Sábado, 14 de Março de 2009

Saber e fazer filosofia

Sem título Soube pelo Telegrapho de uma notícia interessante, a de que os licenciados em filosofia tem sido contratados por empresas, dado o seu bom desempenho em trabalhos criativos e que exijam o pensamento crítico apurado (como quase todos, penso). Ao mesmo tempo ouço muitas vezes uma tese corrente, proferida mesmo por profissionais da filosofia que a filosofia está desajustada ao mundo actual, que é impossível no mundo actual compreender a essência da filosofia, etc. Que tenho a dizer sobre estas teses? Tretas. Em primeiro lugar porque hoje em dia é mais fácil ter acesso à filosofia e estudá-la e, em consequência disso, hoje em dia faz-se mais filosofia que em qualquer outro momento da história da humanidade, o que pode justificar a celebridade de muitos filósofos do passado (mesmo não lhes retirando o mérito). Hoje há mais filósofos, mais produção filosófica, logo, há mais discussão e mais concorrência. Isso é mau? Bem, considerando que a filosofia progride em espaço de discussão racional não vejo realmente em que é que isto possa constituir um mau indicador para a filosofia. A minha hipótese é outra: que um determinado modo de se fazer filosofia esteja desajustado à realidade dos progressos naturais do conhecimento e, em consequência disso, da própria sociedade. Não consigo ver mais que preconceito nessas teses que por aí circulam de que a filosofia é algo mais essencial que os sinais dos tempos. Não existe qualquer privilégio místico quando estudamos filosofia. O que existe é acesso ao saber e ao conhecimento e isso é uma coisa boa para os seres humanos. E no caso da filosofia, filosofar é pensar criticamente, que é o que o mundo mais precisa, seja na empresa, em casa, na vida política, na vida moral, etc.

Ora bem, se a minha hipótese for verdadeira, a de que determinados modos de fazer filosofia necessitam de upgrades, então a notícia do Telegrapho soará sempre a coisa estranha a esses modos, já que não se percebe para que o mercado de trabalho precisa de alguém que saiba mais do ser do que o comum dos mortais.

publicado por rolandoa às 18:03

link do post | favorito

Rolando Almeida


pesquisar

 
Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

Posts Recentes

NOVO ENDEREÇO: http://fil...

Nova religião digital

Problemas again

Escolha um título,...

A censura na nova religi&...

Filosofia na web – ...

Mais um “AQUI&rdquo...

Uma situaçã...

E?

Exigências para se ...

Arquivos

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Favoritos

Relação entre a filosofia...

Luta na filosofia ou redu...

A filosofia não é uma arm...

Argumentos dedutivos e nã...

16 de NOVEMBRO DE 2006, D...

PAGAR NA MESMA MOEDA

Um ponto de vista comum n...

DILEMA DE ÊUTIFRON

O que é a validade?

Nova Configuração no Blog

Sites Recomendados

hit counter
Clique aqui para entrar no grupo artedepensar
Clique para entrar no grupo artedepensar
Contacto via e-mail
AddThis Feed Button
RSS