Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Computadores, cadernos e ensino

magalhaes.gif Ainda não me tinha passado pela cabeça pronunciar-me sobre o computador Magalhães. Tenho observado uma avalanche de críticas negativas ao computador distribuído às crianças em idade escolar no primeiro ciclo de ensino. Talvez a crítica mais radical veio de um colega professor que afirmou dar-lhe nojo, o computador. Fixei esta crítica, não porque do ponto de vista argumentativo ela contenha alguma substância, mas porque ilustra aquilo que penso que motiva as críticas ao computador. O que se crítica na maioria das vezes não é o computador mas a cobertura política em torno do computador. O que é que tem de mal o computador? Do conhecimento que tenho de informática, não vejo mal algum no PC.Tem um processador Celeron, que não será dos mais rápidos, mas que cumpre bem com a sua função. Está munido de um software interessante e custa uns 50€ (preço que a maioria das famílias pode pagar sendo que aquelas que não podem pagar obtêm o computador a custo zero). Não é isso desejável? Creio que é. Pelo menos eu ficaria mais feliz se soubesse que todas as crianças tem acesso a uma ferramenta que até então só as crianças de famílias mais abastadas tinham.

Outro dos argumentos anti Magalhães que leio e ouço várias vezes é que o PC não é português e que dizer que ele é português é uma mentira. Penso que há algo de verdadeiro nesta proposição. Mas analisemos a seguinte proposição:

Os meus ténis Nike são americanos.

É esta proposição verdadeira? A borracha da sola dos ténis é indonésia, o tecido é indiano e foram acabados no Bangladesh. Uma vez cheguei a ter uns sapatos de uma marca americana que dizia na etiqueta “man-made materials”. Afinal qual a nacionalidade dos meus ténis adidas? Os ténis são americanos porque é lá que está registada a patente e todo o sistema económico em torno dos ténis reside na América.

Recordo um romance do místico alemão, Hermann Hesse, autor que li muito na minha juventude, Peter Carmenzind. Nesse romance o tema era, como em grande parte da obra de Hesse, a viagem, as voltas que um ser humano pode dar no mundo, sejam as voltas mentais, espirituais ou, como no caso do protagonista da história, físicas. Hesse acaba o romance com esta ideia: Tal como as aves pertencem ao céu e os peixes à água, também Peter pertence à sua terra. Acho que era assim.

Daqui decorre que parece aceitável a ideia que o Magalhães é português, tal como o Wolkswagen montado na Auto Europa é alemão. É que o Magalhães tem a patente registada em Portugal. E isto apesar do nosso modelo ser em tudo igual a modelos que se fabricam noutros países. A minha licenciatura em filosofia também é igual a muitas licenciaturas de outras universidades de outros países e não deixa de ser uma licenciatura portuguesa. Ou estarei a pensar erradamente? Admito que sim. Venham as objecções.

Então, o que é que “enoja” as pessoas com o Magalhães? Parto do princípio que é a mentira política que está em volta do PC. Não a da sua concepção enquanto máquina, mas a da sua concepção enquanto política educativa. E é aqui que faz sentido recair a principal e mais directa crítica ao Magalhães. Isto porque não se melhora resultados nem a qualidade em educação distribuindo computadores às criancinhas a preços de saldos. Ainda que a medida seja em si boa (pelo menos assim acredito), ela não devia nunca ser trave mestra numa política educativa. Quanto muito admite-se tal medida como complementar a medidas mais sérias mesmo que não concorram de forma mais directa para a estatística política.

Enquanto política educativa o Magalhães não funciona. A política educativa deve recair sobre a reformulação curricular e a formação continua de professores e não na distribuição de pcs a crianças.

Em conclusão, o Magalhães não me parece ser uma má medida, bem pelo contrário. Vai permitir a milhares de crianças aprender a usar determinadas ferramentas úteis e inevitáveis no mundo que vivemos. Mas não basta dar a ferramenta, é necessária ensinar a pescar com a cana. E é esta a mentira política que pode estar em causa, não o aparelho em si. Não podemos usar o Magalhães como uma das principais bandeiras da reforma educativa, ainda que a medida como complemento possa ser aceitável.

