Quarta-feira, 28 de Março de 2007

Um teste empírico, Uma experiência didáctica com manuais

A seguir publica-se uma experiência de um colega com o manual Arte de Pensar. A publicação neste blog é feita com o acordo do autor da experiência. A razão pela qual se publica este relato é porque se trata de uma experiência significativa evidenciadora das diferenças entre manuais. Muitas das vezes nós, professores, pensamos na escolha do manual com os nossos pressupostos. Tenho defendido uma ideia simples: tal como nós gostámos de aprender por bons livros, claros e rigorosos, é natural que os nossos alunos, adolescentes, sintam o mesmo desejo. As diferenças entre os manuais são enormes e, aqui, o Arte de Pensar fica em clara vantagem. A ideia não é defender o Arte de Pensar atacando outros manuais, mas que o Arte de Pensar possa constituir um bom incentivo para se fazer bons manuais, didacticamente acertados.
Agradece-se ao professor de filosofia e colega João Paulo Maia.
Rolando Almeida

Tenho, por vezes, feito inquéritos relativamente detalhados aos meus alunos.

Porém, desta vez decidi fazer uma coisa muito simples, a que se deverá
chamar talvez apenas «questão anónima» ou «eleição do melhor manual de dois». Não se trata pois de um inquérito com n itens, não tendo também elaborado um estudo na sequência do mesmo. Tentei testar apenas aquilo que intuía, utilizando uma coisa elementar (também no sentido de não sofisticada).
Expliquei aos alunos qual era o objectivo da questão que lhes era colocada: ajudarem-me, e indirectamente tentarem ajudar também os meus colegas, na escolha do melhor manual de filosofia que eles conheciam. A escolha seria feita pois com base nos dois manuais com que eles tinham contacto – o Arte de Pensar e o Manual adoptado pela escola. Mais: seriam eles a recolher os questionários, a fazer a contagem de votos e a elaborarem uma pequena acta sobre aquilo que se iria passar na aula. Como veio a suceder.
Os alunos tiveram contacto com o Arte de Pensar através de excertos, nomeadamente, na área da Ética mas não só: alguns deles consultaram várias vezes o site do Arte de Pensar no que se refere, por exemplo, a textos de apoio e ao glossário.
Creio que o que fiz não é nada de especial. É simples e permite-me ter uma ideia clara sobre o que os alunos pensam, dadas as duas alternativas em questão.
O texto do documento é pois uma coisa elementar. Passo a transcrever:
«Inquérito Anónimo – Qual é para si o melhor manual?
Na sua avaliação deve ter em atenção estes factores: clareza, rigor, exemplos utilizados, criatividade. Em síntese, diga qual é o manual pelo qual aprende mais e melhor. (Coloque uma cruz)

Arte de Pensar _____

XXXXX X XXXX _____

[Identificação da turma e data]»

O que está a X é o nome do manual adoptado na escola e que na pequena folha que entreguei aos alunos aparecia, obviamente.
Num dos casos, que passo a transcrever, fez-se a acta (a que os alunos
decidiram chamar Declaração), no dia seguinte:
«Declaração
Para os devidos efeitos, declaramos que no dia 19 de Março de 2007 os alunos da turma 10º F da Escola Secundária X fizeram a escolha do
melhor manual de Filosofia, por votos, com os seguintes resultados:

Arte de Pensar: 17 votos.
XXXXX X X XXXXXX: 1 voto.

Local x, 20 de Março de 2007.

(Seguem-se duas assinaturas – da delegada de turma e de outra aluna que
substituiu a ausência do subdelegado)»

Há quatro anos lectivos, creio, que o manual X está adoptado na escola e foi

escolhido porque os meus colegas entendiam ser um manual acessível para os
alunos que a escola tinha e continua a ter, com algumas alterações – por
exemplo: temos apenas a partir do corrente ano lectivo alunos do Básico.A Coordenadora de Departamento e do Grupo Disciplinar de então salientava este facto – o de se tratar de um manual acessível. Foi aliás através dessa nossa colega que vim a conhecer o Arte de Pensar, manual pelo qual se bateu quanto à sua adopção, no que diz respeito ao 11º Ano, decorria então o ano lectivo  de 2003/2004. Porém, não conseguiu fazer valer a sua posição pois, na reunião desse ano lectivo efectuada com o explícito propósito de escolher um manual para o 11º, o Arte de Pensar não era conhecido pelos restantes colegas (entre os quais, eu próprio). É provável, não sei, que o manual lhe tivesse chegado demasiado em cima dessa reunião e talvez por isso não o tivesse dado a conhecer com antecedência. O que sei é que tinha analisado uma data de manuais e apontou como sua escolha o Arte do 11º (falava na altura das vantagens, nomeadamente, do apoio on-line). Foi, à época, a única pessoa a votar no Arte. Essa nossa colega era uma pessoa solidária, de um coração enorme e que não se coibia de dizer o que pensava. Infelizmente já não a temos entre nós, tendo falecido há cerca de ano e meio. Perdi (perdemos) uma colega espectacular que, talvez sem querer, me deixou, entre muitas outras coisas importantes, a possibilidade de eu conhecer o vosso manual.

