Domingo, 22 de Junho de 2008

Duas tradições?

0,,12064709-EX,00 Na secção de comentários recebi este muito interessante. Escrevi ao autor, Vitor Guerreiro, autor também do blog Ana Litica Mente e pedi para o publicar em forma de post. O comentário refere-se às pseudo divisões bairristas entre filosofia X e filosofia Y.

A diferença fundamental entre duas «tradições» (acho muita graça aos tiques que esta palavra disfarça), uma que se interessa pelos processos argumentativos e pelo conteúdo das ideias, e outra que se interessa na mera genealogia das ideias é esta: num dos casos, a importância de algo mede-se pela contribuição positiva que nos dá para o pensamento de algum problema identificável e capaz de ser formulado claramente. (Há a ideia idiota de que quanto mais obscuros e indefiníveis são os problemas, mais profundas são as cabeças que os congeminam), no outro caso, a importância de algo mede-se por nos fornecer um acervo de palavras inusitadas e irreverentes, que usaremos para exibir de um modo atrevido a nossa filiação na «tradição» particular que escolhemos. Depois é só imaginar as reacções epidérmicas que os outros vão ter ao constatar esta nossa afirmação genealógica - o sex appeal de se ser qualquer coisa acabada em "iano" (sim, porque os pós-modernóides desconstruíram o "ismo" - assim, já não há marxistas, há marxianos... e marcianos também). O appeal de se ser nietzscheano. Depois é a torrente de asneiras: um gajo diz que é monista ou que pensa x ou y acerca da mente, não porque tenha um pensamento claro e sistemático sobre o assunto, mas porque é espinosista, ou porque é nietzscheano, ou outra coisa qualquer. Quer dizer, o que importa não é o pensamento, é o modo irreverente como se atira aos mortais ignorantes a nossa filiação, a nossa erudição oca que só lá está a tapar uma ausência real de pensamento e uma proverbial e lusitana preguiça de pensar. Porque o que interessa nesta «tradição» continentalóide não é o trabalho filosófico mas um análogo mais sofisticado da mesma coisa que os putos fazem com os ídolos rock e as t-shirts estampadas.”

publicado por rolandoa às 00:17

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12 comentários:
De Daniel a 27 de Junho de 2008 às 14:31
Será que não estão cometendo a falácia do espantalho em relação aqueles que defendem a importância da tradição? Na verdade esse debate para mim é muito vago. Não se fala claramente o que está em questão e em que medida uma maneira de fazer filosofia é tão distinta da outra. Considerando que só há essas duas. Uma mais focada no ensino da tradição, da exegese de autores e textos, e outra mais focada no debate de problemas, mas sem, contudo, desprezar os textos clássicos, porém não transformando esses em verdades absolutas.



De rolandoa a 28 de Junho de 2008 às 14:19
Olá Daniel,
Não percebi onde é que aponta a falácia do espantalho. De todo o modo o que o Vitor Guerreiro defende é precisamente que não existe divisão filosófica e que as tentativas de dividir a filosofia são ficções.
abraço e obrigado
De Daniel a 1 de Julho de 2008 às 15:52
Olá professor Rolando,

É porque o comentário parece uma simplificação do problema e não aprofunda em que sentido só haveria uma tradição. Não explica por que o consenso em filosofia é tão difícil, ou uma série de outros problemas. Há menos razões para se aderir a uma filosofia de linha inglesa e americana do que uma certa simpatia. Eu queria entender melhor. Se não entendo, não é por má vontade, mas é porque não compreendo mais. Tenho sempre a sensação de que está se esquecendo de explicar muitas coisas.

Esses dias um colega me citou o seguinte:

Sobre a questão das tradições: você conhece alguma coisa sobre Gadamer Ele tem uma reflexão bastante interessante sobre o papel da tradição na formação do pensamento filosófico – sem cair na pura e simples exegese de textos ou no irracionalismo contextualista, que acredita que não é possível fazer discussões de caráter universalista.

