Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Expliquem-me como se eu fosse muito burrinho

burro Já insisti com esta pergunta, mas ainda ninguém deu uma resposta satisfatória. Hoje quando olho para a primeira página de vários jornais deparo-me com a notícia do sucesso escolar na maior parte das escolas do país com uma taxa elevadissíma. A pergunta é: se os resultados são assim tão bons ainda sem os efitos de um novo Estatuto da Carreira Docente, qual a razão de impor um ECD novo com a desculpa de que está em causa o sucesso educativo? Por outro lado, há ainda a explicar como é que o sucesso apareceu sem qualquer reforma que produzisse resultados? Veio do nada? Até spu professor e topo como as coisas evoluem, mas não é preciso ser professor nem muito inteligente para topar que os resultados aparecem pelo facilitismo imposto nos exames e nas escolas. E o share aparece em força! No meu tempo, os que passavam por favor eram considerados uns aleijadinhos. Culpados? Ministério da Educação e todas as pessoas, pais, professores, cidadão comum, que aceitam esta situação pacificamente.

Nota: com todo o respeito pelo animal que está na foto.

publicado por rolandoa às 09:29

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12 comentários:
De João Sá a 29 de Outubro de 2008 às 10:28
Eu também devo ser muito burrinho.
Quando vivemos num mundo onde só o sucesso (mesmo que aparente) conta, onde não interessa o caminho percorrido, o que fazer?
O ambiente é adverso mas eu não desisto.
De Carlos Silva a 29 de Outubro de 2008 às 11:08
Rolando e João,

Hoje, mais do que nunca, a Economia "comanda" os destinos dos povos. A própria política, nomeadamente as políticas educativas, está subordinada à lógica sufocante do dinheiro, entendido como valor-fim.
Resumindo e concluindo, a reprovação de um aluno sai dispendiosa ao Estado, logo há que o "passar", ainda que administrativamente. Até podiamos formular uma inferência mediata por dedução:

O que sai caro ao Estado deve ser banido.
Reprovar um aluno sai caro ao estado.
Logo, devem ser banidos os alunos que reprovam!

Ou melhor, devem ser banidas as reprovações! Claro que o objectivo de quem ensina é o sucesso mas não a qualquer preço. Pode sair caro ao país.

Abraço,
Carlos JC Silva
De rolandoa a 29 de Outubro de 2008 às 11:33
Caro Carlos,
Mas tu estás a ver as coisas como se algo que esteja rendido à economia seja um mal em si. E pode não ser assim. É graças à rendição à economia que se desenvolveram boas escolas e bons sistemas de ensino. O que me parece errado não é que o ensino esteja vendido à economia, mas antes vendido a uma visão limitada e patusca do que é um sistema educativo e, pior ainda, rendido à ideologia do romantismo. Isto é que, a meu ver, nos dias que correm é atrasado e errado. De resto que o ensino esteja rendido à economia não me parece um mal por si só.
abraço
De NÃO SOU PROFESSOR a 29 de Outubro de 2008 às 13:49
Comprêendo a ideia de não haver chumbos e dos alunos serem acompanhados um a um...é lindo, é muito bonito sem dúvida. Como compreendo aquelas leis que se não cumprem, como proibido estacionar em cima dos passeios etc. tendo que se socorrerem de pilaretes ou policias "estacionados" nesses passeios. Claro que o gajo que fabrica os pilaretes é que ficou a ganhar.
O problema é: onde está o dinheiro para sustentar em termos praticos essa linda ideia.
Deixem-se de tretas..NÃO HÁ
Ou são os próprios professores que vão ter o trabalhinho. ?
Muita demagogia muito populismo e ainda falam do Paulinho das feiras...
Não vão ser acompanhados e no fim são largados no mercado global sem habilitações reais e com emprego garantido a descarregarem camionetas ou semelhante.


De Alzira sobreiro a 29 de Outubro de 2008 às 14:45
É de facto uma vergonha o facilitismo que se manifesta nesta area tão importante para o futuro de um país.Estamos a investir nos jovens...Arrepia-me pensar que também faço parte desta cabala, porque o meu trabalho tem a ver com este Ministério...
De Carlos Silva a 29 de Outubro de 2008 às 17:02
Rolando,

Aparentemente é a "ideologia do romantismo" que orienta as políticas educativas na actualidade. Mas só aparentemente. É claro que o discurso assumido e politicamente correcto é o do romantismo. É assim que se conduzem as massas. Mas a questão de fundo não é romântica mas sim económica. Mas é apenas uma opinião.