É comovidamente que digo isto.

João Paulo Maia
Professor de Filosofia do Ensino Secundário Público


publicado por rolandoa às 14:50

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Terça-feira, 27 de Março de 2007

Como se faz um filósofo, Colin McGinn

Como se faz um Filósofo acompanha o percurso de Colin McGinn, filho e neto de mineiros, originário de Blackpool; na infância o melhor que poderia aspirar seria a uma carreira na construção civil ou como baterista num grupo de rock. Porém, durante a adolescência descobre Descartes e apaixona-se pela Filosofia. Sendo o primeiro da sua família a ingressar na universidade, a escolha da Filosofia não era a mais óbvia ou a mais bem aceite e assim começa pela Psicologia. Posteriormente decide-se em definitivo por aquela, tendo de enfrentar a perplexidade dos pais e da família. O que faz um filósofo? Como vive? De que se sustenta?

Desde a infância em Inglaterra até à partida para a América McGinn guia-nos de forma apaixonante pelo que foi a evolução do seu pensamento e a sua maturação como filósofo. Apresenta uma perspectiva contemporânea das grandes figuras da Filosofia do século XX, (incluindo Bertrand Russell, Jean-Paul Sartre, Noam Chomsky, entre outros), conta as histórias dos professores que o marcaram, as suas aventuras com os jogos de vídeo, o seu gosto pelo mar, os seus breves encontros com Jennifer Anniston ou Spielberg, sempre numa prosa elegante, clara e acutilante.
Dos estudantes de Filosofia ao leitor comum, todos se deixarão prender pela vivacidade das páginas escritas por McGinn.

(da contracapa)

Colin McGinn, Como se faz um filósofo, Bizâncio, 2007

publicado por rolandoa às 23:31

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Quarta-feira, 21 de Março de 2007

Para que serve um manual?

Em tempo de muitas matérias em discussão sobre educação, os manuais escolares ocupam um lugar central. Isto acontece porque os manuais são a ferramenta, o instrumento usado para transmissão de conhecimentos. Na minha prática de professor, um mau manual pode contribuir, por vezes de forma decisiva, para a degradação do ensino e das aulas. Por outro lado, os manuais são a referência de estudo para os alunos, na maior parte das vezes, a única referência. No nosso país chegou-se a um estado deplorável com manuais que incluem fotografias que vão desde as personagens dos morangos com açúcar, a shows televisivos, etc… Os manuais do ensino secundário português são, com raras excepções, um autêntico desfile carnavalesco de figuras famosas ou alusões ao supérfluo. Curiosamente são muito mal cuidados do ponto de vista dos conteúdos. Pensa-se, fruto do «eduquês», que os alunos vão estudar mais porque o manual faz referência ao seu herói preferido. O mais grave ainda é que este estado em que se encontram grande parte dos manuais, é uma consequência directa da falta de rigor e conteúdos dos programas das diferentes disciplinas. Como os programas partem do pressuposto de um ensino centrado no aluno, então subestima-se os jovens e há que dar azo à imaginação mercantil com o vale tudo nos manuais para cativar os nossos alunos. Curiosamente a minha experiência de ensino é já suficiente para provar que não é isto que cativa os alunos. O aluno médio está-se “nas tintas” que o manual traga uma fotografia do seu herói televisivo ou que apresente um texto simplório sobre um diálogo qualquer de café. O que fascina os neófitos é precisamente o rigor e clareza com que os conteúdos de conhecimento são apresentados. Se são apresentados de forma clara e rigorosa, os alunos gostam, se não o é, os alunos nem sequer se incomodam em abrir o manual. Qualquer aluno meu interessa-se mais com um texto que possa levar sacado a um qualquer livro da colecção Ciência Aberta ou Filosofia Aberta, ambas da Gradiva. Costumo até ter alunos ou que acabam a comprar os livros ou pedem-mos de empréstimo. Mas estes são os mesmos alunos que, com efeito, não abrem os manuais da escola. Recentemente levei um livrinho pequeno, que não possui qualquer imagem ou desenho, para as minhas aulas. Chama-se, A mais bela história do Mundo, os segredos das nossas origens, de Huebert Reeves, Joel De Rosnay, Yves Coppens e Dominique Simonnet, ed. Gradiva, um livro de entrevistas aos cientistas autores do livro. Abri-o numa página à sorte e lancei a pergunta aos alunos que lá vem no livro: “- Como se formam os planetas?”. Pude passar uns belíssimos momentos de aula com os meus alunos a tentar descortinar o universo e o conhecimento.
 
