Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Será possível o estado desaparecer da educação?

main_education Um desafio aos leitores para escrevinharem na caixa de comentários. Será possível o estado desaparecer completamente da educação? Que pensam disto?

publicado por rolandoa às 16:09

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8 comentários:
De Vitor Guerreiro a 21 de Fevereiro de 2009 às 19:23
A pergunta tem um problema: pressupõe que o estado SEMPRE esteve presente na educação. Isto é falso tanto na história como no presente, em que há casos muitíssimo respeitáveis de pessoas que recebem educação totalmente privada, seja pelos pais ou por tutores.

A pergunta talvez devesse ser a seguinte:

É desejável que o estado desapareça da educação?
De Vitor Guerreiro a 21 de Fevereiro de 2009 às 19:25
A pergunta tem um problema: pressupõe que o estado SEMPRE esteve presente na educação. Isto é falso tanto na história como no presente, em que há casos muitíssimo respeitáveis de pessoas que recebem educação totalmente privada, seja pelos pais ou por tutores. Aqui há que distinguir entre a questão de garantir o acesso universal à educação e a questão de ter de ser ou não o estado a gerir o ensino. Talvez o estado possa intervir nessa área sem participar na gestão do ensino.

A pergunta talvez devesse ser a seguinte:

É desejável que o estado desapareça da educação?