Desconheço o texto, mas fiquei curioso em lê-lo. Poderia falar um pouco como vê a tradição e o seu papel na filosofia?
De rolandoa a 1 de Julho de 2008 às 16:24
Caro Daniel,
A sua última questão parece-me mais interessante do que as que faz antes dessa. Como vejo a tradição filosófica? Vejo-a com toda aimportância. Agora há uma diferença elementar que é necessário estabelecer: fazer filosofia não é o mesmo que fazer história da filosofia. Fazer filosofia, na tradição socrática e não noutra, é discutir os problemas. Ora para os discutir tem necessariamente de estar em contacto com a tradição, já que é nos textos centrais dos filósofos que os problemas são discutidos. A história da filosofia não tem esta especificação crítica.
Em relação às suas primeiras questões: repare: quando, na época de Descartes, a língua culta era o latim, escrevia-se e publicava-se nessa língua e ninguém falava de duas tradições. Não existem duas tradições, quer em filosofia, em física ou matemática. Existem modos de se fazer filosofia, um deles é o hermenêutico, que é muito importante, mas não é, de longe, o de maior relevo para a discussão dos problemas. Em certo sentido não se faz filosofia ou o que quer que seja, sem fazer hermenêutica. O que distingue, se quiser, a tradição analítica, que é a socrática, da pós moderna, por exemplo (que é muito passageira na história da filosofia mas como aconteceu há décadas temos a tendência a pensar que a filosofia é só isso) é basicamente a língua em que elas se expressam. Uma expressa-se em francês e alemão e outra em inglês. Mas hoje em dia o saber e a cultura expressa-se em língua inglesa, menos para os países e culturas paradas no tempo que pouco ou nada produzem de relevante, como é o caso de Portugal. A questão das tradições não é sequer um problema filosófico, é um pseudo problema inventado por academias pouco sofisticadas filosoficamente. É natural que assim seja: os maiores e melhores filósofos não estão nas universidades portuguesas e poucos estão nas francesas ou alemãs. Estão nas americanas, pois é lá que lhes pagam melhor. Segundo sei, nessas universidades tanto se estuda Gadamer, hermenêutica como a chamada tradição analítica, muito embora seja esta última a que possui maior projecção, como sempre teve onde quer que se faça filosofia.
abraço
P.S. a minha formação inicial passa por autores como Gadamer. Aliás esse é um autor estudado na disciplina de hermenêutica.
De Daniel a 2 de Julho de 2008 às 14:11
Caro professor Rolando,

Agora há uma diferença elementar que é necessário estabelecer: fazer filosofia não é o mesmo que fazer história da filosofia.

A questão parece-me que às vezes é difícil fugir da história da filosofia, ou da exegese dos textos, pois se vamos até Aristóteles porque estamos interessados no significado do conceito de substância para algum debate envolvendo esse conceito e vemos que há bibliotecas cheias com visões conflitantes sobre esse conceito, como fazemos? Como fazemos filosofia aí?

Fazer filosofia, na tradição socrática e não noutra, é discutir os problemas. Ora para os discutir tem necessariamente de estar em contacto com a tradição, já que é nos textos centrais dos filósofos que os problemas são discutidos. A história da filosofia não tem esta especificação crítica.

Poderia caracterizar melhor isso que chama de tradição socrática?

A questão talvez seja do ponto de partida. Enquanto uns partem de questões para posteriormente ir buscar respostas na história da filosofia, outros partem da história da filosofia e procuram ver que problemas motivaram as respostas dadas. Não?

Em relação às suas primeiras questões: repare: quando, na época de Descartes, a língua culta era o latim, escrevia-se e publicava-se nessa língua e ninguém falava de duas tradições.

Mas havia empirismo, racionalismo, havia uma filosofia mais próxima da religião, haviam maneiras muito diversas de fazer filosofia. Então será que o problema está em como definimos 'tradição'? Ou isso é também um pseudo-problema?

Se uma tradição hermeneutica diz que é produto de uma tradição, talvez não Socrática, mas anterior ao próprio Sócrates e que passe por ele, e uma tradição analítica diga que é fruto de uma tradição socrática, então a questão está em como cada um lê essa história da filosofia, ou não? E por que aceitar que uma tradição é mais certa, ou mais correta do que a outra.

Assim como disseste que a tradição hermeneutica, ou o pós-modernismo podem ter apenas algumas décadas (talvez um século já), alguém poderia dizer que uma tradição analítica também teria apenas um ou dois séculos. E aí como ficamos?