Pobres com mentalidade de ricos
Recentemente chegou-me às mãos um manual inglês de filosofia. Chama-se Philosophy in practice, an introduction to the main questions, de Adam Morton. Qual o meu espanto! Afinal o manual chega-me de um país rico, mas não possui uma única cor a não ser o negro das letras em contraste com o branco do papel. Mas o que se seguiu foi ainda mais perplexo: o manual é claro e rigoroso, explica a filosofia com uma suavidade como se estivéssemos dentro de uma nave a percorrer as principais obras da história da filosofia. Desenganem-se aqueles que pensem, pelo que acabei de afirmar, que se trata de uma história da filosofia. Não! Trata-se de um livro que nos introduz directamente aos problemas centrais da filosofia. De repente senti uma revolta enorme. Apeteceu-me traduzir o livro de fio a pavio e baldar-me para as leis de adopção dos manuais. Imprimia uns quantos exemplares em minha casa e levava-o para as minhas aulas. A filosofia, quando é tratada assim, tem uma vitalidade tão grande, que dispensa qualquer adorno porque está a jogar em casa, confrontando o aprendiz com os seus problemas, de forma directa, clara e apetecível. Estou certo que os meus alunos agradeciam a minha tradução e dispensariam de boa vontade o manual português, feito com papel de qualidade, com fotografias impressas com todas as tonalidades que a fotografia actualmente possibilita, com os seus múltiplos cadernos de actividades que ninguém usa nem pega, com os seus poemas a tomar o lugar onde deveriam estar os textos e problemas filosóficos, com as suas alusões patetas de que filosofia é escrever muito e dar muita “palha”, com os seus conteúdos expostos em bloco e de modo somente histórico fazendo confundir a filosofia com a história, com a sua conversa de café transformada numa espécie de sociologia barata para a qual um adolescente não tem paciência, com sua linguagem confusa e ininteligível para um adolescente, com… com… com…. Enfim, com um manual que, afinal de contas, é uma evidente perda de tempo e com o qual nada se pode aprender de realmente significativo e atraente, um manual que apenas promove a estupidez dos mais jovens. Eles merecem mais! Todos precisamos do conhecimento.
Mas há sinais de esperança! No caso concreto da filosofia, o manual A Arte de Pensar, Didáctica Editora de Aires Almeida, António Paulo Costa, Célia Teixeira, Desidério Murcho, Paula Mateus e Pedro Galvão é uma pérola. E para prová-lo convido o leitor leigo em filosofia ao seguinte exercício: compre o manual A Arte de Pensar, leve-o para casa. Leia-o. Depois diga-me se a filosofia é ou não atraente! Afinal, por vezes, tinham-nos contado uma má história. Mas ela pode ser bem contada.
 
Adam Morton, Philosophy in practice, an introduction to the main questions, Blackwell (first published 1996; reprinted 1996, 1998, 1999)
 
Aires Almeida, António Paulo Costa, Célia Teixeira, Desidério Murcho, Paula Mateus e Pedro Galvão, A Arte de Pensar 10 e 11, Didáctica Editora, 2003
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 22:57

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Terça-feira, 20 de Março de 2007

O futuro da natureza humana

 
 Esta obra de Habermas saída agora em tradução, coloca questões que são actualmente incontornáveis com o avanço da clonagem e da manipulação do genoma. Quais as consequências dessa manipulação genética para a moral e para a dignidade humana? Será que a auto-transformação genética da espécie alarga a nossa autonomia ou, pelo contrário, constitui uma instrumentalização da vida humana? Se a eugenia negativa que visa eliminar as possíveis doenças hereditárias do indivíduo parece mais pacífica, a eugenia positiva enquanto selecção de características desejáveis por parte dos pais levanta inúmeras questões. Estamos numa época em que a biotecnologia pode alterar o nosso corpo e, assim, modificar a forma como encaramos a existência humana. É o caso do diagnóstico de pré-implantação onde se escolhem as células mais favoráveis.
 
            Para este filósofo, a intervenção genética é uma tecnicização da espécie e interfere com as normas e com a ética da liberdade. Na verdade, alguém que se descobre no futuro como “fabricado” e manipulado antes do nascimento, sem que tivesse hipótese de dar o seu consentimento, vê-se numa situação irreversível que transforma completamente a sua biografia. A partir desse momento já não pode entender a sua vida como estando completamente nas suas mãos. Os objectivos biopolíticos da genética – o melhoramento da saúde da população, o prolongamento da vida e da melhor nutrição – ligam-se necessariamente a outros elementos como o lucro, típicos da sociedade liberal.
 
