Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007

Relato de uma experiência na sala de aula com manuais

Hoje fiz uma experiência com manuais na sala de aula. Queria saber qual o manual pelo qual os alunos aprendem melhor. Como é uma turma pequena do 11.º ano, dividi-a em dois grupos de trabalho e pedi que lessem e explicassem em que consiste o argumento da regressão infinita e qual a sua relação com o fundacionismo. No grupo 1 coloquei os alunos a trabalhar com o manual adoptado na escola na qual lecciono, de Luís Rodrigues, Júlio Sameiro e Álvaro Nunes, Plátano Editora. No grupo 2 coloquei os alunos a trabalhar com o Arte de Pensar, Didáctica Editora. Os resultados foram impressionantemente diferentes. Os alunos do grupo 2, que trabalharam com o Arte apresentaram as noções e teorias de forma clara e objectiva, ao passo que os alunos do grupo 1 baralharam as noções e apresentaram as teorias com maiores limitações.
Não pretendo desconsiderar o bom trabalho que Luís Rodrigues, Júlio Sameiro e Álvaro Nunes desenvolveram com o seu manual, mas esta pequena experiência leva-me a concluir que o Arte é um manual didacticamente muito acertado.
Faço o convite aos colegas que repitam esta minha experiência e que tirem as suas conclusões.
Para terminar deixo somente um caso:
No manual de L. Rodrigues, J. Sameiro e A. Nunes, página 200, a distinção entre crença básica e não aparece assim:
 
Crenças fundacionais: crenças justificadas independentemente da sua relação com outras crenças (crenças não inferencialmente justificadas);
 
Crenças não fundacionais: crenças justificadas por intermédio da sua relação com as crenças fundacionais (crenças inferencialmente justificadas).
 
Referindo-se à mesma distinção, o Arte apresenta assim, página 116:
 
A crença é básica se não é justificada por outras crenças.
A crença é não básica se é justificada por outras crenças.
 
Este é um pequeno exemplo das diferenças de linguagem que, no caso, entre dois manuais que considero bons para o professor, para os alunos, um é melhor que o outro. Concluo que a diferença é de linguagem e didáctica porque, em rigor de compreensão de conceitos, não se perde uma pitada.
 
No final foram os alunos que atestaram que aprenderam melhor pelo Arte de Pensar.
 
 
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 20:55

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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

ZarcoSofia em divulgação na Rádio

ZarcoSofia em divulgação na Rádio
Rádio Jornal da Madeira, 88.1 FM., no dia 27-01-2007.

Ouvir em:

http://www01.madeira-edu.pt/estabensino/ebsgz/NOTICIAS/zarcosofiaentrevista.htm

Agradeço a colaboração gentil da aluna Clara Jasmins, 11º 1, por ter gravado a entrevista.

Agradeço ao colega, Professor Vitório pelo excelente trabalho no site da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco. Agradeço ainda à Rádio Jornal da Madeira e à Jornalista Jacinta Rodrigues pela oportunidade dada.

No próximo Sábado ouviremos a parte mais longa da entrevista.

publicado por rolandoa às 23:56

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Domingo, 28 de Janeiro de 2007

Reflexão Crítica. porquê?

Criámos uma civilização global na qual os elementos fundamentais - os transportes, as comunicações e todas as outras indústrias, a agricultura,a medicina, a educação, as diversões, a protecção do meio ambiente e até a instituição democrática fundamental das eleições - dependem profundamente da ciência e da tecnologia. Também dispusemos as coisas de tal modo que quase ninguém compreende a ciência e a tecnologia. Isto é uma receita para a catástrofe. Podemos continuar durante algum tempo, mas, mais cedo ou mais tarde, esta mistura explosiva de ignorância e de poder vai rebentar-nos na cara.

Carl Sagan

publicado por rolandoa às 23:23

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Os perigos do pensamento mágico e pseudociência

