Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Nova religião digital

 Uma vez mais, no blog de software Peopleware, o colaborador Rui Oliveira faz luz sobre a religião da nova era digital, o freeware. Como estou impedido de usar livremente a secção de comentários desse blog, escrevo aqui algo sobre um dos últimos posts do autor. Claro que o que aqui interessa é lançar alguns argumentos para uma questão que ainda está longe de encerrar uma verdade, motivo autosuficiente para debater o problema. A notícia do post refere-se a uma condenação nos EUA por um utilizador da internet que tirou músicas livremente sem as pagar, numa habitual partilha de ficheiros. Mas a verdade é que no último parágrafo do texto, Rui Oliveira levanta um problema interessante:

 

 “Imagine que você vai a um concerto da sua banda favorita e grava algumas das suas músicas e mais tarde distribui aos seus amigos. Será que está a fomentar a pirataria ou simplesmente a promover a sua banda favorita?

 

Bem, não me parece de todo que ao objectar aqui um argumento do Rui, esteja intencionalmente a publicitar o seu trabalho, mas em certo sentido é verdade         que faço alguma publicidade, ou, numa palavra talvez com conotação menos comercial, faço alguma divulgação. O problema que aqui se pode colocar é se o meu acto prejudica o interesse de terceiros? No caso da música prejudica e já explicarei o meu argumento. Mas nas caixas de comentários alguns leitores referem que muitos músicos enriquecem graças à divulgação massiva proporcionada pela internet. E tal até é verdade, não só para músicos, mas também para escritores por exemplo. Mas é preciso pensar que artistas beneficiam que a divulgação massiva da internet? Serão os pequenos artistas ou, pelo contrário, os artistas com pouca ou nenhuma projecção?

Nos primeiros anos da internet, muito se teorizou sobre o assunto e parecia mais ou menos pacífico o argumento de que finalmente os artistas se podiam ver livres das imposições comerciais dos grandes grupos editoriais. Alguns músicos famosos como David Bowie foram pioneiros ao disponibilizarem músicas suas, inéditas e de forma gratuita na internet. A verdade descoberta principalmente com o advento da net 2.0 é que a internet não livrou os criadores das imposições de mercado e do capitalismo agressivo. Artistas como David Bowie ou como o caso mais recente dos Radiohead, podem disponibilizar discos inteiros na internet cabendo ao utilizador a decisão se quer ou não pagar alguma coisa para descarregar o disco. Ao mesmo tempo não faltam companhias e empresas ansiosas de patrocinarem operações desta natureza. Algumas delas – como o caso dos Radiohead – são decisões apoiadas pelas próprias editoras. E por que razão isto acontece? Precisamente porque só os grandes e gordos artistas beneficiam com o download gratuito. Continuam a viver da música, sempre acompanhados de grandes e chorudos patrocínios, ao passo que o pequeno criador continua, como antes do advento da internet, a ser esmagado pelo mercado absorvido pelos grandes. Se o José Saramago quiser disponibilizar o seu mais recente livro gratuito na internet, não lhe faltarão patrocinadores a pagar bem, assim como milhares de utilizadores vão pagar livremente 1 ou 2 euros para descarregar o livro. Eu já paguei para descarregar livros quantias como 1€. E fi-lo de livre vontade. Acontece que o pequeno artista, que tem um emprego como caixa de supermercado e faz música nas horas livres, se depara com as seguintes dificuldades:

1)      Oferece gratuitamente o seu disco na internet, mas ninguém lhe vai pagar nem sai do pequeno circuito de amigos e conhecidos

2)      Não consegue qualquer patrocinador, nem ganhará milhões na publicidade já que as regras de mercado são essas: não chega a muita gente, logo, não vende e não é apoiado.

Neste passo o mais provável é que o leitor esteja a pensar: mas, afinal, qual a diferença do mundo de mercado antes da internet e depois da internet? A resposta é simples: nenhuma! E o problema é mesmo esse. O freeware, ao contrário do que argumentam muitos dos seus adeptos, incluindo Rui Oliveira, não constitui qualquer versão alternativa do funcionamento das coisas ao que já conhecíamos mesmo sem internet. O freeware não combate o monopólio da Microsoft. É mais do mesmo.

