:00

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Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

Orwell revisitado no paraíso comunista

José Caselas
 
 
Este relato impressionante do jovem Hyok, escrito pelo jornalista Philippe Grangereau – Hyok Kang e Philippe Grangereau «Aqui É o paraíso!», Uma infância na Coreia do Norte, Ulisseia, 2007 – , conduz-nos ao interior de um regime totalitário actual, a Coreia do Norte, onde assistimos aos seus efeitos no corpo e na mente: produção contínua de vida nua, toda a aldeia, todo o país é um imenso campo, encerrado em si mesmo, meticulosamente estruturado para disseminar por todo o tecido social uma patologia de poder e levar à máxima submissão, ao comportamento conformista e, em caso de revolta, à punição infinita. Estamos, assim, diante de um livro para todos os interessados no fenómeno totalitário em geral.
Dominados pelos «quadros» ou elementos do partido, os cidadãos pouca margem de decisão possuem a não ser a repetição de palavras de ordem forjadas pela propaganda, que os transforma em autómatos e marionetas utilitárias.
            É impossível não evocar os mundos fechados de Orwell ou as personagens kafkianas neste universo concentracionário. As suas páginas dão conta da vigilância constante dos vizinhos e dos funcionários, das paradas orquestradas, da hierarquização da sociedade em torno do Partido e dos Líderes, num nepotismo interminável e sobretudo da fome omnipresente que devastou e continua a afectar milhões de seres. Com as condições duras de existência decorrem consequências psicológicas como a violência generalizada, a delação como forma de vida e a típica «caça às bruxas».
            Um dos aspectos que mais ressalta, são as tentativas de fuga para a China, apesar do escrutínio diário das polícias e das execuções públicas; tentar resistir contra a realidade politicamente opressora é ainda possível?
            Obra escrita no limite do pensável, a partir do ponto de vista de uma criança, impele-nos a questionar a racionalidade política e a sua força destruidora devido à insistência no poder, à vontade de o prolongar indefinidamente. Lembra-nos a advertência de Hobbes, segundo a qual todo o homem deseja o poder e essa apropriação fomenta uma vontade de preservá-lo a todo o custo. O culto da personalidade do «Grande Líder» (poderíamos dizer Grande Irmão) Kim Il-Sung e do seu filho, o «Querido Líder», Kim Jong-Il – todo o cidadão é obrigado a exibir um crachat na lapela com as suas fotos em sinal de reconhecimento divinal – revela o quanto estamos próximos dessa tentação na democracia liberal com as hagiografias apressadas aos chefes de ocasião, muitas vezes recrutados entre um qualquer oportunista que se destaca nas hostes dos partidos pela sua grandiloquência populista. Até que ponto é que as ficções políticas não se equivalem na sua mistificação da realidade? Não serão elas formas de eternizar o domínio dos indivíduos que nesse momento assumem a supremacia na Pólis?
            Sem cair no elogio fácil do capitalismo da Coreia de Sul para onde se evade, com a sua família, o protagonista dá-nos a ler e a pensar o que é viver o quotidiano rodeado de camaradas adoradores do Grande Líder. Confinadas a um «paraíso» comunista, as crianças comem cascas de pinheiro cozidas e ratos, sofrendo castigos irracionais nas escolas, despovoadas devido aos alunos que vão morrendo de fome. “As punições corporais eram correntes para aqueles de nós que não conseguiam arranjar um ramo de flores para os aniversários dos dois Kim.” (p. 61)
Obrigatória é a descrição dos campos de punição que lembram as purgas estalinistas; no «paraíso» coreano estas recaem sobre três gerações do indivíduo a punir. “Cada um tinha consciência de que um dia também ele podia desaparecer se cometesse uma imprudência ou se alguém da sua família mesmo afastada (um primo distante, por exemplo) caísse em desgraça.” (p. 80) Assim temos o «campo de controlo» como colónia penal para presos políticos, não existindo processo judicial, os «campos de reeducação» com processo judicial e os «campos de reeducação pelo trabalho» para os fugitivos repatriados.
Hyok Kang e Philippe Grangereau «Aqui É o paraíso!», Uma infância na Coreia do Norte, Ulisseia, 2007
 
publicado por rolandoa às 21:31

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Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

Zarco Sofia 2

Está já disponível on line o número 2 da Revista de Filosofia da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, Funchal.