         Consoante a medida em que o jovem eugenicamente manipulado descobrir o seu corpo como algo que também foi propositadamente feito, a sua perspectiva de participante numa “vida vivida” poderá colidir com a perspectiva objectivadora do seu fabricante ou artífice. (p. 94)
 
Habermas realça a desdiferenciação biotecnológica que esbate as fronteiras entre o natural e o artificial, e que nos afasta da consciência que temos da nossa espécie como humana. Afectada a autocompreensão do indivíduo como espécie, a eugenia liberal provoca uma instabilidade nas nossas concepções de Direito e Moral. Para Habermas, a moralidade reside na capacidade de comunicação entre todos os membros da comunidade linguística em pé de igualdade e de forma livre. Ora, percebe-se facilmente que uma pessoa fabricada já não possui o mesmo estatuto de liberdade do que o seu programador. Desde logo não teve forma de dizer não a esse gesto e, quando descobre já nada pode fazer.
 
As intervenções eugénicas de aperfeiçoamento afectam a liberdade ética, na medida em que amarram a pessoa em questão a desígnios – rejeitados, mas irreversíveis – de terceiros, vedando-lhes assim a possibilidade de se ver espontaneamente a si mesma como única autora da sua própria vida. (p. 107)
 
Será que caminhamos para uma eugenia liberal? O que fazer para o impedir? Sabemos que é difícil, senão mesmo impossível, travar a evolução da ciência, mas neste domínio vamos deparar com questões complexas que, provavelmente, neste momento ainda não podemos avaliar inteiramente.
 
Será que vamos poder ainda ver-nos como pessoas que detêm a autoria da sua própria vida e se confrontam com todas as outras, sem excepções, como indivíduos iguais por nascimento? (p. 117)
 
Habermas analisa a questão sobretudo do ponto de vista ético e jurídico. Porém, muitas outras implicações não menos importantes se podem retirar da manipulação genética, como é o caso de constituir formas de controlo social e modos de sujeição política sobre os indivíduos. Parece-nos que esta questão não será resolvida se estiver entregue apenas ao seu aspecto jurídico.
Habermas, O Futuro da Natureza Humana. A Caminho de Uma Eugenia Liberal? Tradução de Mª Benedita Bettencourt, Edições Almedina, 2006
José Caselas, Escola Secundária de Miraflores
publicado por rolandoa às 19:04

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Segunda-feira, 19 de Março de 2007

Saber ouvir aqueles que sabem

Não se pode viver sem entendimento, próprio ou emprestado; mas há muitos que ignoram que não sabem e outros que pensam que sabem, não sabendo. Os erros da estupidez são irremediáveis, pois, como os ignorantes não se têm por tal, não procuram o que lhes faz falta. Alguns seriam sábios se não julgassem sê-lo. Por isso, ainda que haja poucos oráculos da prudência, vivem ociosos, porque ninguém os consulta. Pedir conselho não diminui nem a importância nem a capacidade, antes as abona. Ao aconselhar-se com razão, evita-se o ataque da má sorte.
(1647)
Baltasar Gracian, A Arte da Prudência, Planeta, Lisboa, 1994,  94
publicado por rolandoa às 01:09

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Domingo, 18 de Março de 2007

O que é a Filosofia?

Esta é uma questão menos inquietante quanto possamos pensar. Ou, pelo menos, é tão inquietante quanto a pergunta, o que é a Física, a Matemática ou a Biologia. Poderíamos responder que a Física trata dos fenómenos físicos ou que a Biologia é a ciência da vida. Mas estas são respostas circulares, a resposta não adianta nada à pergunta. Do mesmo modo podemos responder que a Filosofia é o conhecimento dos argumentos dos filósofos. Se pretendêssemos aprender pintura a primeira tarefa a esperar no nosso estudo seria começar a pintar. Do mesmo modo, a melhor forma de aprender filosofia é começar a filosofar. Mas como começar a filosofar? Afinal, para que serve a filosofia? Bem, já reformulamos a nossa questão. Poderíamos voltar a responder elaborando novas questões como, para que serve a matemática?, para que serve a pintura?, a música?, a Física?, etc… E poderíamos responder que a música serve para tocar música, bem como a filosofia serve para pensar com rigor. Nova questão: pensar o quê?
Aqui exige-se uma nova resposta: pensar os problemas filosóficos. E quais são os problemas filosóficos? Assim, parece, podemos esboçar algumas respostas. Se quisermos saber se existe vida em Marte, enviamos uma sonda a Marte e examinamos todos os pormenores do planeta alcançáveis pela sonda até saber se há ou não vida em Marte. Até hoje a experiência diz-nos que não há vida em Marte e esta é a nossa resposta para a pergunta se há ou não vida em Marte. Com a filosofia acontece algo bem diferente. Os problemas filosóficos são aqueles que existem na vida humana mas não podemos fazer experiências práticas para os resolver. Por exemplo, o problema do aborto é, antes de tudo, um problema moral. Os problemas morais jogam entre o que é o certo e o errado na acção humana. Não temos forma de saber pela experiência se o aborto é certo ou errado. Ainda que pedíssemos a 20 mulheres grávidas que abortassem para ver o resultado, nada concluiríamos sobre se o aborto é certo ou errado. Como sabemos então o que é o certo e o errado? Filosofando. E filosofar é pensar argumentos que nos possam indicar o que é o certo e o errado. Claro que este exercício não é fácil de fazer. Primeiro temos de saber o que achamos sobre o assunto, se achamos certo ou errado o aborto e, então, depois, temos de procurar as melhores premissas que justifiquem a nossa teoria, que é sempre a conclusão do argumento.
Por exemplo, posso pensar que o aborto é moralmente errado porque o feto é um ser humano e é errado matar um ser humano. Se seguir uma ética deontológica como a do filósofo Kant, penso sempre em agir conforme a minha máxima racional e, por essa razão, matar é sempre errado. Mas se, pelo contrário, seguir os preceitos éticos de Stuart Mill, penso a moral com conceitos diferentes, os de prazer e da dor (antes dos princípios racionais) e, nesse sentido, devo agir de modo a maximizar a maior felicidade para o maior número de pessoas. Neste caso, se um feto correr o risco de nascer deformado, não é moralmente errado abortá-lo.
Em conclusão, os problemas filosóficos, como os do gosto, na Estética, os morais, na Ética, os da existência de Deus, na filosofia da religião e os do conhecimento, na filosofia da ciência, são aqueles que não possuem resolução empírica (pela experiência) e, assim, tenho de os argumentar, conhecendo os argumentos clássicos dos filósofos e colocando a toda a prova racional os nossos argumentos que muitas das vezes mais não são que a expressão de um certo preconceito. Agora já somos capazes de dizer o que é a filosofia e para que serve.
 