Mas existe uma diferença e que se liga directamente ao que estou aqui a defender. Se um disco é gravado numa editora, ele não só dá emprego às pessoas da editora, como alimenta todo um processo económico de distribuição e venda. Por exemplo, quando vamos à Fnac e compramos um disco estamos a pagar ao artista, à editora, à empresa que produz a matéria prima de que é feito o disco, à empregada da limpeza, etc. No freeware e com a net 2.0 grande parte deste trabalho é produzido gratuitamente e por amadores. Quem ganha com isto? Os gordos da Google, por exemplo. Como se vê o mundo do gratuito e do freeware não constitui qualquer alternativa para controlar os grandes grupos económicos, com a agravante de que os monopólios criados são governados por um núcleo de pessoas muito reduzido, como são exemplos a wikipédia, muitas versões Linux e a Google. Eles são outra face da mesma moeda e continuam a existir, razão pela qual tenho pensado que só o fanatismo digital pode conduzir pessoas como Rui Oliveira a não conseguirem observar esta realidade. Mas o Rui é um exemplo de um blog que sigo. Como ele muitas outras pessoas igualmente com conhecimentos sólidos nas mais variadas matérias, defendem a mesma religião free. E ao contrário do que observa o autor do post que motivou este meu texto, o problema não é unicamente legal. Antes de ser um problema legal é realmente um problema que merece ampla discussão, já que ninguém tem a verdade no bolso pronta a servir.

publicado por rolandoa às 16:20

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4 comentários:
De Ricardo Miguel a 4 de Agosto de 2009 às 11:10
Caro Rolando,


Também eu sou seguidor assíduo do Peopleware assim como do teu blog. Também eu sou interessado na discussão em causa e não comentei antes por achar um terreno demasiado obscuro para podermos extrair conclusões fortes e, ao mesmo tempo, convincentes. Comento agora porque julgo que a tua crítica à religião digital freeware (falar apenas de freeware é uma simplificação, pois na verdade a tua crítica ataca também as ideias do código livre ou open source que, apesar de andar muitas vezes de mãos dadas com o freeware, não é a mesma coisa) parece-me estar-se a tornar numa religião também: a religião da argumentação crítica, ou de um certo modo filosófica, para defender ideias.

Eu concordo plenamente contigo no que diz respeito à defesa religiosa que muitos fazem do freeware. Concordo também que a melhor maneira de defender ideias é usando argumentos de modo crítico. Porém, não consigo deixar de pensar que grande parte das pessoas não quer saber disso para nada. Querem levar as suas ideias seja onde for do modo mais intuitivo ou capaz de servir os seus propósitos.

Penso que a tua intervenção no Peopleware terá sempre sido com interesse genuinamente epistemológico, ou seja, que sempre apresentaste os teus argumentos para que da discussão se pudesse obter um melhor entendimento do assunto e, claro, para defender as ideias que julgas verdadeiras. Mas penso que talvez não estejas a perceber (ou então a aceitar) que há quem prefira discutir sob outras pedras de toque que não a argumentação crítica.

Muitas pessoas usam intuitivamente argumentos tão elaborados como se vê em discussões filosóficas mas, depois, não entendem o alcance das suas premissas. Não conseguem seguir implicações; e mesmo quando conseguem, se não lhes convêm as conclusões, facilmente se colocam noutro registo de discussão. A ti colocaram-te à margem, silenciando-te. Mas, pelo menos no meu entender, isto não significa uma censura. Significa antes que a(s) pessoa(s) com quem estavas a discutir optou/optaram por um registo diferente de discussão, julgando que tu não estavas a ser benéfico para a mesma. De qualquer modo, o blog é deles; um acto destes é triste e criticável para nós, mas não querer ouvir outra pessoa ou não deixar outra pessoa comunicar num local que é administrado por si, é um direito.

Se ela(s) viesse(m) discutir filosofia para o teu blog, julgo que por mais que dissesse disparates, desde que tentasse defender as suas ideias sem insultos nem nada semelhante, nunca irias fazer o que te fizeram. Mas isto, penso, deve-se a optares por um certo método de discussão que não só aceita contra-argumentos como até os espera para daí poder tecer outros argumentos, sempre com uma base dedutiva mais ou menos implícita.

Ora naquele blog, como seria de esperar (ainda que sejam humanos com capacidades de raciocínio como as nossas), as discussões não têm este método como pano de fundo. Os intervenientes podem, muitas vezes, parecer argumentar desta forma, mas, na generalidade dos casos, nota-se que estão apenas a emitir opiniões mais ou menos como um grupo de amigos defende o seu clube na mesa do café. Acontece que neste caso, por causa do assunto em questão, e porque há muito conhecimento técnico envolvido, facilmente se dá ares de bom paleio.