Há todos os tipos de pseudociência. Estes simulam usar os métodos e as descobertas da ciência, quando, na realidade, são desleais para com a sua natureza – muitas vezes porque se baseiam em provas insuficientes ou ignoram pistas que apontam noutro sentido. Jogam com a credulidade. Com a cooperação desinformada (e muitas vezes com a conivência cínica) de jornais, revistas, editores, rádio, televisão, produtores cinematográficos e outros, tais ideias são fáceis de generalizar. Muito mais difíceis de abordar (…) são as descobertas da ciência, mais surpreendentes, mas que representam um maior desafio.
      A pseudociência é mais fácil de forjar do que a ciência, pois os confrontos com a realidade – quando não podemos controlar o desfecho da comparação – são mais fáceis de evitar. Os padrões da argumentação, que passam por provas, são muito menos rígidos. Em parte pelas mesmas razões, é muito mais fácil apresentar a pseudociência ao público comum do que a ciência. Mas isto não basta para explicar a sua popularidade.
     É natural que as pessoas experimentem vários sistemas de crença para verem o que mais convém para as ajudar. E, se estivermos muito desesperados, dispomo-nos a abandonar o que pode ser considerado o fardo pesado do cepticismo. A pseudociência dirige-se a necessidades emocionais fortíssimas que a ciência muitas vezes deixa sem resposta. Fornece fantasias sobre poderes pessoais que não temos e que desejamos possuir (como os que, nos nossos dias, são atribuídos aos super heróis das histórias aos quadradinhos e antigamente eram atribuídos aos deuses). Em algumas das suas manifestações oferece a satisfação da fome espiritual, curas para doenças, promessas de que a morte não é o fim. Tranquiliza-nos, garantindo que ocupamos um lugar central e importante no cosmo. Assegura-nos de que estamos indissoluvelmente ligados ao universo. Por vezes é uma espécie de albergue a meio caminho entre a antiga religião e a nova ciência, olhada por ambas com desconfiança.
 
Carl Sagan, Um mundo infestado de demónios, Gradiva, 2002, p.29
publicado por rolandoa às 14:10

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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

ZarcoSofia em divulgação na Rádio! Este Sábado

ZarcoSofia, a Revista, a Biblioteca On-line, a Filosofia para Crianças, em divulgação, este Sábado, entre as 9:30 e as 10:00h, na Rádio Jornal da Madeira, 88.8 FM.

A jornalista Jacinta Rodrigues questiona Rolando Almeida sobre as actividades da Zarcosofia.

publicado por rolandoa às 15:22

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A biografia de uma especulação científica

Normalmente designa-se por especulação algo com que não se concorda, pelo que se poderia pensar que a especulação não tem qualquer papel a desempenhar em ciência. Na verdade, dá-se exactamente o contrário. Em física teórica, e especialmente no meu ramo, a cosmologia, passamos a maior parte do tempo a tentar descobrir falhas nas teorias que já existem, bem como a analisar novas teorias especulativas que porventura permitam descrever tão bem ou melhor que as anteriores os dados experimentais. Pagam-nos para duvidar de tudo o que os outros propuseram antes, para propormos nós próprios alternativas ousadas e para discutirmos interminavelmente entre nós.

(…)

Especular é imensamente divertido, especialmente quando, ao fim de muita discussão e de termos convencido todos os que nos rodeiam da correcção do que afirmámos, de súbito nos damos conta de que há uma qualquer falha embaraçosamente simples que invalida a nossa especulação e de que estivemos por isso a induzir toda a gente em erro durante uma hora – ou vice versa: que nos deixámos levar como crianças por outra pessoa cuja especulação era igualmente inválida

 

João Magueijo, Mais rápido que a luz, a biografia de uma especulação científica, Gradiva, 2004, p.8-9

 

 

Prémio de Tradução Científica e Técnica em Língua Portuguesa FCT/União Latina 2004

 

publicado por rolandoa às 01:12

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Sábado, 20 de Janeiro de 2007