Para o ano prometemos uma revisão completa da revista com mais números a sair.

Visite  aqui ou aqui .

Agradecimentos especiais à Direcção Executiva da nossa escola e à sua Presidente, Drª Maria João, à Drª Fernanda que primeiramente tomou conhecimento do nosso projecto, RTP Madeira, Rádio Jornal da Madeira e Escola básica do 1º Ciclo e Pré Escolar da Nazaré, Funchal, aos colegas professores que nos ajudaram, em especial ao Professor Vitório e aos alunos que colaboraram neste número.

Rolando Almeida, Tânia Matos e Fátima Aveiro

publicado por rolandoa às 17:31

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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Plano Nacional de Leitura

Apresentação

O Plano Nacional de Leitura tem como objectivo central elevar os níveis de literacia dos portugueses e colocar o país a par dos nossos parceiros europeus.

 É uma iniciativa do Governo, da responsabilidade do Ministério da Educação, em articulação com o Ministério da Cultura e o Gabinete do Ministro dos Assuntos Parlamentares, sendo assumido como uma prioridade política.

 Destina-se a criar condições para que os portugueses possam alcançar níveis de leitura em que se sintam plenamente aptos a lidar com a palavra escrita, em qualquer circunstância da vida, possam interpretar a informação disponibilizada pela comunicação social, aceder aos conhecimentos da Ciência e desfrutar as grandes obras da Literatura.

 Um desígnio nacional

 O impacto do Plano Nacional de Leitura será tanto mais significativo, na medida em que for considerado como um desígnio nacional. À semelhança do que tem acontecido nos países que lançaram projectos análogos, o sucesso depende da intervenção de todos e de cada um.

 A par dos programas de promoção da leitura lançados no quadro do Plano, é desejável que surjam livremente múltiplas e variadas iniciativas, de âmbito local, regional e nacional, levadas a cabo por organizações da sociedade civil, por profissionais e por voluntários.

 Se a responsabilidade for assumida colectivamente, melhor e mais depressa se conduzirá o país a um patamar superior.

Visitar em: http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/Default.aspx
publicado por rolandoa às 23:59

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Ser silenciado na Alemanha

Quem argumenta que é sempre um mal decidir que uma vida humana não vale a pena ser vivida teria de dizer, também, para ser coerente, que deveríamos usar todas as técnicas da moderna assistência médica para aumentar ao máximo a vida de todos os bebés, por muito desesperadas que fossem as suas perspectivas, ou por muito dolorosa que fosse a sua existência. Uma afirmação cruel demais para ser apoiada por qualquer ser humano. (...)
 Actualmente, parece que todos aqueles que estão envolvidos no debate sobre a eutanásia na Alemanha se apressam a publicar um livro sobre o assunto. Com excepção de duas obras, de Anstötz e Leist, que apresentam argumentos éticos genuínos, as que foram publicados até hoje só têm algum interesse para quem quiser estudar o pensamento dos alemães que se opõem à liberdade de expressão e nada mais. Na sua maioria, cada um desses livros parece ter sido escrito de acordo com uma fórmula semelhante a esta:
 