Abraço,
Carlos
De rolandoa a 29 de Outubro de 2008 às 19:01
Carlos,
Bem, isso é verdade e eu exagerei no na minha resposta. Pus-me aqui a pensar: como negar que se trata efectivamente de uma questão economica? Tens razão. Não há que o negar. Isso seria enganar-nos a nós próprios. E é também verdade que a questão económica não pode ser a principal questão de uma política educativa.
De rolandoa a 30 de Outubro de 2008 às 01:02
Cara Alzira,
é necessária alguma coragem para enfrentar tudo o que se tem passado. Obrigado pela visita.
De Alexandra a 2 de Novembro de 2008 às 14:01
Hoje, quando consultava o leitor de feeds, deparei-me com uma notícia cujo título é «Conselho Executivo demite-se saturado com casos de violência». Cujo conteúdo ultrapassa largamente o título.

Link: http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=582EACE6EFA21F85E0400A0AB80026A1&schemaid=&opsel=1

Pergunto. Como é que é possível haver uma elevada taxa de sucesso escolar na maioria das escolas do país quando o clima é de violência e medo? Como é que pode aumentar o sucesso escolar quando aumenta a violência nas escolas?

Como é que há uns anos não havia liberdade de expressão e agora não há sequer segurança dentro das escolas?

Par onde caminha o ensino público português?

Pretende o estado implementar o modelo do programa Novas Oportunidades como modelo corrente de ensino? Um modelo que pretende que os alunos façam três anos de escolaridade num só ano, com um número muitíssimo reduzido de aulas e conteúdos...

Algumas pessoas acreditam que o ensino público terá o seu fim brevemente. Espero que não. Isso seria mau. Especialmente mau num país como Portugal, em que há fraca mobilidade social, em que a única hipótese que uma pessoa pobre ou de classe média baixa tem de oder melhorar a sua vida é atraves do ensino público, terminando no cada vez mais «sufocado», por dificuldades económicas, ensino superior público.

Estudante.
De rolandoa a 2 de Novembro de 2008 às 14:17
Cara Alexandra,
Como o momento é de tensão, existe a tendência ao aparecimento de alguns discursos mais dramáticos. Não me parece que seja o fim do ensino público. Parece-me sim que o que está em causa é a qualidade desse ensino num aspecto que me parece central: é que as desigualdades do acesso ao conhecimento tendem a acentuar-se. Com mudanças tão apressadas e atabalhoadas é natural que os resultados sejam confusos.
De Alexandra a 6 de Novembro de 2008 às 08:50
Não me expliquei bem. Não me referia ao fim do sistema de ensino no sentido de deixar de existir. Referia-me ao fim do sistema de ensino como sistema de razoável qualidade.

Parece-me que estas medidas, como outras tantas de governos anteriores põem em causa a qualidade do ensino, adiando ou impedindo aquilo que devia ocorrer por lógica e evolução, a crescente qualidade do ensino público como meio de fazer face às desigualdades cada vez mais assentes na educação e formação.
De Alexandra a 2 de Novembro de 2008 às 14:13
Quanto à eliminação das reprovações ou «chumbos»,

Compreendo a ideia mas sei claramente que se for aplciada no actual sistema de ensino português vai ser um autêntico fracasso.

O problema não é suprimir-se as reprovaçõess. O problema é não se fazer um bom acompanhamento dos alunos com maiores dificuldades de modo a que por meios especiais aprendam o que os outros aprendem pelos modos correntemente utilizados actualmente nas aulas.

Ou seja, o problema é que suprimem-se os chumbos e tudo o resto fica igual. E o resultado, claro está, não vai ser bom. Vão passar a haver mais alunos com dificuldades nos níveis mais elevados de escolaridade obrigatórica. Alunos que não sabem as regas mínimas de português, alunos que não sabem os cálculos básicos de matemática, alunos praticamente sem conhecimentos de cultura geral (história, ciências, etc), etc.

Se a sociedade portuguesa já desvaloriza o conehcimento, então a coisa vai-se complicar. Se os resultados nos PISA já são vergonhosos então vãos er piores. Se em boas unviersidades já há tantos alunos com dificuldades, ainda vai ser pior, a não ser quetransformem o ensino superior num ensino profissional e aí vamos ver Portugal a sair dos rankings de Universidades, já para não falar nos reflexos das consequências ao nível do mercado, etc.

Estudante.

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Rolando Almeida


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