Domingo, 26 de Novembro de 2006

Legalização do Aborto: Sim ou Não?

NOTA INTRODUTÓRIA: A autora do texto, Carolina Freitas, aluna do 11º ano, Turma 5, da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, solicitou uma republicação do seu texto, uma vez revisto o mesmo e reforçando-o com mais algumas premissas que melhor confirmem a sua posição em relação ao problema do aborto. da minha parte agradeço e incentivo para que continue este seu trabalho de pesquisa. Neste blog aparecem referências a leituras onde se expõe os argumentos mais fortes usados pelos filósofos contra e a favor do aborto.
Rolando Almeida
Legalização do Aborto: Sim ou Não?
      Quando nos deparamos com a questão do aborto, perante muitas pessoas estamos face a uma questão aberrante.
A opinião de muitos é a de que o feto é um ser vivo consciente e, como tal, o aborto é um assassinato. Quero ainda referir que é sempre melhor optar pela prevenção e pela responsabilidade. O uso de métodos contraceptivos é uma forma de precavermos situações mais complexas e que impliquem decisões difíceis, como a de a abortar ou não.
     É belo educar e ser-se pais, mas uma situação de aborto pode desencadear processos de arrependimento, sentimentos de culpa e consciência atribulada que é preferível evitar, mas que acontecem.
Na minha opinião sou a favor do aborto. Quando assumimos ter um filho, queremos o seu bem e a melhor qualidade de vida. Se estivermos perante a questão de uma família com necessidades podemos sempre questionar se vale a pena dar uma vida com extremas dificuldades ao nosso filho, para, mais tarde, sofrer consequências psicológicas e sociais? E quando estamos perante um caso de violação, parece ser mais consensual o aborto. Mas nesse caso também não estaremos a matar um feto não desejado? Muitos países têm já o aborto legalizado.  Porque temos de ser diferentes? Será que uma mulher não é livre de decidir, em vez de viver uma vida de revolta e deitar a perder um futuro que podia ser melhor decidido? Se liberdade todos temos e esta está sempre associada à responsabilidade, tendo consciência das consequências, liberdade de escolha e ter consciência que estamos perante um aborto, já não teremos reflectido antes de agir? Não será motivo forte?
     Para além do mais, em muitos casos, para as mulheres torna-se uma situação de humilhação, descriminação social e revolta uma gravidez não desejada. Temos o exemplo da gravidez precoce na adolescência.
De facto, os métodos contraceptivos são importantes e assim evitam-se gravidezes indesejáveis. E se, ainda assim, uma pessoa toma precauções e tem um azar?
     E já que estamos estamos a falar de métodos contraceptivos, não estará o Estado indirectamente a contribuir para um “aborto” quando nos centros de saúde sabemos que é fornecido a pílula do dia seguinte?
Será o feto o mais prejudicado, ou a mãe que terá o peso de se responsabilizar pela sua educação, futuro e que irá reflectir-se na escolha feita pela sociedade?
     Ainda assim, temos o exemplo dos orfanatos em que as crianças vivem lá toda a sua vida e com condições por vezes precárias, por vezes com ou sem ajudas do Estado, geralmente sem. Não seria para o Estado e para as próprias crianças
melhor não terem de passar por situações destas e já que estamos perante uma política em que governam os interesses e não o bem estar da população, não seria melhor ao Estado "poupar-lhe"  assuntos ligados a esta natureza.
     Ainda assim a ignorância por parte das pessoas em não terem uma opinião
sobre o assunto, ou porque vão atrás de opiniões alheias ou porque de nada sabem e votem por votar. As pessoas não se questionam porque é algo que não são do seu interesse ou importância até ao momento em que lhes acontece algo semelhante ou até mesmo por dificuldades em abertura à mentalidade e flexibilidade em lidar com assuntos do género. De pouco serve a opinião que têm, daí a legalização do aborto ser um impasse.
     Será que não existem bebés inocentes a servirem de experiências científicas? Será que o feto tem consciência que existe? Não, e se não tem, será que sente que o matam? Não. Não será preferível legalizar o aborto, em vez de abortos clandestinos ou até mesmo, para aqueles que podem, dirigirem-se ao país vizinho e fazer um aborto que é legalizado?
     Cada indivíduo irá contribuir para a existência de uma sociedade, daí que seja importante racionalizar as escolhas individuais.
     A minha resposta mais livre é que sim, sou a favor do aborto, mas para evitar situações de ânimo leve e que estas se venham a repetir várias vezes, o aborto deverá ser permitido até aos três meses de gravidez.
 
 
Carolina Freitas
Aluna do 11º 5 da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco - Funchal
publicado por rolandoa às 17:10

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13 comentários:
De Anónimo a 26 de Maio de 2009 às 09:24
gostei muito da tua opinião, concordo com o que escreveste, ajudou-me na realização de um debate, do qual sou a favor.
De anonimo a 23 de Março de 2012 às 20:16
Não te esqueças que o direito de uma pessoa acaba quando o de outra começa; a mulher tem o direito de fazer o que entender com o seu corpo mas o bebe também temo direito a vida por isso nesse presizo momento acaba a sua liberdade.
De erdtfgvyhbj a 11 de Agosto de 2012 às 18:11

werdtfygbhjn
De Adriana a 11 de Junho de 2009 às 22:35
gostei do teu ponto de vista, concordo plenamente.

mas vale legalizar do que fingir que este problema não existe e assim provocar mais mortes ou sequelas pelos abortos clandestinos...