1.     Citar algumas passagens da Ética Prática seleccionadas de modo a distorcer o significado do livro.
 
2.     Exprimir horror pelo facto de alguém ter a coragem de fazer semelhantes afirmações.
 
3.     Pôr sarcasticamente em dúvida a ideia de que tal coisa possa passar por filosofia.
 
4.     Traçar um paralelo entre o que foi citado e o que os nazis pensaram ou fizeram.
 (...)
Infelizmente, os aspectos negativos destes acontecimentos talvez tenham maior peso. De tudo isso, o mais ameaçador são os incidentes descritos no início deste apêndice, bem como a atmosfera de repressão e intimidação que evocaram. Na Alemanha de hoje, qualquer professor que dê um curso baseado na Ética Prática corre o risco de sofrer os mesmos protestos e ataques pessoais com que o professor Kliemt se confrontou em Duisburgo. Há pouco tempo, um filósofo de Berlim confessou-me que não é possível dar um curso de ética aplicada nessa cidade — quer faça referência ao meu livro quer não —, porque esse curso estaria condenado à partida.
(...)
Tudo isso não augura nada de bom para o futuro da discussão racional, na Alemanha e na Áustria, das novas e polémicas questões éticas. Além dos países de língua alemã, o estudo e a discussão da bioética está em rápida expansão, em resposta ao reconhecimento da necessidade do exame ético de numerosas questões novas suscitadas pelo desenvolvimento da medicina e das ciências biológicas. Outras áreas da ética aplicada, como o estatuto dos animais, as questões da justiça global e da distribuição de recursos, a ética do meio ambiente e a ética empresarial, também são alvo de muita atenção. Na Alemanha e na Áustria, porém, é preciso muita coragem para trabalhar em ética aplicada e ainda mais para publicar alguma coisa que possa ser vítima do escrutínio hostil daqueles que desejam silenciar o debate. Os professores que não desfrutam de um vínculo académico permanente temem não só os ataques pessoais, como também a diminuição de oportunidades de progredirem na carreira académica. Os acontecimentos de Hamburgo lançam uma nuvem negra sobre as perspectivas de abertura de lugares nessas áreas. Não existindo cargos para preencher, os alunos de pós­‑graduação evitam trabalhar em ética aplicada, pois não faz sentido dedicarem-se a uma disciplina que não oferece perspectivas de trabalho. Há mesmo o perigo de, para evitar controvérsias, a filosofia analítica como um todo vir a sofrer um retrocesso. Actualmente, um grande número de novos cargos estão a ser criados nas universidades da antiga República Democrática Alemã. Os filósofos interessados em filosofia analítica estão preocupados com a possibilidade de esses cargos poderem ser todos oferecidos a filósofos que trabalham com temas menos melindrosos como, por exemplo, os que se centram nos estudos históricos, ou os seguidores de Habermas, que em geral guardaram silêncio sobre essas questões éticas sensíveis e sobre os obstáculos colocados à discussão de tais questões na Alemanha de hoje.
(...)
 É evidente que os alemães lutam ainda com o seu passado, passado esse que chega quase a desafiar a compreensão racional. No entanto, observa-se um tom especial de fanatismo em alguns sectores do debate alemão sobre a eutanásia que vai além da oposição normal ao nazismo e que começa, em vez disso, a assemelhar-se à própria mentalidade que tornou o nazismo possível. Para observarmos essa atitude na prática, examinemos não a eutanásia, mas uma questão que, para os alemães, está estreitamente ligada a ela e constitui um tabu igualmente arreigado: a questão da eugenia. Como os nazis praticaram a eugenia, na Alemanha actual tudo o que tenha qualquer ligação com a engenharia genética, por mais remota que seja, fica marcado por associações ao nazismo. Esse ataque inclui a rejeição do diagnóstico pré-natal, quando é seguido de aborto selectivo de fetos com síndroma de Down, espinha bífida ou outras deficiências, e chega mesmo a rejeitar o aconselhamento genético destinado a evitar a concepção de crianças portadoras de deficiências genéticas. Esta atitude levou o parlamento alemão a aprovar, por unanimidade, uma lei que proíbe todas as experiências não terapêuticas com o embrião humano. O parlamento inglês, pelo contrário, aprovou recentemente uma lei, por maioria substancial nas duas câmaras, que permite as experiências não terapêuticas com embriões até 14 dias após a fertilização.
(...)
Como já afirmei, as minhas ideias não ameaçam ninguém que, ainda que minimamente, tenha ou já alguma vez tenha tido consciência do facto de ter uma possível vida futura que pudesse ser ameaçada. Mas existem pessoas que têm interesse político em impedir que esse facto elementar se torne conhecido. Essas pessoas estão actualmente a jogar com as angústias dos deficientes para as usar como frente política para outros fins. Em Zurique, por exemplo, os que mais se salientavam entre os grupos de não deficientes que gritavam «Singer raus» (Singer, Rua!)eram os Autonomen, ou «Autonomistas», um grupo que se finge anarquista, mas que não tem interesse algum pelas teorias anarquistas. Para esses grupos políticos de não deficientes, impedir Singer de falar, seja qual for o tema, tornou-se um fim em si mesmo, uma forma de arregimentar os fiéis e atacar todo um sistema onde tem lugar o debate racional. Ao deixarem-se instrumentalizar por tais grupos niilistas, os deficientes nada têm a ganhar, mas muito a perder. Se for possível fazê-los perceber que os seus interesses são mais bem servidos pela discussão aberta com aqueles de cujas opiniões discordam, talvez seja possível dar início a um processo no qual tanto os especialistas em bioética como os deficientes consigam ouvir-se mutuamente, dando início a um diálogo construtivo, e não destrutivo.
(...)
Esse diálogo seria apenas um começo. A reparação dos danos feitos à bioética e à ética aplicada na Alemanha vai levar muito mais tempo. Existe o perigo real de continuar a recrudescer a atmosfera de intimidação e de intolerância que passou da questão da eutanásia para toda a bioética e, com os acontecimentos de Hamburgo, para a ética aplicada em geral. É imprescindível isolar a minoria que se opõe activamente à livre discussão de ideias académicas. Também neste caso o que aconteceu em Zurique pode servir de exemplo a ser seguido por outros países de língua alemã. Em contraste total com o silêncio do reitor da Universidade de Dortmund, ou com a patética afirmação de que «Não fazíamos a menor ideia de quem ele era», proferida pelo director do curso de medicina da Universidade de Viena, o professor H. H. Schmid, reitor da Universidade de Zurique, publicou uma declaração onde expressava «o repúdio da universidade face a essa grave violação da liberdade de expressão académica».Os professores do Instituto Zoológico e o reitor da Faculdade de Ciências também condenaram, inequivocamente, a interrupção violenta da minha palestra e os principais jornais de língua alemã de Zurique fizeram uma cobertura objectiva dos acontecimentos e das minhas ideias.
      Enquanto isso, tanto no que diz respeito à vida académica quanto à imprensa, alemães e austríacos demonstraram um lamentável desrespeito pelo compromisso exemplificado pela célebre frase atribuída a Voltaire: «Não concordo com o que diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo». Até ao momento, ninguém precisou de correr um risco de morte para defender o meu direito de discutir a eutanásia na Alemanha; mas é importante que muitas mais pessoas estejam preparadas para correr o risco de uma certa hostilidade por parte da minoria que está a tentar silenciar um debate sobre problemas éticos fundamentais.
 
