Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Uma situação moral comum

barulho02

Suponha o leitor que comprou uma casa nova e que o custo mensal da sua casa nova representa um grande esforço para si. Vem a descobrir pouco tempo depois que tem vizinhos que pouco respeitam as regras básicas de convivência, sujam os espaços comuns, tem um cão a ladrar dentro de casa pela noite e chegam a más horas alcoolizados fazendo barulho, para além da típica música pimba ao sábado de manhã a altos berros. Questiona-se como é que tal gente tem dinheiro para pagar o apartamento já que para o leitor representa tanto esforço e não pode dar-se a certos hábitos como alcoolizar-se a meio da semana. Descobre dias depois que essa família tem rendimentos baixos e que conseguiu a casa com um protocolo com o governo. O legal proprietário dispôs a casa para o governo alugar e oferecer a preços baixos a famílias de baixos rendimentos, visando desta forma dar-lhes habitação decente e integração social. A questão é: que obrigação moral temos de socializar pessoas nestas condições? Esta questão tem contornos legais, como é claro, mas foi um problema que a minha esposa me colocou um destes dias. Perguntou-me: tu, como filósofo, como avalias moralmente esta situação?  E o leitor, o que pensa disto?

publicado por rolandoa às 17:21

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7 comentários:
De António Daniel a 16 de Julho de 2009 às 23:09
Caro Rolando, é capaz de clarificar melhor a temática? Qual o significado de socializar?
De rolandoa a 16 de Julho de 2009 às 23:18
Socializar é sempre um termo vago, mas no caso o que significa é integrar as pessoas com padrões e hábitos sociais que respeitem os critérios minímos da convivência social
De vasco pontes a 2 de Fevereiro de 2011 às 13:50
Aquilo que quer dizer é se deve "socializar"  com a classe baixa, porca e mal educada? É isto? Por amor de Deus! E chama a isto filosofia? Se calhar tem razão, o tema virá de uma corrente chamada snobismo, conhece? É aquela que despreza as classes baixas arrogando-se uma superioridade moral quase sempre inexistente, que normalmente só serve para legitimar privilégios.
De rolandoa a 2 de Fevereiro de 2011 às 18:00
Não Vasco, eu coloquei o problema, o Vasco é que lhe está a dar resposta. Em todo o caso não há nada como experimentar: compre uma casa num prédio onde as pessoas se embebedam, discutem até altas horas e andam à batatada pelas 3h da manhã. Mas, por amor ao não snobismo, não mude de casa. Mas se quer a minha opinião sincera eu tenho muitas dificuldades em lidar com pessoas (não sei se é classe, como lhe chama) porca e mal educada, alta ou baixa. Não me diga que lida bem com pessoas mal educadas e porcas? 
De Vasco Pontes a 3 de Fevereiro de 2011 às 13:41
... eu venho dessas classes baixas, porcas e mal educadas, já fui porco e ainda não sou lá muito bem educado, mas que posso fazer... porém, mesmo que não viesse, eles são o meu, o seu povo. Ignorante e mal (ou não) formado, mas no que verdadeiramente interessa igualzinho ás elites bem pensantes, que, já agora, sem eles nada seriam.
Ah! E sabem aprender, acredita? Assim haja algum esforço de integrá-los e alguma tolerância para com as suas fraquezas...
De rolandoa a 4 de Fevereiro de 2011 às 00:18
E  porque razão vasco não continua a ser porco e mal educado? Em todo o caso por que razão especial não vive com o seu povo? É que está  baralhar tudo o que lhe disse somente porque tem um preconceito de esquerda. Mas eu não vivo com preconceitos esquerdistas, razão pela qual não vejo a realidade a preto e branco, onde o preto são gente mal cheirosa que não pode aprender e do branco elites muito bem comportadas. Eu não vejo a realidade como um conjunto de tribos. O vasco é que a vê e interpretou o que eu disse como tal. mas isso é um preconceito seu, não meu. E um preconceito muito comum, um preconceito de esquerda que nos dá como referência o dever de sermos muito paternalistas com os pobrezinos e arrasados do sistema. Acontece que é um preconceito idiota e hipócrita. A mim dá-me igual se as pessoas são pobres ou ricas, se usam fato ou gravata. Aliás, nem coloquei a questão desse modo, mnas o seu preconceito de esquerda nem sequer o deixou ver a questão doutra forma. Eh pá, este gajo da filosofia é um elitista, empertigado, armado em intelectual que não gosta dos pobres coitados das vitímas do sistema. Eu falei em pessoas que t~em comportamentos como bestas. de resto dá-me igual qual a classe que pertencem. Não alinho em tribos, nem em classes nem lhes fiz referência em qualquer momento.
De rolandoa a 4 de Fevereiro de 2011 às 00:23
Mas o Vasco, que até já foi como eles, (mas já não é) acha que o melhor a fazer é dar-lhes uma casa, deixá-los à sua sorte, dar-lhes uns subsídios para se embebedarem e deixá-los bater nas esposas, pois os malvados dos ricos é que são culpados desta merda toda. O Vasco, que até já foi como eles, mas já não é (e agora é de quê? das elites?) , acha que devemos ser paternalistas com esses comportamentos, até porque essas pessoas não são menos que as outras, elas até têm capacidade de aprender, vejam lá!!!! 
Acontece que o vasco é elitista sem o saber, pois subestima a inteligência dessas pessoas e acha que devemos todos ser paternalistas com eles. Eu não acho Vasco. Não estou para os aturar e sou muito pouco tolerante com comportamentos idiotas. mas não subestimo a inteligência dessas pessoas, razão pela qual acho que dar-lhes casa e um vencimento não basta para que tenham qualidade de vida. Mas o vasco, que até foi como eles, deve achar que sim. 

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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