Rolando Almeida
Publicado originalmente na revista de Filosofia da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, ZarcoSofia, Nº1. Artigo escrito a pensar nos alunos do Ensino Básico
publicado por rolandoa às 14:47

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Sábado, 17 de Março de 2007

Relativismo é um crime intelectual

"O relativismo é um dos muitos crimes dos intelectuais. É uma traição à razão e à humanidade"

Karl Popper, Em busca de um tempo melhor, Fragmentos, 1992, p.19

publicado por rolandoa às 13:18

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Quinta-feira, 15 de Março de 2007

Diálogos Sobre a religião Natural - O argumento do desígnio

O problema dos argumentos em favor da existência de Deus é, por natureza, um problema filosófico e tem cabido aos filósofos discuti-lo. Vários são os argumentos em disputa argumentativa, sendo que um dos mais pertinentes é o argumento do desígnio. Desde os filósofos gregos que este problema é colocado, sendo que só não mereceu discussão mais livre durante o período medieval, precisamente aquele em que as peias da civilização eram determinadas pela instuituição católica. Durante este período a discussão estava presa dos preceitos da inquisição e ainda hoje é um problema recorrente que não deixa de apresentar um confronto muitas vezes chocante com as nossas crenças mais básicas. O argumento do desígnio tem muitos contornos interessantes de se examinar e discutir, sendo dos que mais facilmente se compreende, é a analogia que ele envolve. Podemos formalizá-lo da seguinte forma:
As casas têm um criador
Os seres vivos são como as casas
Logo, tal como as casas, também os seres vivos têm um criador
Esse criador é Deus.
Nos Diálogos sobre a religião natural, David Hume discute este argumento em favor da existência de uma entidade necessária. Para Hume esta analogia é fraca, uma vez que não podemos estabelecer analogia forte entre a criação de um objecto e a criação do universo. Na verdade normalmente comparamos objectos porque possuímos outros objectos para comparar. Mas como tornar essa analogia possível para com o universo? Só se conhecêssemos outros universos. Acontece que não conhecemos outros universos como conhecemos casas, além da nossa.
Álvaro Nunes, tradutor desta obra para as Edições 70, faz uma inteligente e produtiva análise do texto de David Hume na introdução revelando a ideia clara que o problema em discussão continua em aberto e que o texto de Hume constitui um passo arrebatador em torno dos argumentos do desígnio. É uma tarefa muito interessante esta a de traduzir as obras mas também de fazê-las acompanhar de uma introdução que conduza ao acompanhamento do que está a ser discutido e apontando para a actualidade do tema. E Álvaro Nunes consegue-o muito bem. Recomenda-se a edição e a leitura atenta à introdução, uma vez que, o problema dos argumentos em torno da existência de Deus, cabe em responsabilidade de todo o ser pensante. Esta introdução explora ainda o argumento a priori, discutido por Hume nos diálogos e finaliza com o problema do mal.
Agradeço a sugestão de leitura desta introdução e edição a Desidério Murcho
David Hume, Diálogos sobre a religião natural, Ed.70, 2005. Introdução, tradução e notas de Álvaro Nunes
 
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 18:54

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Terça-feira, 13 de Março de 2007