 
Peter Singer, textos retirados do apêndice da obra Ética Prática, pp. 363-382 (as notas do texto foram retiradas, mas podem ser consultadas no texto original)

 
publicado por rolandoa às 22:18

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As aulas de Warburton

E se antes de lermos um bom livro de filosofia, ouvirmos uma boa lição de introdução a alguns dos nomes mais conhecidos da história da filosofia? Isto é possível pela voz de Nigel Warburton. Basta clicar aqui. Deliciem-se a aprender filosofia!
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 01:23

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Domingo, 10 de Junho de 2007

A herança de Foucault

A herança de Foucault
( Biomedicina, Biotecnologia e Ética )
José Caselas

Estamos na Era do Genoma ou no século biológico como diz Sydney Brenner; significa isto que a biopolítica contemporânea se orienta para um nível molecular, onde os corpos são manuseados e politicamente investidos de um saber e de um poder que está ligado à medicina e à manipulação genética. Não é já o corpo da anatomia patológica de Bichat que investe o corpo em profundidade, tal como estuda Foucault no Nascimento da Clínica, mas novas formas de subjectivação de indivíduos informados que se organizam em comunidades e que estabelecem contactos entre si, recorrendo à Internet e comunicando através de webforuns.
Sobre esta temática pode consultar-se o artigo “Biological Citizenship” de Nikolas Rose e Carlos Novas . Para além disso, na obra The Politics of Life Itself, Biomedicine, Power, and Subjectivity in the Twenty-First Century, (Princeton University Press, 2007) Nikolas Rose, que dirige o Centro BIOS da London School of Economics, departamento de Sociologia, (www.lse.ac.uk/collections/BIOS) faz a síntese das modalidades de intervenção actual das biotecnologias na politização da vida, as vantagens e os perigos que enfrentamos.
O cruzamento entre a vida e a política já não se circunscreve à vida naturalizada do olhar médico do séc. XIX, da medicina fisiológica de Broussais, das taxinomias de Linné e Tournefort, estruturas visíveis do vivente. A molecularização da vida reorganiza as ciências no sentido cromossomático segundo o modelo informativo do DNA, embora ao nível da célula a biologia se torne probabilística e não determinística, visto que a regulação do gene opera num espaço de incerteza. A eugenia não tem mais a mão do Estado (no sentido de uma estatização do biológico proposta por Foucault e que conheceu o apogeu no nazismo). «O que temos aqui, agora, não é a eugenia mas modelos de auto-governo impostos por obrigações de escolha, o desejo de auto-realização e a vontade dos pais para uma melhor vida para os filhos.» (p. 69) A existência somática dos cidadãos recai numa autogestão em formas de vida guiadas pela predisposição genética e pela optimização biotecnológica da natureza humana. Este trabalho sobre nós próprios, que em termos foucaultianos se designa técnica de si, emerge no primado do soma, e da noção de risco genético. A forma como os cidadãos se descrevem e se percepcionam é cada vez mais biológica e geradora de efeitos comerciais. «Todavia, a biomedicina contemporânea, tornando o corpo visível, inteligível, calculável e manipulável num nível molecular, gerou novas relações entre a vida e o comércio, possibilitou a ligação das velhas tecnologias da saúde como as da cidadania social a novos circuitos do capital.» (p. 150) O processo vital tornou-se comercializável, moralmente investido por novos valores éticos destinados ao bio-consumidor. A microfísica do poder encaminha-se agora para o código genético. Como disse Baudrillard em Oublier Foucault, profecia falhada ou com efeitos de multiplicação: “Hoje todos se atolam no molecular como em algo revolucionário”. Do indivíduo perigoso para os factores de risco, entramos na dimensão política onde novas tecnologias de vigilância acabarão por surgir, diluídas na verborreia da «prevenção» de uma nova ordem pós-disciplinar. [Ver a este respeito o excelente art. de Robert Castel “From dangereousness to risk” incluído em The Foucault Effect, Studies in Governmentality editado por G. Burchell, C. Gordon e P. Miller, Univer. Chicago Press, 1991]