Faltaria talvez referir ainda argumentos mais recentes de que o uso e exposição das crianças ao computador acarreta efeitos menos bons. Bem, não subscrevo esse tipo de argumentos. A exposição continua de qualquer ser humano a qualquer actividade ou ferramente pode sempre degenerar em paranóia

O Magalhães acaba a ser a primeira vitima de uma má política educativa ou da ausência de uma política educativa. Como se não bastasse, o desgraçado computador ainda vem com o software com erros ortográficos.

Rolando Almeida

publicado por rolandoa às 00:31

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16 comentários:
De renato martins a 11 de Março de 2009 às 21:40
O magalhães foi lançado publicamente por jose socrates. Se tivesse sido lançado por uma empresa qualquer privada, seria visto como um bom exemplo empreendedor português. Todos teriamos orgulho. Assim não sendo, é um acontecimento politico. Chama-se a isto falacia ad hominem, não?

abraço
De rolandoa a 11 de Março de 2009 às 21:45
Sim Renato, tens razão, foi transformado em computador político :-)
Não percebi onde está a ad hominem!!!
abraço
De renato martins a 12 de Março de 2009 às 14:52
Significa que o "argumento" utilizado contra o magalhães encontra-se na pessoa que usou o argumento pró - magalhães, José Sócrates. O computador e seus atributos tornam-se negativos por virem de alguem com uma imagem negativa na opinião publica. Não se discute o PC em si, mas as politicas de quem o lançou.

Abraço
De rolandoa a 12 de Março de 2009 às 14:58
Ah sim, pois claro que temos aqui uma das variantes do ad hominem.
abraço
De Aires Almeida a 12 de Março de 2009 às 23:42
Não estou a ver onde está o ad hominem. Num ad hominem ataca-se directamente a pessoa em vez do que ela diz. Sinceramente, não vejo onde está algo vagamente parecido com isso.

Dá-me a ideia que o Renato quer dizer que o objectivo não é atacar a medida do Sócrates (distribuir Magalhães pelos putos), mas o próprio Sócrates através disso. Bom, neste caso teríamos qualquer coisa como o inverso do ad hominem, que é atacar o que diz em vez de atacar directamente a pessoa.

Já agora, a propósito do Magalhães. A propaganda do governo à volta do Magalhães é uma coisa verdadeiramente terceiro-mundista. Distribuir computadores aos putos talvez até nem seja uma má ideia; o que é ridículo é apresentar isso como uma grande bandeira da política educativa, com ministros e secretários de estado a perder tempo pelas escolas, só para entregar o computador a meia-dúzia de putos amestrados. Assim, o governo criou as condições para tornar a distribuição como alvo de chacota.

O modo como o governo apresentou o Magalhães é verdadeiramente ridículo. E depois, claro, o pessoal aproveita para escrutinar tudo e mostrar que, afinal, as basófias do governo até nem se justificam assim tanto.

Em qualquer país civilizado, com um governo discreto e sem estar preocupado com a propaganda, o Magalhães seria distribuído sem espectáculo pelas escolas.
De rolandoa a 12 de Março de 2009 às 23:55
Pensando bem não há ad hominem algum. Creio que o que o Renato nos diz é que se ataca o PC para atingir o primeiro ministro. Mas realmente isto não constitui um ad hominem. Fui seduzido pelo comentário sem pensar muito na coisa.
Obrigado pela correcção
De renato martins a 13 de Março de 2009 às 19:50
Parece-me estar implicito:

- Sócrates é um mau primeiro-ministro
- Sócrates lançou o Magalhães
- Logo, o Magalhães é mau

Só isso. Parece-me ser um ataque pessoal seja como for. O interesse não está nem nunca esteve no Magalhães (a maior parte das pessoas que fala deste PC nem sabe quanto de RAM possui) mas sim em denegrir o primeiro-ministro. Parece-me pessoal o ataque.

cumprimentos
De rolandoa a 13 de Março de 2009 às 23:14
O que se está a atacar é o computador para atingir a classe política actualmente no governo. Não se está a depreciar um argumento para atacar uma pessoa, mas um aparato tecnológico, uma ferramenta. Claro que se está a atacar pessoas, mas não no plano da argumentação. Se atirarmos uma pedra a uma pessoa não podemos dizer que é um ad hominem já que não está em causa a argumentação.
Se calhar baralhei, não?
De João Pedro a 15 de Março de 2009 às 22:19
Boas noites

Muito bom post. O comentário é claro e conciso. Concordo.

Quanto à questão do magalhães ser português, penso que o Rolando que a analogia do Rolando não é boa.