OLHARES SOBRE A FILOSOFIA

 OLHARES SOBRE A FILOSOFIA

A FILOSOFIA NA ESCOLA, NA CIDADE E NA CULTURA

23 DE MARÇO DE 2007

Mais informações em:

"Olhares sobre a filosofia: a filosofia na escola, na cidade e na cultura"

 

publicado por rolandoa às 19:37

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Sábado, 10 de Março de 2007

Um blog a visitar - De Rerum Natura

De Rerum Natura
A natureza das coisas
O que faz um físico, um filósofo, uma pedagoga, um matemático, uma química mais um e uma bióloga todos juntos num mesmo espaço? Poderíamos ser levados a pensar que estariam todos a defender o seu saber e conhecimento atacando todos os outros. Mas esta é uma ideia completamente errada quando falamos de conhecimento e ciência. O conhecimento goza de uma linguagem universal e todos os contributos são alicerces na sua construção. Como nos mostraram os gregos, sem diálogo e discussão racional não há nem democracia, nem saber. Mais recentemente Carl Sagan foi o grego moderno. E em Portugal? Ninguém sabe disto? Anda tudo de costas voltadas? A resposta, ainda tímida, é Não. Carlos Fiolhais, Desidério Murcho, Helena Damião, Jorge Buescu, Palmira F. Silva, Paulo Gama Mota, Sofia Araújo sabem com que linhas se pode cozer a ciência, a filosofia e o saber em geral. Por essa razão se sentam à mesma mesa, uma mesa disposta publicamente num gesto aparentemente vulgar (um blog), mas, no assunto, muito invulgar em Portugal: dialogar, discutir, apresentar argumentos e contra argumentar. Ainda por cima temos a oportunidade de assistir a este diálogo. É um gesto muito nobre, este, que antecipadamente, agradeço aos autores. Um blog com todos estes nomes, a falar de ciência e filosofia em português é um momento ímpar e muito bem vindo, mas ainda sobra uma questão: as televisões em Portugal estão à espera de quê? Que a ignorância aumente ainda mais para poderem vender sub produtos comerciais? Contra a idiotacracia do eduquês, aqui temos um exemplo a ampliar.
A discussão está aberta em: http://dererummundi.blogspot.com/
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 22:55

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Quarta-feira, 7 de Março de 2007

A preguiça na Universidade

Uns tempos de visita a universidades americanas mostram realidades assustadoras - para as universidades portuguesas. Cursos que começam a horas, salas ocupadas, bibliotecas abertas durante a noite; o panorama deixa-nos "pró-americanos", para retomar uma classificação pejorativa muito em voga. E deixa um amargo de boca quando se lêem os resultados do inquérito sobre a Universidade de Coimbra, realizado por Rui Bebiano e Elísio Estanque, e que nos informa que cerca de 18,3% dos inquiridos revelou jamais ler livros (ou seja, 33% de rapazes e 11% de raparigas) e 33% não ler jornais. Este inquérito dá conta da surdez da universidade e, embora seja mudo, grita bastante, dá conta da miséria verdadeira em ambiente universitário.

Em Washington, na Georgetown, dei uma conferência na sala de Estudos Árabes; os alunos não protestaram por ser à hora de almoço e reparei que, num semestre, tinham lido mais livros portugueses do que todos os frequentadores da Universidade de Coimbra durante um ano ou mais. Muito mais, aliás. Uns dias depois, assisti a uma aula de filosofia na Brown, em Providence, - discutia-se "A Ideologia Alemã", de Marx e Engels, que os alunos tinham lido, juntamente com Weber, Nietzsche, Feuerbach ou passagens de Hegel. Aliás, o professor lançava armadilhas a meio "Em que página vem isso? Em que livro leu esse conceito?" Na semana seguinte vão discutir Weber. Lêem dez livros por semestre neste curso.

A Brown University, aliás, é um exemplo traumático. As bibliotecas enchem-se depois das oito da noite, após o jantar. À meia-noite podem consultar-se microfilmes ou assistir a reuniões de grupos de trabalho na área das ciências. Na quinta-feira passada fui convidado para jantar com um grupo de alunos no Faculty Club da Brown; às dez da noite pediram desculpa mas tinham de retirar-se - havia trabalho para fazer e era preciso aproveitar a biblioteca até mais tarde. No dia seguinte, ao meio-dia, estavam na minha conferência e tinham lido textos entretanto sugeridos. Encontrei-os ao fim da tarde numa das bibliotecas de humanidades a requisitar livros para o fim-de-semana, se bem que a sexta-feira à noite começava com uma aula de ginástica ou um jogo de futebol nos terrenos da universidade. Sim, eram alunos de letras mas fazem desporto na universidade. Longe vão os tempos em que Raul Miguel Rosado Fernandes, homem das letras clássicas, à frente de um grupo da Faculdade de Letras de Lisboa, se sagrou campeão nacional de remo, derrotando inclusive a equipa da Escola Naval. Quem quiser comparar os alunos da época com os de hoje, há-de perceber como eles se tornaram menos leitores, menos saudáveis e mais doentios.