Com o investimento biotecnológico existem diferentes modos de subjectivação onde as pessoas são levadas a fazer um trabalho sobre si próprias, um auto-exame, uma auto-elaboração, onde tomam parte activa na melhoria da sua saúde, estabelecendo uma ligação com cientistas da área de intervenção de que se ocupam. Nesta perspectiva, estamos diante de práticas de si que apelam à constituição de uma comunidade ou biossociabilidade, (biosociality) termo cunhado por Paul Rabinow. Em que consiste esta dinâmica biossocial? Trata-se de uma reunião de grupos ou colectividades que partilham uma identidade, indivíduos que recusam o simples estatuto de pacientes e que se envolvem num activismo face ao desenvolvimento da biomedicina – estes grupos por vezes opõem-se aos peritos médicos, mas também podem colaborar no sentido de perceberem a sua vulnerabilidade somática, o seu risco genético e o seu sofrimento. Estamos aqui a falar de novos direitos, os direitos de uma bio-cidadania, que mobilizam campanhas para um conhecimento médico, o fim do seu estigma, e a reivindicação de um tratamento. Por outro lado, estamos diante de uma política por uma individualidade corpórea, um apelo ao seu reconhecimento e ao acesso ao conhecimento, uma abertura de novos espaços de diálogo, colocando novas questões à democracia. Podemos dar como exemplo a criação de comunidades em torno de três patologias: a perturbação afectiva bipolar, a doença de Huntington e a PXE (pseudoxanthoma elasticum) uma doença que endurece os tecidos devido à acumulação de cálcio originada numa mutação do gene ABCC6 entre muitas outras.
A cidadania vê-se assim imersa em relações de mercado – entre a produção da saúde e a moralidade do indivíduo –. Trata-se de uma cidadania biológica, termo que significa da parte do indivíduo uma responsabilidade pela gestão das doenças do seu corpo à luz das descobertas sobre o genoma, com base no estado de conhecimento atingido até agora e perspectivando o seu próprio futuro, o que levou à designação de prudência genética (como disse O’Malley) em analogia com a prudência aristotélica no domínio da moral. Esta cidadania biológica gera uma esperança, num futuro aberto à inovação e à criação de biovalor, termo de Catherine Waldby e que interliga o campo da genética, das neurociências e o aumento do potencial da vida humana. Como se disse, a biomedicina trabalha a um nível molecular com uma nova visão do corpo e a produção de uma economia ligada à vitalidade.
Empresas como a deCode, Celera, UmanGenomics mantêm amostras com mapas genéticos, construindo bases de dados para o futuro, para uma transformação dos cidadãos no sentido de uma geração de riqueza e de saúde.
Mas isto tem implicações ao nível de um Eu neuroquímico. Páginas da web como a Prozac.com encorajam as pessoas que sofrem de depressão a participar activamente na sua terapia, com base num diagnóstico biológico da depressão, formulado com recurso à explicação dos neurotransmissores anunciando links como “O Seu Guia Para Avaliar e Recuperar da Depressão”. Estas formas de bio-cidadania não são individuais mas colectivas: por exemplo os activistas da SIDA organizam-se também eles em grupos formando comunidades. Também os maníacos depressivos formaram em 1983 grupos como o Maniac Depression Fellowship onde as pessoas afectadas pela doença bipolar podem beneficiar dos serviços de aconselhamento. “Uma vez informado, o cidadão biológico activo é obrigado a tomar as medidas apropriadas, tal como ajustar a dieta, o estilo de vida e os hábitos em nome da minimização da doença e da maximização da saúde.” (Rose & Novas, “Biological Citizenship”, p. 22) Esta responsabilidade consigo próprio e com os outros baseia-se numa ideia de futuro, onde o conhecimento biomédico concorre para o que se designou a economia política da esperança. Todavia, se examinarmos de perto a carreira do Prozac deparamos mais com uma crescente medicalização do que com uma intenção terapêutica: começou por ser administrado para a depressão moderada e depois estendeu-se à anorexia, bulimia, desordem obsessivo-compulsiva, perturbação de pânico e chega mesmo a ser aconselhado em casos de desordem disfórica prémenstrual sob o lema feminista «Não estamos sós», e «Partilha a nossa Força»… estratégias que vão do riso à preocupação.
Mas será que esta nova tecnologia política de gestão da vida humana apenas tem benefícios? Se por um lado, a participação dos indivíduos e a investigação biotecnológica leva a uma melhoria dos conhecimentos genómicos que permitem o aumento das condições de vitalidade – que está no cerne da biopolítica –, por outro, existem implicações ao nível económico onde podemos levantar algumas reservas. Quais são elas? Vimos que a intervenção ao nível molecular cria novas possibilidades de riqueza e formas de subjectivação ou moralidade, estes factores interligam-se com as relações produtivas se tivermos em conta a mercantilização de novos produtos oriundos da indústria farmacêutica. Na nova ética, os indivíduos são capturadas nesta teia de enriquecimento, tornando-se um trunfo apetecível ao nível da criação de um biocapital. A produção de biovalor modifica a noção com que encaramos a vida em si mesma: “Novas subjectividades, novas políticas e novas éticas modelam hoje os cidadãos biológicos” (Rose & Novas, “Biological Citizenship”, p. 36)