Informação - 200 Visitas

     Como já repararam coloquei recentemente um contador de visitas no meu blog. Está colocado faz mais ou menos duas semanas. Contando que as minhas entradas no blog não são marcadas no contador, apesar de ter cometido a aldrabice de começar pelo número 1000, verifico que o blog conta já com mais de 200 visitas, o que, para mim, autor do blog, é número muito elevado. A Internet tem esta possibilidade. Ainda assim queria aqui, na primeira pessoa esclarecer um ou outro ponto. Como professor de filosofia do ensino secundário público, entendo que devo divulgar a filosofia e a ciência aos meus alunos. Nunca fui filósofo ou especialista em qualquer matéria. Tenho uma formação base e, quando terminei o meu curso, logo percebi que o mesmo somente tinha constituído uma porta de entrada para uma investigação que duraria a vida inteira, pelo menos enquanto a saúde e lucidez o permitir. O blog é um substituto dos meus antigos blocos de apontamentos que transportava na pasta para as minhas aulas, com dezenas de citações de obras que fui lendo ou pequenas considerações pessoais, sempre que me atrevia a objectar as posições de um filósofo. Recordo que sempre objectei o argumento fundacionista de René Descartes na justificação do ente perfeito que é deus. O blog começou pela curiosidade em, pura e simplesmente, fazer um blog. Quando o fiz, pensei o que nele iria abordar. Música? Literatura? Resolvi que o blog era algo mais que o meu bloco de apontamentos, uma forma de comunicar mais extensa, mesmo para além da sala de aula. Resolvi na altura desafiar um problema: a ética aplicada, fruto das minhas leituras há um ano atrás. Esse foi, aliás, o post inicial. Hoje, o blog, está mais além da ética e pode passar pela filosofia política, estética ou lógica. Passei a assumir que o blog pode ter uma finalidade mais profissional, a da divulgação da filosofia, principalmente, aos meus alunos e todos os alunos de filosofia de nível secundário. Por esta razão principal o blog não é propriamente um espaço de discussão pública dos argumentos dos filósofos, mas mais um espaço em que divulgo a bibliografia que me vou dando conta com interesse para a prática profissional de um professor e para a curiosidade de um jovem de 15 ou 16 anos. Entretanto tenho a honra de ter publicado já um ou outro artigo mais sofisticado, como o caso dos artigos de José Caselas que amavelmente deu um precioso contributo ao enviar-me os seus textos para publicação, assumindo leituras personalizadas sobre os problemas filosóficos de seu interesse e que possam vir a interessar os demais. Um número de visitas superior a 200 não é razão para qualquer celebração, mas é força para maiores investimentos na divulgação da filosofia ao nível do ensino secundário.      Motivado por este número inicio-me na construção de um sítio web e dei um prazo até final do ano de 2007 para, sozinho, poder apresentar um. A vantagem do sítio web em relação ao blog é que poderei melhor organizar o arquivo e poderei apostar em artigos mais extensos e personalizados. A intenção é sempre a mesma: divulgar a filosofia a alunos do secundário, mostrá-la de forma clara e atractiva e, sempre que possível, publicar os seus primeiros ensaios de filosofia. Continuarei, como sempre, a divulgar os livros que compro e leio. Esta é, creio, a melhor regra do blog, não divulgo livros que não leio. Todos os livros divulgados estão na minha biblioteca pessoal.

     Claro que todo o trabalho tornado público está sujeito à crítica e ela é desejável desde que tenha sempre um enquadramento racional e argumentativo. Recentemente publiquei um pequeno texto pessoal sobre o manual escolar, A Arte de Pensar. E fi-lo pelas razões expostas e que aqui, mais uma vez, sublinho: estou em crer que o Arte constitui um primeiro passo para uma nova forma de olhar a concepção dos manuais escolares de filosofia do ensino secundário.

     O melhor reconhecimento do blog é que os alunos e interessados possam visitá-lo. Para tal ganhei um incentivo pessoal: tenho de ler ainda mais, interessar-me, talvez, por problemas mais diversificados. Mas igualmente importante é o reconhecimento institucional e ele acontece pela ligação feita a partir da página da Sociedade Portuguesa de Filosofia (ver ligações: http://www.spfil.pt/) e pela Crítica (www.criticanarede.com), que é o maior arquivo português de filosofia on line. Um reconhecimento que agradeço e procuro retribuir com a divulgação que a filosofia merece e com o meu trabalho.

     Finalmente, após mais ou menos um ano de actividade do blog, agradeço a todos aqueles que o visitam, que me escrevem a pedir uma ou outra sugestão de leitura a partir dos posts e faço um convite à participação de todos.

     Todos os erros e imperfeições são da minha responsabilidade.

Rolando Almeida

publicado por rolandoa às 14:13

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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Arte de Pensar, um manual diferente e inovador

O Arte de Pensar (AdP) chega às nossas mãos, professores e alunos, como uma clara revolução na forma como se concebem e escrevem manuais escolares.  Tantas vezes ouvimos falar em excelência na educação com reformas afins, sem que se vejam resultados práticos dignos de registo. Talvez isto aconteça porque se pretende implementar reformas no sistema educativo, sem que essas reformas impliquem esforço, trabalho ou novas orientações e modelos didácticos. E assim andamos numa ilusão de mudança contrariada pelos maus resultados obtidos junto dos nossos congéneres europeus.

O AdP é a prova de que a mudança no sistema educativo e a viragem nos nossos maus resultados passa inevitavelmente por fazer bons programas e melhores manuais. Se a preocupação é a de que os nossos alunos aprendam com gosto e rigor, é nos conteúdos do que lhes queremos ensinar que devemos começar por mexer. E mexer bem para não andar sempre a mexer!