Enfim, penso que eles (os informáticos que discutem este assunto) estão todos muito longe de se interessarem em ter uma discussão filosófica aqui. Eu estou. E tu também deves estar. Mas penso que será uma discussão improcedente sempre que não se estiver, desde logo, predisposto a ter o mesmo método de discussão.
Isto toca, penso eu, num problema filosófico que julgo muito interessante e importante, que se relaciona justamente com a relação de comunicação entre a filosofia enquanto o grupo de pessoas que a estuda, e o resto das pessoas com as quais podem comunicar e pretendem fazê-lo. Algumas áreas da filosofia pretendem ter efeitos na sociedade em geral. Se quisermos que as outras pessoas aceitem as nossas ideias, como o iremos fazer se desde logo tivermos métodos diferentes de discutir?
(já agora, se quiseres voltar a insistir no ubuntu, estás à vontade para me pedires algumas dicas...)
De rolandoa a 4 de Agosto de 2009 às 12:41

Olá Ricardo,

Obrigado pela tua resposta. Ela contém alguns pontos muito interessantes. Mas vamos por partes.

“julgo que a tua crítica à religião digital freeware (falar apenas de freeware é uma simplificação, pois na verdade a tua crítica ataca também as ideias do código livre ou open source que, apesar de andar muitas vezes de mãos dadas com o freeware, não é a mesma coisa)”

Sim, admito que algumas vezes generalizo com algumas penalizações, mas não me parece que tal seja relevante para a discussão, apesar de o ser para a informação que se presta.

 “parece-me estar-se a tornar numa religião também: a religião da argumentação crítica, ou de um certo modo filosófica, para defender ideias.”

Este raciocínio é circular. A argumentação crítica nada tem que ver com a defesa acrítica e religiosa. Bem, o pior de tudo seria defender a argumentação crítica sem a praticar. Mas o teu argumento é o relativista: bem , a própria defesa da verdade é ela mesmo uma verdade entre muitas outras verdades, exactamente no mesmo plano. Não me parece que as coisas sejam exactamente assim, ainda que no meu caso aceito que muitas mais vezes que o desejável transpareça assim. No resto, tu próprio mais abaixo no teu mail admites as diferenças, quando mostras o comportamento das pessoas no peopleware.



“Eu concordo plenamente contigo no que diz respeito à defesa religiosa que muitos fazem do freeware. Concordo também que a melhor maneira de defender ideias é usando argumentos de modo crítico. Porém, não consigo deixar de pensar que grande parte das pessoas não quer saber disso para nada. Querem levar as suas ideias seja onde for do modo mais intuitivo ou capaz de servir os seus propósitos.”

Ó Ricardo, isso é verdade, mas não é exactamente por isso que existe um saber que se chama filosofia e que, curiosamente, está mais ao alcance das pessoas do que elas possam imaginar? Temos de perceber que a maior parte das pessoas não quer saber da maior parte das coisas, nem de argumentação, nem de como os pasteis de nata são feitos. E o que é mais útil à generalidade das pessoas? Saber como se fazem pasteis de nata, ou saber argumentar?
(cont)
De rolandoa a 4 de Agosto de 2009 às 12:41

“Penso que a tua intervenção no Peopleware terá sempre sido com interesse genuinamente epistemológico, ou seja, que sempre apresentaste os teus argumentos para que da discussão se pudesse obter um melhor entendimento do assunto e, claro, para defender as ideias que julgas verdadeiras. Mas penso que talvez não estejas a perceber (ou então a aceitar) que há quem prefira discutir sob outras pedras de toque que não a argumentação crítica.”

Mas isso não é o que acontece sempre em qualquer contexto? Até os meus alunos ficam chateados quando introduzo as regras para a discussão. O que eles querem é barulho, como fazem no bar nos intervalos. Mas quando os ensino a discutir, com o minímo de ferramentas lógicas, pelo menos numa fase inicial reagem. E reagem por quê? Porque discutir com regras dá trabalho, ora pois. Mas entendo bem o que dizes. A maioria das pessoas está como sempre esteve nas tintas para isso.

“Muitas pessoas usam intuitivamente argumentos tão elaborados como se vê em discussões filosóficas mas, depois, não entendem o alcance das suas premissas. Não conseguem seguir implicações; e mesmo quando conseguem, se não lhes convêm as conclusões, facilmente se colocam noutro registo de discussão.”

