Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Outro paradoxo

Digitalizar0001 Se «esta frase é falsa» for verdadeira, então é falsa. Mas se for falsa? Então é verdadeira. Estamos enredados no paradoxo. Digam lá o que pensar?

publicado por rolandoa às 14:58

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5 comentários:
De Anónimo a 3 de Fevereiro de 2009 às 19:14
O cretense Epiménides diz: “todos os cretenses são mentirosos.”
Se disse a verdade, como é cretense, então mentiu e o que disse é falso. Se não disse a verdade, isto é, se mente, então os cretenses não são mentirosos e Epiménides também o não é. Então ao mentir diz a verdade.
Os paradoxos mostram a dificuldade de tentar que uma frase declarativa diga qualquer coisa acerca da sua própria verdade ou falsidade.
Repare nas seguintes afirmações:
Lisboa é a capital de Portugal.
Lisboa é um substantivo.
Em Lisboa desagua o Tejo.
Lisboa tem seis letras.

A que nos estamos a referir ao falar de Lisboa? Na primeira e na terceira frase falamos de Lisboa cidade; na segunda e na quarta referimo-nos à palavra Lisboa. Por isso os lógicos distinguem a designação do designado. O designado é o ser, o ente ou a entidade a que o termo se refere.
Designação: nomes ou termos que representam os seres existentes.
Designados: os seres existentes.
Quando nos queremos referir à palavra e não à realidade que ela nomeia colocamos o termo entre aspas simples. Assim para evitar confusões nos exemplos anteriores deveríamos escrever:
‘Lisboa’ é um substantivo.
‘Lisboa’ tem seis letras.

A distinção entre designação e designado está intimamente ligada à distinção entre linguagem e metalinguagem, pois para falarmos de uma linguagem objecto teremos de nos servir de uma metalinguagem. Este refinamento conceptual serviu para tentar ultrapassar os paradoxos.
A solução clássica deve-se à utilização do conceito de metalinguagem (apresentado por Alfred Tarski). As frases sobre a realidade (como «o céu é azul») são em linguagem-objecto ou linguagem de nível zero (linguagem objectiva); mas as frases sobre os valores lógicos (verdadeiro ou falso) devem ser feitas em metalinguagem ou linguagem de nível superior.
Assim, a frase «o céu é azul» é em linguagem-objecto, mas a frase «'o céu é azul' é verdadeira» é feita em metalinguagem ou linguagem de nível um. Se pretendermos falar do valor de verdade desta última frase, teremos que utilizar uma linguagem de nível superior. No exemplo seguinte,
1. As maçãs são azuis;
2. A frase 1 é falsa;
3. A frase 2 é verdadeira,
A frase 3 é escrita numa linguagem de nível superior à metalinguagem da frase 2.
O que este conceito de metalinguagem faz é “proibir” que as frases sobre a realidade se refiram ao (seu) valor de verdade.

De Catarina a 12 de Fevereiro de 2009 às 17:16
Este parágrafo tem cinco palavras. Ou serão oito?
De Anónima a 16 de Julho de 2012 às 13:32
Para quem não estuda filosofia, muito menos lógica - visto que se integra nos programas de ensino do secundário e nos cursos superiores de filosofia - , para quem não está familiarizado com essa muy nobre e das ciências mais universais existentes, nem se interessa por ela, este paradoxo é uma tremenda confusão! Aliás, como todos os paradoxos sabem ser, pela sua simples definição. Contudo, também a vida é rodeada de paradoxos e contradições e todos somos obrigados a compreende-los, bem ou mal, e a reagir. Ou tudo isto também não passa de um paradoxo?

Aproveito a ocasião para o felicitar pelo seu blog. Agora que o descobri, e que me está a dar um imenso jeito para a minha entrevista de acesso ao mestrado, não o vou perder de vista :)
 
De Anonima a 16 de Julho de 2012 às 13:35
Para quem não estuda filosofia, muito menos lógica - visto que se integra nos programas de ensino do secundário e nos cursos superiores de filosofia - , para quem não está familiarizado com essa muy nobre e das ciências mais universais existentes, nem se interessa por ela, este paradoxo é uma tremenda confusão! Aliás, como todos os paradoxos sabem ser, pela sua simples definição. Contudo, também a vida é rodeada de paradoxos e contradições e todos somos obrigados a compreende-los, bem ou mal, e a reagir. Ou tudo isto também não passa de um paradoxo?

Aproveito a ocasião para o felicitar pelo seu blog. Agora que o descobri, e que me está a dar um imenso jeito para a minha entrevista de acesso ao mestrado, não o vou perder de vista :)
De rolandoa a 16 de Julho de 2012 às 14:04
Olá, obrigado pelas suas palavras. A continuidade deste blog está em:  http://filosofiaes.blogspot.pt/ dado que encerrei o blog no portal Sapo. Felicidades

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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