Por vezes passa-se a ideia de que exigência é ensinar conteúdos muito difíceis. Mas o critério da exigência está ligado ao didáctico. O AdP é um manual exigente porque é cientificamente acertado, rigoroso e actual, propondo nomes e problemas da investigação filosófica que se faz hoje em dia. Mas não se pense que o AdP expõe o que os outros pensaram de modo históricista e nada mais. Pelo contrário, o AdP é um laboratório vivo de filosofia. Por ele e com ele, o aluno aprende a pensar porque é sistematicamente confrontado com as teorias e problemas da filosofia. Não é de estranhar que um manual desta natureza acabe por criar algumas resistências iniciais. Ele é claramente inovador do ponto de vista didáctico e ainda não possui qualquer concorrente directo, ainda que outros já se aproximem deste modelo, mas ainda muito entre a “velha guarda” e a “nova vaga”. Na verdade a maior novidade no AdP é que, com ele, ensinamos de facto os nossos alunos a pensar. Depois, porque o manual é muito pragmático em todos os sentidos, bem escrito e filosoficamente rico, eliminando as arbitrariedades e incoerências habituais, além de que, a concepção gráfica (da responsabilidade dos autores) é uma lição final para quem faz manuais. As imagens são adequadas e pertinentes e está longe do folclore a que as editoras nos vem habituando nos últimos anos. O AdP é intuitivamente compreensível em todos os sentidos. Se o rosto é a expressão da alma, no caso, é-o mesmo, ele é leve, fácil de transportar e está lá tudo o que o estudante jovem de filosofia necessita para um bom estudo nas aulas. Além do mais, o AdP respeita a tradição filosófica.

Claro está que para apreciar em definitivo as potencialidades de um manual é necessário experimentá-lo em sala de aula. Com efeito, quando li pela primeira vez o AdP percebi que é uma novidade na forma como se concebe um manual de filosofia e tanta resistência só acontece porque é preciso tempo e esforço para que o professor se aperceba das potencialidades curriculares do AdP.

Claro está que o AdP deve possuir as suas limitações (que eu não encontro com facilidade), mas é inegável a sua forma inovadora para o ensino da filosofia. Penso até que pode ser exemplo para outras disciplinas.

Um pequeno exemplo. No capítulo 4 do Arte 11, Estrutura do acto de conhecer, para explicar a constituição de crença no conhecimento, encontramos (p.97):

 

«Imagine-se que a professora de matemática do João lhe perguntava qual a raiz quadrada de quatro. Imagine-se que ele achava que era dois, mas não tinha a certeza. Será que ele sabia qual é a raiz quadrada de quatro ou será que apenas teve sorte ao acertar na resposta? Para haver conhecimento uma pessoa não pode apenas ter sorte em acreditar no que é efectivamente verdade; tem de haver algo mais que distinga conhecimento da mera crença verdadeira. Para haver conhecimento, aquilo em que acreditamos tem de ser verdade, mas podemos acreditar em coisas  verdadeiras  sem saber realmente que são verdadeiras. Portanto, nem todas as crenças verdadeiras são conhecimento. Por outras palavras:

 

A crença verdadeira não é suficiente para o conhecimento. »

 

Antes desta explicação, os autores do manual escreveram um pequeno diálogo onde o problema é apresentado para, no final, incluir o texto de Platão onde o problema do conhecimento como Crença Verdadeira Justificada é apresentado, e  finalizar ainda com a contra argumentação de Gettier. E o AdP está cheio desta felicidade que é aprender filosofia com rigor, método, numa linguagem clara, sem os terror verbal que por vezes é cultivado na filosofia. Só lamento uma coisa: não poder voltar a ser aluno para começar a dar os meus primeiros passos na filosofia com o Arde de Pensar.

Parabéns aos autores. São responsáveis pela excelência no ensino da filosofia.

Este é um manual que merece estar ao lado dos nossos melhores livros.

O manual é publicado com o apoio do Centro para o Ensino da Filosofia da Sociedade Portuguesa de Filosofia.

