Terça-feira, 19 de Setembro de 2006

Livros

 

Mas como se explica que aquela, que trabalha, vai às compras, educa os filhos, guia o carro, ama três homens, vai ao dentista, vai mudar de casa para a semana que vem, arranje tempo para ler, e este casto celibatário que vive de rendimentos, não o consiga?

O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Como aliás o tempo para escrever, ou para amar.)

Roubado a quê?

Digamos que ao dever de viver.

(…)

Tanto o tempo para ler como o tempo para amar dilatam o tempo de viver.

Se encarássemos o amor pela perspectiva do emprego do tempo, o que sucederia? Quem tem tempo para estar apaixonado? No entanto, alguma vez se viu um apaixonado não ter tempo para amar?

(…)

A leitura não resulta da organização do tempo social, ela é como o amor, uma maneira de ser.

A questão que se coloca não é saber se tenho ou não tempo para ler (tempo esse, aliás, que ninguém me dará), mas sim se tenho ou não prazer em ser leitor.

- Tempo para ler? Está no meu bolso.

 

Daniel Pennac, Como Um Romance, Ed Asa, Porto, 2002 , p. 133

 

publicado por rolandoa às 19:52

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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2006

NOTA

Não esquecer de referir a fonte (autor, tradutor) de todo e qualquer texto aqui publicado. É um dever de honestidade intelectual.

Rolando Almeida

publicado por rolandoa às 20:25

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Qualidade de Ensino e Exames

A eliminação dos exames ao longo de décadas é um dos factores causais mais importantes que explicam o actual problema do insucesso escolar. Sem exames nacionais, o professor médio não cumpre os programas nem se esforça por ensinar melhor — porque sem exames ele é o único árbitro em causa própria. Os estudantes, por sua vez, adaptam-se a cada professor, sabendo que toda a avaliação é interna, e não se esforçam nem valorizam o estudo.

Desidério Murcho

A leitura integral deste texto pode ser feita em: http://www.criticanarede.com/

publicado por rolandoa às 19:41

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Sexta-feira, 15 de Setembro de 2006

Fernando Lemos e o Surrealismo na Casa das Mudas - Calheta - Madeira

 

Na casa das Mudas, na Calheta, aqui, na ilha da Madeira, pode ver-se a exposição de fotografia de Fernando Lemos, sob o tema do Surrealismo. Ainda para apreciar o surrealismo enquanto corrente estética e política estética de intervenção, artística e social, podemos ver obras que vão desde Chirico, passando por Max Ernst, Miró, Dali, Magritte, Cesariny, Tristan Tzara, Kurt Schwitters, Marcel Duchamp, Francis Picabia, Man Ray, Marc Chagall, Andre Masson, entre alguns outros que nos oferecem a visão surreal do mundo e da mente.

Bom proveito

Rolando Almeida

 

 

publicado por rolandoa às 18:46

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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2006

Sobre a Avaliação dos Professores

Um dado curioso relativamente à avaliação dos professores é o seguinte: O ministério parte do princípio que se pode avaliar o produto do trabalho de um professor, da mesma forma que se avalia um qualquer produto final industrial, como um par de sapatos. Os defeitos e virtudes do “produto” da educação, não se avalia dessa forma. O que passará a acontecer é que os professores terão de passar a preencher uma série de requisitos profissionais que nada tem a ver com a sua formação científica de base, afinal, aquela que pode diferenciar o trabalho de um professor da tarefa normal de educar para a qual não se exige grande ou nenhuma preparação científica de base. Assim, um professor simpático, de boas relações com alunos, colegas, escola e pais terá muitas maiores possibilidades de êxito do que um professor que possa não reunir este conjunto de qualidades, mas que seja cientificamente competente. O que está em causa é que não existem mecanismos eficazes para se avaliar a qualidade das aulas de cerca de 180 mil docentes a leccionar no país. De modo que teremos uma avaliação fútil e formal, mas com enorme peso nas vidas dos professores. Em conclusão, é muito mais importante ser-se um professor simpático, do que um professor bem preparado. Aqueles que reúnem estas duas capacidades, só terão de enfrentar o bicho papão que é a cultura mental das pessoas nestas coisas do mérito e da capacidade real e objectiva de trabalho de cada um.

Lamento continuar a assistir a opiniões infundadas de gente como Miguel Sousa Tavares e outros preguiçosos que tais, que revelam um desconhecimento profundo do sistema educativo e que se limitam a reivindicar de forma carregada de sentimentalismos uma igualdade de circunstâncias entre sector público e privado*. Para quem, como eu, já trabalhou para o privado em Portugal, bem sabe das enormidades que por lá se passam que em nada beneficiam a educação. De todo o modo, já agora, quando falamos de privado, de que privado estamos a falar? Mesmo aí a realidade é claramente disforme. Conheço imensos exemplos infelizes do ensino privado em Portugal, à excepção, é claro, das escolas consideradas de elite que muito bem formam os seus estudantes, mas em nada contribuem para o bem comum, sendo que, quando falamos de ensino público, pelo menos aí, temos sempre como matriz, o bem comum.

Vamos vivendo os dias assistindo às decisões ad-hoc de um Ministério que não sabe, sequer, justificar os seus princípios. Quando a noção da política se resume a pensar que o bom político não passa de um bom administrador financeiro, estamos, na verdade, a revelar um desconhecimento grave do que é a política enquanto espaço público, tal como Platão muito bem o pretendeu demonstrar na República.