Nunca ninguém disse que o magalhães não era feito em portugal; a mentira esteve em afirmar-se que a tecnologia era portuguesa quando era copiada de outro lado qualquer; a mentira esteve em dizer que construir um pc era uma grande merda quando afinal não é.

Além disso, o magalhães é um modelo copiado tintim por tintim da microsoft: em portugal não se inventou nada; não é a primeira vez no Mundo que isto acontece; pelo contrário, fez-se parecer que Portugal era um grande inventor quando poderia (se calhar com manos custos?) ter importado o modelo estrangeiro.

Ahe relativamente ao de rerum, os Sonic Youth são catitas e o Luís é uma besta!

Cumprimentos
De rolandoa a 15 de Março de 2009 às 22:54
João,
Obrigado pelo reparo. Exagerei talvez um pouco quando me referi ao comentário de que o pc não é português.
Creio que o modelo é o da Intel, que é americana. Acontece que se abrirmos um pc da intel, quantos componentes encontramos americanos? provavelmente nenhum. Mas há episódios interessantes na política: O Hugo Chaves veio a Portugal comprar pcs cuja matriz de fabrico é norte americana.
Sou um seguidor atento dos sonic youth. Já tive o prazer de os ver ao vivo umas duas vezes.
O luís o que quer é trela. Eu é que sou burro a responder-lhe.
Abraço e obrigado
De João Pedro a 15 de Março de 2009 às 22:20
onde se lê "o Rolando", no início, não se devia ler nada
De sara a 25 de Março de 2009 às 03:27
Eu não percebo porque é que as relações comerciais entre os Estados Unidos da América e a Venezuela hão de ser embaraçosas para o Hugo Chavez sinceramente. Em todo o lado, se critica o Hugo Chavez por desaprovar as políticas adoptadas pelos últimos governos norte-americanos e no entanto manter as trocas comerciais com o país vizinho. A minha pergunta é: o que é que a posição política de um governo tem que ver com o comércio que se faz entre dois países? O Chavez não faz trocas comerciais com o Bush, nem faz com o Obama. Eu não aprovo as medidas tomadas com os governos americanos, mas não tenho nada contra o povo americano nem contra os seus produtos ^^ Lá porque o Chavez não gosta do Bush, não quer dizer que se ele comprar um pc intel já passa a gostar do Bush ! Até porque o Chavez tem que pensar é no que é melhor para o povo venezuelano e não naquilo que ele gosta ou não. Se o melhor para o povo venezuelano é comprar pcs americanos ao invés, por exemplo, de pcs japoneses, qual é a contradição aqui? Nenhuma. Se os pcs americanos forem melhores não vejo porque não.... agora, isso não quer de todo dizer que se apoia ou deixa de apoiar o governo do país no qual os são produzidos.
De rolandoa a 25 de Março de 2009 às 09:06
Sara,
O cerne do texto não é isto, mas já agora: Repare no que escreveu:
1) diz que as relações comerciais nada tem a ver com as posições políticas (o que é falso)
2) mais à frente refere que o Chavez não faz trocas comerciais com os americanos
Agora pense lá por que é que 2) acontece? Precisamente porque 1) acontece. Tá a ver?
De sara a 25 de Março de 2009 às 04:01
esqueci-me de referir que os Sonic Youth são a melhor banda de rock de todos os tempos.