Obrigado por seus comentários,

Daniel
De rolandoa a 2 de Julho de 2008 às 16:31
Olá Daniel,
É evidente que existe esse trabalho de interpretação dos textos. Se interpretar um texto é uma condição necessário para se fazer filosofia, com efeito, ela não é suficiente. Mas não devia existir qualquer problema nisso. Imagine lá a situação da matemática: um matemático também tem de interpretar problemas e fórmulas, com efeito fazer matemática não se resume a interpretar as fórmulas, mas a alcançar resultados válidos. Se quer saber o conceito de substância em Aristóteles, o melhor a fazer é guiar-se pela bibliografia central. Existem milhares de livros, mas ninguém lê milhares de livros para saber um conceito X. Lê-se a bibliografia central. Por exemplo, eu estou aqui em casa, se quiser saber o conceito de substância, levanto-me, vou ali ao armário onde guardo os livros, pego na Routledge Enciclopedia of Philosophy e vejo o conceito. Se ainda não estiver satisfeito posso ler um pouco da história da filosofia do Kenny. E se ainda não estiver feliz posso ler o dicionário do Mautnet. Garanto-lhe que, no final, já tenho bons elementos para compreender o conceito. E este exercício leva-me uns 20 minutos. Por vezes temos a ideia que temos que dominar tudo em absoluto. Como em todos os saberes, existem milhares de estudos, mas não precisamos de os ler a todos. Por essa razão há textos que são centrais e escrevem-se dezenas de bons guias. Também fala que os textos são conflituantes. Pois, mas isso acontece em todos os saberes. Temos de nos guiar pelos textos centrais. Quais são os textos centrais? São os que são publicados pelos autores centrais que estudam nas universidades centrais. Se os tiver traduzidos, muito bem, caso contrário, muitas das vezes, tem de os ler noutra língua.
A tradição socrática é a tradição analítica em que se discute os problemas argumentativamente. É a essência do filosofar. Problema – tese – argumento – contra argumento, nisto consiste a tradição socrática e analítica. Toda a filosofia é analítica.
O pós modernismo é uma corrente de pensamento europeia sistematizada por Lyotard e consequência daquilo que se chama exageros da verdade, como aconteceu com o regime nazi. É uma corrente que está muito bem explicada pelos seus mentores. A tradição socrática vem de Sócrates, pelo que não pode dizer que a tradição analítica tem um século, ao contrário do pós modernismo que, curiosamente, é uma corrente que se alastrou rapidamente. Curiosamente o pos modernismo é a porta de abertura a posições como a que o Daniel parece querer defender: afinal isto tudo não passa de uma perspectiva, uma interpretação do texto x ou do problema x e não há razão para pensar que uma interpretação é melhor que a outra, pois tudo é perspectiva. Mas há uma questão que o pos modernismo não sabe responder: e o “ser tudo uma perspectiva” é em si uma perspectiva também? É que o princípio “tudo é perspectiva” não pode ser um principio universal. Ele próprio tem de ser uma perspectiva. Além do mais se o princípio “tudo é uma perspectiva” for verdadeiro, como é que pode ser falsa o meu princípio de que “nada é perspectiva”? É assim, Daniel, que os filósofos e nós também, sabemos que uma filosofia é mais relevante que outra, que um argumento é mais forte que outros. É pensando!
Espero ter ajudado
De wendel a 3 de Julho de 2008 às 05:13
Professor, existe um problema evidente no seu argumento. Ora, dizer que "tudo é perspectiva" não exclui que um sistema seja argumentativamente melhor desenvolvido que outro. Dizer que "tudo é perspectiva" funda tão somente a possibilidade, em uma perspectiva qualquer, de enunciar: "tudo é perspectiva",mas também funda a possibilidade de dizer o contrário; qual então é a mais correta? É necessário, pois, analisar cada sistema pra descobrir quem tem razão - o perspectivista, ou o não-perspectivista? Não exclui de modo algum a argumentação...
De rolandoa a 3 de Julho de 2008 às 10:50
Caro Wendel,
Vamos supor que estou perante um perspectivista e lhe enuncio o seguinte: a minha perspectiva é que todas as perspectivas além da minha são idiotas! Que argumentação possível tem o perspctivista a dar-me? Nenhuma, a não ser um simples, "está bem, essa não é a minha perspectiva, mas se tudo é perspectiva resta-me o respeito moral pela sua". E posso ir mais longe com o meu interlocutor dizendo-lhe"além da sua perspectiva ser falsa, isto das persctivas não existe". se o meu interlocutor insistir que sim, então eu posso objectar dizendo-lhe que, afinal de contas, a minha perspectiva é essa, a de que não existem perspectivas. Racionalmente o perspectivismo é uma ilusão.
abraço
De Daniel a 3 de Julho de 2008 às 21:22
Olá professor Rolando,

Aqui no Brasil é diferente o tratamento que se dá para os problemas filosóficos. Dificilmente se aceitaria que um aluno rapidamente consultasse em vinte minutos alguns dicionários ou uma enciclopédia para dar conta de um conceito. Provavelmente diriam para um aluno ler autoridades no assunto, depois, dependendo de que conceito seja, pediriam para que se lesse alguns autores anteriores que trataram do mesmo conceito - no caso de ter sido influenciado ou ter lido esses outros autores.