Em Portugal inventamos muitas desculpas e desvalorizamos os relatórios que dão conta da preguiça congénita dos nossos universitários. As excepções, valiosas, têm o aspecto de uma explosão que há-de ser contrariada pelo ambiente da própria universidade corredores sujos, grafitis nas paredes, os poucos relvados desertos, as bibliotecas pouco utilizadas para investigar. Contei isto a alguns amigos. Falei-lhes do sistema de empréstimo de livros, do ritmo de leitura, das livrarias cheias no centro de Providence, das actividades extracurriculares, do facto de os alunos dos estudos Portugueses e Brasileiros terem lido Eça (3 a 4 livros), Camilo, Machado, Cesário, Camões e de saberem bastante de literatura portuguesa e brasileira contemporânea (não "por ouvir dizer" mas por "ler"). E de os debates nas aulas serem aguerridos, ricos, mostrando leitura e preparação. Disseram-me que eu estava muito americanizado embora eu me limitasse a mostrar-lhes os resultados do inquérito sobre a Universidade de Coimbra, onde se vê - como escrevi - o retrato da miséria escolar e da miséria cultural.

Basta comparar. Basta estar atento. Basta ler os sinais desta pobre falta de curiosidade portuguesa. Pobre país que tanto precisa de punir a pequena "nomenklatura" preguiçosa.
 
Francisco José Viegas,in. "Jornal de Notícias", 5 de Março de 2007
publicado por rolandoa às 10:53

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Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Conhecimento e contacto

Contacto e descrição
Uma distinção na maneira como conhecemos as coisas, salientada por Russell; veio a constituir um elemento central da sua filosofia depois da descoberta da teoria das descrições definidas. Conhece-se uma coisa por contacto quando há experiência directa dela. Conhece-se uma coisa por descrição se ela apenas puder ser descrita como algo que tem certas propriedades. Informalmente, pode dizer-se que eu conheço a minha esposa e os meus filhos por contacto, mas que conheço alguém como «a primeira pessoa nascida no mar alto» apenas por descrição. No entanto, um conjunto de motivos levou Russell a restringir o domínio de coisas que podem ser conhecidas por contacto, até que, por fim, incluiu nesse domínio apenas as experiências imediatas, talvez o meu próprio eu e certos universais ou significados. Tudo o mais é conhecido como a coisa que tem tais e tais qualidades.
Simon Blackburn, Dicionário de Filosofia, Gradiva, p.83
 
Conhecimento
Os verbos conhecer e saber são sinónimos e costumam ser utilizados de três maneiras diferentes. Na frase «A Ana sabe nadar», o termo «sabe» serve para atribuir à Ana uma determinada competência ou capacidade; por sua vez, na frase, «A Ana conhece o primeiro ministro» o termo «conhece» significa que a Ana é capaz de identificar alguém (ou algo), ou também pode significar que ela tem ou teve algum tipo de contacto com essa pessoa (ou coisa); finalmente, na frase «A Ana sabe que Paris é a capital de França», o que se afirma que a Ana sabe é algo que tanto pode ser verdadeiro como falso. Neste último caso, o que vem a seguir a «sabe que» é uma outra frase que exprime uma proposição. Este é o sentido proposicional de «conhecer», que é objecto de estudo da epistemologia.
 
VA ,(org. Aires Almeida), Dicionário Escolar de Filosofia, Plátano Editora, p.42
publicado por rolandoa às 23:32