 

 

Aires Almeida, Célia Teixeira, Desidério Murcho, Paula Mateus, Pedro Galvão, Arte de Pensar 10 e 11, Didáctica Editora, 2004


 

Rolando Almeida

 Este texto foi também publicado em:

 http://www.didacticaeditora.pt/arte_de_pensar/

 

 

publicado por rolandoa às 10:04

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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007

Curiosidade Apaixonada

Porque fazemos distinções entre ciências naturais ou exactas e ciências humanas? Faz sentido esta divisão? Que dizer, então, de um filósofo como Descartes que, além de filósofo, foi matemático? Ou de Kant que foi cientista e astrónomo? Será o conhecimento assim tão dividido?

Carlos Fiolhais, físico português da Universidade de Coimbra, refere que entre letras e ciências existe a lua pelo meio. Este é, na verdade o ímpeto para compreendermos que o conhecimento é curiosidade apaixonada. É por essa razão que o livro com título inspirado em Einstein, aborda experiências que vão da literatura às viagens, cinema e peças de teatro. O livro recolhe várias crónicas e ensaios que estavam “avulsas” nas páginas do jornal portuense Primeiro de Janeiro.

Mas a curiosidade apaixonada, por vezes, como no caso português, possui obstáculos institucionais indesejáveis. Por essa razão o autor discorre também sobre o estado da educação em Portugal e os nossos maus resultados face aos restantes países europeus.

Mais que uma reflexão, trata-se do relato de uma experiência de vida, movida por uma curiosidade apaixonada. E não existe conhecimento sem filo-sofia, amor pelo saber, curiosidade apaixonada.

 

Carlos Fiolhais, Curiosidade Apaixonada, Gradiva, 2005

 

Rolando Almeida

publicado por rolandoa às 00:37

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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2007

Ensaio sobre os direitos dos animais

Segundo Peter Singer, todos os seres sencientes têm interesses morais e consequentemente direitos. Uma vez que os animais não humanos têm a capacidade de sentir dor e prazer e a percepção do que os rodeia, então estes têm direitos tal como a espécie humana.

Assim pertencemos todos, humanos e animais não humanos, a uma comunidade moral onde os interesses de uma espécie não são mais importantes que os da outra espécie. Tom Regan apresenta uma distinção entre as espécies, uma vez que os primeiros são capazes de aplicar princípios morais e por isso denomina-os de agentes morais, enquanto que os segundos, em conjunto com os humanos com algum atraso, são caracterizados por pacientes morais.

Aqui surgem as complicações, visto que todos os anos são mortos biliões de animais para fins alimentares, e outros tantos milhões para experiências ligadas à medicina ou cosmética, já para não falar no uso de peles para vestuário.

Peter Singer afirma que sacrificamos os interesses mais importantes de outros seres, neste caso a sua própria vida, de modo a satisfazer interesses menores da nossa espécie.

A minha posição em relação a esta temática é semelhante à destes dois autores, embora com algumas alterações que passo a explicar:

Faz parte do equilíbrio do planeta a existência de cadeias alimentares de vários tipos.

O Homem é por excelência um ser omnívoro e por isso come carne, vegetais, frutos, cereais e outros tantos produtos que a natureza oferece. Não é possível negar que isto causa sofrimento nos animais que são mortos para saciar a nossa fome, mas por exemplo, um animal como o leão mata uma corça para se alimentar e esta também sofre. Simplesmente ninguém “teima” com o leão para deixar de ser carnívoro e substituir a corça por uns rebentos de soja ou alfaces. É óbvio que este é um exagero, já que o leão não tem capacidade de aplicar princípios morais. No entanto, serve para explicar que se os animais forem mortos apenas consoante as necessidades alimentares do Homem, o planeta permanece em equilíbrio. Uma vez que não se trata apenas de uma questão de respeito pelos direitos dos animais, mas sim do que chamamos de luta pela sobrevivência.

As experiências em laboratório ligadas a descobertas medicinais podem ser moralmente correctas se aplicarmos um princípio de John Stuart Mill que diz “o maior bem para o maior número de pessoas”. Neste caso, estas descobertas podem ser úteis não só para os humanos como também para outras espécies que são atacadas pelo mesmo vírus ou bactéria, ou seja, sacrifica-se um animal para salvar muitos mais.

Relativamente às experiências ligadas à cosmética e afins, concordo com Peter Singer e Tom Regan, uma vez que se tratam de interesses humanos extremamente secundários, além de que existem já soluções alternativas para efectuar estes testes.

O sacrifício de animais para o uso da sua pele em vestuário é para mim um acto de crueldade extrema, porque existem muitas outras opções de material como por exemplo o algodão ou o linho, que são produtos vegetais e que podem perfeitamente ser utilizados para este fim com a vantagem de poderem ser extraídos sem consequências para a planta. No caso do algodoeiro, este não morre por se retirar a sua flor e, no caso do linho, este só é utilizado após a morte “natural” da planta.

