Terça-feira, 2 de Janeiro de 2007

A lei de todas as coisas, uma explicação de quase tudo

Fruto da democratização e globalização da comunicação e informação, assistimos no mercado editorial, ao boom de edições de divulgação a um público mais alargado das mais diversas temáticas, incluindo a ciência. Sabemos que a ciência está na ordem do dia e todas as grandes modificações no mundo moderno, a ela se devem. Informar um público mais amplo numa linguagem mais acessível e pouco técnica é uma das ambições de todo o plano educativo. Claro está que todos os dias conhecemos más edições e pouco precisas. Outras mais precisas e outras ainda mais ou menos precisas, mas escritas com bom humor. É o caso da edição datada de Março de 2006 de A lei de todas as coisas, uma explicação de quase tudo, de Richard Robinson, pela Verso da Kapa. Em Portugal este mercado de edições aparece ainda de forma muito modesto, recaindo grande mérito no esforço feito pela Gradiva com a colecção pioneira Ciência Aberta. Outras editoras vão procurando os seus títulos e autores neste mercado que lentamente vai disponibilizando alguns títulos curiosos. Em A lei de todas as coisas, Richard Robinson parte do postulado da lei de Murphy para nos deixar uma mensagem simples, mas altamente útil para as nossas vidas: que 99,9% das coisas que pensamos, vemos e ouvimos estão erradas e que um pouco de ciência nos basta para percebermos isso mesmo. A realidade é assim apresentada como um imenso puzzle, cuja configuração das peças se altera a cada milésimo de segundo, pelo que reconstruir a realidade é um processo moroso e altamente complexo. Como sofremos do comodismo de estacionar nas ideias mais básicas, facilmente perdemos o comboio do movimento e acabámos com ideias completamente erradas sobre o que à nossa volta se passa. O exemplo dos capítulo dedicado aos sentidos é disso prova, fazendo-nos regressar a René Descartes e ao papel da dúvida na construção do conhecimento racional.
Uma das vantagens deste género de leituras é partir de exemplos que nos estão completamente próximos nas nossas vivências, por exemplo, porque é que se segue sempre pelo atalho errado? Porque não nos sai da cabeça aquela música que detestamos? Porque é que, quando se perde alguma coisa, continua a procurá-la, uma série de vezes, no mesmo sítio? E porque será que ela aparece, de repente, no sítio ao qual já foi quatro ou cinco vezes?
O mundo pode ter mudado muito nos últimos milénios, mas os nossos cérebros nem por isso. Será que temos de ficar pela consolação da lei de Murphy?
Richard Robinson, A lei de todas as coisas, Uma explicação para quase tudo, Verso da Kapa, 2006
 
Rolando Almeida
publicado por rolandoa às 15:46

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