Com a concomitante pergunta de como resolver os problemas de acesso à educação por parte dos mais carenciados. Será o estado a resposta ou será que o estado só pode intervir da maneira como actualmente intervém?
De Luis Ribeiro a 27 de Fevereiro de 2009 às 16:12
Evidentemente que não. A educação é um desígnio nacional, logo o estado, por mais que queira, nunca se poderá demitir da educação. Não pode desaparecer também porque o controlo das massas é essencial para um estado de direito: controlar o que se ensina, quem ensina e para o que é que se ensina é a mais valia do estado ,dito de direito e, democrático.
De rolandoa a 27 de Fevereiro de 2009 às 16:29
Olá Luís,
antes de tudo obrigado pelo seu comentário. Na verdade eu concebo um sistema educativo à margem da intervenção do estado ou, ainda melhor, com um esforço do estado que seja minimo. Não é descartada, por exemplo, a hipótese de um sistema educativo regionalizado e privado em que escolas diferentes tem ofertas educativas diferentes. Não me parece de todo que a educação seja um designío do estado. Mas eu vejo as coisas assim porque não acredito no sistema educativo falsamente socialista, na igualdade para todos. Ou pelo menos a igualdade poide ser diferenciada.
Bem, mas confesso que coloquei a questão para ver se os leitores me ajudam a alinhavar algumas ideias já que não possuo uma ideias consistentes em relaçãoa este problema.
abraço
De ric_oli a 7 de Março de 2009 às 22:57
Caro Rolando,
Poderá o estado também desaparecer por completo da Saúde, da Justiça, da Economia? Bem, os Neo-liberais sempre afirmaram que tal não só é possível como desejável. Em absoluto. Por seu turno, o socialismo tem manifestado que são áreas de intervenção prioritária do Estado e que este deve mesmo assumir as suas rédeas. Penso que, como em tudo, estes posicionamentos extremos revelam-se perigosos e muito pouco proveitosos para o cidadão.
O problema, recolocando a pergunta é: "Quanto de Estado deve caber no funcionamento adequado da República?"
Quanto à questão da Educação, concretamente, o Estado deve pugnar pela sua qualidade, SIM; pela sua valorização social, SIM; pela sua exigência a professores, mas também a alunos, SIM.
Descendo, por fim, ao plano terreno, uma pergunta retórica: o Estado Português tem pugnado por estes SIM? Não! De todo.
Quando fizémos estágio, lembras-te de discutirmos acerca da melhor maneira de levar o entendimento dos problemas filosóficos aos nossos alunos. Hoje, temos de nos preocupar cada vez mais com a intromissão abusiva na mente do cidadão, num acto alargado de "mindfucking" que cria realidades virtuais, em que "controlo" é um fim em si mesmo.
Um abraço,
Ricardo Oliveira
De rolandoa a 7 de Março de 2009 às 23:31
Olá Ricardo,
Uma das teses que me parece muito plausível é a de que a intervenção cada vez menor do estado acresce ao mesmo tempo na liberdade das pessoas. As pessoas devem ser livres e responsáveis e o estado deve garantir as condições para que as pessoas possam trabalhar. Portanto, a ideia de uma saúde ou justiça sem estado, ou pelo menos com uma intervenção cada vez menor não me parece implausível.
Em relação ao que ensinamos aos nossos alunos: como é que podemos garantir um ensino sem psicofodas aos nossos alunos se nós próprios fomos psicofodidos no curso.
És o Ricardo do meu curso?
abraço
De ric_oli a 9 de Março de 2009 às 22:58
Rolando,
Começo por responder afirmativamente à pergunta final: sim, sou eu mesmo.
Relativamente ao tema em questão, que me parece de todo cada vez mais pertinente, a proposta de que é preciso responsabilizar as pessoas, em última análise, pelo seu "destino", desde que se criem as condições para isso, é uma proposta na esteira de John Rawls e que colhe apoio de Amartya Sen, que defende como condição prévia do Desenvolvimento (no seu sentido lato), a Liberdade (enquanto possibilidade em aberto).
Contudo, há uma outra questão, relacionada com esta, e que tem permanecido aporética: “Qual é o papel da escola neste momento?” É que tenho dúvidas que seja o exercício da liberdade do pensamento, uma vez que, actualmente, esse exercício é relegado para a mera expressão de uma opção política de 4 em 4 anos. E claro que isto também não é assim, pois nessa ocasião começa a tal psicofoda (veja-se Bush, apelando aos medos dos americanos, ou o sr. S. aqui…)
Um abraço
De rolandoa a 10 de Março de 2009 às 01:12
Olá Ricardo,
Tenho dúvidas que Rawls tivesse em mente a escola pública portuguesa :-) De todo o modo não percebi muito bem a tua analogia com Rawls. E nunca li o desenvolvimento como liberdade do Sen, nem conheço bem a tese.
Em relação ao estado e às liberdades individuais, creio que o melhor que há a ler é o sobre a liberdade do Stuart Mill.
Mas para tentar responder à minha questão no post: Tenho uma forte convicção que é perfeitamente possível educação sem estado, ou, pelo menos, que o estado garanta as condições para que a educação aconteca. E é exacatamente isso que vemos acontecer no mundo inteiro. Países mais livres entregaram mais a educação às pessoas. Aquilo que chamas "liberdade de pensamento" é uma coisa que fica ameaçada com a intervenção do estado todo poderoso. O que acontece em portugal com os professores é sintomático. Os professores deixaram durante décadas que o ministério decidisse mesmo sobre matérias sobre as quais não possui competência. Quem sabe da arte de ensinar somos nós, professores, mas andamos estes anos todos a acatar passivamente as ordens do pai. Claro que agora que nos vão ao bolso, nos revoltamos. E revoltamo-nos com muita razão já que a avaliação a impor é uma treta, mas devemos aprender com os erros do passado, para não nos deitarmos a dormir outra vez. E o mesmo se passa com a filosofia. Esperamos sempre que o ministério decida por nós, até que um dia decide acabar com ela de vez. Nessa altura não vão faltar as lamúrias do costume. Mais vale aproveitar já. Como? Reclamar melhor programa, reclamar a reposição do exame nacional e refrescar o ensino da filosofia com manuais actuais e competentes. Mas para isso Ricardo, vamos ter de por de lado as experiências com os Mijós da faculdade e toda a panóplia de génios ilustrados que aturamos ingenuamente.
abraço
volta sempre

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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