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Sábado, 3 de Março de 2007

A reforma na educação pode ser divertida

A democratização do saber conduziu a que se sentisse a necessidade de divulgar a ciência e o saber em geral. A teoria do génio isolado foi já ultrapassada. O saber faz-se em comunidade e mais vale cooperar do que ser egoísta. Quer isto significar que a via mais eficaz para esta cooperação é começar pela e na educação a despertar os mais jovens para o saber, conhecimento e ciência. O Plano Nacional de Leitura, uma das políticas do governo português em matéria de educação, apresenta anúncios televisivos nos quais se alerta que a iliteracia é a principal porta para a exclusão social. Na verdade todos os caminhos vão lá parar, apesar de chocante, o anúncio televisivo revela uma verdade irrefutável nos dias que correm. Alguns, muito poucos ainda, professores universitários, sabem disto. Carlos Buesco, Nuno Crato ou Carlos Fiolhais, cientistas e investigadores, professores no ensino superior português dão passos muito importantes no sentido de ir ao encontro do público em geral. No caso da filosofia temos, para já, Desidério Murcho e pouco mais. Este é um trabalho que ainda está por fazer no nosso país e é a reforma que o sistema educativo necessita, mesmo antes de resolver os problemas profissionais dos professores. Precisamos, em Portugal, de boas obras, escritas de forma clara e que possam apresentar aos iniciados (e professores também) as teorias da ciência e os problemas da filosofia. E tal pode ser feito de modo divertido, como Carlos Fiolhais faz com este feliz regresso à Física Divertida, pela mão da Gradiva. A característica que Fiolhais atribui à física, que ela é divertida, é extensível a todos os ramos da ciência e à filosofia. É até muito mais divertida do que alguma vez sonhamos. E este tipo de edições, mesmo em termos comerciais, tem uma dupla vantagem: vendem bem e dão a possibilidade das editoras depois publicarem trabalhos mais especializados e exigentes.
O Plano Nacional de Leitura deveria atravessar este ponto: é importante ler, sem dúvida, mas é necessário ter para ler em quantidade e qualidade. Como queremos ler se só tivermos disponíveis obras de tratamento difícil? Que será de um jovem de 15 anos se quiser começar a aprender os problemas da filosofia começando por ler um parágrafo da Fenomenologia do Espírito de Hegel? Provavelmente esse passo é a condenação à morte da filosofia para esse jovem. O livro de Fiolhais é prova disto mesmo. É claro, competente e sabe, de forma divertida introduzir o neófito em duas teorias centrais da física para o sec. XXI, a física quântica e a teoria da relatividade. E o trabalho de Fiolhais é um exemplo para os seus colegas das universidades, desde a filosofia à biologia, a química à antropologia e história, matemática, etc… É precisamente isto que vemos acontecer com especialistas em diversas áreas em alguns países estrangeiros, precisamente aqueles onde existe mais ciência, mais conhecimento e mais filosofia. Se o saber e o conhecimento não puder ser divulgado desta forma, nesse caso, só nos resta esperar por uma experiência religiosa: que deus nos abençoe com conhecimento e sabedoria genial para fazermos o mundo avançar! Na pior das hipóteses (aquela que já acontece), temos de importar tudo até que a nossa iliteracia nos torne absolutamente dependentes e miseráveis.
 
Rolando Almeida
Carlos Fiolhais, Nova Física Divertida, Gradiva, 2006
publicado por rolandoa às 19:24

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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

PETIÇÃO NACIONAL DE FILOSOFIA

Está aberto, desde 1 de Março de 2007, o período de subscrição pública de uma Petição dirigida à Senhora Ministra da Educação, cujo conteúdo fundamental consiste nas duas seguintes pretensões:

1. A reintrodução, nos Cursos Científico-Humanísticos de nível secundário de educação, do exame final nacional de Filosofia (10.º/11.º anos), simultaneamente para efeitos de aprovação e de ingresso no Ensino Superior nos cursos que o requeiram.

2. O alargamento da oferta da disciplina de Filosofia A do 12.º ano, como opção da componente de formação específica, a todos os Cursos Científico-Humanísticos.

Para mais informações, nomeadamente sobre as formas de subscrição desta Petição, queira, por favor, consultar a página
http://www.spfil.pt/peticao.html.
publicado por rolandoa às 10:41

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Quinta-feira, 1 de Março de 2007

Da Verdade

O que é que é a verdade e qual a sua importância? Quais as condições necessárias e suficientes para pensar a verdade? Harry Frankfurt já fez a mesma reflexão em relação à treta( Da Treta, ed Portuguesa Livros da Areia Editores, 2006). Parece que a nossa cultura possui uma devoção muito maior à treta que à verdade. Porque é que isto acontece? O verdadeiro e o falso são categorias significativas? E como usamos a verdade?
Harry Frankfurt (1929), conhecido filósofo moral e especialista no racionalismo do século XVII, foi professor de filosofia na universidade de Princeton (EUA), procura responder a estas questões num livro que constitui, além do mais, uma edição muito bonita. Entre nós temos a tradução de On Bullshit que chegou a nº1 de best sellers do New York Times, o que prova o interesse generalizado pela filosofia em países como os EUA ou Inglaterra. A tradução de obras deste género, de divulgação da filosofia a um público mais geral escritas pelos especialistas, numa linguagem clara e acessível, em tudo beneficia a filosofia, mostrado as suas possibilidades não só para campos específicos de especialização, bem como no mundo da economia cultural, dos negócios e das urgências mais quotidianas e práticas. Fazer este trabalho é uma prática ainda pouco comum no nosso país, sendo que, ainda assim, o ano de 2006 nos prendou com a preciosa edição do livro de Desidério Murcho, Pensar Outra vez, filosofia, valor e verdade, ed. Quasi, a partir do qual, o público português pode descobrir o quanto a filosofia é importante nos dias de hoje, a sua pertinência na nossa vida quotidiana e o seu valor intrínseco. Por enquanto vamos sonhando que temos um livro de filosofia em Portugal como best seller. E tal é possível se o saber se despir de preconceitos.
Rolando Almeida
Harry Frankfurt, On Truth, Alfred A. Knopf, New York, 2006
publicado por rolandoa às 01:10

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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