Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Dúvidas no ensino da filosofia

50373591a5 Todos os anos, quando termino o ensino de uma unidade no ensino secundário, fico com algumas dúvidas. Ano a ano vou aperfeiçoando as técnicas e referências para ensinar filosofia de modo mais eficaz. Já aprendi a conviver pacificamente com essa circunstância. Se fosse assistir às minhas aulas de há 5 anos atrás era bem capaz de me rir de algumas calinadas científicas e maus exemplos usados. A início sentia uma espécie de vergonha, com o tempo fui apercebendo-me que ao lidar com um saber como a filosofia não existe um estado final de paz perpétua em que se sabe tudo. O melhor mesmo é estudar e ensinar com o mesmo prazer com que aprendo. E confesso que existe sempre latente um lado de frustração com a obrigação de ter de saber mais do que aquilo que sei mesmo actualmente. Seja como for a melhor solução é estudar e preparar o melhor possível as aulas. É desse modo que se descobre, por exemplo, que é impossível ensinar a partir de determinados manuais de filosofia, de tão desadequados a um ensino rigoroso que são. Este ano ainda não descansei com algumas dúvidas que restaram do ensino da lógica formal e informal (que acabei somente na primeira quinzena de Janeiro). Algumas dúvidas são de tal ordem que ainda nem sequer as tenho claras para as poder explicitar. Outras são pormenores que muitas das vezes afectam o todo e o modo como respondo aos alunos. Uma delas residia na fronteira estrita entre o que são falácias e não são. Será que podemos falar de falácia formal no mesmo sentido em que falamos de falácia informal? Por exemplo: há argumentos inválidos que são tão óbvios que não se classificam como falácias. Mas são óbvios de que ponto de vista? Se for do ponto de vista estritamente lógico, sabendo um pouco de lógica qualquer agente é capaz de compreender a falácia, mas se depender do agente como é que podemos considerar um argumento obviamente falacioso?

Algumas questões destas não fazem qualquer sentido, mas é necessário fazê-las para perceber o alcance e limites de determinado estudo. Foi com questões destas que, no meu cada vez mais limitado tempo, reli alguma bibliografia, ainda que de modo apressado que é o mais inadequado a estas circunstâncias. E no meio dessas leituras descobri uma que tinha já feito há 3 anos e que merece a pena relembrar, não só porque responde à maior parte das dúvidas que podem surgir, como é muito clara e está escrita em português desde a origem. Não existe sequer a necessidade de recorrer a livros estrangeiros, pelo menos num primeiro passo já que temos aqui à mão uma explicação eficaz de um bom lote de dúvidas que surgem ao professor, embora seja uma leitura menos adequada para os alunos. Fica uma vez mais a sugestão. Espero que seja útil.

Desidério Murcho, Pensar outra vez, Filosofia, Valor e Verdade, Quasi, 2006, Cap. 7, “Epistemologia da Argumentação”, p.113

publicado por rolandoa às 11:33

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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