Terça-feira, 15 de Julho de 2008

A prática da ética

Digitalizar0001 O livro de ética de Anthony Weston, traduzido entre nós e publicado pela Esquilo, é uma obra semi esquecida, mas que vale a pena pegar por várias razões. A principal é que se trata de uma prática introdução ao mundo da ética, não tanto no tratamento directo dos problemas desta área da filosofia, mas nas explicações dadas quanto ao modo como é que filosoficamente se trata a ética. No fundo trata-se de um pequeno manual de como se pensar a ética filosoficamente, de modo consequente. O autor já nos tinha surpreendido com o modo prático e claro das suas explicações em A Arte de Argumentar, um dos volumes da colecção Filosofia Aberta da Gradiva. Neste pequeno manual a linha é a mesma: a quem quer que se disponha a pensar os problemas da ética, o primeiro passo pode perfeitamente ser dado com este pequeno livro sem atropelos futuros. O que aqui temos é um manual de argumentação bem ao estilo de A Arte de Argumentar, mas direccionado para a ética, com exemplos práticos e modelos para inclusive redigir um ensaio sobre os problemas éticos. Uma nota final ao editor: é saudável a edição de obras contemporâneas de filosofia e destinadas a esclarecer o público geral mais curioso, com efeito a Esquilo é uma editora muito direccionada para obras de esoterismo que nenhuma relação possuem com a filosofia, apesar das confusões existentes.

Anthony Weston, ética para o dia a dia, Esquilo, 2002, Trad. Susana Pouson e António Carlos

publicado por rolandoa às 00:37

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2 comentários:
De Daniel Oliveira a 1 de Setembro de 2008 às 23:17
Boa Noite:

Deparei-me com o seu blog, no qual considero ter artigos muito interessantes e pertinentes.
Em relação a este artigo em particular considero a sua opinião em relação às obras da Ésquilo pouco fundamentada, pois aquilo a que vulgarmente se chama de esotérico, foi, na sua essência, o alicerce de toda a filosofia profunda e natural, isto é, aquela inata do Homem. Pensemos em todos aqueles filósofos (no real sentido da palavra, aqueles que procuraram as verdades profundas da natureza para as aplicar nas suas vidas e talvez inspirar outros a fazer o mesmo) de algumas das mais brilhantes civilizações do passado: Tinham um cariz, penso, muito prático, forjado na acção e não unicamente no pensamento Nas suas buscas, quase sempre "tropeçavam" com a fronteira entre aquilo que se entende com o intelecto e aquilo que necessita de um processo mais intuitivo (não instintivo) para poder ser absorvido por nós. E aí tinham que decidir se avançavam e procuravam algumas respostas de um e outro lado ou se entravam num processo exclusivamente mental e muitas vezes cíclico e redutor.
Contudo, parabéns pela sua iniciativa.
Daniel Oliveira
De rolandoa a 2 de Setembro de 2008 às 00:31
Caro Daniel,
Antes de tudo, obrigado pelo seu comentário. Não sei o que significa filosofia inata ao homem, como refere no seu comentário. A ideia não me parece pacífica e, se o é, que filosofia é inata ao homem? Será que queria dizer que antes da racionalidade dos filósofos existia a explicação mitica? Mas o mito não tem nada a ver com o esoterismo que referi.
No seu comentário surge outra dificuldade quando refere:
"Nas suas buscas, quase sempre "tropeçavam" com a fronteira entre aquilo que se entende com o intelecto e aquilo que necessita de um processo mais intuitivo (não instintivo) para poder ser absorvido por nós. E aí tinham que decidir se avançavam e procuravam algumas respostas de um e outro lado ou se entravam num processo exclusivamente mental e muitas vezes cíclico e redutor."
O que é que necessita de um processo mais intuitivo? O mito? a explicação esotérica? A última frase também não me parece clara de todo.
Finalmente: o legado filosófico dos filósofos gregos não foi o esoterismo nem as explicações mitológicas, mas sim os argumentos e a racionalidade. Sócrates foi condenado por colocar em causa dogmas e mitos. Mas realmente, Daniel, fico num impasse para lhe responder, pois não compreendo o que quer dizer com filosofia profunda e natural ou inata.
Obrigado e volte sempre

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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