Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Negar condicionais

 1-Seta Em conversa com um colega de filosofia, este deu-me um exemplo muito intuitivo para compreender a negação da condicional. Se alguém me disser “se eu for à Madeira, vou visitar o Rolando”. Para negar esta frase a forma correcta não é “Se eu não for à Madeira, não vou visitar o Rolando”. A negação de uma frase tem de alterar o valor de verdade da frase de partida. Assim se a frase que se quer negar for verdadeira, a sua negação terá de ser falsa e vice versa. Deste modo, se “se eu for à Madeira, vou visitar o Rolando” for verdadeira, negando-a como “se eu não for à Madeira, não vou visitar o Rolando” continua à mesma verdadeira, de modo que esta não é a forma da sua negação. Então como negar? Basta pensar que se “se eu for à Madeira, vou visitar o Rolando” for verdade, em que condições é que se é mentiroso? Se se for à Madeira, mas não se tiver ido visitar o Rolando, pelo que a negação correcta é, “Eu fui à Madeira, mas não fui visitar o Rolando”. Se for verdade que o protagonista da frase de origem veio à Madeira, mas não me veio visitar, negou a frase de origem tornando-a falsa e verdadeira a frase de chegada.

publicado por rolandoa às 00:30

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10 comentários:
De Carlos Pires a 6 de Outubro de 2008 às 14:57
Bom exemplo e bem explicado, mas na tabela de verdade há um lapso: a proposição “Eu fui à Madeira, mas não fui visitar o Rolando” é uma conjunção e portanto é "P e não Q". De resto, é dela os valores de verdade que lá estão e não de "não P ou Q". (É complicado inserir aqui símbolos)

Outro bom exemplo (e que permite falar de mais coisas e assim mostrar a utilidade da Lógica):

Se há liberdade de expressão surgem faltas de respeito e insultos.
De rolandoa a 6 de Outubro de 2008 às 19:03
Carlos,
O seu comentário provocou-me o riso por uma razão engraçada: é que a imagem nada tem a ver com o texto, nem sequer tinha olhado bem para a imagem.. mas ainda bem que avisou pois não me ocorreu o mais óbvio: que quem ler vai olhar para a imagem e vai topar que não tem nada a ver.
Obrigado, vou ter de mudar a imagem
abraço
De teresa a 29 de Outubro de 2008 às 22:38
Não seria mais filosófico explicar o que é o Modus Ponens e o Modus Tollens?
De rolandoa a 29 de Outubro de 2008 às 22:59
hummm... como assim? não percebi muito bem.
De Carlos Pires a 6 de Outubro de 2008 às 22:49
Não sei se percebo a “lógica” do seu riso. Seja como, 2 breves observações.

1. A leitura do seu post sobre a negação de proposições condicionais (mesmo para uma pessoa que nunca tivesse lido mais nada neste blogue nem no Blog da Crítica) torna evidente que o Sr. RA sabe formalizar a proposição “Eu fui à Madeira, mas não fui visitar o Rolando”. Por isso mesmo, ao escrever o meu comentário entendi a última coluna da tabela de verdade como um lapso, como uma gralha. Se calhar, errei ao escrever apenas “lapso” e suprimir “gralha” e ao explicitar qual era o lapso em vez de apenas dizer que havia um lapso na última coluna. (Mas explicitar uma tal coisa – nomeadamente num blogue lido por alunos – será realmente um erro?)

2. A afirmação de que a imagem (de uma tabela de verdade) não se relaciona directamente com o conteúdo do texto soa de modo muito estranho a um leitor dos seus textos sobre manuais escolares. Leva por exemplo a pensar no infelizmente famoso “Um outro olhar sobre o mundo”. Este, numa edição anterior à actual, tinha a fotografia dumas rosas a ilustrar uma página sobre a dedução (sem que nela existisse qualquer exemplo de argumento dedutivo acerca de rosas). Todavia, acredito piamente que o Sr. RA tenha um critério melhor ao seleccionar imagens – independentemente do facto de na referida tabela de verdade as 3 primeiras colunas serem exactamente aquilo que deviam ser caso a dita cuja tivesse algo a ver com o conteúdo do texto.

Por fim, uma coisa que não tem nada a ver. Aprendi bastante com diversas coisas suas que li. Obrigado, pois. Com os melhores cumprimentos.
De rolandoa a 6 de Outubro de 2008 às 23:02
Caro Carlos,
Obrigado pelas suas palavras. Quando escrevi o texto escolhi uma imagem sem ter o cuidado de observar o constúdo da mesma. Parece claro que eu não tenho no blog o cuidado que teria se estivesse a fazer um manual. O blog é um espaço no qual me posso dar à liberdade do erro, pois posso sempre emendar na hora. Acho que o Carlos não percebeu: o inspector de circunstâncias presente na imagem não foi pensado para o texto que escrevi.
abraço
De Joana Sousa a 7 de Outubro de 2008 às 18:11
Eu só sei que se EU, Joana Sousa, for à Madeira, vou certamente visitar o Rolando!

E Rolando, quando vieres a Lisboa, não te esqueças da Joana :)
De rolandoa a 7 de Outubro de 2008 às 18:16
combinado :-)
De João a 11 de Outubro de 2008 às 10:52
P implica Q é equivalente a ~P v Q. Ora ~(~P v Q) = P e ~Q. Portanto a negação de “se eu for à Madeira, vou visitar o Rolando” será " eu vou à madeira e não visito o Rolando". Confere?
De rolandoa a 11 de Outubro de 2008 às 17:29
Sim, de acordo. Ou "eu vou à madeira mas não vou visitar o Rolando". Se é verdadeiro que p implica q, a falsidade será se p não implicar q, isto é p e não q. De resto julgo não existir uma forma métrica para compor o texto. Sinceramente nunca pensei muito nisso, mas é possível que exista, embora me pareça que terá mais a ver com aspectos relacionados com a linguística. Espero não estar a inventar :-)

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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