fico por aqui
De Inez a 10 de Janeiro de 2010 às 14:37
Concordo plenamente com o que disses'te .. estou a fazer um trabalho para uma aula de portugues e tenho estado na net e tentar encontrar ideias para o meu trabalho e até agora foste a unica pessoa que eu encontrei com a mesma opiniao que eu : sim ao aborto. e com o simples facto de que nao vai ser o Estado nem niguem que vai 'mandar na nossa barriga' quando sabemos que esta criança pode nao ter condiçoes para ter uma vida melhor. ajudas'te imenso no meu trabalho Obrigada
De Anónimo a 18 de Janeiro de 2010 às 22:22
É  de facto comum em pessoas ingenuas como a autora deste texto, que simplesmente não sabe o que diz .
De rolandoa a 18 de Janeiro de 2010 às 22:39
A autora deste texto não sabe o que diz, mas diz o que sabe. O anónimo não diz sequer o que sabe, pelo que não vale a pena comentar. Ou então fala do alto da sua verdade, ungida ela mão da divindade.
E já agora: também é muito comum comentários como este não serem assinados, o que revela muito de quem os faz.
De karoline a 31 de Março de 2010 às 00:57
O texto está bom , ótimos argumentos me ajudaram muito , mas preste mais atenção aos erros de português :)
karoline
De rolandoa a 31 de Março de 2010 às 08:13
Cara Karoline,
O texto foi escrito por uma aluna no sistema de ensino português de Portugal, pelo que está em Português de Portugal que, como sabe, é diferente do português do Brasil. Não tem, por isso, erros de português. Simplesmente são 2 países diferentes, que usam a mesma língua, mas com ortografias diferentes, tal como o inglês dos EUA e o inglês de UK.
De nhabomba a 13 de Abril de 2010 às 11:24
OLHA E LAMENTAVEL A TUA SITUACAO DADO QUE VOCE ANTES DE CONCEBER EU ACHO NA MINHA OPINIAO PENSAR NO QUE ESTAS PARA FAZER NAO PENSAR QUE ISALTAR AO ALTO E SINONIMO DA RAZAO TAL COMO VOCE PENSAS.
ORA VEJAMOS SE FORMOS A VER A FINAL DE CONTA O FECTO QUE ESTAS A LHE MATAR PRECISA DOS MESMOS DIRECTOS QUE VOCE LUTAS PARA TE-LO DIA POIS DIA.
MANA NAO BRINQUES COM A FORCA DE ...
De Ida Cabral a 16 de Abril de 2010 às 16:16
O aborto e a concordância com a sua legalização, não é mais que uma prova de ignorância. Ignorância quanto às Leis de Deus, sendo que uma delas é: NÃO MATARÁS. Ignorância em relação à própria vida, pois está cientificamente comprovado que a partir da concepção já existe vida, e, há uma alma que espera encarnar para vir cumprir o seu plano de vida e a quem é retirada a grande oportunidade de o poder fazer.
Dizem que o aborto é para proteger a saúde da mulher, como se a mulher tivesse a saúde protegida ao submeter-se a esta agressão antinatural, cujas sequelas nunca são reveladas.
Em Portugal uma em cada quinze mulheres repetiu aborto desde a sua legalização. Porquê? Elas acham que isto é um método anticoncepcional?
Porque não se gastam todas essas verbas (verbas para destruir vidas) em processos de planeamento familiar ou mesmo na ajuda às mulheres que, por problemas económicos, resolvem a situação através de uma forma tão atroz, destruindo a vida que têm dentro de si?
"A nação que ou governo que crie legislação permitindo o assassinato está condenada a perecer. Ela perecerá pelo cataclismo, perecerá pelo colapso económico. Perecerá porque não é consistente com as leis da VIDA Universal". Este é um fiat Divino. Defendamos pois esta nação, defendendo a vida.
Ida Cabral / Portugal
Para os meus irmãos brasileiros eu recomendo: Não vos preocupeis tanto com a língua portuguesa mas com o conteúdo que essa língua possa expressar.
O vosso português é lindo, o nosso igualmente, mas existem diferenças.
Que Deus proteja a nossa juventude e lhes dê a visão necessária para poderem saber o que é TRIGO e o que é JOIO. Digo-vos que o trigo neste "momentum" que a humanidade atravessa, está encoberto com o joio que destrói e corrompe as almas.
De rolandoa a 16 de Abril de 2010 às 23:04
Cara Ida,
Quando tratamos filosoficamente o problema moral do aborto temos de conhecer os argumentos filosóficos de ambas as partes e não somente fazer discurso publicitário de uma das partes. Existe um livro traduzido em português e que encontra facilmente nas livrarias que é organizado por Pedro Galvão e publicado na Dinalivro. Chama-se precisamente "Aborto". Encontra nesse livro 6 artigos de bons filósofos actuais, 3 dos quais pró vida e outros 3 pró aborto.
De tatiana pereira campos a 2 de Junho de 2010 às 19:47
É IMPORTANTE QUE TENHAMOS, NOÇÃO DA TAMANHA GRAVIDADE DO PROBLEMA AO CONTRÁRIO DO QUE MUITOS PENSAM ESSE É UM ENTRE MUITOS QUE PRECISA SER ANALISADO COM BASTANTE CAUTELA E ATENÇÃO POIS ESTAMOS TRATANDO DE UM FETO O QUAL NÃO PEDIU PARA VIR A ESTE MUNDO......

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