A biotecnologia organiza o modo como o homem se vê a si próprio; as suas emoções, a sua cognição, desejos e a sua disposição são moldadas pela neurociência, pela psicofarmacologia e genética comportamental. É o caso da chamada psiquiatria biológica, que inaugura a hipótese das estruturas orgânicas onde existia o velho paradigma funcional do séc. XIX. A mente é reduzida ao cérebro. O que é uma mente patológica? Se a mente no tempo de Freud se traduzia em palavras, ela é agora psi-moldada em termos de tecido cerebral, sobretudo desde os anos 50 com a irrupção dos fármacos. Empresas como a Brainviews, Ltd. vendem CD’s com animações digitais do cérebro para serem usadas em todos os ramos da medicina, inclusivamente para detectar a doença bipolar, vista a cores. Mas poderá a nossa conduta reduzir-se a este olhar orgânico, cuja terapia é entregue apenas aos psicofármacos? “Novas tecnologias psiquiátricas e farmacêuticas para o governo da alma obrigam o indivíduo a empenhar-se numa gestão constante do risco, a monitorizar e a avaliar o humor, a emoção e a cognição de acordo com um processo meticuloso e cada vez mais contínuo de auto-escrutínio.” (p. 223)
Do ponto de vista psiquiátrico, a depressão é explicada como uma diminuição de um neurotransmissor: a serotonina; o humor depressivo corresponderia a uma baixa concentração deste neurotransmissor nas sinapses do cérebro.
A esquizofrenia explicar-se-ia por uma hiperactividade dos neurónios da dopamina no caminho mesolímbico desta. A título de exemplo, pretendeu-se explicar um subtipo de esquizofrenia a partir do colapso de uma enzima devido a uma deficiência no Cromossoma 22q11. Porém, rapidamente se percebeu que nenhuma mutação genética simples poderia explicar as desordens neuropsiquiátricas, o que afastou a hipótese de um destino meramente biológico das anomalias psíquicas. No entanto, empresas biotecnológicas como a Autogen e a ChemGenex Farmacêutica na Austrália continuam a lançar programas onde pretendem isolar os genes responsáveis pela depressão e ansiedade, visando novos mercados para os seus medicamentos. Por outro lado, a DSM-IV afasta a exclusividade das teorias neurobiológicas para a etiologia das desordens psiquiátricas, em prol de uma classificação de sintomas e características clínicas. Nesse caso, porque continuam os psiquiatras a recorrer, quase exclusivamente, à psicofarmacologia? Por outro lado, as empresas comerciais persistem no sonho de poder diagnosticar todas as perturbações no futuro fazendo o scanner do cérebro – a empresa Aspect Medical Systems Inc. anunciou em 2003 uma tecnologia de monitorização do cérebro para prever a utilização de antidepressivos. Isso explica de alguma forma que nos Estados Unidos e Reino Unido, o consumo de antidepressivos SSRI tenha aumentado 200 por cento, assim como a prescrição de psicoestimulantes como o Ritalin e o Adderall usados no défice de Hiperactividade. Consultando o relatório do nosso Infarmed (disponível on-line) verifica-se que a curva ascendente do consumo de antidepressivos em Portugal contrasta certamente com a falta de “elevação” dos órgãos da libido…
A forma como as drogas psiquiátricas são promovidas pela indústria farmacêutica, produz uma imagem do mundo e uma consciência pessoal, ou seja, uma ética. Os anúncios aos antidepressivos (que não existem ainda em Portugal, mas não tardam) trazem consigo um apelo a um modo de vida «saudável». No caso da chamada Desordem de Ansiedade Generalizada eles prometem não um novo Eu, uma modificação para estados alterados mas uma restauração do Eu anterior não perturbado, produzindo um Eu real. A percepção que temos de nós próprios tem agora um sentido neuroquímico que incita o cidadão a determinado comportamento. É o nascimento da neuropolítica onde a nova psiquiatria e as tecnologias do governo das almas tomam forma e obrigam o indivíduo a uma auto-atenção, um escrutínio do seu comportamento a fim de se reconhecer ou não como perturbado e produzir sobre si próprio um discurso em termos neuroquímicos.