O uso de animais para entretenimento é simplesmente um desrespeito autêntico à dignidade do animal e uma directa manifestação de especismo, já que o objectivo é mostrar a pseudo-superioridade do Homem em relação ao animal.

Posto isto, defendo que os animais devem usufruir de direitos como os humanos, embora respeitando a lei da natureza no que toca às cadeias alimentares e, seguindo uma ética utilitarista implementada por Stuart Mill, as experiências para fins medicinais podem ser moralmente correctas, desde que se mantenha a dignidade dos animais e se assegure condições para reduzir ao máximo o seu sofrimento.

 

Bibliografia:

 

RODRIGUES, Luís; SAMEIRO, Júlio; NUNES, Álvaro, Filosofia 11º Ano, Plátano Editora, 3ª Edição, Junho 2005, pp. 286-293

 

Ensaio elaborado por:

Clara Jasmins

Nº5     11º1 - Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco - 2007

publicado por rolandoa às 01:28

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Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007

O mais útil de 2006!

No tópico anterior pretendi revelar o livro de filosofia escrito por um português que não deveria cair em esquecimento. Neste tópico pretendo mostrar o livro de filosofia mais útil também publicado em 2006.
Textos e Problemas de Filosofia, organizado por Aires Almeida e Desidério Murcho, edição Plátano, 2006, é útil a vários níveis, quer para professores, quer para alunos ou até público em geral interessado em conhecer os principais problemas de que se ocupa a filosofia, sendo que é com obras desta natureza que enriquecemos o ensino de uma disciplina.
Em Setembro de 2005 o Ministério da Educação homologou o documento Orientações Para a leccionação do Programa de Filosofia (OLPF), documento que visava harmonizar a nível nacional os conteúdos da disciplina de filosofia para os 10.º e 11.º anos do ensino secundário. Quem conhece o programa da disciplina e o operacionalizou com as OLPF, comparando os dois documentos, programa e OLPF, não pode negar a mais valia das OLPF para a qualidade do ensino da filosofia que vinha a dar consistência à balbúrdia presente no programa da disciplina. As OLPF visaram aquilo que o programa não propõe: conteúdos especificamente filosóficos tocando, para o efeito, os textos e problemas essenciais da filosofia clássica e contemporânea.
     Para além dos clássicos, outros excertos de obras foram traduzidos expressamente para esta obra pela primeira vez em Portugal. As traduções já existentes dos textos clássicos foram todas revistas pelos organizadores. Em cerca de 250 páginas resume-se a biblioteca básica para o professor ou aluno transportar consigo durante os dois anos de ensino obrigatório de filosofia. No livro encontramos os textos centrais em referência nas OLPF, para além de outros tantos que complementam e diversificam o estudo dos diversos problemas filosóficos. Infelizmente o Ministério da Educação parece não ver qualquer sentido onde precisamente ele mais se cultiva para garantia de um ensino de qualidade, que é a tradução e edição de textos adequados e inteligíveis, articulação de conteúdos dos programas, e suspendeu a obrigatoriedade das OLPF em Agosto de 2006, de modo claramente irresponsável. Seria errado afirmar que, dado este acontecimento, a obra Textos e problemas de Filosofia perdeu a sua utilidade. Bem pelo contrário! Apesar da ingenuidade ignorante de quem governa, a questão é que os professores que entretanto contactaram com as OLPF dificilmente as abandonam e a utilidade aparece já não pela via da obrigatoriedade legal, mas pela via da coerência e seriedade do estudo feito com as OLPF e dos autores que o documento propõe (que, curiosamente são os filósofos, coisa que o programa da disciplina inexplicavelmente não propõe – imagine-se o que seria fazer um programa de física em que a proposta é que o professor ensine a lei da física que lhe parecer mais adequada ao contexto? É mais ou menos isto que se passa no programa de filosofia).
     Mas a utilidade deste livro não se fica por aqui. Se ele é útil para o professor, poupando-lhe até alguns esforços, também o é para o estudo e cultura filosófica do aluno.
Numa altura em que o Ministério da Educação pretende higienizar os manuais escolares certificando-os com o selo da qualidade (quando não o consegue fazer com os programas) e, mesmo não sendo o livro aqui em destaque um manual escolar, que diria o organismo público desta obra? Posso sem dificuldade adivinhar a resposta mas, como professor de filosofia no ensino secundário, gostaria de gozar a liberdade de adoptar o Textos e Problemas de Filosofia para os meus alunos. É que a preocupação aqui tem um nome: “Excelência do ensino”. Com qualidade.
 