 

 

Rolando Almeida

 

* A este propósito vale a pena ler o pequeno mas magnifico ensaio de Harry Frankfurt, Da treta, Livros de Areia, 2006, no qual o autor expõe muito bem as razões que fazem com que possamos dizer as tretas que nos apetece sem qualquer sentido de responsabilidade pelas afirmações que fazemos.

 

Este Texto pode também ser lido no fórum do Centro Para O Ensino da Filosofia em:  http://www.cef-spf.org/    

 

publicado por rolandoa às 17:39

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Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006

Um ponto de vista comum na reflexão ética

SOBRE LA BONDAD

 

Existirá algo como o saber moral? Existirá o progresso moral?  Estas perguntas não podem ser respondidas a partir da ciência, da religião, da metafísica ou da lógica. A resposta deve provir da nossa própria perspectiva moral.. Com efeito, existem inúmeras verdades modestas de que estamos perfeitamente seguros: a felicidade é preferível à miséria; a dignidade é melhor que a humilhação; é mau que as pessoas sofram, mas é bem pior que a cultura vire as costas ao sofrimento; a morte é pior que a vida; é melhor esforçarmo-nos para alcançar um ponto de vista comum que manifestar um menosprezo tendencioso por ele.
 
Simon Blackburn, Sobre la bondad, Una breve Introducción a la Ética, Paidos, Barcelona, 2002, p.212
Tradução: Rolando Almeida
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publicado por rolandoa às 20:26

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Sexta-feira, 8 de Setembro de 2006

SUSPENSÃO DAS OLPF

Caros colegas,

Fui apanhado completamente em estado de surpresa a meados do mês de Agosto, período de férias, na única consulta que fiz na Internet, com a suspensão das OLPF.

Na verdade, são vários os pontos a referir que me assaltam, fora aqueles que com o tempo ainda virão à reflexão:

1 - As OLPF constituem o único documento nos últimos anos que veio a dar consistência aos conteúdos a ensinar na filosofia.

2 – Deixa de se colocar o problema dos manuais a adoptar, uma vez que, sem as OLPF, pode voltar-se à fanfarronice tola dos manuais sem critério científico válido, mas com imagens de Big Brothers e éticas de café (como é o caso do manual que a escola na qual lecciono adoptou).

3 – Apesar de inicialmente homologado, a maior parte dos colegas nem sequer teve tempo de analisar, implementar e compreender o documento das OLPF, apesar do mesmo ter sido vinculativo a partir de Setembro de 2005.

4 – Deixamos de ter ponta por onde se lhe pegue quando queremos apontar um qualquer erro de base a um colega (como tantas e tantas vezes acontece), uma vez que voltamos ao vale tudo, com um programa claramente aberto, com o qual, podemos ensinar temas sem referir, sequer, autores que, na maior parte das vezes, nunca foram lidos.

5 – Sem conteúdos próprios a disciplina é menos exigente, menos rigorosa na avaliação e qualquer tolo pode fazer o trabalho que muitos colegas costumam fazer, sendo que os colegas necessitam de um certificado que os habilita a dizer as tolices que muito bem lhes aprouver. Este ponto pode soar politicamente incorrecto, com efeito, é a realidade que é incorrecta uma vez que me apoio em factos em concretos para fazer estas afirmações.

6 - A suspensão das OLPF tornam irrelevantes todas as publicações do CEF (menos para aqueles que nelas têm interesse que, curiosamente, até é habitual serem os professores que mantém algum interesse por um ensino da filosofia com critério). A suspensão das OLPF tornam menor o trabalho da SPF/CEF, minimizando o seu poder de actuação no que respeita ao ensino da filosofia. O problema que aqui se coloca é a prepotência do Ministério ao pretender ter maior poder de decisão do que quem “sabe da poda”, o que é manifestamente inaceitável. Que competências reúnem os senhores decisores do Ministério para passar por cima de quem de Direito e Conhecimento?

7 - Já que o programa é aberto continuarei a leccionar segundo os pressupostos das OLPF, a bem da filosofia, do seu ensino, e da importância fundamental que esta disciplina pode ter na formação do raciocínio, atitudes e valores dos jovens neófitos. Como consequência continuarei a colocar de parte um manual que custa 30€ aos alunos, que me foi imposto (porque nunca me passaria pela cabeça escolher tão ordinário livro) e a recorrer a fotocópias e textos on line para, de vez, ensinar, como posso, FILOSOFIA.

8 -   Para que, de uma vez se saiba, a atitude do Ministério é a de TRAIÇÃO a quem trabalha com seriedade e a de brincar com quem ROUBA TEMPO Á VIDA para poder saber um pouco mais de Filosofia.

9. Com um programa aberto e tonto como o que está homologado, como deseja o Ministério que eu, enquanto professor, explique a pais e alunos os critérios de avaliação com rigor e de forma clara e objectiva? É que basta que um pai se dirija a uma escola diferente para perceber que se o seu educando atinge uma nota de 8 na escola A, pode atingir um  18 na escola B. Tudo isto como consequência da balbúrdia do programa e de um Ministério que deve ser responsável por não ouvir e dar crédito a quem de direito, no caso, o CEF.

 

OBS: este texto também pode ser lido em: http://www.cef-spf.org/

 

Rolando Almeida

publicado por rolandoa às 16:10

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Sexta-feira, 1 de Setembro de 2006

O REGRESSO: MAIS UM ANO LECTIVO

Após umas férias bem temperadas com amizades e encontros, eis-nos de regresso para mais um ano de actividades e muito trabalho.

Regressarei em breve com mais material em pesquisa e análise, bem como com todas as sugestões no que à filosofia diz respeito.

Rolando Almeida

publicado por rolandoa às 03:03

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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