Quinta-feira, 2 de Novembro de 2006

Hannah Arendt - As Origens do Totalitarismo

Escrita em 1951, esta obra trouxe um contributo fundamental para a compreensão do totalitarismo, tanto no caso soviético com a luta de classes, como no nazismo com a luta de raças. Hannah Arendt apresenta um quadro completo da organização totalitária, a sua implantação, a propaganda, o modo como manipula as massas e se apropria do Estado com vista à dominação total. A sua crítica da razão governamental totalitária ainda hoje é pertinente, numa época onde vigoram regimes com estas características e, mais do que isso, num terreno onde a democracia liberal não afastou por completo os vestígios de uma ideologia de terror que torna o homem supérfluo. Com a sua lúcida análise, percebemos por que motivo o campo [de concentração] se encontra no âmago do totalitarismo.
No final Arendt deixa uma «profecia» desconcertante: «As soluções totalitárias podem muito bem sobreviver à queda dos regimes totalitários sob a forma de forte tentação que surgirá sempre que pareça impossível aliviar a miséria política, social ou económica de um modo digno do homem.»
O último cap. da segunda parte intitulado “O declínio do Estado-nação e o fim dos Direitos do Homem” mantém toda a actualidade ao tratar do problema dos apátridas e dos refugiados, dos «povos sem Estado», fora de todo o sistema legal e expostos à arbitrariedade da polícia. São estes princípios de exclusão da comunidade que, aliados a uma subordinação obrigatória à vontade de um Chefe, tornaram possível o totalitarismo. Num presente como o nosso, com genocídios e acumulação de refugiados, é a Arendt que teremos ainda de voltar como fonte esclarecedora dos grandes fenómenos da filosofia política. Esta reedição que acaba de sair com a chancela da D. Quixote tem a vantagem de reunir os 3 volumes num só.
José Caselas
Professor de Filosofia - Lisboa
publicado por rolandoa às 23:03

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Blog de divulgação da filosofia e do seu ensino no sistema de ensino português. O blog pretende constituir uma pequena introdução à filosofia e aos seus problemas, divulgando livros e iniciativas relacionadas com a filosofia e recorrendo a uma linguagem pouco técnica, simples e despretensiosa mas rigorosa.

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