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 12:14

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Domingo, 7 de Janeiro de 2007

O livro que não deve ser esquecido em 2006

Findo o ano de 2006, eis que surgem as listas, umas mais especializadas que outras, sobre o que de melhor tivemos no plano editorial em 2006. Nas áreas mais específicas o mercado editorial português é muito debilitado. Normalmente as obras mais especializadas acabam por ser vendidas só a meia dúzia de especialistas que, numa boa parte dos casos, nem necessitam delas uma vez que recorrem aos originais, no caso das traduções. Precisamente por essa razão é que é urgente planificar o mercado editorial tendo em vista um público mais alargado. Os especialistas publicam as suas teorias e teses em revistas da especialidade, mas também podem publicar para um público mais alargado cumprindo com a democratização do conhecimento. Esse foi o legado do pioneiro Carl Sagan, no que à ciência respeita. No campo da filosofia este é um terreno marcadamente novo em Portugal, mas muito bem visto em territórios como os de língua francófona, inglesa ou alemã. Publicam-se boas introduções à filosofia, rigorosas e de grande proveito para o público em geral. Esta é também uma tarefa educativa, a de que os especialistas possam ensinar e formar os menos especialistas, desvendando-lhe os segredos das suas áreas, despertando assim interesses nos leitores que, de outro modo, dificilmente teriam acesso. É o que acontece com o livro de Desidério Murcho, Pensar outra vez, Filosofia, valor e verdade, ed. Quasi, Janeiro de 2006. De um modo muito rigoroso e informativo o autor revê alguns ensaios anteriormente redigidos e colige-os neste livro revestindo-os de interesse e actualidade. O problema do relativismo, da incerteza, sentido da vida, direitos dos animais não humanos, importância da argumentação na nossa sociedade, são temas discutidos amplamente nos circuitos mais especializados em departamentos altamente sofisticados de filosofia em diversas universidades e Desidério Murcho fá-los “descer à rua”, revelando-os matéria da preocupação de todos. A um determinado nível também os problemas da física ou da matemática são problemas de todos os seres humanos, porque não o mesmo para os problemas da filosofia?
Este é o melhor livro de filosofia escrito e pensado por um autor português no ano de 2006 e lamentável é que seja ainda um caso algo isolado. O saber em geral faz sentido se tiver importância na vida das pessoas. A sua solidificação só é possível numa sociedade culta e a possibilidade de uma sociedade culta é precisamente a de poder comunicar esse saber e não fechá-lo em copas, erro do passado que não vale mais a pena repetir, sob pena de condenarmos o próprio saber e revelá-lo sem interesse para a vida mais comum.
A filosofia é de todos e a todos pertence. Venham mais livros assim em 2007.
 
Rolando Almeida
 
Desidério Murcho, Pensar outra vez, Filosofia, Valor e Verdade, Ed. Quasi, 2006
publicado por rolandoa às 15:18

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Sábado, 6 de Janeiro de 2007

Espíritos Curiosos, Como uma criança se torna cientista

John Brockman organizou este fantástico volume com depoimentos de nomes sonantes da ciência e conhecimento, sobre como os mesmos despertaram para a ciência. Trata-se de um livro curiosíssimo no qual os cientistas, pela mão do organizador, relatam algo das suas vidas pessoais e procuram as razões que os conduziram à ciência e ao saber. Ao contrário do que possamos pensar, o primeiro encontro com a ciência não obedece a regras muito estritas. Se alguns homens de conhecimento começaram a sua aventura pelas leituras, outros tiveram até bastantes resistência que foram superando com o passar dos anos e com a persistência habitual nestas coisas. O filósofo escolhido pelo organizador para contar a sua aventura de homem do conhecimento, Daniel C. Dennett, começa o seu relato desta forma: “Tive muitas aventuras quando era criança, mas nenhuma que me preparasse para uma vida no limiar da ciência”.
Trata-se de um livro muito interessante, especialmente para jovens estudantes do secundário e do ensino superior. Passamos a compreender melhor que as nossas vidas comuns são, em absoluto, compatíveis com o universo da criação e investigação científica. Na maior parte das vezes só nos falta o impulso inicial, tal como ler um bom livro, como o que aqui apresento.
Resta deixar a indicação que se trata de um belíssima edição e a um preço acessível, tal como a Gradiva nos tem habituado.
Rolando Almeida
 