E que também estudo Filosofia na FLUL, concordo com algumas das coisas que aqui foram ditas, nomeadamente o "lambe-botismo" que é preciso para que o teu trabalho seja reconhecido pelos professores, mas também vos digo que "pavões" e pessoas carenciadas de atenção e bajulação há em todo o lado, assim como também há pessoas que não vão nessas ondas do "graxismo" felizmente, a quem, de facto se tem que mostrar trabalho e dedicação para convencer. Em relação há História da Filosofia e há importância da tradição filosófica, penso que é essencial o seu estudo, uma vez que nos fornece uma importante bagagem conceptual, que basicamente é a ferramenta do filósofo, sem esses conceitos filosóficos não se pensa filosoficamente. Eu não concordo que a Filosofia seja apenas "um modo crítico" de interpretação/compreensão do real, sinceramente vejo mais que isso. A nossa forma de pensar, hoje em dia, é indissociável e incompreensível sem perceber a evolução conceptual e mundividências que lhe deram origem, ou seja, que o antecederam. Por mais originais que queiramos ser, dificilmente haverá algum dia algo de novo e absolutamente original, o ser e o pensar, enquanto obedecendo a estruturais formais da temporalidade, naturalmente caiem numa interpretação histórica ou historicista. Se não conhecer a História da Filosofia, como é que haveremos de contribuir para o seu alargamento? como é que vamos concluir a pertinência do nosso contributo? Até mesmo os analíticos fanáticos (que acham que a filosofia só começou no séc. XX a partir da publicação do Begriffschrift do Frege) não largam os textinhos dos seus paradigmas do pensar: Russell, Quine, Putnam, etc. Isto é, não pensam sozinhos, o que não quer dizer que não pensem por si. Em relação ao "decorar as teses" dos filósofos, alguém que tem boa nota ao fazer um trabalho onde apenas vomita aquilo que decorou, é porque apanhou um prof sem paciência para ler, normalmente, e segundo as avaliações que tenho efectuado, o decorar e despejar teses nunca funcionou (pelo menos não para conseguir uma boa classificação - acima dos 14...15 valores). Penso que o problema é exactamente o oposto... é haverem trabalhos (que são muito bem classificados) cujo conteúdo pode ser filosófico sim senhor, mas que não é de todo um trabalho de filosofia, é mais um diário de sentimentos e pensamentos filosóficos do fulano x. Trabalhos que não defendem nenhuma tese específica, não têm qualquer tipo de argumentação racional, baseados em impressões ou sentimentos completamente subjectivos, onde se despeja meia dúzia de referências (de preferência de pensamentos orientais místicos, que é o que tá a dar) com umas metáforas e uns floreados muito poéticos. E pronto, chama-se a isto um trabalho de filosofia. E, sinceramente, acho que a Filosofia está em crise e um dos indícios é esse tal recrutamento de filósofos para empresas, qual é a utilidade disso? nenhuma, para os trabalhadores individualmente (assim como para todas as pessoas) a filosofia é altamente instrutiva e construtiva, para uma empresa dá a aparência que os seus administradores têm preocupações éticas. Se for preciso pagam mal aos trabalhadores e não lhes dão boas condições de trabalho, ah...mas tudo bem, eles têm filósofos que tratam da "ética empresarial" ^^
O que se vê hoje em dia com estas tretas da ética empresarial e ética disto e ética daquilo, é o esquecimento ou o desviar de atenções de problemas realmente éticos como o valor da pessoa e dignidade humana, liberdade de expressão, autonomia, enfim um infindável número de problemas que hoje em dia parece que já não fazem sentido debater, como se vivêssemos num mundo muito melhor. Por outro lado, em relação ao aumento do número de filósofos, eu gostava de saber quem são... sinceramente, se calhar (lá está!) estamos mal habituados pela nossa tradição filosófica, mas há muitos poucos estudiosos de filosofia que mereçam essa designação. A crise na filosofia é resultado de uma crise cultural e civilizacional muito maior, o tempo dos grandes sistemas já foi, e há quem pense que não mais irá voltar. Mas qualquer dia haverão de se fartar do relativismo, do cepticismo e do niilismo em que vivemos, os grandes pensadores surgirão.
De rolandoa a 25 de Março de 2009 às 08:21
Sara,
Vou dar-lhe uma indicação que talvez altere o rumo do seu discurso: a filosofia não está em crise. Nunca existiram tantos filósofos como nos nossos dias, nunca existiram tantos cursos de filosofia como nos nossos dias e nunca se publicou tanta filosofia como nos nossos dias.
O que acontece, e é disso que ocasionalmente me queixo numa ou outra coisa que escrevo, é que a filosofia tal qual se ensina em portugal anda desajustada dos mais recentes progressos filosóficos. E é pena.
De resto conheço suficientemente bem o meio académico para perceber como ele funciona.
Obrigado e volte sempre
De rolandoa a 25 de Março de 2009 às 09:02
Sara,
Acabei por não dizer, mas o seu depoimento é relevante pois revela que a universidade pouco ou nada mudou desde que eu a deixei, há mais de uma década. Repare: que mais pode fazer um curso de licenciatura em filosofia senão ensinar as pessoas a articular ideias com sentido? Com efeito, isso é o que o curso de filosofia menos faz, pois em seu lugar "mete" as conversas sentimentais que a Sara refere. Isto acontece porque muitas pessoas pensam erradamente que a filosofia é uma espécie de tantra para salvar almas.
Uma vez mais, obrigado

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