publicado por rolandoa às 16:14

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Sábado, 9 de Junho de 2007

O que é a arte? II

No que respeita à estética como disciplina filosófica, o que de mais significativo se produziu, nessa segunda metade do século, teve origem em dois grupos que se podem distinguir, em termos de língua, mas também de método, estilo e programas de pensamento, como estéticas alemã e anglo-saxónica. Por razões históricas, geográficas e afectivas, a França privilegiou a primeira e tem praticamente ignorado, até há relativamente pouco tempo, a segunda. Como também, pela mesma espécie de razões, Portugal foi dominado desde o fim do séc. XVIII pela cultura francesa, a nossa exígua paisagem estética reflecte a influência indirecta da cultura alemã. Qualquer estudante que se inicia nesta disciplina filosófica conhece, pelo menos de nome, Nietzsche, Adorno, Heidegger ou Benjamin, todos com pelo menos uma obra traduzida para português. Mas ignora totalmente a existência de Beardsley, Weitz, Stolnitz, Dickie e, até há pouco tempo, a de Danto e Goodman. Ora, o que de mais interessante se escreveu no domínio preciso da caracterização ou definição de arte é da responsabilidade exclusiva deste último grupo. O objectivo da presente antologia é pôr à disposição do público português a discussão do problema prioritário da estética através de alguns textos, hoje já clássicos, dos filósofos anglo-saxónicos que a protagonizaram.
(org. por Carmo D'Orey), O Que é a Arte? A Perspectiva Analítica, Tradução de Vítor Silva e Desidério Murcho, Lisboa: Dinalivro - da introdução.
publicado por rolandoa às 02:18

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Terça-feira, 5 de Junho de 2007

O fim do mundo está próximo?