John Brockman (org.), Espíritos Curiosos, Como uma criança se torna cientista, Gradiva, 2006
publicado por rolandoa às 15:08

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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2007

ZarcoSofia - Revista de Filosofia da E. Gonçalves Zarco - Funchal

Aguarda-se para breve a publicação do primeiro número da Revista ZarcoSofia, a revista de Filosofia da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco. Em pré edição deste primeiro número, deixo aqui o editorial.
ZarcoSofia
REVISTA DE FILOSOFIA
Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco. Grupo de Filosofia. Ano Lectivo 2006/2007. Edição nº 1 – Janeiro de 2007

 

Editorial
 
Gostaríamos de iniciar o primeiro número da Revista de Filosofia – ZARCOSOFIA , da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, organizada pelo Grupo de Filosofia, agradecendo a participação activa dos alunos das turmas:11º2, 4, 5 e 12º7.
Sem a sua colaboração a nossa revista não ficaria tão completa.
A cultura, a filosofia e a arte só serão realmente importantes se forem entendidas pelo homem comum. È nisso que acreditamos e empenhamo-nos por orientar a nossa prática lectiva sob este lema.
Esperamos que continuem a apostar na colaboração da revista e apelar para outras colaborações, que serão sempre bem vindas.
Um agradecimento muito especial ao Conselho Executivo por acreditar no Projecto “Filosofia para Crianças”, e aos alunos envolvidos que tanto se dedicaram para o sucesso alcançado na primeira sessão. Parabéns! Valeu o esforço e dedicação. Quando acreditamos em nós, somos capazes de acariciar as estrelas.
Professora Fátima Aveiro
publicado por rolandoa às 00:07

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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2007

A lei de todas as coisas, uma explicação de quase tudo

Fruto da democratização e globalização da comunicação e informação, assistimos no mercado editorial, ao boom de edições de divulgação a um público mais alargado das mais diversas temáticas, incluindo a ciência. Sabemos que a ciência está na ordem do dia e todas as grandes modificações no mundo moderno, a ela se devem. Informar um público mais amplo numa linguagem mais acessível e pouco técnica é uma das ambições de todo o plano educativo. Claro está que todos os dias conhecemos más edições e pouco precisas. Outras mais precisas e outras ainda mais ou menos precisas, mas escritas com bom humor. É o caso da edição datada de Março de 2006 de A lei de todas as coisas, uma explicação de quase tudo, de Richard Robinson, pela Verso da Kapa. Em Portugal este mercado de edições aparece ainda de forma muito modesto, recaindo grande mérito no esforço feito pela Gradiva com a colecção pioneira Ciência Aberta. Outras editoras vão procurando os seus títulos e autores neste mercado que lentamente vai disponibilizando alguns títulos curiosos. Em A lei de todas as coisas, Richard Robinson parte do postulado da lei de Murphy para nos deixar uma mensagem simples, mas altamente útil para as nossas vidas: que 99,9% das coisas que pensamos, vemos e ouvimos estão erradas e que um pouco de ciência nos basta para percebermos isso mesmo. A realidade é assim apresentada como um imenso puzzle, cuja configuração das peças se altera a cada milésimo de segundo, pelo que reconstruir a realidade é um processo moroso e altamente complexo. Como sofremos do comodismo de estacionar nas ideias mais básicas, facilmente perdemos o comboio do movimento e acabámos com ideias completamente erradas sobre o que à nossa volta se passa. O exemplo dos capítulo dedicado aos sentidos é disso prova, fazendo-nos regressar a René Descartes e ao papel da dúvida na construção do conhecimento racional.
Uma das vantagens deste género de leituras é partir de exemplos que nos estão completamente próximos nas nossas vivências, por exemplo, porque é que se segue sempre pelo atalho errado? Porque não nos sai da cabeça aquela música que detestamos? Porque é que, quando se perde alguma coisa, continua a procurá-la, uma série de vezes, no mesmo sítio? E porque será que ela aparece, de repente, no sítio ao qual já foi quatro ou cinco vezes?
O mundo pode ter mudado muito nos últimos milénios, mas os nossos cérebros nem por isso. Será que temos de ficar pela consolação da lei de Murphy?
Richard Robinson, A lei de todas as coisas, Uma explicação para quase tudo, Verso da Kapa, 2006
 
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 15:46

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