Há um aspecto que tens razão e creio que é isso que me chamas a atenção. No meu blog discute-se pois ele foi pensado para isso. No Peopleware não. De acordo. A ideia ali não é discutir. Mas Ricardo é precisamente essa a razão que me fez intervir uma série de vezes alertando os autores que eles o que estão a fazer é a propagar ideologia (não todos é certo). Há problema daí? Para mim, há. Milhares de pessoas o fazem todos os dias, a cada segundo na internet. Mas a palavra sempre tem de começar por algum lado e eu escolho as minhas audiências. É uma perda de tempo? Eu acho que não, não sei.

 “A ti colocaram-te à margem, silenciando-te. Mas, pelo menos no meu entender, isto não significa uma censura. Significa antes que a(s) pessoa(s) com quem estavas a discutir optou/optaram por um registo diferente de discussão, julgando que tu não estavas a ser benéfico para a mesma. De qualquer modo, o blog é deles; um acto destes é triste e criticável para nós, mas não querer ouvir outra pessoa ou não deixar outra pessoa comunicar num local que é administrado por si, é um direito.”

Completamente de acordo.



“Enfim, penso que eles (os informáticos que discutem este assunto) estão todos muito longe de se interessarem em ter uma discussão filosófica aqui. Eu estou. E tu também deves estar. Mas penso que será uma discussão improcedente sempre que não se estiver, desde logo, predisposto a ter o mesmo método de discussão.”

Palavras certas, as tuas. Realmente se não existir uma coisa que se chama “predisposição cognitiva”, não vale a pena argumentar.
(cont)

De rolandoa a 4 de Agosto de 2009 às 12:42

“Isto toca, penso eu, num problema filosófico que julgo muito interessante e importante, que se relaciona justamente com a relação de comunicação entre a filosofia enquanto o grupo de pessoas que a estuda, e o resto das pessoas com as quais podem comunicar e pretendem fazê-lo. Algumas áreas da filosofia pretendem ter efeitos na sociedade em geral. Se quisermos que as outras pessoas aceitem as nossas ideias, como o iremos fazer se desde logo tivermos métodos diferentes de discutir?”

Apesar de nosso país ainda andarmos um pouco adormecidos nesta matéria, há já bons exemplos do que te vou dizer a seguir. Os métodos de discussão racional não são diferentes. Para isso é que se estuda filosofia no ensino secundário como formação geral obrigatória a todos os cursos gerais e os futuros engenheiros, economistas, advogados, etc. têm uma disciplina que se chama “pensamento crítico” (ainda muito mal leccionada com honrosas excepções). O que referes relaciona-se com outro problema, que é o formalismo no nosso sistema de ensino, isto é, as pessoas estudam as matérias mas muito raramente percebem para que elas servem e como funcionam na prática. Então questionam a utilidade da teoria. Ora um ensino claro e rigoroso ao nível do pensamento crítico – que é só a versão moderna das técnicas de discussão desenvolvidas por Sócrates – torna acessíveis as regras mínimas com as quais se desenvolve uma discussão. Tanto que é assim que o pensamento crítico é uma disciplina de muito sucesso em países onde as pessoas dão valor real ao desenvolvimento das capacidades de discussão crítica. Existe um caso português que é um bom exemplo, que é o do Ludwig Khripahl, autor do blog, A Treta e professor universitário na faculdade de engenharia da universidade nova. Se fores ao site dele e olhares o programa percebes bem a amplitude e a necessidade que as pessoas têm de saber as regras da discussão. As pessoas não discutem porque não sabem discutir, desconhecem as regras mínimas. Ora, quando isto acontece o resultado é o fanatismo pimba e o desejo permanente de impor as ideias pela força. Acho que existe ainda um longo caminho a percorrer nesta matéria. A verdade é que a generalidade das pessoas sentem-se psicologicamente desconfortáveis quando discordamos do que elas argumentam. Isso vê-se todos os dias. Só concordamos na generalidade quando estamos nas costas da pessoa com a qual discordamos dos seus argumentos.

“(já agora, se quiseres voltar a insistir no ubuntu, estás à vontade para me pedires algumas dicas...)”

Ok, só te agradeço, mas temo não regressar ao Ubuntu pelo menos para já. Por falta de tempo.

Abraço e agradeço-te

(FIM)

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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