Certa vez em conversa com um professor universitários questionávamos se uma filosofia feita em cima de problemas e de debates não seria mais rica e a resposta que tínhamos era que nos EUA em muitos casos havia uma simplificação do que certos autores haviam dito. Havia uma preocupação muito maior com a discussão do que o cuidado com que os autores haviam escrito. O professor entrevistado defendia uma idéia de fazer filosófico inspirada em Althusser, chamada leitura sintomática. Infelizmente, não saberia reproduzir com precisão tal noção.

O problema dessa caracterização de pós-modernismo é que nisso entram muitos autores distintos. Alguns autores dizem assumem claramente isso que chamam de pós-modernismo, mas e tantos outros? Queria ver uma lista de autores e obras ditos pós-modernos e o que eles teriam de pós-modernos.

Muito pelo contrário, sou bastante simpático a uma visão que se centra no debate, na discussão, na razão, apenas sou sensível às críticas que são feitas por outros filósofos e gostaria de saber como rebatê-las.

Mas tudo bem, fico por aqui. Espero encontrar essas respostas.

Obrigado.
De rolandoa a 4 de Julho de 2008 às 01:08
Olá Daniel,
A minha formação não vai muito distante do que o que o Daniel refere. Quando lhe falei em procurar num dicionário ou enciclopédia, falei em autoridades. Kenny é um teólogo de Oxford. A Routledge é das melhores encilopédias de filosofia que existem. Aqui em portugal a formação em filosofia passa essencialmente pelo terrorismo verbal, pelo que a maior parte dos académicos impressionam-se uns aos outros com discursos pretensamente profundos e sempre com a mania de ir às fontes, ao original do original. O engraçado é que lhes escapa o essencial dos problemas. A filosofia é discussão de problemas, ainda que, para tal, tenhamos, obviamente, de ler os autores e textos clássicos. Os autores americanos não desprezam os clásicos. Acha que Goodman ou Quine os desprezaram? Nem por sombras... essa é uma ideia falsa que existe em relação aos americanos. Além do mais na america existem muitos estudos de filosofia, feitos das mais variadas formas. O que eu acho engraçado é que academias como a portuguesa ou brasileira dormem de costas voltadas para as academias americanas ou inglesas nas quais se produz 100 vezes mais filosofia. É estranho esse comportamento nas academias como as portuguesas e brasileiras.
Abraço
saudações para o Brasil, país que gostava muito de visitar..
De Daniel a 4 de Julho de 2008 às 21:48
Caro professor Rolando,

Sim, aqui essa mania de exgese é a regra. E por fim o que se ia buscar, um conceito, uma idéia acaba virando um problema em si ou no meio da busca descobre-se problemas. E as questões que nos interessavam acabam se perdendo.

Os manuais também não são muito diferentes. São mais informativos do que procuram discutir questões, problemas. Seria interessante que por aqui se fizesse uma revisão crítica dos livros didáticos produzidos. Comprei há pouco manuais Arte de Pensar e não há como comparar com livros como Filosofando, ou Convite à Filosofia, pois as propostas são totalmente diferentes. Enquanto que os livros brasileiros se passa informações e mais informações sobre história das idéias, os manuais portugueses esperam que o aluno realmente pense, defende suas idéias, faça relações. São exigidas muito mais capacidades do que a mera decoreba.

um abraço e obrigado pelas respostas.

Daniel
De rolandoa a 5 de Julho de 2008 às 12:34
Daniel,
aconselho a leitura deste texto:
http://psicofoda.blogs.sapo.pt/1384.html
A situação dos manuais de escola em Portugal não é muito diferente da que me relata ser a do Brasil. Em média temos uma oferta de 15 manuais diferentes para cada nível de ensino. 4 ou 5 são realmente bons. O resto é lixo para fazer dinheiro. Se quiser e tiver paciência pode ler neste mesmo blog a análise que faço aos manuais, no link:
http://rolandoa.blogs.sapo.pt/92085.html
abraço

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Rolando Almeida


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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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