Não é fácil encontrar bons divulgadores da ciência e da filosofia em Portugal. Isto deve-se, em parte, por em Portugal ser praticamente impossível um autor viver dos livros que publica. Por outro lado em Portugal ainda existe muito difundida a ideia de que a cultura deve ser gratuita e não se paga. Era bom que assim fosse. Talvez desse modo a cultura não estivesse directamente dependente da indústria. Mas a continuar com tal ideia, a morte da cultura e da sua divulgação é um dado quase certo. Mas existem formas eficazes de combater este semi-deserto de publicações para o público em geral. O Estado Português gasta milhares de euros em apoios a teses de investigação que, na sua maioria, não contribuem para o bem público, mas antes, somente para o currículo particular. Muitos desses doutorandos e mestrandos financiados pelo dinheiro de todos, acabam a trabalhar no estrangeiro ou para universidades particulares. E esta é uma má política de investimentos porque o esforço no gasto do dinheiro público acaba, numa boa parte das vezes, por não possuir retorno. Uma das formas de exigir retorno seria exigir no contrato de atribuição de bolsas, a publicação de livros introdutórios para o grande público em cada área de investigação. Uma medida como esta incentivaria muito a fluidez e dinâmica cultural de um país. Um jovem estudante do ensino secundário teria dessa forma a porta aberta ao saber e conhecimento, partindo do contacto com essas obras. E esta tarefa não é muito complicada de se concretizar. Para além de tudo estava aqui a criar-se um novo mercado que ainda tem muito para dar no nosso país, o do empreendedorismo editorial (muitas vezes em Portugal pensa-se que empreendedor é uma palavra técnica exclusiva da gestão que nada tem a ver com a cultura).
Não sendo essa a situação, o país vive do «amor à camisola» de meia dúzia de autores e meia dúzia de editores que, com muito esforço e dedicação, tentam deixar aos outros um pouco do seu conhecimento. Estou a lembrar-me de casos como os de Carlos Fiolhais na física, Desidério Murcho na filosofia ou Jorge Buescu na matemática. Estas considerações vem a propósito do último livro deste último. O Fim do Mundo está Próximo? (Gradiva, 2007) é mais um livro que faz respeitar a matemática, mesmo a um leigo como eu, revelando o seu carácter denso e mais criativo. Como refere o autor no aperitivo ao livro:
 “Um livro sobre ciência pode ser sério sem ter de ser aborrecido. E sobre a mais rigorosa das ciências, a matemática, pode ser muito sério e simultaneamente muito divertido, começando pelo título”. (p.10).
E é isso que, à semelhança dos seus dois títulos anteriores publicados em português, O Mistério do Bilhete de identidade e outras histórias(10ª ed., 2005) e Da falsificação de euros aos pequenos mundos(3ª Ed. 2005) (ambos da Gradiva), Jorge Buescu consegue fazer, a saber, ensinar, ao leitor, matemática, de forma muito divertida, que pode ir de compreendermos porque é que o Sudoku não exige qualquer conhecimento matemático, até ao caso do chuveiro assombrado.
Vale a pena descobrir este autor e, sobretudo, descobrir a matemática com este autor. Compreendemos por fim porque é que a matemática é profundamente criativa e não aquela chatice puramente formal que muitas vezes aprendemos na escola. Acima de tudo vale a pena descobrir porque é que a matemática, em primeiro lugar, relaciona e lida com ideias.
 
Jorge Buescu, O fim do mundo está próximo?, Gradiva, 2007
 
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 22:26

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Segunda-feira, 4 de Junho de 2007

O que é a arte?

A utilidade prática desta colectânea talvez não seja inferior ao seu interesse teórico. Utilizada na docência, pode constituir uma excelente ocasião para desenvolver nos alunos o hábito de debate intelectual, a capacidade de análise crítica, o rigor na utilização dos conceitos e na formulação dos raciocínios, a agilidade argumentativa, a perspicácia crítica e o gosto pela subtileza. Os textos que dela fazem parte foram seleccionados como os mais significativos no debate sobre a natureza da arte. Inter-relacionados entre si, constituem um tecido de reenvios conceptuais e reconstruções temáticas dos quais resulta a unidade do todo.
Ensaios incluídos:
  1. A Hipótese Estética Clive Bell
  2. A Atitude Estética Jerome Stolnitz
  3. O Papel da Teoria na Estética Morris Weitz
  4. O Mundo da Arte Arthur C. Danto
  5. O Que é a Arte? George Dickie
  6. Quando há Arte? Nelson Goodman
(org. por Carmo D'Orey), O Que é a Arte? A Perspectiva Analítica, Tradução de Vítor Silva e Desidério Murcho, Lisboa: Dinalivro, 2007, 138 pp.
publicado por rolandoa às 23:08

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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